DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.5   n.6   dez/04                            RECENSÕES

O Grau Zero da Escrita
por Roland Barthes

Editora Martins Fontes
ISBN 8533612508
R$32,50 - Brochura - 237 pp.
 

Os limites materiais deste ensaio indicam que não se trata de uma introdução àquilo que poderia ser uma história da escrita. Trata-se, antes, de uma tentativa de mostrar que não há literatura sem uma moral da linguagem e de afirmar a existência de uma realidade formal independente da língua e do estilo.

Quem é honesto não tem outra opção, senão admitir que quem escreve, pelo menos parcialmente, também "se escreve" a si próprio. Para dizer o mesmo com as palavras de Roland Barthes, atingir na escrita o grau zero é impossível.

Escreve o autor: "A escrita atravessou assim todos os estados de uma solidificação progressiva: primeiro objeto de um olhar, depois de um fazer, e finalmente de um assassínio, ela atinge hoje uma última transformação, a ausência: nestas escritas neutras, chamadas o grau zero da escrita, temos o  movimento de uma negação e a incapacidade para o realizar de uma duração."

O horizonte da lingua é a verticalidade do estilo,  a escrita permanece entre a lingua e o estilo onde existe lugar para a realidade formal. Toda forma é também valor. A linguagem nunca é inocente daí a escrita permanecer cheia de lembranças de linguagens anteriores. A escrita é um compromisso entre uma liberdade e uma lembrança, liberdade recordante que se realiza no gesto da escolha desta ou daquela escrita, liberdade de buscar um frescor ou uma tradição.
 

 

Índice:

Introdução
Primeira parte

I. O que é a escrita?
II. Escritas políticas
III. A escrita do romance
IV. Haverá uma escrita poética?

Segunda parte

I. Triunfo e ruptura da escrita burguesa
II. O artesanato do estilo
III. Escrita e revolução
IV. A escrita e o silêncio
V. A escrita e a fala
VI. A utopia da linguagem

Novos Ensaios Críticos

La Rochefoucauld:"Reflexões ou sentenças máximas"
As pranchas da Enciclopédia
Chateaubriand: "Vida de Rancé"
Proust e os Nomes
Flaubert e a frase
Por onde começar
Fromentin: "Dominique"
Pierre Loti: "Aziyade"

Roland Barthes (1915-1980) foi lingüista, crítico, teórico da Literatura, semiólogo, tendo publicado inúmeros trabalhos nestas áreas. É uma das referências da vida cultural desta contemporaneidade.

 



Recensão escrita por Aldo de Albuquerque Barreto a partir de materiais da editora.