DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.6   n.4   ago/05                            RECENSÕES

Construção de Estados
Francis Fukuyama

Tradução de Nivaldo Montigelli Jr.
Editora Rocco
http://www.rocco.com.br/shopping/ExibirLivro.asp?Livro_ID=85-325-1826-5
ISBN:85-325-1826-5  -  172 pp.
~R$ 30,00
 
 

A maior parte da comunidade internacional condenou as recentes intervenções norte-americanas no Iraque e no Afeganistão. Francis Fukuyama é a voz dissonante: ele defende que ações como estas são fundamentais para a ordem mundial e deverão se tornar cada vez mais comuns. Em seu novo livro, Construção de Estados - Governo e organização no século XXI, ele defende que erodir a soberania de um Estado fraco, com vistas para a segurança do restante do mundo, não é menos legítimo que fornecer ajuda humanitária.

Para Fukuyama, um Estado falido constitui a fonte de muitos dos problemas mais graves do mundo, como pobreza, AIDS, drogas, terrorismo, abusos dos direitos humanos, guerras e ondas de emigração. Nos anos 90, o horror vivido por países como Timor Leste, Somália, Bósnia e Kosovo eram vistos como problemas locais, mas os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 mostraram que a fraqueza de um único Estado pode afetar todos os outros. Daí a necessidade de intervir e reconstruir o Estado fracassado, criando novas instituições governamentais e fortalecendo as já existentes.

O problema é que o mundo desenvolvido ainda sabe pouco sobre o assunto. Como transferir instituições fortes para países em desenvolvimento? Como lidar com a resistência à mudança? Quem tem o direito ou a legitimidade para violar a soberania de outro Estado? Há muito a aprender ainda, ou os Estados Unidos não teriam cometido tantos erros na ocupação do Iraque. Fukuyama acredita, por exemplo, que nem todo o dinheiro do mundo poderá resolver o problema da Aids na África - será preciso também ajudar aqueles países a desenvolver capacidade institucional para administrar os recursos de forma correta. "O grande problema do atual sistema é que as normas contemporâneas não aceitam a legitimidade de qualquer coisa além do autogoverno, fato que nos leva a insistir para que qualquer governança que venhamos a prover seja temporária e transitória", escreve o autor.

Fukuyama se assusta com a incapacidade do Estado em lugares como os Bálcãs, África, Ásia Central, Oriente Médio, sul da Ásia e América do Sul. Para ele, a situação nos países latinos só não é pior porque a qualidade de seus tecnocratas de cúpula cresceu enormemente na última geração, em conseqüência de terem freqüentado escolas nos Estados Unidos e Europa.

Como se vê, Construção de Estados é um livro polêmico, mas de leitura urgente.

Nas palavras do Autor:

"A construção de Estados é a criação de novas instituições governamentais e o fortalecimento daquelas já existentes. Neste livro, eu afirmo que a construção de Estados é uma das questões mais importantes para a comunidade mundial, porque Estados fracos ou fracassados constituem a fonte de muitos dos problemas mais graves do mundo, da pobreza a AIDS, drogas e terrorismo. Também afirmo que, embora saibamos muito a respeito da construção de Estados, há muitas coisas que não sabemos, particularmente como transferir instituições fortes para países em desenvolvimento. Sabemos como transferir recursos através de fronteiras internacionais, mas instituições públicas em bom funcionamento exigem certos hábitos mentais e operam de maneiras complexas que resistem a tentativas de mudança. Precisamos dedicar muito mais reflexão, atenção e pesquisa nesta área. A idéia de que construir o Estado, em vez de limitá-lo ou reduzi-lo, deve ser prioritária pode parecer incorreta para muitas pessoas. Afinal, para a geração passada, a tendência dominante na política mundial foi a crítica ao "governo grande" e a tentativa de transferir atividades do Estado para mercados privados ou para a sociedade civil. Mas especialmente no mundo em desenvolvimento, um governo fraco, incompetente ou inexistente é fonte de sérios problemas."  
 

Sumário
 

1 - AS DIMENSÕES PERDIDAS DA ESTATIDADE
 
O contestado papel do Estado
Escopo e força
Escopo, força e desenvolvimento econômico
O novo pensamento dominante
A oferta de instituições
A demanda por instituições
Tornando as coisas piores
 

2 - ESTADOS FRACOS E O BURACO NEGRO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A economia institucional e a teoria das organizações
A ambigüidade de metas
Dirigentes, agentes e incentivos
Descentralização e discrição
Perder a roda e reinventá-la
Formação de capacidade em condições de ambigüidade organizacional

 
3 - ESTADOS FRACOS E LEGITIMIDADE  INTERNACIONAL

O novo império
A erosão da soberania
A construção de nações
Legitimidade democrática no nível internacional
Além do Estado-Nação
 

4 - MENOR, PORÉM MAIS FORTE



Recensão escrita por Aldo de Albuquerque Barreto a partir de materiais da editora.