| Periódicos brasileiros em Ciência
da Informação*
por Joana Coeli Ribeiro Garcia Periódicos brasileiros sofrem uma indefinição eterna quanto a sua continuidade de publicação que pode ir da interrupção temporária até a paralisação definitiva. Conscientes desta situação, cientistas, professores, pesquisadores, produtores de informação e administradores de sistemas de informação obrigam-se a permanecer atentos aos títulos em circulação. Os primeiros para conhecer e encaminhar sua produção e os segundos para fazer os devidos registros de cada título e manter suas coleções atualizadas. No início de 2002 a lista de discussão da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (ANCIB) divulga solicitação do pesquisador Rubén Urbizagástegui Alvarado, bibliotecário associado da Universidade da Califórnia, sobre a situação de alguns títulos brasileiros da área. A consulta poderia ser apenas ocasional, de profissional que acompanha este tipo de documento, cujos interesses estão tanto na primeira condição quanto na segunda, não fosse a ameaça que paira sobre tais publicações. Ameaças ou indefinições não estão relacionadas somente aos problemas psicológicos, à ansiedade em publicar, às tensões que se geram no autor-criador que se dedica a escrever uma obra e que podem levá-lo à esterilidade intelectual, objeto de reflexões de Araújo, Araújo, Rocha. São físicas, materiais, palpáveis, referentes a questões que garantam circulação sistemática e que se constituem em elemento de avaliação (inclusive, para concessão de financiamento) pelas agências fomentadoras nas análises dos cursos de pós-graduação. Informação&Sociedade: Estudos, um dos títulos da área, completa dez volumes publicados, em 2000, com alguns atrasos temporais, atualmente sanados. O texto que mapeia sua história (Autran, Albuquerque) demonstra a quantidade e a diversidade das contribuições da e para a área ao somar 76 temas distintos entre seus artigos. Comprova, portanto, a representativa produção científica da área e se antena com as especificidades e demandas bem atuais, haja vista artigo deste número que aborda as redes científicas e seu papel na construção do conhecimento (Silva); ou o de Freire que propõe como responsabilidade social da ciência da informação: facilitar a comunicação do conhecimento científico; ou ainda o resultado de pesquisa de Silva, Menezes, Bissani, para verificar o uso da Internet, como canal formal de comunicação científica, nas instituições federais de ensino superior (IFES) no Brasil, como alternativa para a socialização do conhecimento produzido. O periódico citado foi publicado até agora com recursos advindos do Curso de Mestrado em Ciência da Informação (CMCI) e, como diria Zuleide Medeiros de Souza, a primeira editora, contando também com a boa vontade de uns poucos abnegados. Afora este número, cujos recursos vieram da Pró-Reitoria de Pós Graduação, a guisa de prêmio, por ser na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) o único considerado pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior (CAPES) como de nível internacional, não há mais como dispor dos recursos do CMCI para os próximos números, tendo em vista que o seu não credenciamento retira-lhe a ajuda material, e o ciclo se fecha. (... continua) |
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Quais podem ser as alternativas? A) Auto-manutenção através
do pagamento de assinaturas. Ora, todos os que fomos, ou somos, editores
de publicações seriadas no Brasil, pelo menos na área
de ciência da informação, sabemos que elas não
cobrem os custos de uma edição, portanto não garantem
a circulação sistemática.
NB: As citações bibliográficas são chamadas aos artigos constantes do fascículo a que o Editorial refere.
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