Conteúdos imateriais
simbolicamente significantes
Immaterial content with simbolic significance
Resumo: "Esta luz prodigiosa da manhã dava, ao grande
panorama, já planetário, uma transfigurada aparência, dum colorido imaterial"
1a
frase do poeta indica o objeto do artigo os significados imaterias,
simbolicamente significantes, que podem ser acessados através de uma base física
em um fluxo um da informação. Um discurso inicial de significação é sempre a
elaboração de um autor, mas quando distribuído associa em sua amplitude a
leitura por um receptor e com ele a uma interpretação ou reconstrução do que
nele consta. Um texto se significados imateriais é feito de narrativas múltiplas
e enunciados que entram em diálogo e contestação e que,no final se acumulam no
leitor que lhes dá forma. É para o leitor que se destinam todas os códigos pelas
quais os conteúdos imateriais são elaborados. É uma constatação que a sua
finalidade não está em sua origem, mas no seu destino.
Palavras-chaves: Imateriais; Estrutura da informação;
fluxo da informação, conjuntos simbólicos, Les immatériaux, Centro Georges
Ponpidou em Paris.
Abstract: "This miraculous light of the morning gave to the scenario, already planetarium, a transfigured appearance, of a colorful immaterial picture"1 this phrase of the poet indicates the aim of the paper to deal with imaterial information meanings that are symbolically significant and that are disseminated both via one physical base and one flow connecting the generator and a a receiver of an content. An statement of significance is always proper of an author, but when is distributed associates in its amplitude the readiness condition from the receiver and his own interpretation. A text is made of multiple narratives of immaterial significance until it reaches the receiver as it is intended for him, the reader with all his life references. Its our statement that the purpose of an immaterial content is not bound to its origin but to its destination.
KeyWords: Immaterials, Structure of information, flow of information, symbolic content, Les immatériaux, Georges Ponpidou Center in Paris.
Introdução: Os Imateriais, os conteúdos e a mercadoria simbólica.
Espero poder mostrar neste artigo como as
condições da estrutura2 e o fluxo da informação podem influenciar na apreensão de
significados em um processo de construção de conhecimento. Para falar de
estrutura e fluxo de informação é preciso indicar em nosso entendimento o que
percebemos sobre esta questão e seu relacionamento com enunciados3 lançados para
troca de informação. Como operam as estruturas e o que é um texto4 e o que é um
fluxo. Que tipos de inscrições podem estar nessas estruturas e de onde vem e
para onde vão os fluxos da informação?
Pensamos a informação como sendo o conjunto de conteúdos simbolicamente
significantes com a competência de gerar conhecimento em um indivíduo, e por
seguimento, em seu espaço de convivência. Acreditamos que a informação esta
escrita em um formato ou em uma estrutura. Esta estrutura pode ser o papel, um
formato digital, pedras de um sitio arqueológico, por exemplo. Mas, estamos
tratando aqui só com a informação inscrita e em um formato físico e que seja de
interesse para seres humanos. Narrativas que quando reunidas estabelecem um
contexto de documentação social.
Um bom exemplo de uma informação em sua estrutura é o texto, um conjunto de
expressões de uma escrita em uma base, com a multiplicidade de configurações das
possibilidades de um idioma; o texto constitui um todo unificado passível de ser
distribuído por um canal de transferência de conteúdos. O seu discurso inicial
de significação é sempre a elaboração de um autor, mas quando distribuído o
texto associa em sua amplitude a leitura de um receptor e com ela fica sujeito
à nova interpretação ou reconstrução do que nele consta. Um texto é feito de
narrativas múltiplas e enunciados que entram em diálogo e contestação e que se
acumulam ao final no leitor. É para o leitor que se destinam todas as alusões
nas quais um texto é elaborado. É uma constatação de que a sua finalidade não está
na origem, mas no seu destino.
A informação tem um sentido imaterial quando vista na elaboração de seu conteúdo
significante e neste estado dificilmente pode ser percebida ou indicada como uma mercadoria
de consumo ou um bem econômico para facilitar sua inserção no mundo dos
negócios, das tecnologias da produção e consumo. A mercadoria informação só
existe em equilíbrio de mercado quando é considerada só por sua base física
indicando que resultou de uma condição técnica de produção: um livro, um artigo,
uma disco de música uma imagem impressa, uma instalação de arte em uma amostra.
Não estamos, aqui, vinculando ao termo "mercadoria informação" a toda a
ideologia relacionada com os fatores de produção e valor do trabalho, pois a
única produção de que tratamos se processa na mente de um autor solitário e
consciente consigo mesmo. Um conteúdo de informação seria um bem econômico
torto, por não possuir os atributos necessários para esta caracterização. Não
tem uma unidade de medida que possa ser claramente definida, é indivisível em seu todo
significante, é abundante e não é escassa. Conteúdos não são homogêneos em relação
a um outro conteúdo na interpretação de quem os "compra", eles, também, não se extinguem com
o consumo do comprador, e, sobretudo quando consumida não se transforma
em propriedade daquele consumidor. A sua posse mesmo quando defendida por condições
legais é de difícil sustentação.
Já um quilo de batatas tem uma clara e divisível unidade de medida, é
razoavelmente homogêneo a outro quilo de batatas, é escasso em suas condições de
oferta e demanda, e o meu quilo de
batatas não vai para a panela de mais ninguém. Acaba quando eu como as minhas
batatinhas. Quem fala sobre a mercadoria informação, sem as devidas ressalvas ao
seu significado, pode estar falando somente de sua base física e não de seu
conteúdo simbólico.
O mercado de informação, se existe, é atormentado pela relação: preço e valor. A
mesma "mercadoria" informação possui uma valor diferente para diferentes
consumidores. Configurar um preço de equilíbrio é impossível, pois tal preço
pode estar muito abaixo ou muito acima do que diferentes usuários, com
diferentes necessidades, lhe atribuem e estão dispostos a pagar por ela no
mercado. Serial o caso de colocar preço no objeto livro, no periódico, no
jornal, no disco, mas então, estamos falando de dispositivos e não do conteúdo.
Por razões semelhantes o conteúdo, também, não é um insumo de produção ou um
fator de produção; por definição econômica, todo fator de produção
perde suas características, desaparece, no processo de produção que faz surgir o
novo produto. E isto não acontece com a informação. Por exemplo, as meadas de
algodão desaparecem quando da fabricação do casaco.5 Existe, lógico, informação
reunida em todo o processo de transformação do casaco e na formulação do
processo em si. Mas o conteúdo de informação não morre ou se transforma no processo de produção
que produziu o casaco.
Nesta reflexão o conceito de valor dos imateriais é relativo e específico para
cada indivíduo, de acordo com a sua hierarquia de desejos. Um receptor valoriza
um conhecimento em relação a outro conhecimento dentro de uma escala de
preferências subjetiva, de utilidade e de prioridade. Neste caso, o valor do
conhecimento irá depender a) de sua preferência pelo conhecimento contido em A
em detrimento ao conhecimento em B; b) da competência cognitiva em decodificar A e B e tornar possível uma comparação; c) do significado de A e B estarem em um código que seja
simbolicamente significante para o receptor avaliador; d) de este significado
estar em uma estrutura que quando distribuída permita o acesso do receptor.
Assim, no julgamento do receptor, o valor do significado da mensagem A é maior
que o valor de B, pois o receptor efetuou uma decisão de relevância entre os
dois. Portanto, o valor entre as opções de um conteúdo é relativo e subjetivo,
obedece a critérios de demanda específica e só se efetiva na potencialidade de
existir uma competência de assimilação pelos receptores.
Todo ato de interiorização da informação está associado ao conteúdo
simbólico e representa uma cerimônia com ritos próprios de uma geração para uma recepção. No
contexto de valor dos imateriais temos que acrescentar novas tipologias de
valor: um seria valor simbólico representando a capacidade do receptor em
traduzir o conteúdo da mensagem em objeto para o seu entendimento. Outro, o valor circunstancial seria outra
medida de uso que corresponde aos conteúdos gerados em sociabilidades6
e que
poder ficar por muito tempo em construção sem um acabamento previsto em tempo
definido. Neste caso, medida de relevância e de valor está presa em uma relação
de expectativas circunstanciais do usuário dentro de sua escala de prioridade.
Aqui as condições de valor e relevância estão reprimidas, durante o processo em
que a informação esta se construindo e o seu momento de sua completeza. O Painel
das Nações Unidas sobre o tempo é um exemplo do que queremos ponderar aqui, pois elabora um
documento que está sempre em se completando.
A propriedade intelectual de uma informação que é socialmente construída por
diversos geradores e em um suporte não convencional, dependerá de se estabelecer
um código de convivência e trocas que ainda não foi pensado; e preciso para isso determinar
no final de quem é a propriedade da coisa toda.
Estes fatores tornam impossível estabelecer um preço de equilíbrio para o
conteúdo imaterial em relação a todos os receptores . Está é uma decisão variável dos
receptores, quando se fala em adição de valor a uma informação está se indicando colocar mais
custo na base física e seus estoques e distribuição. A adição de valor ao
conteúdo de uma mensagem é uma decisão que cabe ao do receptor da mensagem, nunca
é uma decisão do
gerente do sistema de armazenamento e recuperação da informação.
Os Fluxos de Informação
Acredito que os fluxos de informação se movem em dois sentidos: em primeiro
plano os fluxos internos se movem para formar os elementos de um sistema de
armazenamento e recuperação da informação visando a sua estocagem. Estes fluxos
internos operam por uma razão prática visando maior eficácia no processo
produção dos estoques de documentos. Este processo que representa o fluxo de
armazenamento vai desde a entrada da informação no sistema até sua saída passando
pelos estágios técnicos de classificação,
indexação, controles e instrumentos de formatação da linguagem livre para reformatação
de conteúdos imateriais simbólicos.
A figura 1 abaixo ilustra esta movimentação da informação, no fluxo de
armazenamento:

Na figura está o fluxo central o de armazenamento e recuperação e os fluxos à
esquerda à direita completam o processo do que seria uma diagramação do processo
de pensamento, informação e conhecimento. No fluxo esquerdo se realiza uma
transferência de conteúdos do imaginário do autor para uma escrita editada em
uma base. A essência deste movimento está na passagem de uma experiência ou de
um fato ou uma ideia que vem do pensamento do gerador para se transformar em uma
escrita editada.
No fluxo à direita há uma intenção de que a informação gerada e processada possa
ser assimilada como conhecimento7 por um receptor. O fluxo da direita na figura 1
é um processo de aceitação que espera transformar significados imateriais em
conhecimento. Uma apropriação que se opera no subjetivismo privado do usuário.
Acredito que estes fluxos explicam muito do mistério e do fenômeno da aceitação
da informação na mediação para o conhecer. Explicam sua finalidade no
entrosamento que vai desde a criação da mensagem até o conhecimento. Determina
com precisão o lugar do autor e do receptor colocando-os fora do sistema de
armazenamento e recuperação da informação; em sua ambiência.
Os conteúdos Imateriais e sua estrutura e fluxo
As articulações antecipadoras da representação do formato da informação e seus
fluxos na vivência dos indivíduos foram consideráveis a partir, principalmente,
de meados dos anos oitenta com a inovação trazida pelos computadores pessoais e
as transmissões em rede. Em uma economia8 dos produtos imateriais no sentido técnico de sua produção, estas condições foram pensadas
antes da interface gráfica que possibilitou a web em 1991. A importância da
estrutura e do fluxo da informação foi assim uma reflexão que se iniciou pela
necessidade de, filósofos atuantes a área da percepção, preocupados com as tecnologias intensas de
para lidar com a informação surgidas, após 1950 com o fim da segunda guerra.
Foi um pensamento que desde seu início se articulou com a emoção e a percepção
do significado dos imateriais e seu fluxo em bases físicas diferenciadas. Assim,
não é por acaso, que uma conhecida incursão sobre este tema tenha se relacionado
com uma exibição em um centro de arte e cultura. A informação advinda pela arte
teria a capacidade de colocar o
ser humano e suas sensações em uma posição de por em prática uma ideia valendo-se
das suas faculdades para dominar a matéria.
A ponderação de Jean-François Lyotard
9 e outros filósofos, sobre a estrutura e o
fluxo da informação tomou forma explicita em uma exibição denominada “Les
Immatériuax” que ocorreu durante 1984 e 1985 no
Centro Georges Pompidou
em
Paris.
Com um apelo a pós-modernidade ou a modernidade vivencial, a questão que se
queria investigar era a modernidade digital que transformou os
artefatos
culturais imateriais e seu conteúdo 10 . Há vinte e cinco anos o modelo sugerido
por Lyotard e baseado no relatório sobre L'économie de l'immatériel
11 foi entregue
ao Ministro da Economia francês. O político o tinha solicitado na convicção de
que lidar com este assunto era tão importante, quanto foram às indicações do
famoso relatório Nora-Minc 12 sobre a informatização da sociedade
13 no final dos anos
1970.
O pensamento inovador sobre os significados imateriais, sua base fixa e sua
distribuição em fluxos surgiu na exibição de Paris, em 1985: "Les Immatériaux"
14.
Os curadores da exibição foram Thierry Chaput e Jean-François Lyotard, que deu
sustentação conceitual ao acontecimento. Abaixo na figura 2 o convite para a
exibição:
Figura 2 - O convite

Fonte: referência 10
O propósito de “Os Imateriais” foi trazer a inquietude com a fluidez da
informação nas diferentes bases de inscrição. Isto em uma época
em que o texto impresso era uma ideia dominante de um padrão de escrita,
documento e leitura. No contexto da exibição o visitante era o único culpado
pela construção do sentido. Pela primeira vez computadores forma trazidos para o
espaço de uma exibição pública. A intenção era mostrar que naquela atualidade
(1985) tudo era informação e que os sentidos estavam cada vez mais entrelaçados
com a forma e a estrutura em que o conteúdo estava inserido. A questão estava
em:
Podem conteúdos simbólicos mudar a relação do homem com a realidade material
como fixado na modernidade cartesiana do homem a transformar-se em mestre e dono
da natureza? Lyotard acreditava que a passagem de uma sociedade industrial para
uma sociedade de informação teria efeitos profundos sobre o espírito humano.
Presumido que as tecnologias da telecomunicação e da informática fossem
capazes de assumir as tarefas mentais do armazenamento e processamento de
dados desmaterializados - a relação do homem com a realidade mudaria
radicalmente.
As novas tecnologias da percepção de conteúdos em fluxo foi simultaneamente o
ponto de partida e a marca para o leiaute que Lyotard diagramou a exibição dos
“Les Immatériaux” em Paris. Usando um grande número de micro computadores e
terminais, projeções imagéticas e outros aparelhos de tecnologia de apresentação
de um conteúdo, a exposição como um todo funcionava como um vasto banco de
dados. Os visitantes, os objetos, os elementos cenográficos, e os sons estavam
em um intercâmbio constante e direcionado.
Trazia-se assim ao receptor a informação em uma variedade de estruturas de
suporte que se modificavam com o caminho que ele percorria. A diagramação do
espaço permitia a cada visitante desenhar seu fluxo de interação
particularizado. Com esses recursos a exposição transformou uma imagem do que
seria o futuro da informação trazendo isso para uma realidade diagramada no
presente.
Estava ressaltada a importância de estruturas emaranhadas de informação onde o
significado provocaria um estranhamento 15 na condição cognitiva do
receptor, ao andar naquele ambiente, para lidar com a emoção do compreender. Neste caso o
propósito foi promover a sensação das coisas como elas são percebidas e não como
elas são conhecidas. O alvo foi tornar os objetos não familiares ou fazer com
que as formas ficassem de difícil apreensão; aumentar a dificuldade e capacidade
de percepção, porque o processo de inteligência tem um fim em si mesmo e deve ser
prolongado. A sensação é sempre um caminho para lidar com um objeto; o objeto não
é importante. 16
A exibição
criou um protótipo para se observar fisicamente em uma instalação a
diferenciação da linguagem em para divergentes tipos de estrutura e fluxo dos
significados em discurso. Cada participante era convidado a reagir a um conjunto
de informação mostrada em diferentes formatos durante o percurso pela mostra.
Jacques Derrida foi um dos convidados a participar da experiência. A
primeira articulação de Jaques Derrida foi à resposta a uma questão sobre como
se processa a compreensão das palavras: qual o limite de um sussurro interior,
de uma a voz interior como se fosse à voz do outro? Seria uma voz elaborada por
síntese? (Quelle est la limite d’une voix basse, d’une voix intérieure comme
voix de l’autre ? Voix synthétique ?). Esta questão em particular foi discutida
por um bom tempo entre Derrida e Lyotard nos periódicos franceses.
A estrutura da exibição: os significados em fluxo
O próprio Lyotard foi fundamental não só para assegurar a participação de
figuras proeminentes no átrio da exibição e também participou na concepção de
estrutura global da configuração linguística do evento 17 . Já na primavera de
1984, Lyotard tinha sugerido para o esboço temático e visual que seria a fusão entre as
cinco expressões em francês decorrentes da raiz indo-europeu da palavra
“mât”
(mastro em uma embarcação). Esta articulação seria a trajetória do
visitante interagindo com o leiaute que desenvolvido pela primeira vez por
Harold Lasswell
18.
O estranhamento do receptor deveria vir de sua interatuação quase ao mesmo tempo
com cinco ações de percepção do discurso: – Quem Diz/ Diz o Que / Em que canal / Para Quem / Com que
efeito - o diagrama da mostra seguia esta proposta. O que queriam os
curadores era desencadear um curto-circuito epistemológico entre discursos
heterogêneos, o poético e o científico dentro das correspondências: matériau =
suporte da informação, matériel = o receptor (a quem a mensagem é endereçada), maternité = o gerador (emissor da mensagem), matière = o referente, e matrice =
o código. Na figura 3 se coloca a concepção teórica que definiu a estrutura da
exibição.
Figura 3 19 - Diagrama de comunicação da mostra
20

Fonte: adaptado de 20
Os desenhos do catálogo da exposição indicam que o esquema de “Les Immatériaux”
tinha alcançado um estágio quase definitivo em setembro de 1984. O visitante e
participante uma vez passado um corredor de entrada teria de escolher uma entre entre cinco
vertentes para adentrar a exibição; cada uma das vertentes correspondendo a uma
das cinco opções [Quem Diz / Diz o Que / Em que canal / Para Quem / Com que
Efeitos]. Cada opção ou vertente, por sua vez iria incorporar um certo número de
"zonas"; cada zona tinha uma trilha sonora , audível através de
“headfones” distribuídos a cada visitante antes de entrar na exibição. [A
trilha sonora, foi selecionada por Lyotard e preparada operacionalmente pelo
técnico do Centro Gérard Pompidou, Chiron, e era composta de uma série de
fragmentos de textos literários e filosóficos indo de Maurice Blanchot
21 até
Samuel Beckett 22 ].
Figura 4 - Um site da exibição - Nu Vain

Fonte: site Nu Vain,
referência 10
Uma "zona" estava subdividida em vários 'sites' de diversos tamanhos, com
"instalações de referência" para a vertente considerada. Por exemplo, o site ‘Nu vain’(O corpo vaidoso) foi criado ela cenarista Martine Moinot e era composto de
doze manequins assexuados; ouvia-se um som de fundo de
uma passagem rítmica do
filme de Joseph Losey, Monsieur Klein 23, sendo alternando com uma foto de um
prisioneiro de um campo de concentração 24. À medida que o visitante entrasse
neste site ouviria a voz do poeta e dramaturgo
Antonin Artaud
25 recitando
"Pour en
fini avec le jugement de Dieu" ("Para acabar com o Julgamento de
Deus")26 . Assim, guiado ou, mais precisamente,
desguiado, através de uma luz cadente, percorria-se a exposição ora pela trilha
sonora ora o visitante isolado fluía de um site para novo site nas várias vertentes
da mostra onde a estrutura da informação se diferenciava ou a informação era
mostrada em várias estruturas ao mesmo tempo. Em seu caminhar o receptor era exposto a
distintas estruturas de significação em diferentes mídias e deixava
relatado em um arquivo de computador a sua interpretação das narrativas
imateriais ao qual tinha sido exposto.
Cada visitante registrava sua sensação e percepção da informação recebida em
cada um dos diferentes "sites", pois havia um terminal de computador em cada
site visitado. Em 1986 um compreensivo relatório sobre os resultados colhidos em
"Les Immateriaux" foi publicado pela socióloga
Nathalie Heinich . Em 2009 a
Tate
Gallery de Londres fez uma revisão da exposição onde que Nathalie Heinich
27
apresentou um esclarecedor artigo 28 do qual ressaltamos o trecho:
“Sobre a exposição em si, a principal conclusão da minha pesquisa foi à
variedade dramática e a instabilidade das percepções e reações, de um visitante
para outro e até, por vezes, de um momento para o outro para o mesmo visitante.
(Eu descobri que o mesmo fenômeno surgiu nos comentários dos jornalistas que
cobriram a exposição). Isto não foi apenas o resultado de mal-entendidos. Foi
principalmente o resultado de um «efeito fronteira» ao deparar-se com o novo,
em consequência da inovação
na apresentação da informação. A dificuldade de formular uma opinião firme sobre
"o que se deve dizer sobre isso" é algo constante diante do novo. Por
conseguinte eu encontrei pouca equivalência entre opiniões e colocações
impressas dos visitantes da exibição Les Immatériaux”.
Os resultados da pesquisa detectaram também uma espécie de homologia, uma
repetição das mesmas palavras no discurso, entre a
exposição e o Centro Pompidou em si: ambos,a exposição e o centro, foram vistos
por muitos visitantes como labirintos, onde as pessoas se sentiam mais, ou
menos, à vontade de acordo com seu habitus de convivência. Aqueles que tiveram a
capacidade de incorporar as pistas necessárias, para um passear em mosaicos, sem se sentir
perdido - principalmente devido ao seu maior nível de educação - se sentiu "em
casa" em Les Immatériaux e no Centro Pompidou. As pessoas que não podiam contar
com uma autoconfiança ou condições cognitivas para lidar com as referências
enigmáticas colocadas ao vajar pelo espaço de exposições, experimentou uma
sensação de desconforto, de perda, e ocasionalmente se sentiram ameaçados ou
mesmo enganados. Isto é o que poderia ser chamado de “l’effet Beaubourg”
29,
explicado por Pierre Bourdieu na sua teoria de habitus
30.””
A escrita e a leitura são determinadas pelo contexto das trocas de enunciados: o
“differend” 31
Todo homem se desenha pelas escolhas que vai fazendo ao longo de sua vida.
Nenhum objetivo importante é alcançado sem alguma luta, sem algum conflito
consigo mesmo e com os outros. A natureza humana é contraditória e tão forte é a
contenda do ser que transcende as condições de convivência do homem na terra.
Vivemos em uma articulação de conflitos e somos contraditórios, não conseguimos
viver sem disputas comunicacionais quando interagimos. Minoramos esta discórdia
fundamental no lidar com a linguagem do diferente. Aqui o conhecimento do outro
e o que dele se diz induz a maior ou menor credibilidade e estabelece um
estatuto do emissor, onde a presença do sujeito que enuncia pode marcar as
expectativas que provoca no receptor.
Ao enunciar atos de informação, de forma oral ou escrita, transferimos fatos e
ideias esperando convencer nossos espectadores que irão julgar e acolher nossos
feitos, ditos ou escritos e repassar esta apreciação ao longo do tempo.
A incidência do viver por uma presença recolhida em uma realidade sem exigências
de consenso ou exposição ao mundo real é um objetivo muito forte. A
liberdade de convivência expõe de forma ampla o pensar e a expressão de uma
visibilidade, nem sempre requerida mas referenciada ao seu próprio mundo fechado
em sua esfera de verdade. Uma estrutura formada na socialização das enunciações escritas.
O estranhamento e a individualidade de cada discurso em convivência é o
“differend” 32 não o consenso. A sensação da percepção dos significados não é
universal em sua condição estética ou moral. Neste jogo de enunciados cada lance
marca a destruição de um pela
violência do “diferend”. O diferend não pretende ser nenhum formato ou uma
escrita que represente um pensamento geral, pois ele é o estado instável da
linguagem, onde não se pode, ainda, colocar frases devido a uma condição imponderável.
O “ differend” coincide com um o estado emotivo do pensamento; é aquela sensação
que temos de “não conseguir ainda achar as palavras certas” para finalizar o que
queremos dizer. As palavras e os silêncios trazem o sentimento do linguagear em
convivência com outros em um contexto específico. Um contexto de “differend”
na
vivência e convivência quando a escrita procura um idioma que ainda
não existe. Estabelece uma troca particularizada de enunciados com silêncios nas
conivências particularizada das trocas de enunciados imateriais. Este foi o
estranhamento que Lyotard colocou em sua experiência no George Pompidou.
O Modo da Informação
A informação tem variada tipologia. Uma narrativa é um conjunto de expressões
inscritas em uma base na multiplicidade de configurações de uma língua.
Constitui um todo unificado passível de ser distribuído por um canal de
transferência.
Uma alocução de significação é uma elaboração do autor, mas quando distribuída
como narrativa associa em sua amplitude: a leitura, o receptor e uma
interpretação ou reconstrução daquele discurso. O significado é um differend que
vem de escritas que entram em diálogo; entram em contestação e se acumulam no
leitor. No receptor está o ambiente exato em que se inscrevem todas as
referências de uma interface que se transforma em idioma; a unidade do texto não
está em sua origem, mas no seu destino e este destino não pode ser
particularmente descrito: o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem
psicologia 33.
Uma estrutura de informação pode ser sequencial e centrada em uma narração
continua. Pode, também, ser acêntrica e sem destino exato, composto por varias
estruturas que se narram em paralelo. A escrita quando deu ao homem valores
visuais causou-lhe a consciência fragmentada. Na época da convivência dos espaços auditivos,
a comunicação de enunciados, intercedida por muitas vozes, ficava no espaço
mediado pela distância entre emissor e receptor.
Foi à tipografia que terminou com a cultura auditiva tribal e permitiu a escrita
multiplicar possibilidades de se emitir no tempo e no espaço. O homem acostumado
a um pensamento em linha classificou e organizou a informação linearmente
hierárquica, em uma série contínua de graus e escalas. Produziu famílias
temáticas em hierarquias crescentes ou decrescentes. Usou arranjos por
categorias indicando suas subordinações em relação a uma cadeia de parentesco
dentro de um universo de termos particularizados.
A passagem dos enunciados lineares para a de redes digitais produziu uma
desfamiliaziração temática e um adiamento do significado que ficou espatifado nas
trilhas de passagem dos textos interligados. No mundo digital sem centro definido
configura-se uma adaptação na relação do receptor com a apreensão do
conhecimento. O texto construído em emaranhados traz uma vinculação de cadeias
imprevisíveis sem qualquer qualificação de famílias com temática hierárquica.
Conhecer, então, é como se apropriar de enunciados alinhavados por textos que
se cruzam; é como construir uma bricolagem, onde cada junção de pedaços
necessita uma permissão do saber; a concessão de se ligar que é dada pela possibilidade
do assimilar aquela narrativa. Uma bricolagem que é individualizada para
cada receptor. Uma nova estrutura e um novo fluxo de informação se estabelecem com a
web 2.0 que é em tudo muito semelhante à experiência dos Imateriais em Paris
de 1985.
A escrita em seus contextos de existência admite a liberdade ao lidar com o texto
livre das amarras da composição única. O código linguístico será
sempre comum e permanece como pano de fundo, como um elemento silencioso e
razoavelmente compulsório. Os enunciados são contingentes
com o contexto do outro e acontecem em uma interface que é só uma mediação
gráfica desta linguagem comum.
É preciso então estabelecer a diferença entre a linguagem estruturadora e a
grafia volátil e mutável no dialogo dos enunciados. A escrita em cada um de seus
formatos é uma tecnologia que se espelha, mas não se subordina ao código de
lenta mudança. Para as estruturas em fluxo existe um contínuo colóquio de
enunciados entre geradores e receptores. Os envolvidos possuem afinidade em seus
intentos o “differend” de
uma língua em construção. Os jogos de informação acontecem com estruturas que
não carecem de visibilidade, pois existem não pela presença básica, mas por uma
visibilidade potencial de estar ali. Pois, um registro de significado é formado pelas inscrições
que uma linguagem fixou em um determinado e suporte; uma agregação que compõe o
todo significante. A percepção deste sentido envolve emoção e sensação que pode
vir de um discurso oral, uma peça musical, uma imagem um corpo em movimento ou qualquer representação artística.
Convivemos intensamente com estruturas diferenciadas para os
diferentes conteúdos, onde a sedução para o significado é uma viagem por
narrativas linkadas; a escritura traz um novo modelo para a percepção e para no
imaginário da leitura. As bases das narrativas foram virtualizadas. Estamos
convivendo com um novo padrão de inteligência que interage com novos conjuntos
simbólicos.
O imaginário adia o significado dos enunciados até que se percorram todos os
caminhos, todas as conexões, todas as metáforas. Palavras e frases têm uma
fissura para deixar passar significantes libertados de uma relação biunívoca. Uma
possibilidade do imaginário de ir além de uma representação privilegiada para um
signo atribuído. O entendimento na tecnologia atual das trocas de enunciados é imediato , mas
com um arranjo de estrutura e fluxos em nova formação.
Persiste, contudo o antigo “surrogate” 34 da informação e do conhecimento . Estudos
exploratórios 35 informam que:
a) A mediação da informação para geração do conhecimento se relaciona
qualitativamente com o formato em que o conteúdo está inscrito. A percepção do
significado pode se espaçar considerando as estruturas de inscrição e o
fluxo de disseminação. A assimilação do conhecimento se processa de maneira
diferente quando o receptor interage com diferentes artefatos de suporte da
informação.
b) A percepção da informação digital, por exemplo, gera conhecimento
diferenciado e mais elaborado considerando a possibilidade de uma maior
abrangência temática das narrativas. A percepção dos conteúdos imateriais em documentos
com formato
digital, estocados em arquivos eletrônicos, acontece por um fluxo de pensamento
divergente 36, onde os meandros da consciência se orientam para uma associação
conceitual que é referenciada à aventura individual e simbólica de cada
receptor.
As condições modais de uma mensagem e as suas vertentes de transferência
influenciam a percepção do significado. Artefatos
imateriais criados por um gerador para produzir sentido em outro são
interiorizados de acordo com as possibilidades de elaboração do pensamento
dentro de determinado
fluxo de conhecimento.
A exibição francesa de 1985 parece ter demonstrado este ponto. Ela não foi uma
experiência só sobre informação ou sobre arte ou informação sobre arte; foi muito
mais que isso: uma imbricação entre pessoas e seus produtos imateriais; emoção e
percepção, conhecimento e saber. A intenção desta narrativa foi, também,
documentar o esquecido evento tão importante para o lidar
atual com a informação e seus conteúdos.
Notas e Bibliografia
1 Teixeira de Pascoaes, Editor Assírio & Alvim, Lisboa, 1999, Verbo Escuro, p.
170.
2 Estrutura: A base física da informação. Modo de organização de elementos de
uma narrativa, onde estes adquirem sentido apenas enquanto fazendo parte de um
conjunto com ordenação lógica e racionalidade.
3 Enunciados: Nas estratégias textuais os enunciados em um texto escrito são
conjuntos de uma escrita que apontam para uma particularidade
na dimensão total do discurso. Jogo de informação escrita em sociabilidades
online. Ver, também, nota 31 abaixo.
4 Texto: Conjunto de palavras e frases articuladas, escritas sobre um suporte
formado por um conjunto de narrativas compondo uma peça de
informação sobre determinado tema.
5 Ragnar Frish, Theory of Production, Dordrecht-Holland,Netherlands, 1965
6 Sociabilidades - conceito que supõe um conjunto de pessoas unidas por vínculo
socialmente determinado, com afetividade orgânica de pertencimento para
objetivos comuns. São as
redes de convivência com uma ligação baseada em relações convencionadas para atuarem com a presença física ou
presença virtual das redes de Internet
7 Conhecimento: é organizado em estruturas mentais por meio das
quais o sujeito assimila o meio (informação). Conhecer é um ato de interpretação,
uma assimilação de significados pelas estruturas mentais do sujeito. Estas
estruturas mentais não são pré-formatadas no sentido de serem programadas nos
genes. As estruturas mentais são construídas pelo sujeito sensível, que percebe
o meio e com ele convive e se apropria. A Produção ou geração de conhecimento é
uma reconstrução destas estruturas mentais no sujeito através de suas competências cognitivas, ou
seja, uma modificação no estoque mental de conhecimento acumulado, resultante de
uma interação com uma informação.
8 L'économie de l'immatériel est une expression quelquefois employée pour
désigner la nouvelle forme d'économie dans laquelle la plupart des pays
développés et émergents se sont engagés depuis quelques années.Pour désigner
cette mutation, d'autres expressions sont aussi employées, comme économie du
savoir, économie de la connaissance, ou économie post-industrielle. L'expression
économie de l'immatériel met l'accent sur l'aspect supposé "immatériel" que
prend l'information dans les économies modernes. Il faut pourtant remarquer que
le terme immatériel est trompeur, puisque dans le processus de dématérialisation,
l'information, qui était sur support papier, passe sur des support électroniques
qui sont également matériels (matériels informatiques, réseaux, bases de données,...).
L'évaluation de l'immatériel se fait ainsi en fait toujours par différence entre
une valeur de marché et la valeur de ces éléments tangibles et non directement.
Dans l'économie de l'immatériel, le secteur tertiaire, c'est-à-dire les
services, devient prédominant par rapport au secteur primaire (l'agriculture,...),
et au secteur secondaire (l'industrie). Jean-Marc Jancovici montre que la
dématérialisation de l'économie ne permet pas de diminuer les consommations de
ressources.En France, à la suite de la publication du rapport Lévy-Jouyet sur
l'économie de l'immatériel, a été créée le 23 avril 2007 l'agence du patrimoine
immatériel de l'État.
9 Jean- François Lyotard - filósofo francês, foi um dos mais importantes
pensadores na discussão sobre a pós-modernidade. Autor do livro A Condição
Pós-Moderna e O Inumano, onde utiliza o conceito de "jogos de linguagem". O
Pós-Moderno seria "o estado da cultura, depois de transformações súbitas nas
regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes, a partir do século XIX.
É a incredulidade em relação às metanarrativas." Segundo Lyotard "não podemos
mais recorrer à grande narrativa - não podemos nos apoiar na dialética do
espírito nem mesmo na emancipação da humanidade para validar o discurso
científico pós-moderno".
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-François_Lyotard
Visto em 12 FEV 2010
10 Favaretto C., Assis j., Anderáos R.,Ribenboim R., Moreira
R. Os imateriais em meio virtual em
http://www.file.org.br/file2001a/itau2.htm
Visitado em 21/01/2010
11 Ministère de l'économie, des finances et de l'industrie, L'économie de l'immatériel : la croissance de demain, LEVY Maurice , JOUYET
Jean-Pierre ,
FRANCE.
http://www.minefi.gouv.fr/directions_services/sircom/technologies_info/immateriel/immateriel.pdf
Visitado em 22 fev 2010
12 A história da produção literária no que tange aos aspectos tecnológicos da
escrita em novos formatos e sua disseminação por diversos fluxos é uma das
condições mais interessantes pelos caminhos que tomou. Em 1971, os Estados
Unidos despontavam com a publicação de Brzezinski: "Between two ages. America’s
Role in the Technetronic". Era o que consolidava o conceito norte-americano de
Sociedade da Informação e discutia os efeitos da era tecnoeletrônica para a
política internacional. Sete anos depois, na França é publicado o relatório
Nora-Minc sobre a informação da sociedade. No relatório, Simon Nora e Alain Minc
procuram definir o estado das coisas e o papel da informática na sociedade. “A informática crescente da sociedade’, escrevem eles, "está no âmago da crise, ela
pode agravá-la ou contribuir para sua solução". Ela revoluciona todo o ‘sistema
nervoso das organizações e da sociedade por inteiro” Só em 1978 no Relatório
Nora-Minc: l'informatisation de la sociétè surge o neologismo TELEMATIQUE com o
significado literal de Informática à distância reunindo assim pela primeira vez
as Ciências Informática e das Telecomunicações sob um objetivo comum.
13 NORA, Simon & MINC, Alain. A informatização da sociedade. Rio de Janeiro:
Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1980.
14 Les Immatériaux, Exhibition held at Centre Georges Pompidou in Paris on 28
March - 15 July 1985. Commissioned by Jean-François Lyotard and Thierry Chaput.
15 Estranhamento ou Ostranenie (остранение) termo utilizado
pelo formalista russo Viktor Chklovski em seu trabalho “Iskusstvo kak priem” (“A
Arte como processo”) ou ("A Arte com procedimento"), publicado pela primeira vez
em Poetika (1917). A tradução do termo ostranenie, para o português ou para o
inglês tem sido escolhida como singularização ou desfamiliarização (defamiliarization)
e estranhamento (estrangement). A tradução portuguesa opta pelo termo “singularização”,
mas este pode ser limitador. A alternativa, na língua inglesa, o neologismo
enstrangement, também intraduzível ao português, parece mais apropriada a forma
portuguesa “estranhamento”. O estranhamento é essa forma singular de ver e
apreender o mundo e aquilo que o constitui, visão que a literatura e a arte
alargam, porque desafia e transforma as ideias pré-concebidas sobre real e sobre
as próprias formas da Arte
http://pt.wikipedia.org/wiki/Viktor_Chklovsky
16 Shklovsky, V., Art as Technique, em L. T. Lemon and M Reis, eds., Russian
Formalist Criticism. University of Nebraska Press, 1965.
17 Antony Hudek, From Over-to Sub-Exposure: The Anamnesis of Les Immatériaux,
Tate Papers Autumn 2009
18 Harold Lasswell - http://pt.wikipedia.org/wiki/Harold_Lasswell visitado 17fev
20101.
19 Petit Journal, 28 March–15 July 1985, Paris, p.2, Diagram adaptado do de Sara
De Bondt
20 O layout proposto para a exibição:

maternité = destinateur (the message’s emitter)
matériau = support (medium),
matériel = destinataire (to whom the message is addressed),
matière = référent (the referent),
matrice = code (the code)
21 Maurice Blanchot - http://pt.wikipedia.org/wiki/Maurice_Blanchot Visto em 12
Fev 2010
22 Samuel Beckett - http://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Beckett Visto em 12 Fev
2010
23 http://www.youtube.com/watch?v=iy5dFEBeHOo
Visto em 12 Fev 2010
24 http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/USACWandersonv.jpg Visto em 12 Fev 2010
25 Antonin Artaud - http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonin_Artaud Visto em 12 Fev
2010
26 “Pour en finir avec le jugement de dieu”, est une création radiophonique
d’Antonin Artaud, enregistrée dans les studios de la radio française entre le 22
et 29 novembre 1947. C’est toute la puissance subversive d’Artaud qui y parle,
qui crie, qui hurle : poésie de la cruauté, éructation verbale dénonçant avec
une vigueur effrayante tout ordre moral, religieux, détruisant tous les tabous.
Ouvir em:
http://mais.uol.com.br/view/tuy89orfhevq/pour-en-finir-avec-le-jugement-de-dieu--antonin-artaud-040266D0B19386?types=A&
27 Nathalie Heinich http://fr.wikipedia.org/wiki/Nathalie_Heinich visitado em 17
fev 2010.
28Nathalie Heinich, Les Immatériaux Revisited: Innovation in Innovations, TATE’S
ONLINE RESEARCH JOURNAL, Tate Papers Autumn 2009.
http://www.tate.org.uk/research/tateresearch/tatepapers/09autumn/heinich.shtm
Visitado em 30 FEV 2010
29 O Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou,
localizado no centro de Paris, na antiga região de Beaubourg foi aberto ao
público, em 1977, como espaço voltado para a criação artística moderna e
contemporânea. O Centro representa, em verdade, para Jean Baudrillard , na
“limpeza da fachada, desinfecção, design snob e higiénico”, a fissão cultural e
a dissuasão política. A primeira, pelo domínio da comercialização na produção
cultural contemporânea e pelo próprio complexo arquitetônico como atração maior
que a cultura em si; a segunda, pelas mudanças de superfície no sentido social e
urbano para manter antigos conteúdos cristalizados. O efeito Beaubourg, ou seja,
o tratamento espetacular da ocupação de áreas da cidade por projetos artísticos
e culturais é na visão de Jean Baudrillard, uma total contradição com o conteúdo
instrutivo e formativo que justificam aqueles espaços [ver em Distinção e
Enobrecimento Urbano: os Centros Culturais e o Mercado de Bens Simbólicos
Trabalho de Marco Estevão de Mesquita Vieira apresentado no XIII Congresso
Brasileiro de Sociologia. 2007.]
30 Bordieu e Habitus http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Bourdieu
visitado em 12
Fev 2010.
31 Lyotard descreve a incomensurabilidade da imaginação e da razão como um
differend. O differend é ser encontrado no centro do sentimento sublime: no
encontro dos dois 'absolutos' igualmente presentes para o pensamento, a
totalidade absoluta quando se concebe e o absolutamente medido quando se
apresenta. A situação é análoga a colisão de dois jogos de linguagem diferentes,
cada um absoluto nas suas regras. A imaginação fala uma linguagem de formas, de
medidas; a razão fala uma língua do sem forma, da infinitude. O “differend”
entre eles é insolúvel: "Este conflito não é uma disputa normal, que uma
terceira instância poderia pôr fim, mas um differend fundamental”. Sublime
sentimento nos sensibiliza para um "fora e um dentro" do pensamento ou para um "abismo"
que separa a imaginação e a razão. Sublime sentimento torna-se, como resultado,
"o transporte que leva todo o pensamento para os seus limites." LYOTARD,
JEAN-FRANÇOIS, The Differend: Phrases in Dispute.
32 LYOTARD, JEAN-FRANÇOIS. The Differend: Phrases in Dispute. Minneapolis: U of
Minnesota , USA 1988.
33 Barthes, R., O Rumor da Língua, Edições 70, Lisboa, 1987
34 surrogate : a chave que maneja duas condições comutando a passagem de um
estado para um outro.
35 Barreto, A.de A., Mediações digitais, Datagramazero v.10, n.4, ago/09, ARTIGO
01
http://www.dgz.org.br/ago09/Art_01.htm
visitado em 25jan2010
36 Pensamento Divergente - caminha em diferentes direções para determinar
significados, como que pesquisando os meandros da elaboração do pensamento em
cognições prévias. Pode ter seu significado adiado ou desfamiliarizado
tematicamente até percorrer todos os enunciados entrelaçados. Entendemos por
pensamento convergente, aquele em que o enunciado se direciona a uma cadeia de
ligações cognitivas precisa e direcionada a um ponto. É o pensamento determinado,
convencional, pontual e que se abriga no interior de uma mesma composição.
Sobre os autor / About the Author:
Doutor em ciência da informação pela The City University de Londres, Inglaterra.Pesquisador Sênior do CNPq.