Resumo: A polissemia do conceito de "informação"
parece ser uma decorrência natural da apropriação do
termo por diferentes áreas do conhecimento e está ligada
ao fenômeno conhecido como "definição consuetudinária"
em que diferentes especialistas se expressam conforme o estado da arte
dos conhecimentos sobre determinado fenômeno. Tais definições
estariam, conseqüentemente, sujeitas a reformulações
e reconceitualizações pari passu com a evolução
da pesquisa. A questão que se levanta constantemente é se
a Ciência da Informação deveria ou não ter uma
concepção única para o termo, o que parece não
só impraticável, quanto inócuo.
Palavras chave: Informação; Massa
Documental; Conceito de Informação; Tecnologia; Registro
do Conhecimento
Abstract: The polysemy of the concept of
"information" seems to be a natural consequence of the several knowledge
areas employment of the term. It's bound to what we know as a "consuetudinary
definition": different specialists express themselves according to up-to-date
knowledge on specific phenomenon. Such definitions would be changed or
reformed pari passu the research development. Arguing Information
Science should - or should not - have an unique conception to the term
is as infeasible as innocuous.
Keywords: Information; Documental Mass; Concept
of Information; Technology; Knowledge Recording
O impacto das tecnologias no processo de comunicação tem provocado uma reordenação dos processos de produção e distribuição de conteúdos o que significa também mudanças nas práticas e rotinas profissionais. A superação da fase do processamento técnico para a formação de estoques insere os documentos e registros em um contexto de transferência e uso efetivo das informações.Todos estes avanços são decorrentes do ato comunicativo e sua necessidade de decifração, possível através do controle bibliográfico, da organização e da difusão de informações.(McGarry, 1984).
A polissemia do conceito de "informação" parece ser uma decorrência natural da apropriação do termo por diferentes áreas do conhecimento e está ligada ao fenômeno conhecido como "definição consuetudinária" em que diferentes especialistas se expressam conforme o estado da arte dos conhecimentos sobre determinado fenômeno. Tais definições estariam, conseqüentemente, sujeitas a reformulações e reconceitualizações pari passu com a evolução da pesquisa. A questão que se levanta constantemente é se a Ciência da Informação deveria ou não ter uma concepção única para o termo, o que parece não só impraticável, quanto inócuo.
Informação é matéria prima de todas as áreas
do conhecimento que a entendem conforme sua forma de apropriação,
teorização, dependente do estágio de desenvolvimento
de teorias e práticas metodológicas. A Ciência da Informação,
por sua origem na indústria da informação, parece
privilegiar a visão de informação como conhecimento
(de alguma forma) registrado, atrelado ao conceito de documento na concepção
popperiana do termo [1]. Barreto aponta sua análise
fenomenológica na mesma direção:
Todo documento (no sentido de informação registrada)
está exposto a diferentes abordagens, dependendo dos propósitos
de busca, mas seria possível apontar duas direções
complementares e interdependentes: a primeira voltada para o conteúdo
enquanto tal e a segunda para a estrutura do próprio documento.
As diversas áreas de pesquisa são conduzidas pelo conhecimento
disciplinar consubstanciado nos registros, questionando-os e reformulando-os
constantemente segundo a prática postulada pela Teoria do Conhecimento
Objetivo (Popper) da cadeia produtiva das "conjecturas e refutações".
Na outra margem do processo estaria a Ciência da Informação
trabalhando a massa documental para torná-la acessível valendo-se
de suas teorias, metodologias e tecnologias de análise e manipulação
estrutural. A massa documental, seja ela convencional ou virtual [2],
coloca-se como problema e pode ser abordada como objeto de estudo de várias
ciências, incluindo a Ciência da Informação,
voltada para compreender sua natureza e uso social por métodos quantitativos
e qualitativos.
2 Uma Proposta
Tendo em vista a idéia de que a Ciência da Informação
centra-se na análise do fenômeno da massa documental,
segundo os argumentos expostos anteriormente, seria oportuno, para seu
melhor entendimento, a conceituação de seu elemento básico
que é o próprio documento. Antes, porém, convém
evitar a precipitação, aparentemente óbvia, de afirmar
que a Ciência da Informação seria a ressurreição
pós-moderna da Documentação.
É certo que tanto a Ciência da Informação como a Documentação Científica têm suas origens na questão da bibliografia especializada, baseada na produção científica, requerendo seu tratamento e organização para consumo da comunidade científica. Provavelmente, em virtude dessa coincidência, é que existe tanta celeuma em torno da origem da bibliometria, que foi o primeiro grande esforço teórico e metodológico para o tratamento e análise do então chamado fenômeno da explosão da informação, ou seja, da expansão da massa documental [3].
O documento passa a ser a unidade ou objeto primeiro de estudo da Ciência da Informação como, por conseqüência, também de toda e qualquer ciência, segundo os seus enfoques e interesses próprios. Vamos igualmente fugir da discussão relativa à definição de documento. Sem dúvida que é importante dispor de enunciações adequadas - e, de fato, existem várias na literatura, - mas esta análise é a de sua natureza no denominado ciclo informacional. Para a discussão do fenômeno, partindo do pressuposto cartesiano de que um objeto complexo torna-se melhor observado mediante a decomposição em seus elementos constitutivos, propomos o seguinte esquema:
Tipo - Conteúdo - Formato - Suporte
(Representação estática)
Figura 1- Elementos constitutivos do Documento - célula
estrutural
do conhecimento registrado
TIPO - Para a compreensão do documento como objeto de estudo, deve-se partir de sua tipologia ou tipificação. O tipo do documento está intrínseca e indissociavelmente relacionado com a sua produção. No processo produtivo do conhecimento, há sempre uma eleição prévia conforme os objetivos perseguidos. Tipos tais como artigos científicos, relatórios técnicos, dissertações e teses acadêmicas, resenhas, recensões e resumos, livros e patentes têm configurações convencionais, consagradas pelo uso e sujeitos às exigências formais e normas adequadas à sua produção e veiculação. São formas que, por força de sua reconhecibilidade, predeterminam os modos de produção e uso.
Na prática, há expectativas maiores ou menores segundo
os tipos de documentos por parte do público, objeto de instâncias
reguladoras que vão das normalizações até aos
mecanismos de editoração. O tipo de documento ou fonte também
qualifica ou justifica o seu uso nas situações do processo
produtivo da indústria da informação, criando veículos
próprios para armazenagem e difusão. Bibliotecas especializadas,
por exemplo, elegem determinados tipos de documentos como prioritários
- tais como teses e publicações periódicas (coletânea
de artigos, etc.) - na suposição de serem os mais adequados
aos objetivos institucionais. É obvio que tais tipos de documentos
são produtos marcados pelas exigências do mercado e estão
sempre sujeitos a transformações impostas pela demanda e
pela capacidade de renovação da oferta, simultaneamente com
as tecnologias disponíveis. Se atentarmos para o caso específico
do artigo científico e, por extensão, do periódico
científico, como veículo principal da comunicação
da ciência, constatamos transformações substanciais
no processo constitutivo e estamos percebendo mudanças constantes
em seu desenvolvimento recente.
Porque é importante identificar a tipologia do documento na
presente análise? Certamente a resposta está na percepção
de que o tipo de documento predispõe a autoria, condicionando o
processo de registro do documento e, conseqüentemente, os demais elementos
do ciclo informacional. Como registro público, o documento sacramenta
uma pré-disposição consentânea com um objetivo
a ser atingido e um uso predeterminado que precisa ser identificado pelo
público.
CONTEÚDO - É a parte substantiva do
documento e está predeterminado pelo seu tipo, na medida em que
está conformado às normas e condições de produção.
Os dados, as informações e o conhecimento registrado seguem
regras próprias do tipo escolhido. Por exemplo, num artigo científico
existe a exigência da colocação de um problema mediante
sua consubstanciação (seja por intermédio da argumentação
e/ou de uma revisão ou estado da arte da literatura, ainda que limitada
pela extensão do documento), seguida de uma análise de dados,
segundo uma metodologia estabelecida e, finalmente, conclusões que
apresentam a posição do autor em relação ao
fenômeno abordado. Cada ciência se apropria do conteúdo
conforme suas capacidades heurísticas e metodológicas, mas
é justo assinalar que a tipificação do documento entra
certamente na legitimação do processo de apropriação
do conhecimento. Pode-se ir mais longe e afirmar que há uma indissociabilidade
entre modo de produção e o registro mesmo do documento, em
virtude de suas potencialidades e limitações. Em caso extremo,
pode-se afirmar que só existe conhecimento científico no
documento científico [4] e que sua materialidade
é diferenciada por tipos de documentos convencionais [5].
FORMATO - está relacionado com o modo de concepção e exposição do conteúdo. O formato molda o conteúdo, tornando-o visível e inteligível na medida em que a forma também determina o significado, em que "a forma é a mensagem" numa leitura adaptada das concepções de McLuhan [6]. Ou melhor, a forma em última instância é o conteúdo, dada a indissociabilidade entre ambos. São vasos comunicantes que se complementam. No sentido oposto, diferentes formatos pressupõem diferentes conteúdos e exigem tratamentos técnicos diferenciados.
Na prática, assim como existem tipos "típicos" (valha a tautologia para exemplificar a tese ou o artigo científico) também é possível a determinação de formatos básicos, que servem de modelo ou de paradigma no processo criativo. Consequentemente são aceitos e copiados certos modelos para determinados tipos de registros que os autores seguem, daí porque as editoras costumam estabelecer regras e normas para os colaboradores. Faz parte do ritual acadêmico ou das práticas da indústria da informação a elaboração de tais formatos e instrumentos auxiliares - como programas de tratamento e exposição de dados - que facilitam tanto a produção quanto a leitura dos documentos pelo público acostumado com os códigos estabelecidos.
SUPORTE - É a parte visível e manipulável do documento,
ou o documento propriamente dito, no senso comum. É a sua coisificação
ou expressão física como produto, mas que compreende todas
as características constitutivas já discutidas anteriormente.
Um mesmo documento original - digamos uma tese - pode apresentar-se em
diferentes suportes, como sejam no suporte impresso, na microficha, no
CD-ROM ou, mais recentemente, em rede eletrônica. É comercializável,
armazenável, transferível e sujeito a todos os procedimentos
administrativos, legais e demais considerações institucionalizantes
próprias do mercado editorial. Certamente que os suportes, assim
como os outros elementos já discutidos, evoluem e representam valores
e condições tecnológicas de seu momento histórico,
mas seria ingênuo afirmar que a escolha do suporte não implica
em condições de acesso e uso. E até mesmo de significados
no sentido de vieses e diferenciações na sua apreciação.
Roger Chartier (2001) em recente entrevista, afirmou:
Do exposto pode-se inferir que os suportes são mais ou menos
adequados aos conteúdos e que a escolha dos meios (ou suportes)
pressupõe usos diferenciados que implicam até na compreensão
da obra mesma:
O importante é constatar que há uma inter-relação
necessária entre os elementos da seqüência: tipo -
conteúdo - formato - suporte e que a alteração
de um deles pressupõe alguma mudança nos demais.
3 A Desconstrução dos Conceitos
A ordem dos elementos constitutivos do documento em seu processo criativo
-
tipo - conteúdo - formato - suporte, na exposição
precedente, respondeu aos interesses da argumentação mas
pode ser vista de forma orgânica ou sistêmica, quando a variável
humana e o conteúdo interagem com a tecnologia mudando padrões
e convenções institucionais.
Observando as publicações, sua história e evolução, considera-se que a massa documental (o Mundo 3 de Popper), reconhecida como a expressão de pensamentos e experiências científicos, literários e artísticos, é codificada mediante uma arquitetura em várias dimensões. No ciclo da interação entre tecnologia e conhecimento existe uma dependência (mútua) em relação aos documentos [7]. É com base na arquitetura do documento que se desenvolvem, de fato, as práticas de comunicação. Os padrões ditam regras e, paradoxalmente, limitam as inovações. No entanto, o ciclo é dinâmico porque o conhecimento registrado, príncipe do processo, é gerado pelo especialista para responder a uma demanda social em constante transformação [8].
Nesse movimento cíclico, em função da própria natureza científica do processo, existe uma construção física que representa as fases dessa interação. Definimos sucintamente cada uma das etapas do ciclo, visualizadas na prática profissional por claustros visíveis e mensuráveis. O conhecimento a ser disseminado terá que se integrar em um ciclo baseado nos suportes físicos, formatos, conteúdos específicos e uma classificação que tipifica cada documento. Esses elementos integram a arquitetura do ciclo.
Suporte - base física que reúne as idéias construídas em um determinado formato.
Formato - desenho ou arquitetura que determina a leitura de um texto e sua seqüência.
Conteúdo - idéia (original ou não) que precisa ser disseminada para gerar novas idéias.
Tipificação - formas de classificar as publicações que disseminam o conhecimento.
As transformações observadas em cada ponto do ciclo de interação demonstram as respostas às reais necessidades de produção e comunicação dos cientistas, tecnólogos, acadêmicos, etc, ou seja, dos geradores e comunicadores envolvidos no processo.
Figura 2 - Interação entre tecnologia e conhecimento registrado
A massa documental, no conceito popperiano aqui defendido, faz parte do ciclo da comunicação científica em processo de reciclagem contínua (Fig. 2). A produção (registro) do conhecimento, conformada à tecnologia e aos elementos constitutivos do documento (tipo-conteúdo-formato-suporte), se dá através da mediação compreendida como absorção das novas idéias, análise e crítica para a complementaridade do conhecimento acumulado, "conjecturas e refutações", retornando ao ciclo através de novos documentos.
Ao analisar as transformações verificadas no contexto
da comunicação científica, Meadows (1999) também
detecta a interdependência entre a massa documental (em seus diferentes
aspectos) e a tecnologia. É nessa interação que surgem
as mudanças que modificam o ciclo da comunicação científica,
determinado novas práticas e modelos. Até alcançar
a transição para a rede eletrônica, o periódico
passou por muitas modificações e serviu de treinamento para
a comunidade ingressar em um contexto de comunicações mais
rápidas e complexas:
Cada tipo de documento tem sua própria transição.
As bases de dados, por exemplo, adaptaram-se rapidamente ao novo suporte
(em rede) porque tecnicamente têm mais afinidades operacionais com
a Internet. Já a revista estaria numa posição intermediária,
antes do livro, publicação com maior grau de complexidade,
por trabalhar com um conteúdo mais denso. Estes aspectos determinam
fases (Quadro 1) durante o processo de migração para um novo
suporte. No primeiro momento quando se estabelecem padrões para
a estrutura dos documentos (fase 1) eles permanecem inalterados até
que, em um novo suporte, passam por uma fase híbrida (fase 2) porque
os modelos da primeira etapa começam a ser desconstruídos,
é uma fase intermediária. Posteriormente, os padrões
são novamente retomados, já atualizados, definindo uma nova
arquitetura para os documentos. Os tipos de documento mudam de designação,
por força das transformações inovadoras buscando denominações
apropriadas.
Quadro 1
Fases de transição na arquitetura do conhecimento registrado
| SUPORTE | FORMATO | CONTEÚDO | TIPIFICAÇÂO | |
| Fase 1 - modelo estático,
baseado na armazenagem.
Ação convencional |
Repete uma arquitetura que já está estabelecida, em formatos consagrados | Trabalha adequando o conteúdo em um sentido linear próprio das técnicas de apresentação de um texto | Vem inserido nos moldes de publicações tipificadas para disseminarem conteúdos específicos | Classifica as publicações obedecendo a uma ordem de discurso tradicional que atende a uma necessidade linear de compreensão própria do suporte |
| Fase 2 - híbrida
Ação revolucionária |
Altera o formato em função das necessidades de comunicação. Há uma mudança gradativa na arquitetura | Apresenta o conteúdo de forma interativa, hipertextual e multidimensional, descontruindo sua concepção tradicional (vigente) | Constrói o conhecimento de forma mais dinâmica saindo de uma seqüência linear de percepção, determinando a feitura de novos tipos de documentos | Apresenta novas classificações para os documentos em suportes que atendem de forma mais completa as necessidades de comunicação |
| Fase 3 - modelo extensivo, baseado
na acessibilidade.
Adaptação para novos padrões |
Arquitetura estabelecida | Sentido extensivo de comunicação | Distribuído numa rede de conexões | Os suportes conectando redes de especialistas (criadores de conteúdos) |
Este cenário, ao contrário do que possa parecer, não
é uma situação nova. Chartier (1998) detecta essas
mudanças já no século XVIII, quando as bibliotecas,
além de acumularem e conservarem documentos, passaram a preocupar-se
principalmente com a leitura. Os catálogos deixaram assim de ser
inventários e tornaram-se instrumentos de consulta para acesso às
obras. "A biblioteca sai da solidão do monastério ou do
limitado espaço que lhes destinavam os bispos nas catedrais românicas,
para se tornar urbana e ampla" (Idem, 1998:23). A integração
dos documentos ao espaço de civilidade [9]
transforma a massa documental em um instrumento de trabalho, uma ferramenta
com propriedades físicas específicas e uma funcionalidade.
Notas
[1] A propósito ler MIRANDA, Antonio. A Ciência da Informação
e teoria do Conhecimento Objetivo: um relacionamento necessário.
In: Campo da Ciência da Informação: gênese,
conexões e especificidades. João Pessoa: Editora da UFPb,
2002. (No prelo).
[2] A diferença entre virtual e físico não faz muito sentido se atentarmos para a mediaticidade dos fenômenos em que tudo que é virtual tem sua base física necessária e sem esta não é possível o acesso e uso das informações. Pode-se traçar o paralelo entre os termos (aparentemente opostos) disponível e acessível, para afirmar que tudo que é acessível é, antes, disponível em algum ponto do sistema (ex. os documentos acessíveis da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos estão disponíveis também, embora a recíproca não seja verdadeira, pois nem tudo que está disponível naquela biblioteca está necessariamente acessível). Pode-se inferir que o virtual estará sempre baseado em alguma estrutura física.
[3] Segundo Edson Nery da Fonseca, a bibliometria foi grafada pela primeira vez em 1900 por Paul Otlet e a confusão quanto à sua origem corre por conta do desconhecimento dos autores anglo-saxões das obras pioneiras dos ensaístas das línguas neolatinas.
[4] Esta concepção ultraísta de ciência pode ser questionável, mas é prática e administrável. No caso do documento, ele passa a ser toda e qualquer forma de registro do conhecimento, ou seja, todo e qualquer tipo de documento, desde os registros convencionais até aqueles do domínio da multimídia e mesmo, sem nenhuma inibição, todo e qualquer objeto colocado na condição de documento. Por exemplo, objetos coletados na natureza (plantas, fósseis, etc) e objetos construídos pelo engenho humano (equipamentos, obras de arte, etc.) conservados em museus e coleções científicas e culturais constituem uma documentação reconhecível como tal no processo. De fato, a eleição de um determinado modelo de máquina de escrever ou de arado numa coleção tecnológica inegavelmente transforma-a em um documento. Os ingleses chamam a esse tipo de documentação de realia em contraposição à documentação literária.
[5] Convencionais no sentido de normas ou modelos negociados e aceitos
pelos pares.
[6] Parafraseando McLuhan, autor de "Os meios de comunicação como extensões do homem", que utiliza a expressão o meio é a mensagem para explicar que um novo ambiente tecnológico trabalha por algum tempo com conteúdos de um ambiente anterior.
[7] Aldo Barreto prefere denominar a massa documental como "estoques de informação", o que pressupõe, no entanto, uma idéia de coleção ou acervamento.
[8] Quando, na concepção popperiana, o conhecimento registrado transfere-se para o universo real dos especialistas (seus estados mentais, inteligência, pensamentos), ou seja, o Mundo 2 de Popper.
[9] Chartier afirma que a civilidade introduz as instituições
no espaço público.
BARRETO, Aldo. http//www.dgzero.org/ago01/Art_01.htm
CHARTIER, Roger. Navegar é preciso. Entrevista disponível em http://babel.no.com.br (acessada em 11 de maio de 2001) e também no Observatório da Imprensa http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos (acessada em 11 de maio de 2001).
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Sobre os autores / About the Authors:
Antonio Miranda - Universidade de Brasília - UnB
Elmira Simeão - Universidade de Brasília
- UnB