Resumo: Resultados parciais de pesquisa de pós-doutorado realizada em 2008 no contexto de um projeto acadêmico binacional (Espanha/Brasil) financiado pela CAPES são apresentados. A pesquisa original contempla o estado da arte acerca das redes sociais e das novas formas de aprender e produzir conhecimento complementada pelo mapeamento das novas competências necessárias ao bibliotecário para atuar neste contexto. A pesquisa de campo compreende o mapeamento das grades curriculares da graduação em biblioteconomia das Universidades proponentes: Universidad Carlos III (Madrid) e Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, USP (Brasil) bem como estudo exploratório qualitativo com bibliotecários atuando como gestores da informação em organizações transnacionais, na Espanha e no Brasil. Neste artigo concentram-se as reflexões reunidas no estado da arte que desenham os contornos das redes sociais, dos coletivos digitais e seus impactos nas novas formas de aprender e produzir conhecimento. A reboque deste cenário são introduzidas as novas competências necessárias aos bibliotecários para atuar como gestores da informação em organizações contemporâneas.
Palavras-chave:
Ciência da informação, Redes sociais, Competências, Bibliotecário, Grades
curriculares, Estudo exploratório.
Abstract:
Abstract: Partial results of a post-doctoral research developed with
CAPES finnancial support for multinational academic research in Madrid-Spain
2008 are introduced. The original report presents the statte of the art on
social networks and new ways of learning and producing knowledge
complemented by a mapping on the new competencies that librarians should
have to act in this scenario. The applied research methodology considers a
comparison among the undergraduate curriculum of both proponents
universities: Carlos III of Madrid and School of Communication and Arts at
the University of São Paulo,Brazil followed by a qualitative study with
librarians working as information managers in transnational organizations in
Spain and Brazil. This paper presents as the state of the art reflexions on
the emerging WEB society, social networks, digital collectives and their
impact on learning and the process of knowledge production. As a result of
this contemporaneous condition a set of new competencies required for
librarians to act as information managers are introduced.
Key words: Social midias, Librarian work, Social
networks, Competencies, Exploratory research.
A Teia que a Todos Envolve
Este artigo apresenta resultados parciais de pesquisa de pós-doutorado
realizada de agosto a dezembro de 2008 em Madrid, Espanha no contexto de um
projeto acadêmico financiado pela CAPES [1]. A pesquisa original pretendia
realizar um mapeamento das competências necessárias ao profissional da
informação na sociedade em rede contemporânea considerando como principais
etapas metodológicas a revisão da literatura sobre o tema; um estudo
comparativo das grades curriculares das universidades proponentes da
pesquisa, Universidade Carlos III Madrid e Universidade de São Paulo. A
seguinte etapa metodológica consiste em estudo exploratório com pesquisa de
campo acerca das atuações de bibliotecários como gestores da informação, em
organizações transnacionais, na Espanha e no Brasil. Entretanto, somente
pôde ser realizado até o momento a parte espanhola do estudo exploratório,
embora a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES já tenha aprovado a realização da parte Brasil com início
previsto no segundo semestre de 2009.
Desta forma o presente artigo apresenta a partir do relatório original da
pesquisa [2] o estado da arte das novas competências e perfis profissionais
do bibliotecário na sociedade em rede contemporânea com o intuito de
contribuir para iluminar seus contornos emergentes, porém globais.
No contexto deste estudo abarcando as realidades do mercado profissional
espanhol e brasileiro a questão da internacionalização universitária emerge
como um dos desafios brasileiros no que diz respeito à adoção de novos
métodos e práticas na educação acadêmica. Países europeus já articulam sua
educação ao redor de criar um espaço comum de qualidade e de desenvoltura
profissional de seu corpo discente, dotando-os de capacidade crítica e visão
globalizada capacitada ao enfrentamento das exigências do mercado de
trabalho.
Na Europa, o
Protocolo de Bolonha
objetiva uma estrutura comum e integrada para graduação e pós-graduação
universitária, conferindo maior intercâmbio entre a comunidade acadêmica.
Este Protocolo visa estimular a maior mobilidade e conseqüente diminuição da
distância entre as universidades, a formação de profissionais competitivos e
a consequente geração de um quadro europeu de referência. Neste processo, os
currículos se apresentarão mais focados na aprendizagem e aquisição e
desenvolvimento de competências requeridas pelo mercado de trabalho além da
possibilidade de dupla titulação.
No Brasil a internacionalização adquire contornos ainda incipientes e de
grandes desafios. Desta forma, ações de cooperação internacional como a
representada pelo convênio gerador desta pesquisa são fundamentais para
garantir o intercâmbio de conhecimento, de experiências e propiciar o
diálogo cultural e intelectual, colaborando para a implementação de projetos
piloto que podem, no futuro, consolidar a internacionalização das
universidades brasileiras em moldes próprios porém compatíveis com a
experiência internacional contemporânea.
A WEB 2.0 e as Redes Sociais
Os conceitos fundacionais para a sociedade em rede contemporânea
foram lançados por diversos autores em diferentes momentos. O cientificismo
impera no século XIX e primeiras décadas do século XX, iluminando os novos
contornos da sociedade forjados na circulação das idéias e descobertas
científicas, criando as bases para a informação como bem fundamental para o
desenvolvimento humano e a qualidade de vida.
Paul Otlet (1868-1944), advogado belga, foi um pioneiro estudioso da
informação e fundador do que hoje se denomina Ciência da Informação, mas que
ele chamou de Documentação. Por cerca de 40 anos, entre o final do séc.XIX e
os primórdios do séc. XX. Otlet perseguiu o ideal (desde sempre inatingível)
do controle universal da produção intelectual humana. Para tanto concebeu um
novo sistema de classificação do conhecimento ao qual denominou CDU
(Classificação Decimal Universal expandindo a já existente Classificação
Decimal de Dewey). Também concebeu e inaugurou um museu, em 1910, para
abrigar as fichas catalográficas das obras produzidas e editadas
mundialmente o qual, por sua vez, foi batizado de Mundaneum. Em sua
incansável missão de inventar o futuro cunhou os termos: link, web of
knowledge e repository of knowledge. Otlet inspirou autores que o sucederam
como Vannevar Bush com o seu
Memex - artefato que criaria conexões nos
documentos a exemplo do cérebro humano e
Theodore Nelson que, inspirado em
suas propostas, cunhou o termo Hypertext (hipertexto). (Passarelli, 2008)
[3].
O mundo vislumbrado por Otlet despontou em meados do século XX. Originou-se
mais ou menos no fim dos anos 60 e início dos 70, na coincidência histórica
de três processos independentes: revolução da tecnologia da informação;
crise econômica do capitalismo e do estatismo com a conseqüente
reestruturação de ambos e apogeu de movimentos sociais e culturais, tais
como libertarismo, direitos humanos, feminismo e ambientalismo. (Castells,
2003). [4]
O hipertexto e a multimídia inauguram o retorno à oralidade, ao mesmo tempo
em que instituem uma narrativa não-linear, de imagens densas e fragmentadas,
povoadas de animações, vídeos digitais e arquivos sonoros. Em 1989 o
cientista britânico Tim Berners-Lee, então pesquisador do
CERN - the European Organization
for Nuclear Research, extendeu a
visão de Otlet e desenvolveu a Internet como uma ferramenta acadêmica que
permitiria aos cientistas compartilhar informações. Processos que antes
levavam meses a partir da Internet são realizados em horas. Na
“ansiedade” do instantâneo digital surge a cibercultura (tecido
social virtual construído nas teias da Internet por todos os sujeitos a ela
concectados) baseada em dois pilares: a comunicação humana virtualizada
e a criação de comunidades virtuais, que teve como embrionários os estudos
efetuados por Rheingold (1993). [5]
Valores, linguagens, tecnologias e processos que tecem as teias da
complexidade que permeia a vida dos humanos na sociedade em rede, na qual o
conhecimento ganhou o patamar de commodity. Nesta teia convivem saberes e
competências da sociedade moderna e pós-moderna em perfeita incompletude e
transitoriedade apontando para duas vertentes: a cognitiva na qual os
grandes avanços referentes ao funcionamento do cérebro estão forjando novas
teorias e metodologias de aprendizagem e a científico-tecnológica na qual as
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) permeiam todas as dimensões
da vida (PASSARELLI, 2007) [6] conforme apresentado no vídeo
A vision of students
today
Gestado nas entranhas da Internet, o fenômeno da globalização dos mercados
eclodiu na economia mundial instituindo a economia digital, caracterizada
pela desintermediação dos mercados, pela instantaneidade das ações e
decisões e pela queda dos ciclos de vida dos produtos e conhecimentos. De
forma crescente, a partir de meados da década de 80 com a introdução do
microcomputador pessoal e , mais fortemente a partir dos anos 90, com a
popularização da Internet, as Tecnologias de Informação e Comunicação
(TICs) alavancam o desenvolvimento de novos
conceitos e saberes tais como digital literacy (literacia ou
alfabetização digital) e information literacy (literacia ou
alfabetização informacional).
Literacia Infornacional têm constituído, nos últimos cinco anos, novo campo de
pesquisa que interessa à educação, à ciência da informação e às ciências
cognitivas. O desafio está em, num primeiro momento, aprender a utilização
básica dos recursos tecnológicos (literacia digital) e a seguir apropriar-se
dos mesmos para gerar novos conhecimentos (literacia informacional).
Entretanto esta apresentação reducionista de ambas as formas de literacia
gestadas no bojo da sociedade em rede não dá conta de delinear as profundas
rupturas imersas nas mesmas.
Vale ressaltar que no contexto da literacia informacional os desafios são
múltiplos e multifacetados abarcando pelo menos: a dificuldade das
bibliotecas universitárias com suas coleções caríssimas em concorrer com os
acervos digitais , as bibliotecas virtuais e os motores de busca tipo Google
com as informações sendo oferecidas a “custo zero” e de imediato [7]; a
desconstrução do conceito de autor individual e a emergência dos coletivos
digitais (copyright X copyleft); a “nova” valoração das fontes de
informação onde a
Enciclopédia
Britânica e a
Wikipedia competem, em pé de igualdade, por acessos na Web bem como as
novas competências que os bibliotecários precisam desenvolver para atuar
como gestores da informação em ambientes virtuais em rede.
A importância das redes sociais com o fenômeno emergente dos coletivos
digitais como autores e consumidores da informação e produtores de
conhecimento introduz profundas rupturas nos papeis tradicionais de editores
e bibliotecários, de tal forma que atualmente é difícil diferenciar se um
conteúdo está editado por uma editora ou se é uma auto-edição na Web 2.0. Em
Horrigan (2007) [8] encontram-se dados que demonstram que os usuários
visitadores da Wikipedia e YouTube possuem entre 18 e 24 anos ao passo que
os produtores de conteúdo em ambos os sites possuem entre 45 e 54 anos (Wikipedia)
e 35 a 44 (Youtube) . Estes resultados indicam que a produção de
conteúdo na Web , em 2007 concentrava-se nas mãos de uma população mas
madura e com maior grau de literacia informacional. Entretanto novas
pesquisas precisam ser realizadas , agora, para verificar se a tendência se
confirma ou se dissipa. Inserir manifesto de
Laura Cohen 2006
intitulado Librarian 2.0
Os novos contornos da sociedade em rede têm constituído objeto de estudo e
pesquisa para profissionais das mais diferentes áreas de atuação como
filósofos, economistas, cientistas sociais, cientistas da computação, para
citar alguns. Destacarei, a seguir, algumas contribuições relevantes para o
entendimento da nova ordem social na qual nos encontramos submersos.
Os filósofos Deleuze e Guattari (1995) [9], em Mil Platôs, postulam que a
sociedade em rede também pode ser vista através da metáfora do
rizoma, uma
vez que não seguem uma ordem planejada e crescem de maneira caótica,
disforme, incontrolável, trazendo em seu bojo o conceito de conectividade e
expansão continua. Bruno Latour, antropólogo e filósofo francês, desde
a década de 80 desenvolveu conceitos que ajudam a iluminar os contornos sem
fronteiras da sociedade pós-moderna neste novo século. Ele criou conceitos
como a “Teoria do ator em rede” (Latour, 2005) [10], onde postula
pensar a realidade comunicativa nos contextos de rede onde a mediação tem
papel preponderante. Também é dele a idéia da realidade sociotécnica (Latour,
2008) [11], para identificar a transição de um modelo epistemológico de
separação entre os campos das disciplinas (proposto pelo antigo projeto da
modernidade) para a complexidade do
imbricamento entre ciência, técnica, filosofia, agir social, crítica
e construção de pensamento. Desta forma a rede permeia nossas formas de
conhecer, de produzir e compartilhar conhecimentos e relações. Outro
conceito seminal é introduzido por Bauman (2001) [12] considerando que a
globalização trouxe uma “modernidade líquida” instituída pela
não-territorialidade das transações político-econômicas e pela fluidez das
informações sem barreiras unindo diferentes povos, regiões e etnias.
Na esteira dos estudos sobre globalização emerge o trabalho
internacionalmente reconhecido de outro pensador da sociedade em rede,
Manuel Castells [13], economista espanhol radicado na Califórnia desde 2003. Castells destaca a explosão dos coletivos digitais a partir das ferramentas
da WEB 2.0 que permite a produção coletiva, a publicação e a edição de
conteúdos, processo ao qual ele denominou mas-self communication (Castells,
2007) uma vez que as redes passaram a ser geradoras de conteúdo delas
mesmas, constituindo-se em organizações autônomas de produção de conteúdos.
Os processos colaborativos na Web foram pioneiramente relatados por
Rheingold (2002) [14] com seu livro
Smart Mobs
exemplificando inúmeros casos em que a multidão inteligente e conectada
protagonizou movimentos políticos e sociais impensáveis fora do contexto da
Web e das tecnologias de cooperação como os celulares. Hábitos de escrita
digital foram denominados de Geração “Txt” ao passo que denomina-se Geração
“C” (Content Generation) os early adopters a partir de meados
dos 90. (Passarelli, 2009) [15].
A reboque da globalização dos mercados, das descobertas da ciência cognitiva
e da amplidão da cibercultura, o mundo da educação viu-se obrigado a
revisitar teorias e práticas de aprendizagem e a desenvolver ações de
educação inclusiva por meio, principalmente, da inclusão digital de
professores e alunos (iniciada nos países desenvolvidos a partir dos anos 80
e, nos países em desenvolvimento, a partir da segunda metade da década de
90). Este processo doloroso de mudança, vivenciado pelas universidades e
seus principais atores (professores, alunos, corpo administrativo)
alastra-se para além de seus muros permeando pais, parentes e comunidade
próxima desembocando num movimento contínuo de fluxo e refluxo na sociedade.
Tecendo Futuros: A Web 10.0
A geração Web 2.0, entre nós nos últimos cinco anos, caracteriza-se por
redes sociais e folksonomias (sites onde os usuários agregam valor a
conteúdos com valoração pessoal) a exemplos de ferramentas como: YouTube
(site para compartilhamento de vídeos);
MySpace (site de relacionamento com
blog, forums, email, grupos, jogos e eventos) e
Bebo (site de relacionamento
que mais cresceu nos EUA em 2006, aliando indicações dos mais diversos
produtos feitas pelos usuários) . A Web 3.0 foi também denominada Web
Semântica por Tim Berners-Lee , ao final dos anos 90, para denominar uma web
com maior capacidade de busca e auto-reconhecimento dos conteúdos através de
metadados com descrições ligados aos conteúdos originais. Pesquisas nesta
direção vêm sendo desenvolvidas, desde então, nos mais renomados
laboratórios acadêmicos e em empresas de tecnologia. Entretanto a indexação
automática de conteúdos ainda se encontra longe das possibilidades que os
teóricos crêem possível. (Passarelli, 2007).
Nos anos noventa a Web ganhou novos contornos e se expandiu exponencialmente
no mundo ocidental. Sua penetração tem sido tamanha que em recente evento
ocorrido em novembro de 2008, Web Summit 2.0, em San Francisco/CA
, Kevin
Kelly [16], o primeiro editor da
revista Wired (um dos mais importantes
periódicos não-científicos de Tecnologia Digital), proferiu uma palestra
intitulada Web 10.0, onde apresenta previsões sobre o futuro da Web. Afirma
o autor que “naquele dia fazia 6.527 dias que Tim Berners-Lee havia colocado
a primeira página Web no ar”. Lembrou que, antes da criação da Web, a
internet permitia que as pessoas compartilhassem computadores.
Com a
invenção de Berners-Lee teve início o compartilhamento de documentos e
idéias, com os links entre as páginas. A Web 2.0 expandiu o compartilhamento
de conteúdos e idéias. A partir daí, ele falou dos próximos 6.500 dias da
Web. Segundo Kelly (2008), da mesma forma que a internet é a rede das redes,
ela é também a mídia das mídias, para onde todos os suportes convergem. A
internet está se tornando uma só máquina, em que se ligam todas as telas e
um só banco de dados. "A informação que não for compartilhada perderá a
importância", disse Kelly. Ele acrescentou que todos os objetos que carregam
alguma informação estarão conectadas à rede e farão parte desse banco de
dados global. E, com isso, a rede passará a ser o mundo . Kevin Kelly
argumenta que os primeiros 6.500 dias da web mostraram que o impossível
acontece: "A Wikipédia é impossível na teoria, mas não na prática".
Para David Weinberger (2007) [17], a liberdade de ação na Web institui um
poder de criar e organizar conteúdos e saberes, segundo critérios próprios
de classificação e ordem, através de tags, bookmarks, playlists e weblogs.
E, ao agregar a informação que os sites nos fornecem, ao mesmo tempo estamos
desagregando, segundo nossos próprios critérios. Colocando de forma simples,
os donos da informação não mais são donos da organização da informação,
muito menos os empresários donos dos veículos de comunicação e tampouco os
bibliotecários de tradição patrimonialista. Hoje o acesso é mais importante
que o acervo e a subjetividade na rede constitui um espaço de possibilidades
para conversações e intervenções sociais.
A infraestrutura tecnológica das redes pressupõe investimento contínuo. Por
outro lado sua demanda constitui indicador da riqueza de um país. No Brasil,
em 2008, o número de telefones móveis cresceu 22,9% comparado a 2007,
chegando a 711 terminais por mil pessoas [18]. O total de computadores
avançou 22,6% alcançando 213 unidades por mil pessoas. Na America Latina o
País está em quinto lugar entre os seis no Índice da Sociedade da Informação
(ISI), medido pela Universidade de Navarra e pela consultoria espanhola
Everis. O cálculo do Índice
da Sociedade da Informação leva em conta fatores tecnológicos como
investimentos no setor e número de telefones e computadores, e de entorno,
como inflação, risco país, renda per capita, eficiência energética e
desemprego. Apesar de estar em quinto lugar o País teve o maior avanço no
Índice da Sociedade da Informação com um aumento de 4,1% na pontuação, acima da média de 1,8% da América
Latina.
O desenvolvimento das redes de comunicação, as interações por meio delas
geram impactos no trabalho, na aprendizagem e nas atividades sociais,
esboçando a necessidade de novas competências dos profissionais e dos
alunos. Há uma nova maneira de aprender e de compartilhar conhecimento que
transforma e economia e a sociedade. Lançado em 2008 o NeoReader é um site
brasileiro que permite compartilhar conteúdos impressos digitalizados. A
idéia foi oferecer um serviço para textos semelhante ao que o Flickr é para
fotos e o YouTube para vídeos. As pessoas podem publicar gratuitamente
arquivos em PDF, Word, Excel e Powerpoint. Algumas empresas já usam o
serviço, como a Livraria Cultura com sua revista ou a Cobertores Parahyba
com seu catálogo. Até agora, os fundadores Anderson Mancini e Rodrigo
Zanforlin investiram cerca de R$ 500 mil no site. O NeoReader recebe, em
média, 5 mil visitas por mês. Seis pessoas trabalham na empresa, que ainda
não definiu seu modelo de negócios [19]. Tais mudanças sugerem que estamos
passando por um período de transição geracional cujos hábitos
consuetudinários estão se transformando cada vez mais rápido.
Na sociedade globalizada em rede, permeada pelo imediatismo e pela
trasitoriedade dos eventos, algum tipo de permanência precisa ser criada no
bojo das comunidades virtuais, com usuários sendo fidelizados através de
diferentes estratégias. Neste contexto publiquei em 2007 como livro minha
tese de livre-docência intitulada Interfaces digitais na educação: @lucinações
Consentidas, considerado um estudo pioneiro sobre aprendizagem em ambientes
WEB. De caráter etnográfico, o estudo apresentou como objeto de pesquisa
quatro projetos de comunidades virtuais de aprendizagem e prática dedicados
a diferentes públicos-alvo, tendo como traço comum a produção coletiva do
conhecimento e a aprendizagem centrada na multiplicidade de instâncias de
interação e nas mediações dos professores.
Outros desdobramentos desta pesquisa inicial utilizando o método etnográfico
para estudar atitudes e comportamentos nas redes sociais constituem meu foco
de pesquisa e orientação no Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Comunicação PPGCOM da ECA/USP contemplando a orientação de dissertações de
mestrado como: Capital social em comunidades virtuais de aprendizagem e de
prática (2007), Globalização e percepções espaço-tempo em comunidades
virtuais de aprendizagem: estudo de caso a partir do site TôLigado – o
jornal interativo da sua escola (2008), Critérios de reputação em coletivos
digitais (2009) e Literacia digital: as novas competências dos
frequentadores de infocentros em programa de inclusão digital no Brasil
(2009). Desta forma a investigação de novas competências e perfis
profissionais necessários aos bibliotecários e profissionais da informação
integram sinergicamente o rol dos meus objetos de pesquisa.
As WEBOrganizações e a Gestão do Conhecimento
A maioria das teorias atuais sobre gestão do conhecimento postulam um ciclo
do conhecimento com etapas como criação, refinamento e implementação que
levam à transformação do conhecimento tácito (ou prático) em explícito (ou
discursivo). Lorna Heaton e James R. Taylor [20] ambos pesquisadores da
Université de Montreal, desenvolveram pesquisas exploratórias de campo na
Dinamarca e no Japão, e a partir delas passam a propor que se alargue a
visão do conhecimento como algo a ser individualmente criado e então
transmitido. Eles afirmam que o conhecimento origina-se em comunidades de
prática, processo anteriormente preconizado por Lave e Wenger (1991) [21].
A chave para o entendimento da geração e compartilhamento do conhecimento,
segundo os autores, reside no papel do texto tanto como representação do
conhecimento (produto) quanto na forma como as comunidades sustentam sua
organização (processo).
O modelo de criação e disseminação do conhecimento desenvolvido por Nonaka e
Takeuchi (1995) [22], que distingue entre conhecimento tácito (produzido
pelo indivíduo) e explícito (externalizado em textos ou programas) tem sido
muito usado em organizações, pois somente como conhecimento externalizado os
mesmos podem ser recombinados e então transmitidos.
A nova visão proposta por Heaton e Taylor preconiza que o processo de
construção do conhecimento acontece no seio da comunidade e reflete o
conjunto de práticas da mesma, o que faz do mesmo um processo mais coletivo
do que individual (em oposição ao conceito de conhecimento tácito). Este
alargamento do processo da construção do conhecimento também redefine as
relações de poder em organizações, que passam do modelo tradicional
hierarquizado top-down para uma relação mais horizontal. Nota-se aqui o
mesmo processo de horizontalização das relações de poder na WEB
anteriormente ressaltadas neste texto.
Os postulados de Heaton e Taylor são reiterados por Beilguelman (2004) [23]
que introduz o conceito cibridismo para nomear as produções culturais atuais
em uma realidade on e off-line. Por cibridismo se pode entender a
complexidade crescente das estruturas políticas, econômicas e sociais, onde
a convivência de contrários constitui lugar-comum. Obras clássicas convivem
com produções anônimas; vídeos de autores anônimos no YouTube podem se
transformar em hit comercial, a produção de conteúdos no universo digital
desconhece normas e papéis previamente estruturados remixando uma nova ordem
mundial que emerge a partir da WEB.
O Profissional da Informação na Sociedade do Conhecimento
O desenvolvimento do trabalho com conhecimento em uma organização está
diretamente relacionado ao desenvolvimento estratégico de suas competências.
Os papéis de gereciamento de informações em uma empresa, segundo McGee e
Prusak (1994) [24], cabem funcionalmente a dois grupos de informação: a
equipe da biblioteca e a equipe da informática. Phahalad e Hamel (1990) [25]
formulam o conjunto de competências nucleares (core competences) como forma
de integração do aprendizado coletivo da organização e coordenação das
diversas fases de produção e equipes múltiplas de tecnologias. Especialistas
das ciências organizacionais enfatizam as novas competências
organizacionais: flexibilidade, inovação, horizontalidade, criatividade,
agilidade, compartilhamento de informação, aprendizagem, gestão do
conhecimento, planejamento participativo,
empowerment e estratégia
competitiva.
As competências dos profissionais europeus estão descritas no
Guide to
Competencies for European Professionals in Library and Information Services
e contemplam a adaptabilidade, habilidade analítica, prever ameaças e
oportunidades, comunicação, habilidade crítica, mente investigativa, tomada
de decisão, saber ouvir, trabalhar em equipe, iniciativa, habilidade
organizacional, sensibilidade didática, perseverança, padronização e
habilidade de síntese (Aslib consultancy publications, 2004) [26].
O contexto norte-americano para a área, embora diferente do europeu,
apresenta diretrizes para a profissão expressos num guia preparado pelo
comitê da University of Nebraska , Lincoln University Libraries (Avery,
2001) [27]. Este documento reúne competências para atender à compreensão
comum das necessidades inerentes a todos os campos de atuação desses
profissionais que assim se resumem: habilidades analíticas/solução de
problemas/decisão; habilidades de comunicação; criatividade e inovação;
proficiência e conhecimento técnico; flexibilidade/adaptabilidade;
habilidade interpessoal; liderança; compreensão organizacional e pensamento
global; domínio/responsabilidade/confiança; habilidade organizacional e de
planejamento; administração de recursos; proatividade em relação às
necessidades do usuário.
A biblioteconomia e ciência da informação no Brasil foram fortemente
inspiradas no modelo norte-americano, embora os contornos da profissão aqui
inserem-se no contexto da nossa economia emergente. Vários especialistas da
informação brasileiros apontam as competências requeridas aos profissionais
da informação contemporâneo apontando para : conhecimento interdisciplinar e
especializado; capacidade de contextualização; capacidade de conceituação;
conhecimento da demanda ou do cliente; domínio de ferramentas e de
tecnologias de informação; adaptação ao novo, flexibilidade e abertura às
mudanças; capacidade de gerenciamento; lidar com contradições e conflitos;
relacionamento interpessoal, excelência na comunicação oral e escrita; lidar
com as diversas habilidades funcionais; capacidade de aprendizado próprio e
de facilitar o aprendizado dos outros; ser ético, proativo, empreendedor,
ter energia, criatividade, consciência coletiva e visualizar o sucesso.
(Dias 2004 [28]; Tarapanof, 2002 [29]).
Com o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico dos últimos quinze
anos novas oportunidade de inserção no mercado de trabalho, na área não
governamental surgiram, propiciando o surgimento de novas denominações da
profissão. Desta forma estes profissionais podem trabalhar em locais como:
agências de publicidade, departamentos jurídicos de empresas, escritórios de
advocacia, hospitais, editoras, bancos, indústrias, provedores de internet,
livrarias, emissoras de televisão, jornais, entidades do terceiro setor. Ele
pode até ter a sua empresa de consultoria, caso seu objetivo seja o de ser
um empreendedor. O bibliotecário atua ainda na organização de acervos e
sistemas de informação, na preservação da memória e da história de uma
organização, pública ou privada.
Para ilustrar a inserção de bibliotecários como gestores de informação no
Brasil, mais especificamente em São Paulo, baseei-me em reportagem da Gazeta
Mercantil de 2009 [30] e destaco o depoimento de três mulheres profissionais
da área . A área jurídica é uma das que mais emprega bibliotecários. Na
cidade de São Paulo, cerca de 60 escritórios de advocacia empregam
aproximadamente 200 bibliotecários como informa a bibliotecária Regina Celi
de Sousa , gerente de conhecimento do escritório Machado, Meyer, Sendacz e
Opice Advogados. O trabalho desempenhado pelo profissional é filtrar as
informações de interesse do escritório e dos clientes, mas para isso é
imprescindível ter conhecimentos na área. É preciso saber onde buscar as
informações, com resultado confiável, que vá agregar valor aos serviços do
escritório.
A bibliotecária Emilia da Conceição Camargo, gerente do centro de
informações do Grupo Totalcom (que engloba entre outras empresas a agência
de publicidade Fischer América), defende a expansão desse mercado, pelo fato
de a globalização ter levado as diferentes organizações a aprimorarem os
seus processos, produtos e serviços. Isso coloca a informação não só como
insumo para controle, mas também como um instrumento importante para a
tomada de decisões e a busca de inovações. "Em empresas de comunicação como
o Grupo Totalcom, a busca de informação para atender futuros clientes e
analisar a concorrência é um ativo. Assim, essas informações estão em sua
maior parte ligadas à área de planejamento estratégico, mas também a estudos
de tendências e áreas de pesquisa", analisa Emilia.
Outra bibliotecária que encontrou nas empresas seu desenvolvimento
profissional é Yara Rezende, gerente de informação na Natura, que emprega
outros seis bibliotecários e um profissional oriundo da área de marketing.
Yara afirma: "A formação universitária faz do bibliotecário um técnico.
Para que ele seja qualificado a trabalhar em empresas, é preciso ter uma
mente estratégica, voltada para o negócio, para lidar com as informações, e
ter uma sólida formação cultural....Para mim, o importante é ter o acesso à
informação, não o acervo, que para muitas empresas pode ser dispendioso.
Criei, assim, o que se chama hoje de biblioteca virtual. ... É preciso estar
integrada aos processos da empresa, para antecipar informações, antecipar
tendências. A informação é válida quando é subsídio para gerar
conhecimento".
O Profissional da Informação e a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)
A Gazeta Mercantil na seção Investnews de 15 de mar de 2007 [31] publicou
uma matéria de capa intitulada “Bibliotecário, profissão em alta nas
empresas” iluminando os novos contornos da profissão na sociedade do
conhecimento. A reportagem apresenta as novas denominações da profissão
segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) como: bibliógrafo,
cientista de informação, consultor de informação, especialista de
informação, gestor de informação.
Os profissionais da informação estão codificados na Classificação Brasileira
de Ocupações - CBO – [32] estabelecida no ano 2003 sob o número 2612,
formando uma família que compõe:
2612-05 – Bibliotecário, Bibliógrafo, Biblioteconomista, Cientista da informação, Consultor de informação, Especialista em informação, Gerente de informação, Gestor de informação.
2612-10 – Documentalista – Analista de documentação, Especialista em documentação, Gerente de documentação, Supervisor de controle de processos documentais, Supervisor de controle documental, Técnico de documentação, Técnico em suporte de documentação.
2612-15 – Analista de informações – Pesquisador de informações de rede.
Tal classificação busca verificar o grau de equivalência entre as
competências da Classificação Brasileira de Ocupações - CBO e as competências essenciais apontadas pelas empresas dos
diversos segmentos (serviços, indústria, comércio varejista, atacadista,
telefonia, autarquia, instituição financeira), tomando por base a
investigação de Gramigna (2002) (apud. FARIA, et.al., 2005) [33], que
resultou em cerca de 100 indicadores de desempenho, que, categorizados,
tornaram-se passíveis de observação direta e mensuração no período de 1997 a
2000. Conforme disposto na tabela abaixo, as competências do profissional da
informação na Classificação Brasileira de Ocupações e suas correspondências
no núcleo de competências exigidas pelas organizações no mercado.
Competências do Profissional da Informação na Classificação Brasileira de
Ocupações, CBO
Competências requeridas pelas Organizações

Tabela 1. Competências e suas correspondências exigidas pelas organizações
Diante de tal contexto emerge a seguinte questão: estão as escolas de
biblioteconomia brasileiras preparando seus alunos para as demandas que
tanto a Classificação Brasileira de Ocupações quanto as organizações apontam
como necessárias?
Nos últimos vinte anos o mudo ocidental têm vivenciado a transição para um
modo de produção totalmente digital, criando profundas rupturas na
concepção, produção e disseminação do conhecimento. Desta forma, já se pode
falar de uma Geração Net de nativos digitais (aqueles nascidos a partir de
1994), desenvolvida no bojo da Internet, com habilidades como adaptabilidade
e criatividade. Um dos desafios dos educadores desta nova geração será
adequar a grade curricular de carreiras tradicionais ao perfil dessa geração
ao conjugar a educação formal, com novos métodos de aprendizagem. É uma
geração com enorme potencial transformador e criativo.
Novas Pedagogias incluindo o uso das tecnologias de informação e comunicação em ambientes de
ensino-aprendizagem têm orbitado o universo da educação formal e não formal
desde meados dos anos oitenta, tendo sido incorporadas com maior facilidade
nos contextos da educação a distancia, em especializações e cursos de
extensão de caráter não formal nos anos 90 do século XX. A flexibilização do curriculum começa, mais recentemente, a permear a grade curricular do ensino
médio e universitário.
A fim de possibilitar a imersão dos alunos de graduação e pós-graduação em
ambientes virtuais e redes sociais especialmente desenvolvidas para este
fim, possibilitando ao professor exercer o papel de mediador e administrador
de curiosidades , ao passo que os alunos podem atuar como autores e
receptores dos conhecimentos por eles produzido, tanto sozinhos como no
coletivo, concebi e implementei (como atividade de pesquisa acadêmica) dois
portais WEB. Para meus alunos da graduação em Biblioteconomia e Documentação
da ECA/USP está disponível, desde 2002, um portal intitulado
NEXUS – Da
Informação ao Conhecimento Neste ambiente
virtual encontram-se postadas todas as produções dos alunos em seminários e
trabalhos monográficos .Desde 2006 eles podem criar Blogs para registrar
impressões sobre pesquisas e seminários de seus colegas.
No contexto do PPGCOM – Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação
da Escola de Comunicações e Artes da USP ofereço a disciplina
Criando
Comunidades Virtuais de Aprendizagem e de Prática que
estimula as reflexões dos alunos sobre conceitos e práticas das redes
sociais e propõe a produção de um texto coletivo de caráter monográfico.
Todas as produções e medições geradas encontram-se ancoradas no portal. A
titulo de exemplo incluo o
vídeo realizado pelos alunos da turma de 2008.
Avaliações qualitativas de caráter exploratório bem como surveys
quantitativos estão na agenda das minhas orientações em andamento, visando
compreender as novas atitudes e novas formas de aprender e construir
conhecimento dos alunos mediados pelas redes sociais. Ênfase especial darei
a pesquisas sobre os contornos do que hoje considera-se literacia
informacional. Pessoalmente considero que este conceito deve evoluir para
abarcar processos e procedimentos já realizados em disciplinas outras bem
como ancorar novos conceitos e práticas. Do acervo ao acesso. Do acesso à
literacia informacional. Os desafios são muitos....a caminhada é longa e
compartilhada...desenhar futuros é incerto mas necessário...nossos alunos
merecem aprender para o futuro deles e não para o nosso passado. O vídeo
O
futuro das comunicações nos ajuda a tecer futuros e experenciar o
desconforto do nosso despreparo....
Referências Bibliográficas
[1] Relatório de Pesquisa de Pós-Doutorado em Ciência da Informação. Bolsa
CAPES - Processo BEX 2116/08-1, envolvendo instituições de ensino de
Biblioteconomia e Ciência da Informação brasileira e espanhola :
Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD) da Escola de
Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) e Departamento
de Biblioteconomia y Documentación de la Universidad Carlos III de Madrid ,
campus Getafe.
[2] Nota Explicativa: O relatório original da pesquisa estruturou-se nos
seguintes principais capítulos a seguir nomeados. No Capítulo 2 - A Teia que
a Todos Envolve foi desenvolvida extensa revisão da literatura acerca da
sociedade em rede e seus atores. O Capítulo 3 - A Web 2.0 e a Emergência dos
Coletivos Digitais caracterizou as principais ferramentas da WEB atualmente
entre nós, com destaque para as redes sociais e reflexões acerca das
transformações e rupturas nos conceitos de autoria e produção do
conhecimento tradicionais. No Capítulo 4 - As WebOrganizações e a Gestão do
Conhecimento foram introduzidos conceitos de gestão do conhecimento e buscou
posicionar o bibliotecário e suas competências para atuar neste contexto. O
Capítulo 5 - Metodologia contemplou os antecedentes da pesquisa atual com
breve histórico da ciência da informação no Brasil. Decidi também por
apresentar alguns dados da pesquisa inicial feita no contexto do convênio
Carlos III /CBD/ECA/USP por considerar os resultados da mesma importantes
para ajudar a estruturar e entender os resultados obtidos com o estudo
exploratório realizado no contexto das organizações transnacionais eleitas
no presente estudo que foram Ciudad Financiera Santander, Telefônica e
Repsol. O Capítulo-6. O que Nós Aprendemos Até Agora apresenta uma avaliação
inicial dos resultados obtidos na fase espanhola da pesquisa de campo e
sinaliza possibilidades de futuros desdobramentos .
[3] PASSARELLI, Brasilina. Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a
revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DATAGRAMAZERO. Rio de Janeiro, v .9, p. n. 4, 2008.
[4] CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. A era da informação: economia,
sociedade e cultura. 9ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006. v.1.
[5] RHEINGOLD, Howard. The virtual community: homesteading on the electronic
frontier. Massachussets: Addison-Wesley, 2003 Disponível em: <http://www.rheingold.com/vc/book/intro.html>
Acesso em: 28 de jul. 2007.
[6] PASSARELLI, Brasilina. Interfaces digitais na educação: @lucinações
consentidas. São Paulo: Editora da Escola do Futuro da USP, 2007. (Conexões
Científicas: teses e dissertações).
[7] 5º Informe Ciber Comportamiento Informacional El Investigador Del
Futuro. IN: Anales de Documentacion, n. 11, 2008 p. 235-258. British Library
y JISC.
[8] HORRIGAN, John. A Typology of Information and Communication Technology
Users. Washington, DC: Pew Internet and American Life Project, 7 de mayo de
2007.
[9] DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e
esquizofrenia. Tradução: Ana Lúcia de Oliveira, Aurélio Guerra Neto, Célia
Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 1995. v. 1. (Coleção TRANS).
[10] LATOUR, Bruno. Reassembling the social: an introduction to
actor-network-theory. New York: Oxford University Press, 2005.
[11] ______. Jamais fomos modernos. Tradução: Carlos Irineu da Costa. 4ª ed.
São Paulo: Editora 34, 2008.
[12] BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Editora Zahar,
2001.
[13] CASTELLS, Manuel. Communication, power and counter-power in network
society. International journal of communication. Annemberg, CA: v. 1, n. 1,
p. 238-266, feb, 2007. Disponível em: < http://ijoc.org/ojs/index.php/ijoc/article/view/46/35>
Acesso em: out. 2007.
[14] RHEINGOLD, Howard Smart mobs: the next social revolution. New York:
Perseus Books, 2002.
[15] PASSARELLI, Brasilina et. al. Atores em rede:
subjetividades e desejos em expansão. Revista Logos: Comunicação &
Universidade. Ano 16, n. 30, 1º sem. 2009.
[16] KELLY, Kevin. Web Summit 2.0. San Francisco/CA, nov. 2008. Disponível
em: http://www.web2summit.com/web2009 Acesso em 24 ago. 2009.
[17] WEINBERGER, David. Everything is miscellaneous: the power of the new
digital disorder. New York: Time Books, 2007.
[18] Fonte: Disponível em http://wwww.oesp.com.br. Acesso em 25 nov. 2008.
[19] CRUZ, Renato. O Brasil no ranking de tecnologia. São Paulo, 2009.
Disponível em http://www.oesp.com.br Acesso em 27 fev. 2009.
[20] HEATON, L. & TAYLOR, J.R. Knowledge management and professional work: a
communications perspective on the knowledge –based organization. Management
Communication Quarterly, vol16, n10. p. 210-236. 2002.
[21] LAVE, J. & WENGER, E. Situated learning: legitimate peripheral
participation. Cambridge, UK: Cambridge, University Press, 1991.
[22] NONAKA, I. & TAKEUCHI, H. The knowledge creating company: how japanese
companies create the dynamics of innovation. New York: Oxford University
Press, 1995.
[23] BEIGUELMAN, Giselle. Admirável mundo cíbrido. In: BRASIL, André et. al
(Orgs.) Cultura em Fluxo (novas mediações em rede). Belo Horizonte: Ed.
PUCMinas, p. 264-282, 2004. Disponível em: <
www.pucsp.br/~gb/texts/cibridismo.pdf
> Acesso em: 27 de ago. 2007.
[24] MCGEE, J. V.; PRUSAK, L. Gerenciamento estratégico da informação:
aumente a competitividade e a eficiência de sua empresa utilizando a
informação como uma ferramenta estratégica. Rio de Janeiro: Campus, 1994.
[25] PRAHALAD, C. K.; HAMEL, G. The Core Competence of the Corporation.
Harvard Business Review, p. 3-15, May/June, 1990.
[26] ASSOCIATION FOR INFORMATION MANAGEMENT. Consultancy publications: the
guide to competencies for European professionals in library and information
services. Disponível em:
http://www.aslib.co.uk/pubs/2001/18/01/aptitudes.htm
Acesso em: 02 jun.2004
[27] AVERY, Elizabeth Fuseler; DAHLIN, Terry (Ed.). Staff development: a
practical guide, 3. ed. Chicago: ALA Editions, 2001. Disponível em: http://archive.ala.org/editions/samplers/sampler_pdfs/avery.pdf.
Acesso em: 26 jan. 2006.
[28] DIAS, Maria Matilde Kronka et al. Capacitação do bibliotecário como
mediador do aprendizado no uso de fontes de informação. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 2, n. 1, p. 1-16,
jul./dez. 2004. Disponível em: http://www.unicamp.br/bc Acesso em: 26 jan.
2006.
[29] TARAPANOFF, Kira; SUAIDEN, Emir; OLIVEIRA, Cecília Leite.
Funções
sociais e oportunidades para profissionais da informação. DataGramaZero:
revista de ciência da informação, v. 3, n. 5, out. 2002.
[30] CRUZ, Renato. NeoReader e os impressos digitais. Jornal O Estado de São
Paulo, Seção Internet. São Paulo, 15 nov, 2008. Disponível em:
www.oesp.com.br acesso em 15 nov. 2008.
[31] LOURDES, Rodrigues.Bibliotecário, profissão em ascensão nas empresas.
Jornal Gazeta Mercantil, Caderno C, pg. 9, 2009. Disponível em:
http://indexet.gazetamercantil.com.br/arquivo/2007/03/15/361/Bibliotecario,-profissao-em-alta-nas-empresas.html
Acesso em 11 out. 2008
[32] Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO). Estabelecida no ano 2003 sob o número 2612. Disponível em:
http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/home.jsf
Acesso em: 24 ago. 2009.
[33] FARIA, Sueli et al. Competências do profissional da informação: uma
reflexão a partir da Classificação Brasileira de Ocupações. Ciência da
Informação, Brasília, v. 34, n. 2, º 26-33, maio/ago. 2005.
Sobre
a autor / About the Author:
Professor Titular e Chefe do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.