Resumo: Apresenta um dos resultados produzidos por uma pesquisa de três anos que teve o objetivo de identificar os critérios de seleção no âmbito da Formação e Desenvolvimento de Coleções do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro. Circunscrito na atividade de seleção, os Instrumentos Auxiliares de Seleção são fundamentais, assim, com base da literatura, esse artigo identifica e discute sua relevância. No que concerne a bibliografia, destaca a produzida no século XIX com o objetivo de expor um corpus teórico da biblioteconomia pouco explorado. Conclui destacando a necessidade da utilização desses recursos como forma de alicerçar o desenvolvimento das coleções em bibliotecas.
Palavras-chave:
Formação e desenvolvimento de coleções; Critérios de seleção;
Instrumentos auxiliares de seleção; Real Gabinete Português de Leitura;
século XIX.
Abstract:
Presents one of the results produced for one research of
three years that had as objective to identify the selection process in the
scope of Collections Development of the Real Gabinete Português de Leitura,
in Rio de Janeiro. Circumscribed in the activity of selection, the Selection
Aids are basic and thus, based on literature, this article identifies and
argues their relevance. With respect to bibliography it detaches the
articles produced in XIX century with the objective to show a theorical
corpus of the librarianship little explored. It concludes detaching the
necessity of the use of these resources as form of aids the collections
development in libraries.
Keywords:
Collections Development; Selection Activity; Selection Aids; Real Gabinete
Português de Leitura; XIX century.
Introdução
Esse artigo é um dos resultados produzidos por uma pesquisa de três anos
para a elaboração do trabalho de conclusão de curso de bacharelado em
biblioteconomia. A sistematização dos conceitos advieram das discussões no
grupo de pesquisa Biblioteconomia, Cultura e Sociedade, coordenado pela
Profª Drª Simone Weitzel, da Escola de Biblioteconomia da Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Tendo o Real Gabinete Português de
Leitura (RGPL) como objeto de investigação,
assumimos como problema da pesquisa identificar os critérios que propiciaram
a política de seleção do acervo da Instituição e a partir desses,
estabelecer a Política de Seleção que foi praticada pela Instituição. O
recorte temporal foram os anos de 1837 a 1847 porque através da análise na
documentação compulsada verificamos que se tratava de período chave para
formação do acervo.
Para essa pesquisa lançamos mão tanto da documentação manuscrita quanto de
um vasto conjunto bibliográfico. O acervo do Real Gabinete Português de
Leitura constituiu nossa base documental, nele foi possível identificar
grande quantidade de bibliografia referente à biblioteconomia no século XIX.
Além dessa bibliografia, utilizamos as fontes que compõem a “Memória do Real Gabinete”, tendo como documentação principal as Actas Sessão da Directoria do Gabinete Portuguez de Leitura. Cabe lembrar, nesse breve prolegômeno que nossa relação com essas fontes antecede ao estabelecimento do problema da pesquisa.
Como parte das atividades de estágio curricular, realizamos a leitura e indexação por resumo desses documentos. No total foram indexadas 1806 Atas do período de 1837 a 1937. A essa documentação somou-se a compilação dos dados do Relatório apresentado à Assembleia da Sociedade do Gabinete Portuguez de Leitura no Rio de Janeiro, datado de 10 de setembro de 1837.
O Real Gabinete Português de Leitura (RGPL) foi
fundado por portugueses emigrados de cidades como Porto e Lisboa, no dia 14
de maio de 1837, na rua Primeiro de Março, na cidade do Rio de Janeiro.
Tinham o objetivo de trazer para a corte a mesma dinamização cultural que em
Portugal crescia a passos largos, para isso não olvidaram esforços para que
a biblioteca crescesse em progressões incomuns para época.
Porém depois de todos os dados que analisamos, podemos afirmar que isso só aconteceu por estabeleceram um plano rígido que foi militarmente seguido. Parte desse plano está num Relatório publicado em setembro de 1837 e em algumas sessões das Atas da Diretoria. Juntos, formam que uma “Proto-Política de Desenvolvimento de Coleções”, documento tão aconselhado que uma biblioteca o tenha para guiar a formação de seu acervo.
É objetivo deste artigo apresentar algumas considerações acerca dos
instrumentos auxiliares de seleção e seu uso. Destacamos, por uma redação
transversa com o uso de autores modernos e antigos, que a prática
biblioteconomia possui um histórico ainda a ser sistematizado e pesquisado.
Sem ousar inferir acerca dos instrumentos de seleção utilizados pelo Real
Gabinete Português de Leitura , tentaremos identificar as fontes mais comuns
e indicadas na época. E ainda demonstrar que as mesmas fontes – que hoje
vemos lamentavelmente caindo em desuso – indicadas pelos teóricos de
Formação e Desenvolvimento de Coleções (FDC) já eram
praticadas séculos antes.
Instrumentos auxiliares de seleção
A multidão de livros publicados só é própria para distrair o espírito
(Peignot,1828, p. 102).
O século XIX, principalmente a primeira metade, viveu sob o impacto de um
aceleramento da indústria tipográfica e aumento do número de título que
proporcionalmente poderíamos comparar ao momento que vivemos atualmente.
Diante de fluxo contínuo de produção bibliográfica, mesmo municiado de uma
Política de Seleção, o processo da escolha não é algo fácil. Vergueiro
considera que:
tendo em vista o atual universo editorial, é impossível a qualquer bibliotecário ter conhecimento de tudo que é de interesse para sua instituição, ou mesmo ter condições de avaliar objetivamente os materiais publicados. Por maior que seja sua dedicação e disponibilidade, ele irá fracassar (Vergueiro, 1997, p. 71)
É impossível que o bibliotecário sozinho, diante dessa massa editorial que
cresce em larga escala, recorrer apenas a sua memória no momento da seleção.
Lasso de la Vega recomenda que além da formação da Comissão da Seleção
sejam utilizados outros instrumentos que auxiliem no difícil, mas exeqüível,
processo de selecionar (Lasso de la Veja, 1952).
Cousin (1882, p. 21)
ponderou que “esta comissão deverá cercar-se de diferentes catálogos
antigos e modernos, e também catálogos especiais, se houver necessidade”.
Ao concluir a primeira parte do seu Traité du choix de livres,
Peignot tece o seguinte comentário:
cremos ter suficientemente demonstrado a necessidade de fazer seleção no meio dessa quantidade excessiva de livros que surgem no horizonte literário; indicamos os escritores sobre os quais as escolhas devem recair, e explicamos os motivos dessa preferência (Peignot, 1828, p. 28).
Com esse panorama à vista, o selecionador precisa (e precisava)
lançar mão do recurso dos instrumentos auxiliares de seleção. Pois que,
“por intermédio deles, os bibliotecários poderão obter informações
referentes à existência de itens específicos, e ter acesso a uma estimativa
da qualidade dos documentos” (Vergueiro, 1997, p. 72). Essas fontes
complementares de seleção propiciam ainda um meio do “bibliotecário
selecionador [...] identificar itens passíveis de serem incorporados ao
acervo a partir do perfil traçado pela política de seleção” (Weitzel,
2006a, p. 24).
Deaceto (2005) no estudo sobre a circulação e consumo de livros em São Paulo
no século XIX, realizou uma análise minuciosa do catálogo da
Casa Garraux, identificado como um dos instrumentos seleção usados
pelos bibliotecários da Faculdade de Direito no Largo de São Francisco.
Infelizmente não tivemos a ditosa ventura de descobrir os instrumentos
utilizados pelo Real Gabinete Português de Leitura em seu processo de seleção.
É possível destacar três instrumentos auxiliares da seleção (Vergueiro,
1989, p. 46-50), a saber:
1. Catálogos de editores, folhetos etc;
2. Resenhas;
3. Bibliografias e lista de livros recomendados.
Catálogos
A “venda de livros por catálogos é prática antiga, que remonta aos
primórdios do comércio livreiro na Época Moderna” (Deaceto, 2005, p.
277). A importância dos catálogos pode ser dimensionada sob dois aspectos: o
primeiro porque “serviam como um regulador de preços no comércio local e
em relação a outros centros” (Deaceto, 2005, p. 279) e ainda eram
veículos pelos quais o “conhecimento de toda uma fortuna bibliográfica,
difícil de apreender em tempos tão difíceis do ponto de vista dos meios de
comunicação” (Deaceto, 2005, p. 280).
Há nas Atas exemplos dessa prática que merecem ser referenciados,
tais quais:
Ficou o Sñr. Thesoureiro encarregado de tractar com algum negociante desta Praça sobre a remessa do Catalogo e compra de livros de França até a quantia de R 2.000$000 dando previamente parte á Directoria das condicções com que propõem aceitar esta proposta (RGPL, 11 out. 1837).
Na sessão de 25 do mesmo mês o Sr. Luiz Miguel Afonso, na época tesoureiro,
tece comentários novamente acerca do catálogo francês e encomendas:
O Sr. Thesoureiro informou a Directoria que nesta semana esperava concluir as bases da encomenda dos Periodicos Franceses e q na seg.te Sessão daria conta de seus trabalhos e das condicções como se poderá realizar a remessa do Catalogo dos Livros de França (RGPL, 25 out. 1837).
Em outra sessão foi registrado que o Sr. Tiburcio António Craveiro, que na ocasião ocupava o cargo de bibliotecário, “hia fazer da escolha por elle feita das obras dos Catalogos que lhe tinhão sido apresentados” (RGPL, 21 dez. 1837).
Destarte, é possível inferir que a diretoria do Gabinete deveria solicitar ou mesmo receber esses catálogos, tantos das próprias livrarias e casas editoras na Europa, como de seus representantes na corte. Há indícios desse trâmite direto, ou seja, a própria editora enviando seus catálogos, pelos quais o GPL fazia a seleção, na Ata de 24 de julho de 1847, segundo o relator:
o 1º secretário appresentou huã conta de Firmin Didot & Fréres, de romances, e outras obras ultimamente chegado de Paris pª o Gabinete, importando em Rs 781$025 e somente de romances 585$000, mas ponderou que nestes havia differença notavel, quanto á sua importancia, combinada como o custo delles em Paris, como se via de alguns catalogos, e em consequência deliberou-se que se pagassem 600$000, ficando dispenso o pagamento do restante até se desfazer a duvida (RGPL, 24 jul. 1847).
Observe que neste caso especificamente o 1ª secretário, na ocasião Francisco
Eduardo Alves Vianna, chama a atenção para a diferença de preços com base na
consulta de catálogos, o que deixa claro o hábito de consultá-los. No mesmo
ano, há uma Ata que relata uma série de deliberações concernentes ao acervo,
tais como cancelamento de assinaturas de periódicos, substituições de outros
títulos; compra de livros.
O nome Firmin Didot aparece novamente agora no contexto de compra de livros belgas:
[delibereou a Diretoria] que se encomendassem a livraria Belga Francesa, que os mande vir da Belgica os romances dos melhores authores que ali de fucturo se publicarem na mesma conformidade que vindo de Paris, recommendando-se a Firmin Didot que por enquanto venha somente um exemplar dos romances que se lhe pedirem (RGPL, 03 ago. 1847).
As encomendas eram feitas também nas livrarias da corte do Rio de Janeiro, embora esses não abundassem no primeiro quartel dos 1800. Isso porque “o pequeno número de livrarias [...] só se ampliou [na capital fluminense] a partir da segunda década do século XIX” (Ferreira, 2005).
É cabível reportarmos ainda que há dois tipos de catálogos importantes para
o bibliotecário de seleção, a saber: o catálogo de editores (e livrarias,
sobretudo no período trabalhado) e o catálogo de bibliotecas. A relevância
do segundo é destacada por Lasso de la Veja (1957), ao considerar que são
úteis para o processo de seleção de determinada biblioteca na medida que
espelham outras coleções.
Cumprindo nosso propósito de demonstrar o fazer biblioteconômico do passado
cabe transcrever a carta assinada pelo então bibliotecário da Faculdade de
Direito de São Paulo, o Sr. Joaquim de Mendonça Junior:
Cidadão Sr. Dr. José Vieira de Carvalho,
Desejando enriquecer tanto quanto possível a Bibliotheca desta Faculdade com a acquisição das primeiras obras que se tem publicado sobre as maneiras que nella se ensinam, e faltando-me bons dados para esse emprehendimento, por serem muito poucas as livrarias e editoras que nos remettem seus cathalogos, resolvi digirir-me à Vsa. Excelencia rogando o obsequio de enviar-me até antes de terminar o corrente mez uma lista das principais obras escriptas sobre a cadeira que V. Excia. tão sabiamente rege e que sabe não possuir esta Bibliotheca (Deaceto, 2005, p. 281).
Nesta carta datada de 22 de agosto de 1882, vemos o bibliotecário
solicitando o instrumento que o municiará de condições para sua escolha.
Anos antes, um outro bibliotecário da mesma biblioteca escrevia o seguinte:
Sobre as publicações periódicas, escolhi aquelas que me parecem mais uteis á se pode conseguir dos Livreiros como abatimento dos preços que pedem em seus cathalogos, que ordinariamente são sempre os máximos, e elles costumam fazer sempre algum abatimento quando se lhes comprão muitas obras, como no presente cazo. Não posso deixar de submeter a V.Exa., digo, á consideração de V.Exa., que pelos preços que proponho, há Livreiros nesta cidade que se obrigão a vender á Bibliotheca todas as obras pedidas, e a servil-a com as melhores edições e encadernações, e tanto quanto eu creio que se deva preferir a compra aqui nesta cidade, não havendo mais em conta na Corte, não obstante, V.Exa. Determinará o que julgar melhor. [....] Bibliotheca da Faculdade de Direito de S. Paulo, 1º de Abril de 1860 (Deaceto, 2005, p. 280).
Embora o foco do relato acima esteja mais voltado para a aquisição, cremos
que melhores exemplos não há. É relevante observar o domínio que ele tinha
do mercado, conhecendo seus trâmites e seu senso pragmático em escolher os
periódicos. Característica ainda hoje endossada por
Vergueiro (1997) e
Figueiredo (1998).
Resenhas
A segunda fonte de seleção são as resenhas – e acrescentamos os resumos –,
consideradas por
Vergueiro como as mais “valiosas para o trabalho de
seleção que os catálogos de editores” (Vergueiro, 1997, p. 48) isso
porque além de trazerem informações sobre a obra agregam “normalmente, um
resumo e/ou avaliação do material” (Vergueiro, 1997, p. 48). Ele ainda
diferencia as publicadas nos periódicos especializados e veiculados pela
grande impressa, nessa última julga que “tem o grande inconveniente serem
elaboradas por jornalistas que não têm formação na área do assunto tratado”
(Vergueiro, 1997, p. 48).
No século XIX a imprensa foi um importante divulgador de livros. Pelos
jornais publicavam-se não só as resenhas, mas anúncios.De início os anúncios
eram longos e descritivos, simples arrolamentos, publicados por livreiros e
gráficas e mais quais se procurava informar aos leitores sobre os novos
títulos disponíveis. Posteriormente foram-se tornando sofisticados e
especializados, abrangendo temas que atingiam o gosto daqueles mais
assíduos, e aos que ainda poderiam conquistar (Ferreira, 1999, p. 109).
Em Palácio de Destinos Cruzados, Tânia Bessone compilou e analisou
exaustivamente os anúncios de jornais do período de 1870-1920. A autora
comenta que:
O jornal parecia ser o veículo preferido para a propaganda de livros e livrarias, reforçando com informações as tendências culturais em vigor na cidade [Rio de Janeiro]. Mas além das estatísticas de bibliotecas e anúncios, havia uma preocupação com críticas literárias e comentários sobre as mais diversas searas relacionadas ao livro e à leitura. Os anúncios eram fonte de informação aos leitores, acerca das novidades editoriais, e, em relação às livrarias, um chamariz para seus artigos (Ferreira, 1999, p. 109).
Embora distante algumas décadas do período que estamos tratando, pode-se perceber o quanto essa fonte deveria ser utilizada. Os selecionadores teriam o trabalho de cotejar nos anúncios os livros que mais lhes interessavam, e ainda, como destaca Weitzel, fazer uma prospecção que estivesse comprometida com as políticas da biblioteca (Weitzel, 2006b, p. 24).
Seguindo o exemplo de Ferreira (1999) que trabalhou, sobretudo com o
Jornal do Commercio, realizamos uma pesquisa por amostragem em alguns
periódicos do período de 1837-1848, com o objetivo de: primeiro, identificar
se o panorama apresentado pela autora era lugar-comum nas décadas
antecedentes ao estudado por ela; e segundo, recuperar as formas desses
anúncios.
A importância de elencar alguns títulos como amostra, mesmo que não representando os instrumentos utilizados pelo RGPL subjaz na necessidade de arrolar as “as fontes a serem consultadas para selecionar ... e não apenas os tipos de materiais ” (Weitzel, 2006b, p. 24). Com esse pensamento, inicialmente selecionamos três periódicos no acervo do Real Gabinete Português de Leitura : O Despertador; Diário do Rio de Janeiro e L'Illustration: journal universel. E na Biblioteca Nacional, consultamos o Jornal do Commercio, de 1837-1840. Como exemplo segue alguns desses anúncios.
N'O Despertador não havia sessão exclusiva para os livros,
os anúncios vinham em meios a outros das mais variadas espécies. A
diagramação era muito semelhante ao Jornal do Commercio. Os textos normalmente eram veiculados sem
maiores detalhes sobre o conteúdo das obras, como nestes exemplos:
Vende-se, pelo modico preço de 12$800rs, o Diccionario da Lingua Portugueza por Moraes, ainda em bom uso, e da penultima edição: a pessoa a quem convier, dirija-se á rua da Cadêa n. 5, que achará com quem tratar (O Despertador , 27 mar. 1838, p. 10.)
Sahio á luz – O Novo curso de lingua ingleza, por T. Robertson, traduzido e applicado à lingua portugueza, por A. F. Dutra e Mello e J. M. Mafra. Esta obra, de sabido merecimento e grande utilidade, é suficiente para qualquer pessoa que queira aprender a lingua inglesa por si (Diario do Rio de Janeiro, 1 jul. 1843, p. 2).
É bem verdade que o citado era uma espécie de Antônio Houaiss da época, o que não necessitaria de maiores comentários. Com breves considerações e sob o sub-título de “Obras Publicadas”, O Despertador publicou o seguinte anúncio:
Publicou-se em Portugal, e acaba de chegar a esta corte, o Resumo da Historia de Portugal. Este oposculo que trata da historia daquelle paiz, desde a fundação da monarchia até a morte de S. M. O Duque de Bragança, torna-se recommendavel tanto pela sua concisão, como pela exactidão dos factos nelle apontados. Vende-se por 240 na loja de N.J.S.Lameira; rua do Ouvidor, n. 35. (O Despertador, 29 mar. 1838, p. 4, grifo nosso).
Nos quatro jornais consultados e destacados como amostragem havia também
anúncios de periódicos.
Do dia 3 de maio em diante será publicada huma folha, em grande formato, que se intitulara jornal Brasiliense, contendo essencialmente, os debates da camara dos senhores senadores extractos dos da camara dos senhores deputados, artigos litterarios e commerciaes &c (O Despertador, 29 mar. 1838, p. 4).
Os anúncios no Jornal Commercio seguiam o mesmo padrão dos citados acima, embora tenhamos percebido que agregavam mais comentários que os anteriores. Da mesma maneira, também não dispunham de uma seção própria para as notícias bibliográficas, mas davam destaque com os sub-títulos “Notícias bibliographicas”, por exemplo. Ferreira, no período destacado por sua pesquisa, observou que esse periódico “que previlegiava, em suas sessões, diversas notícias sobre livros, quer recebidos pelo jornal, que obtinham um pequeno comentário ou resenha, quer os mais procurados pelos leitores ” (Ferreira, 1999, p. 113).
No dia 9 de janeiro de 1838, terça-feira, a “loja de livros de Albino
Jordão” localizada na rua do Ouvidor, n. 121 “entre a rua dos Ourives
e a dos Latoeiros ”, aunciou a venda do “Novo Diccionario
portuguez-francez e francez-portuguez, contendo todas as palavras de ambas
as linguas” (Jornal do Commercio, 9 jan. 1838, p. 4). Um dia
depois, publicaram o seguinte anuncio:
Nova Grammatica Fraceza, por Emilio Sevene, professor de lingua franceza; 2 vols., in-12, formato grande [...] vende-se nas lojas do costume, e em casa do autor, rua do ouvidor n. 130 (Jornal do Commercio, 10 jan. 1838, p. 3).
Vejamos o ano de 1839:
Noticias bibliographicas
J. Chaumeil de Stella e Augusto de Santeul acabão de publicar em Paris huma obra sobre a historia de Portugal, que, se corresponder ao que della dizem os jornaes, deve ser cousa de muito merecimento.
Em Berlim acaba também de sahir á luz huma obra com este titulo: – Brasilianische Zustaende (Estado do Brazil). Alcança até o anno de 1837, e he redigida sobre noticias communicadas pela legação prussiana no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 23 dez. 1839, p. 8).
Mesclavam ainda anúncios simplesmente informativos e outros tecendo
comentários mais extensos e claramente opinativos, com aspectos
doutrinadores:
SAHIO á luz, reimpressa, a novella – Paciencia e Trabalho – : esta pequena obra (fundada sobre hum facto veridico) deve ser lida por todos os casados, por que nella verão os maridos os perigos que correm aquelles que não sabem regular-se segundo os seus meios, e conhecerão quão enganosas são ás vezes as apparencias; as mulheres acharão exemplos de virtude, e até mesmo de heroismo que admirar , e conhecerão quanto pode huma esposa que arrisca a sua propria vida para salvar a reputação de seu marido (Jornal do Commercio 7 abr. 1840, p. 3).
VENDEM-SE os seguintes livros, chegados proximamente: diccionario portuguez de Moraes, quarta edição; citos francez e portuguez, de Costa e Sá; dito da Fabula, em 1 volume; as Ordens do Exercíto Libertador, 2 volumes; D. Quixote de la Mancha, Historia do Brazil, em 12 volumes com estampas ; por commodos preços: na rua da Quitanda, entre as do Rozario e detraz do Hospicio, n. 138. (Jornal do Commercio, 17 jan. 1837, p. 4)
No periódico mensal L'Illustration, publicado em Paris, os anúncios ocupavam
duas sessões, numa delas Bulletin bibliographique, havia longas resenhas e
não veiculavam endereços para a compra. Em outra parte, apenas arrolavam uma
relação de livros e livrarias, com os respectivos valores das obras. Como
modelo transcrevemos os que foram publicados no domingo, a 7 de setembro de
1844:
Les Nationales, poésies para M. ERNEST FEYDEAN. 1 vol. in-8. Paris, 1844, Ledoyen.
M. Ernest Feydean est un débutant. Il annonce plusieurs ouvragres, mais les Nationales sont son premier essai; ce début donne de brillantes espérances. M. Ernest Feydean posséde toutes les qualités qui font les grands poëtes: il sent vivement, il ne s'impire que de nobles pensées; son vers a de la vigueur et de l'eclat .
Mémoires, souvenirs et anedoctes, par M. le Comte de Ségur. Cinquième édition. 2 vols. in-18-Paris, Didier, 3fr. 50 le volume.
La forme de cet ouvrage a un peau vielli, mais le fond gagne avec les années une importance nouvelle. Aussi l'édition populaire qu'en publie aujourd'hui M. Didier est-elle destinée à un succès plus grand que celui des quatre éditions précédentes (L’Illutration, 7 set. 1844, p. 258)
Em ambos os casos, o redator é enfático e franco em suas palavras a
respeito das obras em questão, mesmo sendo a segunda um clássico já
estabelecido. Esses comentários, tanto a respeito do autor quanto da edição,
de fato, contribuíam para que a seleção fosse feita de modo menos subjetivo
e mais preciso.
Os anúncios dos leilões
À guisa de ilustração iremos nessa sessão tratar em linhas gerais dos
leilões veiculados em anúncios nos periódicos. É revelador percebermos que
as únicas menções a compra por esse meio no
RGPL datam da década de 30,
período de grande mobilização para a formação do acervo.
Por representarem um agrupamento muito especializado de obras de
determinadas áreas do conhecimento e por produzirem catálogos que favoreciam
a escolha dos títulos que mais se adequavam ao comprador, além de um óbvio
meio de aquisição, os leilões de um modo amplo favoreciam a seleção de
livros. Pela análise realizada no Catalogo de 1844 do Gabinete, havia grande
incidência de títulos de Direito e Medicina; Tânia Bessone observou em
vários leilões que esses assuntos eram constantes nos anúncios, embora a
mesma autora frise que só “a partir de 1875, começou a ser mais freqüente
a existência de leilões específicos” (Ferreira, 1999, p. 68).A exemplo do que acabamos de referir, consta na Ata de 22 de abril de 1837 o
seguinte relato:
Foi presente á Directoria pelo Agente Commissario Correa d’Azevedo, hum catalogo de Livros, que hião ser vendidos em leilão de Frederico Guilherme, e como o Sr. Vice Director e Bibliothecario indicassem, que alguas das referidas obras são boas, e proprias para o Gab.e, autorizou a Directoria ao Sr. Correa d’Azevedo para que se, a venda fosse feita por preços módicos, compra-se por conta do Gabinete as obras que lhe indicasse o mesmo Sñr. Bibliothecario que ficou entregue do referido catalogo para immediatamente cumprir o art.º 28 dos Estatutos, a respeito da escolha (RGPL, 22 abr. 1837).
Verifica-se os dois membros da Comissão de Seleção, os senhores João Joaquim
Pestana e José de Almeida e Silva, vice diretor e bibliotecário,
respectivamente selecionando – obras que consideravam “proprias para o
Gab.e” – no catálogo do leiloeiro Frederico Guilherme. Em outro momento,
no ano de 1838, há notícia de outra seleção feita pelo então bibliotecário,
o sr. Tibúrcio António Craveiro. Há neste relato, um exemplo da forma de
proceder que a diretoria do Gabinete, qual seja, submeter catálogos ao
responsável pelo acervo.
Tratou-se das compras de Livros, e authorizou-se o Guarda do Gabinete a continuar uma arrematação dos Livros do Leilão de Barker d’aquellas obras marcadas pelo Sr. Craveiro, encarregando o Sr. Agente ... Azevedo a concluir a compra das obras q apresentou e forão approvadas (RGPL, 12 jan. 1838).
Aqui há a informação da continuidade, pois seria dado prosseguimento à
arrematação das obras selecionadas e aprovadas. Seguindo ainda o exemplo de
Ferreira (1999), nossa investigação buscou localizar os leilões nos anúncios
de jornais. No conjunto dos títulos que destacamos para análise, apenas o
Jornal do Commercio trazia essas informações.
Nas ocorrências pesquisadas encontramos várias referências a leilões promovidos pelo leiloeiro indicado na Ata acima citada. Em 5 de janeiro de 1838, uma sexta-feira, a “Barker-Campbell & Greenwood” anunciou o leilão, em sua casa no n. 24 da rua da Alfândega, da “riquíssima bibliotheca do Exm. Sr. Hamilton Hamilton, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário de S. M. Britânnica, composta de 3,000 volumes de obras raras e escolhidas, ricamente encadernadas” (Jornal do Commercio, 5 jan. 1838, p. 3).
Na terça-feira da semana seguinte o leilão continuou (Jornal do Commercio, 8 jan. 1838, p. 3). Dois dias, dando continuidade as vendas, no anúncio mencionaram a presença de “mais de dous mil volumes de obras escolhidas em inglez e francez” (Jornal do Commercio, 10 jan. 1838, p. 3). Seria temerário arriscar dizer que se tratava deste leilão que a Diretoria deliberou que o sr. Azevedo continuasse a arrematar. O fato é que não há menção de outros leilões tanto no Jornal do Commercio quanto n’O Despertador para o período em questão.
Em todos os anúncios havia a descrição, mesmo que sucinta dos itens que
seriam dados a arremate. O nome do leiloeiro vinha destacado em caixa alta,
e ora distinguiam o assunto ora o idioma. Para que o interessado pudesse
selecionar as obras, normalmente eram enviados catálogos com a listagem
completa. Leilão de livros de medicina, direito, historia,
sciencias, etc:
Frederico Guilherme fará leilão, sexta feira 9 do corrente, de ordem e na casa de C. Taniere, rua do ouvidor n. 84, dos excellentes livros acima indicados, que serão arrematados sem reserva, a todo o preço, conforme o catalogo, que estará á disposição dos curiosos.
NB. Os annunciantes tem a honra de annunciar aos Srs. Compradores, que nesta rica colleção acharão as obras as mais importantes em medicina, cirurgia, pharmacia, chimica, physica, obras de direito, legislação, leis, literatura, historia, etc., etc, todas competas [sic!], dos mais afamados autores, e em perfeito estado, por pertencer, pela maior parte, a uma pessoa muito curiosa. Rua Direita, N. 6 (Jornal do Commercio, 7 jan. 1846, p. 3).
O texto grifado corrobora para o que afirmamos acerca da importância dessa
prática para uma seleção mais direcionada. É possível que o redator
excedesse seus comentários elogiosos a coleção. Contudo, não deixa de
representar uma fonte para selecionador basear suas escolhas aquiescidas com
a política de seleção estabelecida.
Leilão de Livros Novos em Portuguez. Cannell e Howdew fazem leilão hoje, sexta feira, do corrente, em sua casa, rua do Hospicio n. 7, ás 3 horas da tarde em ponto. O catalogo está patente e os livros. Ultima relação. (Jornal do Commercio, 16 jan. 1846, p. 3)
Além de evidenciar o idioma, diferentemente do anterior que prima por
destacar os assuntos, em ambos não há informação sobre o nome do
proprietário da coleção. No primeiro, há somente a nota: “uma pessoa
muito curiosa”. Ferreira observou essa característica que julgou “a
maior limitação quanto a leilões de livros” (Ferreira, 1999, p. 69), mas
isso não era empecilho para a finalidade deste modo de vender livros que
destacamos.
Bibliografias
Outro Guía de Lectura (Lasso de la Vega, 1952) de grande utilização,
ainda mais no século XIX é a bibliografia. Para
Vergueiro são úteis,
sobretudo para a seleção retrospectiva (Vergueiro, 1989, p. 50). Cabe
lembrar que o bibliotecário de seleção deve ter atenção, pois o conteúdo
dessas publicações, não é esquema pronto, é necessário “atentar para as
peculiaridades da comunidade que se deseja atender” (Vergueiro, 1989, p.
50).
Pela revisão de literatura que empreendemos verificamos que a bibliografia
foi largamente utilizada no século XIX. A quase obrigatoriedade de seu
domínio como meio de “separar joio do trigo” está presente em todos
os livros consultados.
Atualmente, o gosto pela leitura se generaliza cada dia mais, os livros ocupam, por sua influência sobre todas as classes da sociedade, um lugar importante nas relações inter-pessoais, e as bibliotecas públicas e privadas se multiplicam, e aumenta proporcionalmente (Constantin, 1865, p. 3)
Constituía o instrumento máxime para o bibliotecário e estava sempre
relacionada à necessidade de escolher os melhores títulos e edições.
Cousin
(1882, p. VII) considerava que a bibliografia deveria ser “muito familiar
ao bibliotecário”, e que deste era esperado que “se aplicasse
assiduamente e com esforço penetrar o mais que possível em seus mais
profundos segredos” (Cousin, 1882, p. VII). Dentre as definições mais
importantes que recuperamos, cabe citar:
Chama-se bibliografia, e também bibliognosia, aquela ciência que se ocupa na enumeração, descrição e crítica das manifestações da atividade intelectual de todos os povos e de todas as épocas, que de um modo ou de outro foram reunidas ao texto escrito.A bibliografia em sentido estrito é a ciência dos livros que trata dos repertórios e administra os meios de encontrar, o mais rápido e completamente possível, informações sobre as fontes do conhecimento de todos os assuntos.
A bibliografia é aquele ramo da bibliologia que faz a descrição interna-extena do livro, considerado em si mesmo, para determinar o lugar que ocupa no movimento intelectual. (Espasa, 1958, t. VIII).
Por essa definição é possível dimensionar a importância da bibliografia para
a seleção, pois munia o bibliotecário de subsídios para a análise de
critérios que abordassem tanto o conteúdo do documento quanto os aspectos
externos (Vergueiro, 1997). Observamos que sobre esse tocante, a maior parte
das bibliografias ou/e manuais bibliográficos consultados buscavam validar a
autoridade dos autores, buscavam “definir a qualidade do material a partir
da reputação de seu autor, editora ou patrocinador” (Vergueiro, 1997, p.
21).
Algumas bibliografias não se limitavam apenas a uma lista de livros, mas agregavam comentários, e em algumas era possível ainda apurar a precisão, ou seja, evidenciavam “o quanto a informação veiculada pelo documento [era] exata, rigorosa e correta” (Vergueiro, 1997, p. 22). Tanto hoje quanto outrora o domínio desta fonte, favorece ainda, “trazer o livro certo ao leitor certo” (Figueredo, 1982, p. 38).
No clássico Biblioteconomia escrito pelo bibliotecário e erudito francês
L.A. Constantin e traduzido ao espanhol por D. Dionisio Hidalgo
em 1865, a bibliografia tem um destaque ao longo do livro. Ocupa os
primeiros capítulos discutindo sua importância e conclui considerando que é
um conhecimento básico para o trabalho em bibliotecas.
Para ele, a ciência da bibliografia havia avançado muito e já não eram organizadas como “simples compilações ”, passaram a ser, “o resultado de um exame e estudos mais acurado dos autores” (Constantin, 1865, p. 6).
Um bom exemplo é o Manuel du Bibliophile ou Traité du Choix des
Livres, de Gabriel
Peignot em 1828. Fica muito claro na página de rosto
o objetivo de gerar subsídios para formar une collection précieuse.
Para tal, ao longo dos tomos ele arrola chefs-d' œuvres do vasto
campo literário .
A presença dessas obras no acervo do Real Gabinete Português de Leitura
representa é muito sintomático, pois que a análise na documentação
compulsada revelou uma organização e metodologia muito próxima do que cada
uma dessas referências do século XIX prescreviam. Atesta o que se supunha em
alguns estudos, isto é, não houve amadorismo, houve um plano e ele foi
seguido alicerçando-se no que havia de mais atual do pensamento
biblioteconômico da época.
Considerações Finais
Numa tarde de domingo no distante 14 de maio de 1837, na agitada Rua
Primeiro de Março nasceu a primeira associação portuguesa do Brasil, um
Gabinete de Leitura, que embora nos moldes europeus, ficava distante
simplesmente da anima da ilustração apenas. A iniciativa dos portugueses
José Marcelino da Rocha Cabral e Francisco Eduardo Alves Viana, ao
estabelecerem o Real Gabinete Português de Leitura, objetivava criar um
espaço de sociabilidade para congregar emigrantes que se exilaram no Rio de
Janeiro.
Para eles, o mais importante, contudo, não era a criação de Instituto ou de uma Associação, mas sim a criação uma Biblioteca, cujo acervo desde o início sempre foi referência na cultura e língua portuguesa, graças aos critérios de seleção estabelecidos. Despertou-nos, de fato, grande admiração o labor que esses e outros varões, que também fizeram parte do Gabinete, foram capazes de empreender para levar a diante seu intento.
A revisão de literatura contribuiu sobremaneira para afirmar que a
necessidade de selecionar com planejamento estão longe de ser uma
preocupação moderna. Durante o processo de pesquisa surpreendeu-nos
localizar grande quantidade de bibliografia do século XIX referente à
administração e organização de bibliotecas, dentre os quais podemos citar:
Gabriel Peignot, Jules Cousin, Jacques Charles
Brunet e L. A. Constantin.
Vimos como esses teóricos – sobretudo franceses – pensavam a Formação e
Desenvolvimento de Coleção já de maneira sistemática e orientavam com
veemência sua aplicação, diante da expansão bibliográfica. Para eles essa
expansão deveria estar condicionada a critérios de seleção bem estabelecidos
para a boa formação do acervo que se pretendia. Notamos ainda que há um
vácuo teórico e metodológico entre a teoria de FDC antes do século XX e os
teóricos dos anos 80, mas essa análise será objeto de pesquisa em outro
momento dentro do grupo de pesquisa “Biblioteconomia, Cultura e
Sociedade”, do qual fazemos parte.
Conforme se pode notar, as fontes vêm tendo larga utilização há muito para
seleção. Algumas ainda gozam de grande utilização atualmente como os
catálogos, sobretudo on line, mas outros, como as bibliografias, pelo menos
em nosso país, vão perdendo espaço. Necessário é ponderar até que ponto não
deveríamos, como selecionadores no século XXI, espelharmo-nos no modus
operandi de nossos antepassados quanto ao caráter científico,
humanístico e, também, técnico que buscavam incorporar a prática da
biblioteconomia.
Por tudo que foi apresentado neste artigo a respeito dos instrumentos
auxiliares só podemos reafirmar que “o profissional [deve] lançar mão de
tudo que lhe for possível para tornar [a seleção] melhor alicerçada”
(Vergueiro, 1989, p. 53). Porém, devemos enfatizar que sem a Política de
Seleção, consultar fontes de seleção será uma busca cega e desgovernada.
A biblioteconomia possui um corpus teórico muito antigo que não deve ser
esquecido e é nessa seara que pretendemos seguir.
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Sobre o autor / About the Author:
Pesquisador no grupo de pesquisa Biblioteconomia, Cultura e Sociedade da UniRio; Mestrando em Edição de Texto na Universidade Nova de Lisboa, Bolsista PCI/CNPq, Museu de Astronomia e Ciências Afins.