Estas palavras do filósofo são como
um prefácio para o profissional da informação que
se relaciona em seu fazer diário com dois mundos: o
mundo de suas competências adquiridas, núcleo válido
de sua profissão e o mundo onde estas competências adquirem
um novo posicionamento, pois foram remodeladas por técnicas
intensas em inovação.
O profissional da área se encontra , nesta atualidade, como praticando no presente, mas elaborando seu ofício entre o passado e o futuro. Convive com tarefas e técnicas tradicionais de sua profissão mas precisa atravessar para uma outra realidade, onde estão indo seus clientes, usuários e aprender a conviver com o novo e o inusitado, numa constante renovação da novidade.
Os que trabalham com a informação continuarão a conciliar tarefas cotidianas com o aprendizado tradicional, e ainda o farão por alguns anos; mas devem estar se preparando para operar em espaços distintos, como uma ponte do passado para o futuro. Será um profissional vespertino o que decidir não realizar esta travessia.
O trabalhador da informação terá muitas faces, diferenciadas habilidades. As características do trabalho atual com a informação não toleram qualquer reserva intelectual de mercado de trabalho. Não se conquistam competências e sobretudo eficiência operacional ou teórica sob a proteção de decretos ou leis. O mercado de trabalho atual exige um contínuo aprendizado. um compromisso de vida com saberes novos.
Alguma vantagem terá , é certo, aquele que, por experiência ou reflexão, estabeleceu laços de convivência com os meandros de como e onde se revela o fenômeno da informação. Como em todas as profissões, o saber acumulado conta positivamente para a eficiência do indivíduo. Saber sim, e não incompetência consentida ou definida por benesses legais ultrapassadas. Ainda assim, muitos se sentirão chamados, mas nem todos serão capazes de operar e pensar corretamente os labirintos da gestão, tecnologia e comunicação da informação nos tempos atuais.
O livro traz os seguintes artigos:
Capítulo 1
Ciência da Informação: base conceitual para
a formação profissional - p.9-24
Johanna W. Smit e Aldo de Albuquerque Barreto
Capítulo 2
Histórico e Evolução Curricular na área
de Biblioteconomia no Brasil - p.25-48
César Augusto Castro
Capítulo 3
Estudos Curriculares em Biblioteconomia no Mercosul: reflexões
sobre uma trajetória - p.49-88
José Augusto Chaves Guimarães
Capítulo 4
A Pesquisa como Princípio Educativo na Formação
do Profissional da Informação - p.89-102
Mara Eliane Fonseca Rodrigues
Capítulo 5
As Novas Tecnologias na Formação do Profissional da
Informação - p.103-116
Plácida L. V. Amorim da Costa Santos
Capítulo 6
Formação: competências e habilidades do profissional
da informação - p.117-132
Marta Lígia Pomim Valentim
Capítulo 7
Formação, Formatação: profissionais
da informação produzidos em série - p.133-148
Oswaldo F. de Almeida Júnior
Recensão escrita por Aldo
de Albuquerque Barreto
O CAMPO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: GÊNESE,
CONEXÕES E ESPECIFICIDADES
Mirian de Albuquerque Aquino (Org.)
João Pessoa: Editora Universitária, 2002
ISBN 85-2370336-5
A área de ciência da informação tem sido atingida por um reposicionamento de seus conceitos e de sua base de pensamento na sua interatuação com as técnicas novas e densas em inovações. É sempre importante nesses momentos um olhar para o futuro, preservando nossas referências do passado; : gênese, conexões e especificidades que não podem ser esquecidas e devem representar uma adaptação, devem subsidiar a nossa intenção de futuro.
Refletir o futuro em nossa área significa elaborar articulações para inserção da tecnologia e dos preceitos de uma sociedade da informação em nosso agir cotidiano.
As tecnologias da informação com elevado teor de inovação e convencimento estão, definitivamente, inseridas no contexto da área. A ciência da informação é hoje tão conivente com as tecnologias intensas que poderíamos afirmar que o futuro se anuncia no presente. As mudanças ocorridas durante os últimos anos reorganizaram as atividades associadas às práticas e ao próprio pensar da ciência da informação, embora a ênfase de nosso agir se coloque nos conteúdos de informação, qualquer que seja a base tecnológica considerada.
Contudo, a sociedade sempre foi afetada pelas transformações trazidas pela técnica; aqueles que convivem mais de perto com estas alterações enfrentam com maior carga as conseqüências de uma enorme ansiedade tecnológica. O modelo tecnológico inovador é fechado e induz a um distanciamento alienante da forma como ele opera ou se opera no melhor sentido. Se o discurso da ciência traz uma promessa de verdade, o da tecnologia traz consigo uma promessa de melhoria das condições do homem, de conforto material, de felicidade. No caso das tecnologias de informação, quando o seu objetivo é promover o acesso universal à informação, estas passam a decidir sobre o status tecnológico da sociedade. A autoridade da tecnologia não é sucetível de dúvida ou contraposição, sob pena de nos tornarmos contrários ao avanço tecnológico, retrógrados e ultrapassados.
Porém, o vigor inovador e mutante da tecnologia pretende operar sempre em condições e com elementos novos, depreciando muitas vezes a tradição, a memória e as competências do passado. Pode excluir conceitos, áreas de atuação, pessoas, instituições, pensamentos e idéias. O núcleo de pensamento e constituição do campo da ciência da informação deve ser preservado, assim como a sua visão multifocal.
A convivência com os novos tempos é um ato de comprometimento tão forte que, para preservar um saber já elaborado, novas convenções devem ser ajustadas para que, na negociação, a área possa reconstruir suas articulações com as competências adquiridas.
Esta é a importância desta coletânea no cenário que já existe e no que se avizinha com modificações: ajustar a inserção da competência existente de sua pesquisa a um novo tempo, no qual se convive com uma conjugação de forças altamente excludentes que, por vezes, desejam limitar a jurisdição da área a práticas e saberes antigos, com habilidade, unicamente, para guardar o saber acumulado.
SUMÁRIO do livro:
Apresentação
Mirian de Albuquerque Aquino
A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E A TEORIA DO CONHECIMENTO
OBJETIVO: um relacionamento necessário
Antonio Lisboa de Miranda
DOS ESTUDOS SOCIAIS DA INFORMAÇÃO AOS ESTUDOS DO SOCIAL
desde o ponto de vista da informação
Maria Nélida González de Gómez
TRANSFERÊNCIA DA INFORMAÇÃO PARA O CONHECIMENTO
Aldo de Albuquerque Barreto
GÊNESE DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: os sinais
enunciadores da nova área
Lena Vânia Ribeiro Pinheiro
O ESPECÍFICO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Eduardo Wense Dias
CONHECIMENTO E SOCIEDADE: pressupostos da antropologia da informação
Regina Maria Marteleto
REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
através de esquemas de tarefa (ETAF)
Virgínia Bentes Pinto
COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO: caminhos de
conexão
Olga Tavares da Silva
CAMPO DA INFORMAÇÃO: transição e desafios
Antonio Fausto Neto
O CAMPO HÍBRIDO DA INFORMAÇÃO e da comunicação
Claudio Cardoso de Paiva
Uma nova política de civilização: A SOCIEDADE
INFORMACIONAL
Edna G. de Goés Brennand
CIDADANIA E LOCALIDADE NA SOCIEDADE EM REDE: criando riqueza de diversidade
Kevin Harris
A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
e o poder da mulher
Rachel Joffly Abath
Timothy D. Ireland
Um modelo conceitual para AVALIAÇÃO DE INTELIGÊNCIA
EMPRESARIAL nas organizações
Luiz Clementino Vivacqua de Oliveira
Elmano Pontes Cavalcanti
Recensão escrita por Aldo
de Albuquerque Barreto