Tradução de Nivaldo Montigelli Jr.
Editora Rocco
http://www.rocco.com.br/shopping/ExibirLivro.asp?Livro_ID=85-325-1826-5
ISBN:85-325-1826-5 - 172 pp.
~R$ 30,00
A maior parte da comunidade internacional condenou as recentes intervenções norte-americanas no Iraque e no Afeganistão. Francis Fukuyama é a voz dissonante: ele defende que ações como estas são fundamentais para a ordem mundial e deverão se tornar cada vez mais comuns. Em seu novo livro, Construção de Estados - Governo e organização no século XXI, ele defende que erodir a soberania de um Estado fraco, com vistas para a segurança do restante do mundo, não é menos legítimo que fornecer ajuda humanitária.
Para Fukuyama, um Estado falido constitui a fonte de muitos dos problemas mais graves do mundo, como pobreza, AIDS, drogas, terrorismo, abusos dos direitos humanos, guerras e ondas de emigração. Nos anos 90, o horror vivido por países como Timor Leste, Somália, Bósnia e Kosovo eram vistos como problemas locais, mas os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 mostraram que a fraqueza de um único Estado pode afetar todos os outros. Daí a necessidade de intervir e reconstruir o Estado fracassado, criando novas instituições governamentais e fortalecendo as já existentes.
O problema é que o mundo desenvolvido ainda sabe pouco sobre o assunto. Como transferir instituições fortes para países em desenvolvimento? Como lidar com a resistência à mudança? Quem tem o direito ou a legitimidade para violar a soberania de outro Estado? Há muito a aprender ainda, ou os Estados Unidos não teriam cometido tantos erros na ocupação do Iraque. Fukuyama acredita, por exemplo, que nem todo o dinheiro do mundo poderá resolver o problema da Aids na África - será preciso também ajudar aqueles países a desenvolver capacidade institucional para administrar os recursos de forma correta. "O grande problema do atual sistema é que as normas contemporâneas não aceitam a legitimidade de qualquer coisa além do autogoverno, fato que nos leva a insistir para que qualquer governança que venhamos a prover seja temporária e transitória", escreve o autor.
Fukuyama se assusta com a incapacidade do Estado em lugares como os Bálcãs, África, Ásia Central, Oriente Médio, sul da Ásia e América do Sul. Para ele, a situação nos países latinos só não é pior porque a qualidade de seus tecnocratas de cúpula cresceu enormemente na última geração, em conseqüência de terem freqüentado escolas nos Estados Unidos e Europa.
Como se vê, Construção de Estados é um livro polêmico, mas de leitura urgente.
Nas palavras do Autor:
Sumário
1 - AS DIMENSÕES PERDIDAS DA ESTATIDADE
O contestado papel do Estado
Escopo e força
Escopo, força e desenvolvimento econômico
O novo pensamento dominante
A oferta de instituições
A demanda por instituições
Tornando as coisas piores
2 - ESTADOS FRACOS E O BURACO NEGRO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A economia institucional e a teoria das organizações
A ambigüidade de metas
Dirigentes, agentes e incentivos
Descentralização e discrição
Perder a roda e reinventá-la
Formação de capacidade em condições de
ambigüidade organizacional
3 - ESTADOS FRACOS E LEGITIMIDADE INTERNACIONAL
O novo império
A erosão da soberania
A construção de nações
Legitimidade democrática no nível internacional
Além do Estado-Nação
4 - MENOR, PORÉM MAIS FORTE