DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.3   n.4  ago/02                            RECENSÕES


FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
Marta Valentin (Org.) - Uel / ABECIN
ISBN: 85-7228-014-6 - 152p.
vendas@editorapolis.com.br
 
"O homem é corda estendida entre o animal e o Super-Homem : uma corda sobre um abismo;
perigosa travessia, perigoso caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar.
O grande do homem é ele ser uma ponte e não uma meta : o amável no homem é ele ser uma passagem e um acabamento.
Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque  são esses os que atravessam de um para o outro lado."[*]


 Estas palavras do filósofo  são  como um prefácio para o profissional da informação que se relaciona  em  seu fazer diário com dois mundos: o mundo de  suas competências adquiridas, núcleo válido de sua profissão e o mundo onde  estas competências adquirem um novo posicionamento, pois foram remodeladas por técnicas  intensas em inovação.

O profissional da área se encontra , nesta atualidade, como praticando no presente, mas elaborando seu ofício entre o passado e o futuro. Convive com tarefas e técnicas tradicionais de sua profissão mas precisa  atravessar para uma outra realidade, onde estão indo seus clientes, usuários  e aprender  a conviver com o novo e o inusitado, numa constante renovação da novidade.

Os que trabalham com a informação continuarão a conciliar tarefas cotidianas com o aprendizado tradicional, e ainda o farão por alguns anos; mas devem estar se preparando para operar em espaços distintos, como uma ponte do passado  para o futuro. Será um profissional vespertino o que decidir não realizar esta travessia.

O trabalhador da informação terá muitas faces, diferenciadas habilidades. As características do trabalho atual  com a informação não toleram qualquer reserva intelectual de mercado de trabalho. Não se conquistam competências e sobretudo eficiência operacional ou teórica sob a proteção de decretos ou leis. O mercado de trabalho atual exige um contínuo aprendizado. um compromisso de vida com saberes novos.

Alguma vantagem terá , é certo, aquele que, por experiência  ou reflexão, estabeleceu  laços de convivência com os meandros de como e onde se revela o fenômeno da informação. Como em todas as profissões, o saber acumulado conta positivamente para a eficiência do indivíduo. Saber sim, e não incompetência consentida ou definida por benesses legais ultrapassadas. Ainda assim, muitos se sentirão chamados, mas nem todos serão capazes de operar e pensar corretamente os labirintos da gestão, tecnologia e comunicação da informação nos tempos atuais.

O livro traz os seguintes artigos:

Capítulo 1
Ciência da Informação: base conceitual para a formação profissional - p.9-24
Johanna W. Smit e Aldo de Albuquerque Barreto

Capítulo 2
Histórico e Evolução Curricular na área de Biblioteconomia no Brasil - p.25-48
César Augusto Castro

Capítulo 3
Estudos Curriculares em Biblioteconomia no Mercosul: reflexões sobre uma trajetória - p.49-88
José Augusto Chaves Guimarães

Capítulo 4
A Pesquisa como Princípio Educativo na Formação do Profissional da Informação - p.89-102
Mara Eliane Fonseca Rodrigues

Capítulo 5
As Novas Tecnologias na Formação do Profissional da Informação - p.103-116
Plácida L. V. Amorim da Costa Santos

Capítulo 6
Formação: competências e habilidades do profissional da informação - p.117-132
Marta Lígia Pomim Valentim

Capítulo 7
Formação, Formatação: profissionais da informação produzidos em série - p.133-148
Oswaldo F. de Almeida Júnior




[*] Nietzsche, F. - Assim Falava Zaratustra , Editora Tecnoprint S.A, Rio de Janeiro, [sem data], primeira parte, Preâmbulos

Recensão escrita por Aldo de Albuquerque Barreto



 

O CAMPO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: GÊNESE, CONEXÕES E ESPECIFICIDADES
Mirian de Albuquerque Aquino (Org.)
João Pessoa: Editora Universitária, 2002
ISBN 85-2370336-5

A  área de ciência da informação tem sido atingida por um reposicionamento de seus conceitos e de sua base de pensamento na sua interatuação com as técnicas novas e densas em inovações. É sempre importante nesses momentos um olhar para o futuro, preservando nossas referências do passado; : gênese, conexões e especificidades que não podem ser esquecidas e devem representar uma adaptação, devem subsidiar a nossa intenção de futuro.

Refletir o futuro em nossa área significa elaborar articulações para inserção da tecnologia e dos preceitos de uma sociedade da informação em nosso agir cotidiano.

As tecnologias da informação com  elevado teor de inovação e convencimento estão, definitivamente, inseridas no contexto da área. A ciência da informação é hoje tão conivente com as  tecnologias intensas que poderíamos afirmar que o futuro se anuncia no presente. As mudanças ocorridas durante os últimos anos reorganizaram as atividades associadas às práticas e ao próprio pensar da ciência da informação, embora a ênfase de nosso agir se coloque nos conteúdos de informação, qualquer que seja a base tecnológica considerada.

Contudo, a sociedade sempre foi afetada pelas transformações trazidas pela técnica; aqueles que convivem mais de perto com estas alterações enfrentam com maior carga as conseqüências de uma enorme ansiedade tecnológica. O modelo tecnológico inovador é  fechado e induz a um distanciamento alienante da forma  como ele opera ou se opera no melhor sentido. Se o discurso da ciência traz uma promessa de verdade, o da tecnologia traz consigo uma promessa de melhoria das condições do homem, de conforto material, de felicidade. No caso das tecnologias de informação, quando o seu objetivo é promover o acesso universal à informação, estas passam a decidir sobre o status tecnológico da sociedade. A autoridade da tecnologia não é sucetível de dúvida ou contraposição, sob pena de nos tornarmos contrários ao avanço tecnológico, retrógrados e ultrapassados.

Porém, o vigor inovador e mutante da tecnologia pretende operar sempre em condições e com  elementos  novos, depreciando muitas vezes a tradição, a memória e as competências do passado. Pode excluir conceitos, áreas de atuação, pessoas, instituições, pensamentos e idéias. O núcleo de pensamento e constituição do campo da ciência da informação deve ser preservado, assim como a sua visão multifocal.

A convivência com os novos tempos é um ato de comprometimento tão forte que, para preservar um saber já elaborado, novas convenções devem  ser ajustadas para que, na  negociação, a área possa reconstruir suas articulações com as competências adquiridas.

Esta é a importância desta coletânea no cenário que já existe e no que se avizinha com modificações: ajustar a inserção da competência existente de sua  pesquisa a um novo tempo, no qual se convive com uma conjugação de forças altamente excludentes que,  por vezes, desejam  limitar  a jurisdição da área a práticas e saberes antigos, com habilidade, unicamente, para guardar o saber acumulado.

SUMÁRIO do livro:

Apresentação
Mirian de Albuquerque Aquino

A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E A TEORIA DO CONHECIMENTO OBJETIVO: um relacionamento necessário
Antonio Lisboa de Miranda

DOS ESTUDOS SOCIAIS DA INFORMAÇÃO AOS ESTUDOS DO SOCIAL desde o ponto de vista da informação
Maria Nélida González de Gómez

TRANSFERÊNCIA DA INFORMAÇÃO PARA O CONHECIMENTO
Aldo de Albuquerque Barreto

GÊNESE DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: os sinais enunciadores da nova área
Lena Vânia Ribeiro Pinheiro

O ESPECÍFICO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Eduardo Wense Dias

CONHECIMENTO E SOCIEDADE: pressupostos da antropologia da informação
Regina Maria Marteleto

REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO através de esquemas de tarefa (ETAF)
Virgínia Bentes Pinto

COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO: caminhos de conexão
Olga Tavares da Silva

CAMPO DA INFORMAÇÃO: transição e desafios
Antonio Fausto Neto

O CAMPO HÍBRIDO DA INFORMAÇÃO e da comunicação
Claudio Cardoso de Paiva

Uma nova política de civilização: A SOCIEDADE INFORMACIONAL
Edna G. de Goés Brennand

CIDADANIA E LOCALIDADE NA SOCIEDADE EM REDE: criando riqueza de diversidade
Kevin Harris

A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO e o poder da mulher
Rachel Joffly Abath
Timothy D. Ireland

Um modelo conceitual para AVALIAÇÃO DE INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL nas organizações
Luiz Clementino Vivacqua de Oliveira
Elmano Pontes Cavalcanti
 

Recensão escrita por Aldo de Albuquerque Barreto