Resumo: Com a finalidade de contribuir com subsídios para a elaboração de política de tratamento da informação documentária de bibliotecas universitárias foi desenvolvido um estudo diagnóstico para coleta de dados com uma amostra de nove bibliotecas universitárias do sistema de bibliotecas da UNESP em três áreas do conhecimento – Odontologia, Engenharia Civil e Pedagogia. Composto por três partes – funcionamento do tratamento de informações documentais na perspectiva da gerência do sistema de bibliotecas universitárias; procedimentos do tratamento de informações documentais na perspectiva do catalogador, e avaliação do acesso e recuperação da informação on-line pelo usuário à distância – o estudo diagnóstico foi realizado com base no pressuposto de que a vinculação com o contexto de sistemas de informação necessita considerar várias perspectivas simultaneamente para revelar o ambiente externo que circunda e sustenta o trabalho do catalogador de assuntos. A primeira parte constou de aplicação de questionário junto aos dirigentes; a segunda parte foi realizada com aplicação da técnica introspectiva de Protocolo Verbal Individual junto aos catalogadores e de Protocolo Verbal em Grupo com grupos formados, em cada biblioteca, pelo dirigente, catalogador, bibliotecário de referência, pesquisador e aluno de graduação; e a terceira parte constou da aplicação do Protocolo Verbal Individual com alunos de graduação de cada uma das três áreas do conhecimento. Os resultados demonstraram que os catalogadores seguem uma metodologia sistematizada e consolidada pela literatura para catalogação de forma (tratamento físico), porém não demonstram metodologia para a catalogação de assunto (tratamento temático). Acreditamos que a política de tratamento da informação documentária e tudo aquilo que a compõe – metodologias para representação descritiva e temática, linguagens documentárias, estudo de usuário, entre outros – necessita de maior atenção no que diz respeito à elaboração de normas, procedimentos e técnicas, sua implantação, implementação e avaliação para que a função das bibliotecas universitárias seja mantida e atualizada de acordo com as mudanças da sociedade.
Palavras-chave:Catalogador;
Contexto sociocognitivo; Política de tratamento da informação documentária;
Protocolo Verbal; Biblioteca universitária; Diagnóstico Organizacional.
Abstract:In order to contribute with subsidies for
the accomplishment of the documentary information treatment policy in
university libraries, it was developped a diagnostic study for data
collecting with a sample of nine university libraries from UNESP libraries'
network, in three fields of knowledge: Dentistry, Civil Engineering and
Education. It is consisted of three parts - functioning of documentary
information treatment in perspective of the university libraries system's
management; procedures of documentary informations treatment in perspective
of the cataloguer, and evaluation of the access and on-line retrieval by
remote user - the diagnostic study was carried out based on the
presupposition that the combination with the context of information systems
needs to consider different perspectives simultaneously to reveal the
external environment that surrounds and contains the work of the subject
cataloguer. The first part consists of applying a questionnaire to the
managers; the second one consists of applying the introspective methodology
of Verbal Protocol to the cataloguers and the Verbal Protocol in Group to
groups formed in each library by the manager, cataloguer, reference
librarian, researcher and undergraduated student; and the third one consists
of applying the Individual Verbal Protocol to undergraduated students of
each one of the three fields of knowledge. The results show that the
cataloguers follow a systematized methodology consolidated by literature to
the form cataloguing (descriptive treatment), but don't show methodology to
subject cataloguing (thematic treatment). We believe that the policy of
documentary treatment - the methodology for thematic and descriptive
representing, the documentary languages, the user study - need higher
attention relating to the setting up of patterns, procedures and technics,
its implantation, implementation and evaluation so as the university
libraries' function be kept and updated according to the society's changings.
Keywords:
Cataloguer; Social-cognitive context; Policy of Documentary Information
Treatment; Verbal Protocol; University library; Organizational diagnosis.
Introdução
As [ 1] bibliotecas universitárias brasileiras são sistemas de informação que produzem bases de dados cujas formas de representação documentária estão organizadas em metadados com possibilidade de acesso múltiplo. São, portanto, instrumentos plurifuncionais porque dão acesso, confirmam dados e possibilitam avaliação. Com o acesso às informações por meio dos catálogos on-line, mais conhecidos pela sigla OPAC (On-line Public Acess Catalog), os usuários podem recuperar as informações necessárias por meio de buscas cruzadas em diversos índices, como autor, título, assunto e data. A recuperação em catálogos on-line traz para os usuários uma lista com registros bibliográficos referentes à pesquisa realizada. Assim, o usuário pode selecionar o registro desejado que vem acompanhado da informação sobre a localização física em formato impresso.
A localização física da versão impressa de um documento, por exemplo, uma
dissertação, é feita pela indicação da biblioteca que a possui para que o
usuário possa fazer o empréstimo local. No mesmo registro encontram-se
outros campos contendo informações sobre a descrição de conteúdo e descrição
física da dissertação, o que permitirá o acesso a essa dissertação por
qualquer representação de seu conteúdo ou descrição física. Em catálogos de
bibliotecas, os registros bibliográficos são, em sua maioria, de documentos
que denominamos de obras avulsas para nos referirmos ao leque de documentos
que se apresentam como livros, dissertações, teses, obras de referência e
outros, diferente das bibliografias que contém registros bibliográficos de
artigos de periódicos. Nesse contexto, entendemos que o bibliotecário
catalogador tem nessas tipologias documentárias os alvos de sua tarefa de
análise de assunto.
A investigação do contexto de tratamento de conteúdo em bibliotecas
universitárias é oportuna em razão da pesquisa em Leitura Documentária (Fujita,
1999b) já ter coletado seus resultados ora com indexadores de serviços de
informação bibliográficos como o
Centro de Informações Nucleares –
CIN, ora com bibliotecários indexadores que realizam
indexação para a construção da bibliografia
LILACS em
base de dados referencial disponível na web produzida pela
BIREME. Em continuidade, o interesse maior é pelo contexto de
bibliotecas universitárias onde os bibliotecários catalogadores realizam
análise de assuntos para indexação no tratamento de conteúdos documentários
para a construção do catálogo on-line. Trata-se, portanto, de outra situação
de contexto de sistemas de recuperação da informação, cujas funções e usos
são diferenciados em razão de objetivos institucionais distintos entre
bibliotecas e serviços de informação especializados em áreas de
conhecimento.
O estudo do contexto de tratamento de conteúdo de bibliotecas universitárias
é a proposição desta investigação com o objetivo mais amplo de contribuir
com subsídios para a elaboração de políticas de tratamento da informação
documentária de bibliotecas universitárias e específicos de desenvolver
métodos e técnicas para estudos de abordagem sociocognitiva do contexto de
indexadores em ambientes institucionais, além de observar a atuação do
catalogador na tarefa de indexação.
O catalogador, seu contexto sociocognitivo e a política de tratamento
documentário
Considerando-se, a existência de uma “cadeia documentária” (Guinchat; Menou,
1994) composta pelas operações de coleta, tratamento e difusão realizada em
unidades de informação, o tratamento documentário é uma operação
intermediária que cuidará desde o controle e registro material do documento,
descrição do conteúdo até a sua armazenagem para que seja possível a
difusão. Dias (2001, p. 4) contextualiza o tratamento em sistemas de
informação e recuperação da informação e o define como “a função de
descrever os documentos, tanto do ponto de vista físico (características
físicas dos documentos) quanto do ponto de vista temático (ou de descrição
do conteúdo)”. O tratamento, pelos próprios aspectos de forma e conteúdo do
documento, apresenta uma dicotomia de operações de tratamento descritivo do
suporte material da informação e do tratamento temático de conteúdo da
informação. Esta dicotomia que se apresenta no tratamento documentário é
explicada, de um lado, pelo desenvolvimento teórico e metodológico distintos
alcançados pelas duas áreas e de outro, pela diferença existente entre os
aspectos da informação, o material e o conteúdo, que exigem tratamento
diferenciado e comportam dois níveis:
- o da forma - análise descritiva ou bibliográfica - o tratamento físico da informação ligado com o suporte;
- e o do conteúdo - tratamento temático da informação e destina-se à representação condensada do assunto intrínseco ou extrínseco tratado em um determinado documento.
Contudo, é preciso considerar o tratamento dentro de um contexto de sistema de informação e nessa perspectiva, os tratamentos de forma e conteúdo, embora operacionalmente distintos, são dependentes um do outro, principalmente, se consideramos o contexto em ambientes de bibliotecas. Na biblioteca o formato descritivo utilizado é o catalográfico, a maioria em MARC21, que conterá o resultado das operações de tratamento de conteúdo documentário, o número de classificação, obtido pela classificação, os cabeçalhos de assuntos determinados pela catalogação de assunto e, em alguns casos, o resumo derivado da elaboração de resumo. Para análise do contexto de tratamento, consideramos importante associar os dois níveis de tratamento, uma vez que a biblioteca é composta por processos interligados (inserção de documentos, classificação, catalogação, indexação etc.) com objetivo comum de disponibilizar a informação para acesso e recuperação.
O tratamento de conteúdo realiza-se pelas operações de análise, síntese e
representação (Fujita, 1999a). Na literatura, a primeira fase do tratamento
de conteúdo, a análise ou análise de assunto, é tema de estudos pelo seu
caráter procedimental estar sujeito a uma tarefa intelectual que depende do
conhecimento prévio do profissional que executa a tarefa. No que se refere
especificamente à tarefa de análise de assunto encontramos os estudos de
Dias, Naves e Moura (2001), Fujita (2003a) e
Dias (2004) que apresentam uma
revisão de literatura acerca da abordagem metodológica de estudos em
perspectivas diferentes. Dias (2004, p. 147) ressalta que “Os estudos de
análise de assunto vêm sendo feitos de três perspectivas principais: a dos
profissionais de informação, a dos usuários e a dos autores das obras
analisadas”, citando os estudos relativos à perspectiva dos profissionais da
informação (Chu e O’breen), 1993, Naves, 2001,
Farrow, 1991, Fujita, 1999b),
dos autores dos textos indexados (Braam e Bruil, 1992) e dos usuários na
abordagem centrada no usuário (Derwin e Nilan, 1986,
Dias, Naves e Moura,
2001), além de estudo que adota uma combinação das três perspectivas
(Turner, 1995, Saarti, 2000).
A análise de assunto, enquanto operação de tratamento de conteúdo
documentário, é realizada por indexadores, classificadores, resumidores e
catalogadores com diferentes tipos de documentos e em diferentes sistemas de
informação. Por isso, segundo Dias(2004, p. 147)
O profissional responsável pela análise de assunto nos sistemas de informação recebe diferentes nomes dependendo do tipo de sistema e do tipo de documento com que lida. Assim a análise de assunto numa biblioteca (inclusive bibliotecas digitais), e quando o material se trata principalmente de monografias e documentos similares, é feita por dois tipos de profissionais: a) pelo classificador, cuja função é escolher, no sistema de classificação utilizado pela biblioteca, o número de classificação a ser consignado ao documento; e b) pelo catalogador, cuja função é determinar os cabeçalhos de assunto ou descritores a serem utilizados no registro catalográfico que será criado para aquele documento; neste caso, esse catalogador pode ainda ser chamado, mais especificamente, de catalogador de assunto, para diferenciar essa tarefa (catalogação de assunto) da outra tarefa do catalogador, a de identificação dos demais dados bibliográficos (catalogação descritiva).
Com base nessas considerações, é apropriado esclarecer que o catalogador, quando realiza a análise de assunto, deverá ser entendido como indexador, uma vez que a própria área de pesquisa reconhece a indexação e a catalogação de assuntos como conceitualmente equivalentes na concepção de Lancaster (1993), Silva e Fujita (2004) e Milstead (1983) entre outros. A razão de existirem como dois ramos da análise de assunto advém da procedência da atividade de cada uma, pois a catalogação de assuntos está essencialmente ligada à construção de catálogos de bibliotecas e a indexação à construção de índices de bibliografias em serviços de informação bibliográficos que produzem bases de dados. Além disso, a indexação tem raízes entrelaçadas, em diferentes momentos de sua evolução teórica e metodológica, em aproximadamente cem anos de estudos desde a publicação, em 1876, da obra básica de Charles Ammi Cutter, “Rules for a dictionary catalog”, até a idealização do sistema de indexação PRECIS por Derek Austin em 1974. (Silva; Fujita, 2004).
Essa equivalência é uma questão importante quando se trata da análise de
assunto em bibliotecas porque, embora possamos argumentar a favor de uma
equivalência conceitual com razões teóricas e metodológicas, o catalogador
no contexto de bibliotecas, muito provavelmente, não consegue entender sua
prática de catalogação como prática de indexação e isso é importante
constatar no desenvolvimento do estudo diagnóstico. Empiricamente,
podemos afirmar que a catalogação de assunto em bibliotecas deriva da
atividade de classificação, uma vez que
Os índices outrora existentes em sistemas de recuperação da informação, tais como os antigos catálogos de fichas de bibliotecas, foram considerados dentro de uma perspectiva classificatória, porque os chamados cabeçalhos de assunto eram compostos sob influência da terminologia classificatória e não do texto e seu conteúdo. (Fujita, 2003a, p. 75)
A automação de sistemas de
bibliotecas permitiu que os catálogos, antes locais e restritos à
determinada comunidade, agora se tornassem disponíveis através da Internet,
atravessando fronteiras físicas e temporais. No nosso ponto de vista, essa
visibilidade do catálogo faz com que o bibliotecário assuma uma nova
responsabilidade compromissada com construção de catálogos em bibliotecas
universitárias condizentes com a realidade não somente de sua comunidade
usuária local, mas também de uma comunidade usuária potencial virtual, todas
cada vez mais exigentes.
Por estes motivos e considerando-se a necessidade dos catálogos on-line se
aproximarem do conceito de acesso e recuperação da informação provida pelas
atuais fontes de informação eletrônicas disponíveis na web, partimos do
princípio que catalogadores de assunto precisam ter domínio de metodologias
de análise de assunto voltadas para concepções orientadas para o conteúdo e
a demanda. Nesse sentido, entendemos que o catalogador, em bibliotecas,
deverá assumir a tarefa de indexação para realizar a análise de assuntos no
tratamento dos conteúdos documentários com a finalidade de preenchimento do
campo de assunto em formatos catalográficos.
Além disso, é importante afirmar que essa visibilidade do catálogo e a
responsabilidade do bibliotecário permeiam todo o processo de catalogação de
forma e assunto, tornando-se necessário uma mudança de postura do
bibliotecário de modo a conscientizar-se sobre a importância de adoção de
critérios de qualidade para esse processo que resultará na recuperação da
informação, sendo a política de tratamento da informação documentária, um
deles.
Essa política torna-se importante porque visa à gestão da informação
registrada de modo a dar visibilidade na recuperação, além de identificar
condutas teóricas e práticas das equipes de tratamento da informação
documentária envolvidas para definir um padrão de cultura organizacional
coerente com a demanda da comunidade acadêmica interna e externa. Nesse
sentido, é procedente a observação quanto ao nível de influência da
interação sociocognitiva dos profissionais com o contexto de tratamento da
informação documentária na tarefa de indexação.
A perspectiva sociocognitiva em indexação é necessária porque o objetivo do
tratamento da informação é a recuperação da informação e envolve, além do
catalogador, seu contexto sociocognitivo de produção composto por usuários,
métodos, técnicas, materiais e ambiente desse processo.
Fujita (2007b), ao abordar o modelo interacionista de
Giasson (1993) em que
a leitura é realizada pela interação entre as três variáveis,
texto-leitor-contexto, propõe uma abordagem sociocognitiva na qual precisam
desenvolver-se todos os estudos de leitura documentária a partir do enfoque
do leitor indexador em que se observa o conhecimento prévio a partir de seu
contexto sociocognitivo. O contexto, nesse âmbito, constitui “ a
terceira variável do modelo de compreensão e engloba todas as condições nas
quais se encontra o leitor (com as suas estruturas e processos) quando entra
em contato com um texto " (Giasson,1993, p. 40) e o contexto
sociocognitivo é compreendido, segundo Koch (2002), como a interação entre
contextos cognitivos, parcialmente semelhantes, de modo que seu conhecimento
– enciclopédico, sociointeracional, procedural etc., sejam, ao menos,
parcialmente compartilhados.
A abordagem sociocognitiva, portanto, tem como foco o sujeito que realiza
uma determinada atividade e sua cognição em relação ao seu contexto de
produção. Neste estudo diagnóstico, o foco está no contexto de tratamento da
informação documentária do catalogador constituído de objetivos da
indexação, política de indexação, regras e procedimentos do manual de
indexação, a linguagem documentária para representação e mediação da
linguagem do usuário e os interesses de busca do usuário, o que significa
considerar o sistema de informação e seus serviços de organização e
recuperação de informação, bem como o indexador com seu conhecimento prévio
profissional e objetivos em situação de interação durante o processamento
textual para os objetivos de indexação.
Entretanto, a viabilidade da abordagem sociocognitiva vinculada ao contexto
de sistemas de informação necessita considerar, na investigação, várias
perspectivas simultaneamente para revelar o ambiente e a percepção de
usuários e profissionais que circundam e sustentam o trabalho de análise de
assuntos do catalogador em bibliotecas universitárias. Para obtermos a visão
amplificada e simultânea dos diferentes participantes do processo de
tratamento da informação documentária, desde o produtor até o usuário,
adotamos uma abordagem sociocultural mais ampla em acordo com Jacob e Shaw
(1998, p. 141) e Hjørland (1997, p. 118) que defendem a adoção de uma
“abordagem metodológica coletivística”
que incorpora investigação psicológica do individual dentro de uma perspectiva sociocultural e histórica mais abrangente, fixando o interno/individual dentro do externo/ambiente e, desse modo, integrando os vários níveis de investigação para alcance de sistemas de representação e recuperação verdadeiramente efetivos.
O desenvolvimento desta investigação será realizado em torno da tarefa de análise de assunto utilizando abordagem cognitiva com a visão sociocultural mais ampla na combinação de perspectivas dos profissionais da informação (bibliotecários dirigentes, catalogadores e de referência), dos pesquisadores usuários e geradores de conhecimento sobre o sistema de informação e seus serviços de organização e recuperação de informação, bem como o catalogador com seu conhecimento prévio profissional e objetivos em situação de interação durante o processamento textual para os objetivos de indexação.
Para obter as diferentes perspectivas na abordagem metodológica
coletívistica, o estudo diagnóstico utilizou questionário e a técnica
introspectiva do Protocolo Verbal nas modalidades Individual e em Grupo para
as várias coletas de dados realizadas com catalogadores, bibliotecários de
referência, dirigentes de bibliotecas, usuários pesquisadores e alunos de
graduação em uma amostra de nove bibliotecas universitárias do sistema de
bibliotecas da UNESP em três áreas do conhecimento: Odontologia, Engenharia
Civil e Pedagogia.
Metodologia para abordagem sociocognitiva do contexto de tratamento da
informação documentária
O estudo do contexto profissional do catalogador que executa a tarefa de
análise de assunto para indexação foi realizado com bibliotecas
universitárias da UNESP. O sistema de bibliotecas da
UNESP é composto por 32
bibliotecas de unidades universitárias e unidades complementares em 23
cidades do Estado de São Paulo [2]. Os
registros de todas as bibliotecas da UNESP estão disponíveis em catálogo
central de acesso público via Internet [3],
denominado
ATHENA. O sistema
ALEPH é o software
utilizado para automação dos serviços de aquisição, registro, catalogação,
empréstimo e controle de periódicos.
Antes do desenvolvimento do estudo diagnóstico foi necessário contato com os
bibliotecários da
Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB), órgão
coordenador da rede de bibliotecas da UNESP, para obter uma visão geral dos
procedimentos de tratamento da informação documentária, definir parâmetros
para as diferentes etapas das coletas de dados e receber autorização para a
realização do estudo diagnóstico. Conforme relatos verbais de bibliotecários
da CGB sobre o funcionamento do catálogo da UNESP, obtivemos as seguintes
informações:
- A rede de Bibliotecas da UNESP iniciou o seu processo de automação por volta de 1993/1994 com a participação na Rede BIBLIODATA [4] mantida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Considerando-se que a Rede de Bibliotecas da UNESP contava na época com um acervo de livros de aproximadamente 800.000 volumes, a CGB realizou um estudo comparativo deste acervo com a base de dados da Rede BIBLIODATA, por amostragem, onde se constatou uma possibilidade de conversão de cerca de 50% do acervo (Martenelli, 1998; Universidade Estadual Paulista, 1998);
- Decidiram, então, iniciar a formação do seu Banco de Dados Bibliográficos ATHENA utilizando o processo de Conversão Retrospectiva – RECON (Retrospective Conversion), um modelo conhecido por Bibliotecas para incrementar bases de dados de forma mais ágil e rápida em um processo de compartilhamento cooperativo de registros bibliográficos em formatos de intercambio digital;
- Para isso, optaram pela utilização do Anglo American Cataloging Rules, 2nd edition (AACR2) e o formato Machine Readable Cataloging (MARC) desenvolvido pela Biblioteca do Congresso Norte-Americano (LC, US Library of Congress), permitindo aos seus bibliotecários catalogadores a importação e exportação de registros bibliográficos no catálogo ATHENA durante a conversão retrospectiva;
- Os procedimentos de inserção de registros bibliográficos se iniciam com a verificação de existência no catálogo ATHENA. Em caso positivo, são anotados dados de identificação dos registros e, em caso negativo, são realizadas buscas dos registros na base de dados cooperativa da Rede BIBLIODATA e no catálogo da Library of Congress. Para as obras não localizadas nessas bases servidoras será realizada a catalogação original (CO).
- Entretanto, as buscas de registros demonstram que existe uma classificação dos registros catalográficos quanto à recuperação:
- identidade total (IT) quando os campos do formato MARC são idênticos, tanto no registro da base servidora quanto no original, o registro é gravado em um arquivo e será adequado ao Padrão UNESP (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, 2002) antes da sua importação para a base;
- registro aproveitável (RA) quando o registro tem alguns campos idênticos, mas, apresenta campos diferentes como, por exemplo, edição ou data, serão aproveitados os campos iguais e os restantes serão alterados e importados para a base como registros novos e, posteriormente, deverão ser incorporados pela Rede BIBLIODATA; e
- os registros não localizados (NL) que não foram encontrados em nenhuma das bases servidoras, será realizada a catalogação original (CO).
As coletas de dados foram
realizadas em uma amostra de 9 bibliotecas da UNESP das três áreas do
conhecimento: Humanas, Exatas e Biológicas, respectivamente, Pedagogia,
Engenharia Civil e Odontologia [5], conforme
demonstrado no quadro 1 e obedecendo a cronograma previamente estabelecido:
QUADRO 1- Seleção das Bibliotecas universitárias da UNESP

A metodologia adotada constituiu-se de estudo diagnóstico composto por três
partes:
a) funcionamento e procedimentos do tratamento de informações documentárias na perspectiva gerencial da rede de bibliotecas da UNESP;
b) funcionamento e procedimentos do tratamento de informações na Rede de Bibliotecas da UNESP na perspectiva do catalogador;
c) avaliação do acesso e recuperação da informação on-line pelo usuário à distância
Para a realização da primeira parte foi aplicado questionário de diagnóstico organizacional com os diretores das nove bibliotecas universitárias. A elaboração do questionário foi fundamentada no diagnóstico organizacional exposto por Almeida (2005, p. 53-55) para identificar itens organizacionais, materiais, de procedimentos e processos, documentários e de pessoas que constituem o contexto sociocognitivo do catalogador, quais sejam:
- Espaço físico; área(s) de especialidade(s) da biblioteca; Estrutura organizacional da biblioteca; Tipo de gestão; Atividades de planejamento; Desenvolvimento de projetos; Documentação técnica e administrativa; Pessoal e programas de capacitação; Acervo e processamento técnico; Informatização; Recuperação da Informação; Usuários e programas de orientação; Comunicação e divulgação; Relações com instituições afins e Avaliação.
No desenvolvimento da segunda e terceira partes, sobre o funcionamento e procedimentos do tratamento de informações na Rede de Bibliotecas da UNESP na perspectiva do catalogador e avaliação e do acesso e recuperação da informação on-line pelo usuário à distância, foi utilizada a técnica introspectiva do Protocolo verbal nas seguintes modalidades:
1. Protocolo verbal individual (PVI), técnica introspectiva de coleta de dados aplicada com:
a) 9 bibliotecários catalogadores para identificação dos procedimentos de análise de assunto na catalogação de livros, bem como dificuldades e restrições;
b) com 18 alunos de graduação dos 1° e 4° anos dos Cursos de Pedagogia, Odontologia e Engenharia da UNESP aplicado para observação da tarefa de recuperação da informação on-line ao catálogo ATHENA, com a finalidade de avaliar dificuldades de uso da linguagem documentária adotada pelo sistema de catálogo ATHENA.
2. Protocolo verbal em grupo (PVG) com catalogadores, dirigentes, bibliotecários de referência e usuários pesquisadores, líderes de grupos de pesquisa, e alunos de graduação e pós-graduação para acesso ao conhecimento das pessoas que participam do contexto de tratamento de conteúdos documentários das 9 bibliotecas universitárias como fonte de coleta de dados qualificada do diagnóstico, envolvendo um total de 45 pessoas.
As aplicações dos Protocolos
Verbais, na modalidade Individual e em Grupo, foram realizadas nos locais da
amostra de nove bibliotecas universitárias com o deslocamento das
pesquisadoras [6, 7] e envolvendo a
participação efetiva de um total de 72 pessoas nas coletas de dados.
O Protocolo Verbal constitui-se em uma técnica de coleta de dados
introspectiva que propõe o acesso ao processo de pensamento do indivíduo que
executa uma determina atividade com objetivo pré-determinado. Enquanto
executa a tarefa, o indivíduo verbaliza “tudo o que lhe passa pela cabeça” e
após a transcrição de seu Protocolo Verbal é possível observar os
conhecimentos declarativo, procedimental e metacognitivo sobre a atividade
realizada.
Os procedimentos da coleta de dados com a técnica introspectiva do protocolo
verbal, em qualquer de suas modalidades, são sistematizados em três momentos
distintos: anteriores, durante e posteriores à coleta de dados. Para a
identificação das diferenças de procedimentos entre as modalidades
utilizadas e os diferentes sujeitos, adotaremos as siglas PVI-C (Protocolo
Verbal Individual com catalogadores), PVI-U (Protocolo Verbal Individual com
Usuário) e PVG (Protocolo Verbal em Grupo) após cada procedimento usual das
modalidades.
A) Procedimentos anteriores à coleta de dados
- Definição do universo da pesquisa:
PVI-C, PVI-U e PVG: bibliotecas universitárias da Rede de Bibliotecas UNESP.
- Seleção do Texto-Base: deve-se levar em conta os objetivos da pesquisa e a tarefa a ser solicitada ao(s) sujeito(s) participante(s). É importante que o texto não seja de conhecimento dos participantes, devendo ser entregue somente no momento da coleta de dados.
PVI-C: o próprio registro bibliográfico a ser catalogado para compor o catálogo – base de dados Athena – da Rede de Bibliotecas da UNESP;
PVI-U: a tela de busca do Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – Athena, na opção de “Pesquisa Assistida”;
PVG: trecho entre as páginas 205 e 208 do seguinte artigo: DIAS, Eduardo Wense; NAVES, Madalena Martins Lopes; MOURA, Maria Aparecida.
- Definição da tarefa: a tarefa executada pelo sujeito deve estar de acordo com aquilo que a pesquisa deseja observar e quais as exteriorizações de pensamento pelo indivíduo a tarefa poderá gerar.
PVI-C: foi solicitado aos catalogadores que realizassem a catalogação dos registros bibliográficos em suas três variações: item considerado original (Catalogação Original – CO), registro aproveitável (RA) e o registro idêntico (Identidade Total – IT).
PVI-U: recuperação da informação científica, pelo campo de assunto do formulário de “Pesquisa Assistida”, no Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – Athena;
PVG: discussão do texto-base previamente referenciado.
- Seleção dos Sujeitos: os sujeitos participantes devem ser selecionados de forma criteriosa e cuidadosa, pois deles dependerá, em grande parte, o sucesso da coleta de dados. A preferência deve ser dada àquelas pessoas que realmente se interessam em colaborar de maneira efetiva com a pesquisa.
PVI-C: população de bibliotecários catalogadores representativa das três áreas do conhecimento – Humanas, Exatas e Biológicas – respectivamente, Letras, Matemática e Odontologia em nove bibliotecas da UNESP;
PVI-U: alunos dos cursos de Pedagogia, Engenharia Civil do 1º e 4º/ 5º ano em nove bibliotecas da UNESP;
PVG: três bibliotecários (chefe, catalogador e de referência), 1 docente líder ou integrante de grupo de pesquisa cadastrado junto ao CNPq e 1 discente.
- Conversa informal com os sujeitos:
PVI-C, PVI-U e PVG: nesta conversa, as pesquisadoras fizeram contato com os sujeitos por intermédio da Coordenadoria Geral de Bibliotecas explicando os objetivos da pesquisa, a metodologia utilizada e agendando o dia para a coleta de dados. Todos os participantes tiveram suas identidades preservadas.
B) Procedimentos durante a coleta de dados
PVI-C: toda a exteriorização do pensamento feita pelo catalogador durante a execução da tarefa de catalogação foi gravada com o auxílio de um aparelho de MP3;
PVI-U: durante a realização de pesquisas no Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – Athena, a exteriorização do pensamento do aluno foi gravada com o auxílio de um aparelho de MP3;
PVG: após a leitura do texto-base, iniciou-se a discussão, em que o pesquisador fez as intervenções necessárias de modo a instigar os participantes. Toda a discussão foi gravada e transcrita na íntegra.
C) Procedimentos posteriores à coleta de dados
- transcrição das gravações:
PVI-C: após a gravação do “pensar alto” durante a catalogação, foi feita a transcrição literal das gravações das falas dos sujeitos. Para melhor visualização dos processos adotados pelos sujeitos e para facilitar a transcrição das gravações foram utilizadas notações da transcrição, adaptadas de Cavalcanti (1989) por Nardi (1993), que podem variar de acordo os objetivos da pesquisa como por exemplo:
PVI-U: após a gravação do “pensar alto” durante a realização das pesquisas bibliográficas, foi feita a transcrição literal das gravações das falas dos sujeitos.
PVG: após a gravação da discussão do texto pelos sujeitos, foi feita a transcrição literal com a identificação das fontes das falas individuais. Essa identificação foi feita da seguinte forma: Bibliotecário-Chefe; Bibliotecário de Referência; Bibliotecário Catalogador; Docente; Aluno; Pesquisador.
Análise das transcrições:
PVI-C, PVI-U e PVG: com a transcrição pronta, foi feita uma leitura
detalhada dos dados em busca de fenômenos significativos e recorrentes para
construir categorias de análise que permitissem a análise dos dados de forma
organizada e eficiente. Posteriormente à construção das categorias,
voltou-se aos dados novamente para retirar trechos da transcrição que
exemplifiquem cada categoria:
PVI-C: categorias de análise: 1) forma - dificuldades e procedimentos; 2)
conteúdo - dificuldades e procedimentos.
Ex.: importação de um IT - Bibliotecário Catalogador – área de Ciências
Humanas
“Recuperei a ficha matriz do ... e agora vamos começar. Vou pesquisar
primeiro na UEP para ver se esse livro já existe. Vou digitar o autor “Agnes
Heller” temos três, um registro convertido desse livro e dois que já estão
na base certinho. Agora eu vou localizar para saber qual é o meu ano, o meu
é de 1996, Vozes, Petrópolis, então nós temos 1 em julho de 2000, como o meu
é de 96, também tem a coleção educação e conhecimento, bate todos os
ISBN
também, também bate, então agora eu vou ..., então agora eu vou puxar
catalogação, agora eu vou completar este registro.”
PVI-U: categorias de análise: 1) Avaliação da linguagem documentária:
relações lógico-semânticas; 2) Pertinência da linguagem documentária com a
linguagem da comunidade usuária; 3) A função do Banco ATHENA
Ex.: área de Ciências Exatas
“Busca por assunto? Bom, vou pesquisar sobre o tratamento de água com
auxilio de uma coluna de carvão ativado granular que é pra remoção de um
composto gerado pelo cloro na hora que você utiliza o cloro pra tratar a
água. “Tratamento de água e carvão ativo ou ativado granular”, vou colocar
“ativo”. Não encontrou, eu vou mudar as palavras-chave no caso vou colocar
“tratamento de água com auxilio de carvão”, ele já direciona para o carvão
no tratamento não para o carvão vegetal. Também não encontrou, o carvão ele
é utilizado para a remoção de um composto, vou digitar o nome do composto,
PHN, Peno metano, “remoção do PHN”, também não encontrou. Pode ser que
assunto seja muito novo na UNESP no caso, por exemplo, em outros sites de
busca, por exemplo, no Google, achei vários artigos relacionados dentro de
trabalhos publicados, por exemplo, o que poderia melhorar não sei se é
catalogado o assunto, se alguém tiver algum trabalho de iniciação cientifica
sobre esse assunto, ou um trabalho de formatura, ou um tema de mestrado, se
isso é computado no assunto dele, seria um “trialometano” seria uma sugestão
no caso, se não for, não é feito isso?”
PVG: a transcrição foi dividida em turnos representando a fala de cada um
dos participantes, identificando-as com numeração seqüencial e a
identificação anteriormente citada. Posteriormente os turnos foram agrupados
nos temas que representam as categorias e numerados em unidades de análise
com as respectivas denominações das categorias para que a análise fosse
facilitada e a natureza contínua da interação seja mantida. Cada unidade de
análise foi sinalizada para o leitor com uma vinheta explicativa sobre o que
ele encontrará em cada unidade de análise. Ao final de cada unidade que
agrupará os turnos, apresenta-se uma síntese da interação dos participantes
e considerações finais tendo em vista os objetivos propostos e as categorias
de análise.
Categorias de análise:
1) Problemas com automação/ utilização de software;
2) Catalogação de assunto e indexação;
3) Sistemática/ metodologia para catalogação de assunto;
4) Manual de indexação;
5) Política de indexação;
6) Interação entre o serviço de referência e o serviço de processamento técnico;
7) Atualização/ adequação da linguagem documentária;
8) O papel do bibliotecário na construção/ manutenção da linguagem documentária;
9) Pertinência da linguagem documentária com a linguagem da comunidade usuária;
10) Formação inicial do catalogador;
11) Capacitação em serviço (cursos como o de capacitação da CGB para a Rede);
12) Atualização em serviço (cursos externos – como o de Política de indexação – USP);
13) A participação do usuário na biblioteca/ estudo de usuário;
14) Comportamento do usuário frente a problemas/dificuldades de recuperação de informação na biblioteca;
15) O usuário integrante de comissões de bibliotecas
Ex.: área de Ciências Biológicas
- Unidade de análise 1 (turnos 1 a 14) - Comportamento do usuário frente
a problemas/dificuldades de recuperação de informação na biblioteca -
Esta unidade de análise apresenta as dificuldades enfrentadas pelos usuários
no momento da recuperação da informação. Este tema foi muito discutido e
retomado várias vezes em outros turnos.
1 Pesquisadora (inicia a discussão com um questionamento, chamando a atenção para o texto)
E aí vamos começar então? Alguém quer começar falando do texto, o quê achou?
2 Bibliotecário Chefe (observa que o grande problema com o uso da Internet é o desconhecimento dos alunos a respeito da palavra-chave)
Pelo que eu senti aqui, o que realmente eles (o texto) falaram que está acontecendo, com o uso da Internet, é está acabando muito essa parte de controle de palavras-chave. A gente percebe muito que hoje o aluno não sabe mais o quê é palavra-chave.
3 Professor (afirma sobre a atualidade e importância das palavras-chave)
Eu senti um pouco diferente do que você está falando. Eu acho que acho que agora mais do que nunca é importante.
4 Bibliotecário Chefe (reconhece que é importante, porém afirma que o computador mudou a forma de busca dos usuários)
Não, é importante, mas a gente percebe no momento hora em que a gente vai fazer uma pesquisa os alunos não conseguem. Como o computador busca por qualquer palavra... Porque antigamente você lembra? A busca ia a pelas palavras-chave né certinho, tinha até professor que tinha resistência quando surgiu a Internet, né, eles falavam "Ah essa Internet não recupera o mesmo que tem no papel".
Resultados e discussões
A análise dos questionários dos diagnósticos organizacionais demonstrou que,
de maneira geral, os procedimentos para o tratamento documentário no fluxo
informacional na biblioteca são realizados de maneira semelhante entre as
bibliotecas estudadas, com a utilização de padrões para catalogação de forma
(AACR2, Padrão UNESP de registros etc.) que não atendem a especificidade do
processo de análise de assunto em indexação em diferentes áreas do
conhecimento. Para a atividade de análise de assunto na indexação, as
bibliotecas da amostra não possuem documentação ou manual sobre elementos
norteadores que evidencie uma política de tratamento temático da informação
documentária.
A análise organizacional revelou uma estrutura composta das Seções Técnicas
de Referência e Atendimento ao Usuário e Documentação (STRAUD) e de
Aquisição e Tratamento da Informação (STATI). Pela análise de quantitativo
de pessoal e distribuição de atividades das bibliotecas, observou-se que um
mesmo bibliotecário realiza tanto a catalogação de forma quanto a de
conteúdo. Por outro lado, a referência e o atendimento ao usuário são
serviços que contam com quantitativo superior de bibliotecários em relação à
área do tratamento da informação documentária, denominadas, nas bibliotecas,
de processamento técnico.
Todas as bibliotecas participam dos programas de capacitação oferecidos pela
CGB, no entanto, reconhecem que mais esforços poderiam ser feitos com
relação à formação continuada desses profissionais em cursos específicos de
acordo com cada área de atuação do profissional bibliotecário.
Os resultados obtidos das análises qualitativas dos dados coletados com a
aplicação da técnica do Protocolo Verbal, na modalidade individual e em
grupo, demonstraram os processos e estratégias do catalogador (PVI-C) na
tarefa de catalogação e de indexação, bem como as percepções dos usuários (PVI-U
e PVG) e dos bibliotecários na perspectiva da gerência e do contexto
profissional em bibliotecas universitárias (PVG). Os relatos verbais
significativos foram selecionados e agrupados em categorias de análise
consideradas importantes para os objetivos do estudo diagnóstico, quais
sejam:
- O processo de indexação: processos, estratégias, exaustividade, especificidade, consistência, documentação;
- A mediação da linguagem documentária na representação e recuperação;
- O uso do catálogo e o sistema de busca e recuperação por assuntos: a demanda de busca e recuperação do usuário e aspectos de avaliação da interface de busca pelo usuário.
Ressalte-se que a participação do usuário nas discussões realizadas em protocolos verbais em grupo foi interativa, participativa e expôs percepções importantes para os resultados do estudo diagnóstico. A apresentação dos resultados, na forma de relato, manterá a seqüência dos relatos individuais dos catalogadores e em grupo dos: usuários pesquisadores e usuários alunos da graduação, bibliotecários que ocupam o cargo de Direção da biblioteca (gerência), dos bibliotecários catalogadores e bibliotecários de referência.
Para observação do processo de indexação, os catalogadores realizaram os
três tipos de catalogação (CO, IT, RA) durante o
PVI-C. No entanto, o
processo de indexação somente foi realizado durante a catalogação original
(CO) após verificação dos cabeçalhos de assuntos da ficha catalográfica
impressa no livro e dos adotados por outras bibliotecas em consulta a outros
catálogos. Além disso, verifica se o número de classificação tem pertinência
temática com a notação de classificação atribuída ao assunto do documento e
utiliza o sistema de classificação como linguagem de representação do
conteúdo dos documentos, realizando uma “indexação classificatória”.
O processo de indexação na catalogação original foi realizado para a
determinação de assunto do documento sem sistematização de procedimentos.
Cada bibliotecário se apoiou em sua formação inicial, na linguagem
documentária utilizada (a linguagem do BIBLIODATA) e no conhecimento prévio
que possui da área de assunto. Em algumas coletas o bibliotecário tinha o
documento em mãos, enquanto em outras, somente a ficha catalográfica. Na
primeira situação, realizou leitura de partes do documento (título, sumário,
contracapa, orelha) com a finalidade de identificar os termos
correspondentes ao assunto do documento. Na segunda situação, houve apenas
uma cópia dos assuntos da ficha para o preenchimento da planilha do formato catalográfico
MARC.
Sobre os registros considerados IT e RA, os cabeçalhos de assunto não foram
alterados pelos catalogadores que, nesses dois casos, realizaram uma
confirmação dos cabeçalhos de assuntos dentre os existentes nos registros
bibliográficos e na ficha catalográfica do catálogo de fichas ou da
catalogação na fonte nos livros.
No que se refere à exaustividade do processo de indexação, os catalogadores
afirmam que não há limite de termos para a catalogação de assunto e quanto à
especificidade procuram saber a opinião do usuário para analisar o assunto
devido à dificuldade em relação a termos específicos. Os catalogadores
afirmam que a catalogação de teses e dissertações é mais criteriosa e
específica em relação a de outros documentos, por exemplo, de livros. O tipo
de catalogação para teses e dissertações sempre será original e a análise de
assunto mais específica, considerando-se suas características intrínsecas de
ineditismo científico e terminologia específica que determinam uma
catalogação original (CO) e nunca de
IT ou RA. O usuário, em busca de mais
especificidade em sua busca, sugere a realização da catalogação de assunto
de capítulos de documentos e artigos de periódicos.
Com relação à documentação específica para nortear o processo de indexação,
a gerência aponta a inexistência de manual específico e reconhece as
conseqüências disso, observando a necessidade de sistematização dessa tarefa
e os bibliotecários sugerem a elaboração e uso de manual para o catalogador,
afirmando que a aprendizagem das atividades de análise de assunto para
indexação acontecem na prática devido à inexistência de cursos específicos.
Nesse sentido, a gerência valoriza a interação entre os serviços de
referência e processamento técnico e ressalta a necessidade de cursos de
atualização; os catalogadores confirmam que rodízio dos funcionários pelas
outras seções da biblioteca contribui para sua formação em serviço.
A linguagem documentária foi um assunto muito discutido em todos os
protocolos verbais demonstrando ser o principal elo de comunicação e
mediação no processo de indexação e de recuperação. Os principais resultados
foram obtidos da verbalização dos catalogadores e dos usuários.
Os catalogadores utilizam a linguagem documentária do BIBLIODATA para a
confirmação de termos e verificação dos termos autorizados. As principais
preocupações e sugestões dos catalogadores, em relação à linguagem que
utilizam, referem-se à: atualização, especificidade e compatibilidade.
A sugestão de revisão diária dos termos, apontada pelos catalogadores,
expressa uma necessidade de atualização da linguagem para uso dos
catalogadores. Por outro lado, o fato de indicarem a necessidade de uso
paralelo de outra linguagem para complementação da etapa de representação
documentária é uma busca pela especificidade exigida pelo tratamento de
conteúdos documentários de áreas mais especializadas que faz parte do
universo de conhecimentos em que se insere a biblioteca universitária.
A importância da mediação da linguagem do usuário na recuperação impõe
condições de compatibilidade à linguagem documentária e, nessa perspectiva,
os catalogadores apresentaram clara percepção do uso da linguagem pelos
usuários ao sugerirem alguns mecanismos para o aprimoramento da
compatibilidade: a criação de sistema de remissivas para guiar os usuários a
outros termos relacionados durante a busca, a construção de outra linguagem
documentária a partir da necessidade do usuário, aproximação da linguagem do
sistema à dos usuários por meio de formulário de sugestão de termos, criação
de elos de comunicação entre quem faz e quem usa a linguagem e da função dos
usuários nesse processo, a construção de uma linguagem a partir das
estratégias de buscas dos usuários em controle feito pelo software e
disponibilidade da linguagem documentária junto à interface de busca.
Os usuários confirmam a necessidade de compatibilidade da linguagem do
catálogo com a linguagem do usuário durante a busca, ressaltam que a
linguagem documentária utilizada na indexação não corresponde àquela
utilizada por eles no momento da recuperação da informação e sugerem a
construção de um vocabulário com a linguagem do aluno. Com relação à
especificidade, consideram que a linguagem utilizada no catálogo deve ser
mais específica para atender suas necessidades de busca.
Sobre a representação dos assuntos dos documentos no formato MARC21,
observamos que a Rede de Bibliotecas da UNESP utiliza os campos 650 e 690. O
campo 650 destina-se ao termo autorizado pela linguagem documentária
adotada, no caso a linguagem do BIBLIODATA, e o campo 690 é utilizado para
inserção de termos não contemplados pelo BIBLIODATA, porém, que representam
a demanda de termos mais específicos pelos usuários da biblioteca.
Os protocolos verbais demonstraram que, em virtude do não atendimento pelo
BIBLIODATA da especificidade exigida pela comunidade usuária da área de
ciências biológicas, algumas bibliotecas tomaram a decisão de utilizar outra
linguagem documentária complementando as possibilidades de recuperação pelo
catálogo e controlando também o campo 690.
Uma decisão política poderia apresentar diretrizes gerais para a
padronização e controle do campo 690, evitando o uso de termos sem controle
de vocabulário e considerando o uso de linguagem documentária auxiliar
específica de uma determinada área, por exemplo, o DeCS para a Odontologia,
o Tesauro Brasileiro da Educação (BRASED), Tesauro em Engenharia Civil
(Ministério da Educação).
Na perspectiva do uso do catálogo pelo usuário, o sistema de busca e
recuperação por assuntos do catálogo foi avaliado quanto à demanda do
usuário e aspectos de avaliação da interface de busca pelo usuário. Na
avaliação da demanda do usuário os bibliotecários que ocupam a direção das
bibliotecas apontam a necessidade de realização de estudo de usuário para
melhor atendimento de suas demandas informacionais, enquanto que os
catalogadores demonstraram suas preocupações com os usuários à distância do
catálogo on-line e sugerem a elaboração de manual para uso do aluno durante
a busca. O fato de os bibliotecários dirigentes indicarem a necessidade de
avaliarem a demanda informacional do usuário e os catalogadores, por sua
vez, pensarem no uso à distância do catálogo on-line, revela que precisam
tomar providências quanto à necessidade de conhecimento sobre o
funcionamento do sistema de busca e recuperação por assuntos do catálogo e
demandas informacionais de seus usuários que contribuam com o processo de
indexação e compatibilização da linguagem documentária.
Na visão dos usuários o sistema de busca e recuperação por assunto do
catálogo on-line deveria funcionar à semelhança daquele de uma base de dados
de artigos de periódicos, com especificidade e precisão, na qual os
resultados da busca sejam apresentados em ordem de relevância e cronológica
(mais recente para a mais antiga). Ressaltam, também, a importância de se
considerar o usuário no momento da criação do catálogo on-line e sugerem a
construção de um manual específico de busca e recuperação para o usuário
enfatizando a necessidade da interface de busca do catálogo apresentar
facilidades de mediação e interação. Nesse sentido, um dos usuários
pesquisadores considerou mais eficiente e prática a recuperação por assuntos
de um catálogo impresso em fichas, dotado de sistema de remissivas que
resolvia grande parte dos problemas de compatibilidade da linguagem do
usuário na busca, do que a oferecida pelos atuais catálogos on-line.
Isso significa, de um lado, que a interface de busca do catálogo on-line deverá ter mais interatividade com as necessidades de buscas por assuntos dos usuários à distância oferecendo vantagens tais como a disponibilidade: da linguagem documentária para consulta dos termos mais precisos para a recuperação, de um tutorial para as dúvidas mais freqüentes que funcione como um manual para orientações quanto às estratégias de busca e recuperação, apresentação ordenada dos resultados da busca por relevância e cronologia; e, de outro lado, que a linguagem documentária desempenha função importante na compatibilidade da linguagem de busca do usuário à distância exigindo avaliações constantes de seu desempenho durante as estratégias de busca para direcionar seu uso no processo de indexação dos documentos.
Esses resultados, advindos da análise dos dados tanto dos protocolos verbais
quanto dos questionários de diagnóstico organizacional, foram apresentados
em reunião na qual estavam presentes os bibliotecários que ocupam o cargo de
Direção da biblioteca das bibliotecas participantes das coletas, professores
que ocupam a coordenação das comissões das respectivas bibliotecas com o
objetivo de obter uma avaliação dos bibliotecários e professores
principalmente quanto à metodologia e resultados obtidos.
A discussão dos resultados do estudo diagnóstico, entre os bibliotecários e
os professores presentes durante a reunião, foi conduzida em torno dos
seguintes tópicos: os problemas de interface de busca e recuperação por
assunto do catálogo on-line e a dificuldade dos usuários na busca por
assunto; uso dos campos de assuntos do formato MARC21 - 650 para termos
autorizados pela linguagem documentária e 690 para termos não autorizados;
atualização da linguagem documentária ou viabilidade de construção de uma
nova linguagem para a Rede de bibliotecas da UNESP; disponibilidade da
linguagem documentária para o usuário no momento da busca; necessidade de
treinamento em catalogação para a equipe da referência; pertinência da
técnica introspectiva do protocolo verbal para os propósitos do projeto.
Tendo em vista a importância suscitada pela discussão dos resultados obtidos
no estudo diagnóstico, tornou-se evidente a necessidade de outras reuniões
para discussão mais aprofundada desses e outros possíveis tópicos para a
implantação e desenvolvimento de uma política de tratamento da informação
documentária para a Rede de Bibliotecas da UNESP que reflita a filosofia da
universidade e atenda aos objetivos da comunidade usuária das bibliotecas.
Considerações finais
A análise dos resultados obtidos proporciona o destaque de considerações
acerca de necessidades, problemas e restrições a serem discutidas, por
profissionais, pesquisadores e docentes de Biblioteconomia, no âmbito dos
objetivos e função da organização e representação do conhecimento dos
sistemas de busca e recuperação da informação de catálogos de bibliotecas.
O estudo diagnóstico, desenvolvido com a aplicação e análise de
questionários, protocolos verbais individuais e protocolos verbais em Grupo,
sobre o contexto do catalogador em bibliotecas universitárias com abordagem
sociocognitiva acerca do funcionamento do tratamento de informações
documentais na perspectiva da gerência (bibliotecários que ocupam o cargo de
Direção da biblioteca) das bibliotecas universitárias, procedimentos do
tratamento de informações documentais na perspectiva do catalogador e
avaliação do acesso e recuperação da informação on-line pelo usuário à
distância, possibilitou diferentes perspectivas sobre o contexto de
tratamento de informações documentárias do catalogador em bibliotecas
universitárias e revelou pontos de vistas coincidentes entre profissionais
bibliotecários, dirigentes e usuários.
A principal constatação da pesquisa sobre os procedimentos do tratamento da
informação documentária refere-se à inexistência de metodologia
sistematizada ou condutas profissionais uniformes para a catalogação de
assunto (tratamento temático) que reflitam uma política de indexação quanto
à catalogação original (CO) e aos registros convertidos de outros catálogos
(IT e RA) para identificação e seleção de assuntos específicos conforme
demanda de usuários na busca e recuperação da informação por assuntos no
catálogo.
O fato de os catalogadores, ao converterem os registros de IT e RA, estarem agilizando o processo de catalogação de grandes quantidades de documentos é uma oportunidade com muitas vantagens para a descrição física que tende a ser morosa quando realizada de modo original, porém, o tempo e o custo benefício obtidos na descrição física poderia ser aproveitado para se obter vantagens para a busca e recuperação por assunto, ao se adotar procedimentos e condutas de indexação para análise de assuntos dos documentos que promovam a verificação do assunto. Nesse sentido, muitos dos problemas apontados pelos catalogadores e usuários, referentes à atualização, especificidade e compatibilidade da linguagem documentária poderiam estar relacionados. Entretanto, há de se convir que, além da análise de assunto é preciso considerar a necessidade de avaliação da compatibilidade e especificidade da linguagem documentária mediante estudos de uso em diferentes áreas de assunto com a finalidade de verificar possibilidades de adequação, substituição ou uso paralelo de outras linguagens mais especializadas.
O resultado que apresenta interesse, do ponto de vista da evolução de
funções da biblioteca, diz respeito ao comportamento informacional do
usuário quanto ao uso do catálogo de assuntos. O catálogo da biblioteca,
antes sujeito aos limites físicos da biblioteca que os usuários freqüentavam
fisicamente e que continha apenas registros bibliográficos dos documentos
ordenados em estantes, atualmente é virtual, não está nos limites físicos da
biblioteca e contém, além dos registros, os documentos em formatos digitais
para acesso à distância por qualquer usuário, em qualquer lugar e à qualquer
tempo.
O usuário, também, não está mais limitado fisicamente a uma biblioteca, mas tem acesso e recupera vários recursos e fontes de informação disponíveis na web. O fato de os usuários solicitarem do catálogo um funcionamento da busca e recuperação por assuntos com mais especificidade, compatibilidade com sua linguagem de busca e disponibilidade de mecanismos de interação, representa uma mudança de comportamento informacional quanto ao acesso e uso dos recursos de informação e documentos da biblioteca que precisa ser observada e analisada, considerando-se a diversidade de tipologias e especialidade das várias áreas do conhecimento em bibliotecas universitárias para definir processos, condutas e instrumentos da política de indexação.
Conclui-se que o contexto sociocognitivo do catalogador em bibliotecas
universitárias apresenta mudanças significativas quanto ao acesso e
recuperação por assuntos no catálogo, em parte, influenciadas pelas funções
de organização e representação documentárias para a diversidade de
documentos e de áreas de conhecimento e, principalmente, pelo comportamento
informacional do usuário que exigem análise e planejamento de política de
tratamento documentário.
Indicamos, portanto, a necessidade de:
• Avaliação constante de busca e recuperação da informação com recomendação de elaboração de uma metodologia de coleta de dados para avaliação do catálogo;
• Implantação de programa de educação continuada em serviço;
• Avaliação da linguagem documentária quanto à atualização, especificidade e compatibilidade para atender as necessidades de catalogação de assunto e recuperação da informação;
• Elaboração de manuais de Política de tratamento da Informação com orientações gerais e específicas.
Enfim, acreditamos que a política de tratamento da informação documentária e tudo aquilo que a compõe – metodologias para representação descritiva e temática, linguagens documentárias, estudo de usuário, entre outros – necessita de maior atenção no que diz respeito à elaboração de normas, procedimentos e técnicas, sua implantação, implementação e avaliação para que a função das bibliotecas universitárias seja mantida e atualizada de acordo com as mudanças da sociedade.
Recomenda-se a elaboração de política de tratamento de informações documentárias para bibliotecas universitárias que contemplem tanto a questão do tratamento de forma quanto a de conteúdo e que reflitam a nova filosofia de trabalho do catalogador.
Notas:
[1]Estudo diagnóstico desenvolvido a partir do Projeto
de Pesquisa “Política de Tratamento da Informação Documentária da rede de
bibliotecas universitárias da UNESP” com parecer
favorável do Comitê de Ética da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP –
Campus de Marília (n° 1949/2007).
[2]http://unesp.br/cgb/int_conteudo_sem_img.php?conteudo=488
[3]
http://www.athena.biblioteca.unesp.br/F
[4] Rede de bibliotecas brasileiras que realizam catalogação cooperativa com
gerenciamento e manutenção da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro
[5] As coletas de dados realizadas nas nove bibliotecas universitárias da
UNESP foram autorizadas, em declaração assinada, pelos respectivos
dirigentes.
[6] As coletas de dados foram financiadas com verbas do Fundo de Pesquisa da
Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP – Campus de Marília e de Reserva
Técnica da FAPESP para deslocamento dos pesquisadores aos diferentes locais
de coletas.
[7] Colaboração de Maria Carolina Gonçalves no desenvolvimento da coleta e
análise dos dados, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus de Marília –
Brasil, Bolsista FAPESP.
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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Reitoria. Coordenadoria Geral de
Bibliotecas. Padrão de Qualidade de registros Bibliográficos. Marília:
Coordenadoria Geral de Bibliotecas, 2002. 2v.
Sobre os autores / About the Authors:
Mariângela Spotti Lopes Fujita
Doutora em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Professora Adjunta do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus de Marília.
Milena Polsinelli Rubi
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus de Marília.
Vera Regina Casari Boccato
Professora Assistente do departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em ciência da informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus de Marília.