DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.3  n.2   abr/02          ESTE NÚMERO...


Abordamos, neste número, temas relacionados com a Distribuição  da Informação, amplamente entendida como transferência de informação,  ocultamento e censura da informação, disseminação da informação científica, socialização da informação, democratização da informação, universalização do acesso à informação, ou estratégias de distribuição da informação.

A produção de estoques de informação orienta-se por uma racionalidade técnica e produtivista. A distribuição ou transferência da informação, contudo, está condicionada por uma limitação contextual e cognitiva. Para intervir na vida social e gerar conhecimento que promove o desenvolvimento, a informação deve ser transmitida e reconhecida como tal. Os espaços sociais não são homogêneos como pressupõe processamento técnico dos estoques de informação. A realidade -  sobre a qual se pretende que a informação atue e transforme - é multifacetada e formada por micronúcleos sociais, com divergências tão profundas em países como o Brasil, que podem ser vistos como micronações isoladas por suas diferenças. Esses espaços sociais diferenciados não constituem uma simples justaposição de singularidades, ao contrário, são entidades orgânicas com forte sentido de pertencimento coletivo, um corpo de costumes, tradições, sentimentos e atitudes organizadas. Tal organização concentra um conjunto de saberes, regras, normas, proibições e permissões que são conservadas e transferidas através de canais próprios de comunicação. Essa diferenciação e aproximação, certamente, condicionam a distribuição da informação, o seu uso e  sua apropriação pelo receptor e seu grupo social.

É justo, portanto, dizer que devemos tanto aos autores e editores que contribuem para a DataGramaZero como, também, aos seus leitores.

"Assim se recicla o ser total da escrita: um texto é feito de escritas múltiplas, saídas de várias culturas e que entram umas com as outras em diálogo, em paródia e em contestação; mas há um lugar em que esta multiplicidade se reúne, e esse lugar não é o autor, como se tem dito até aqui, é o leitor: o leitor é o espaço exato em que se inscrevem, sem que nenhuma se perca todas as citações de que uma escrita é feita; a unidade do texto não está em sua origem, mas no seu destino, mas este destino não pode ser pessoal: o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem psicologia (...) para devolver à escrita o seu devir é preciso inverter o seu mito. O nascimento do leitor tem que pagar-se com a morte do autor" (BARTHES, R. "A morte do autor", O rumor da língua, 1987)