DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - n. 1  fev/00                        ARTIGOS

 
 
Bienes Públicos Globales en Internet:  ¿cuánto sabemos y qué estamos haciendo?
Global Public Goods: how much do we know and what are we doing about?
por Julio Cubillo
Resumo: Los canales privados de acceso a Internet, y las bases de datos todavía conforman una mezcla con áreas públicas abiertas y áreas privadas protegidas, pero con tendencia creciente hacia un mercado ampliamente influenciado por una oferta de las industrias (privadas) de la información. Es cierto que todavía sabemos demasiado poco, tan poco que no nos resulta posible tan siquiera  posicionarnos con relación a posibles escenarios de regulación del mundo simbólico en el Internet. No se trata solo de no comprender bien a "usar" lo nuevo. El problema principal, que explicaría nuestros silencios, es profundo. Sin embargo, todos estos esfuerzos de regulación se dan en un clima comunicacional globalizado, donde el discurso dominante es el del "fin de la historia", o de que "la Internet es un mecanismo sin gobierno y democratico". No parece un escenario halagador para América Latina que se le informe dentro de poco que, después de tod, el Internet sí era objeto de regulación y de que las reglas ya han sido previamente acordadas!
Abstract: Internet access private channels, and databases, share, at least for the time being, public open and private protected areas, but they are shifting towards information (private) industry's offer widely biased market. Certainly, we know too little about it to sustain any argument concerning regulation alternatives to be imposed upon the Internet symbolic world. For it's not just a matter of knowing how "to use" the novelty. Our silences are deep-routed ones. Nevertheless, all that regulatory struggle happens to be surrounded by a globalized communicational environment, with its utterances about "the end of history", or "the governless and democratic spirit of the Internet". Latin America will not appreciate to be informed, at any moment, that, after all, the Internet wasn't really ungovernable, and the rules have already been settled on!
Breve discussão sobre as condições político-éticas do progresso globalizado
A short discussion on the political and ethical conditions of globalized progress
por Aires José Rover
Resumo: A  informática, vista como o processo de tratamento racional da informação, bem como de sua transmissão, armazenamento, recuperação e reutilização por meio de máquinas ou sistemas automáticos, é a grande responsável pela alienação do homem e massificação da sociedade. Porém, nada impede que esses mesmos meios técnicos sejam expostos à necessária revolução copernicana de valorização do homem, mesmo que o objeto da técnica seja completo, no sentido de que alcança o alvo desejado por si mesmo, sem interferência do homem. O lucro e a funcionalidade devem estar sujeitos à função eco-política, devem se submeter a princípios e medidas disciplinadoras da comunidade que participa do processo.
Abstract: Informatics, considered as rational information treatment process, information transmission, storage, retrieval, and recycling by machines or automatic systems, it's the most responsible for human alienation and for increasing mass society. Nevertheless, there is nothing to prevent these very technical means being exposed to the Copernican revolution for the sake of human worthiness we need, even when the technical object seems to be complete, in the sense it hits the desired target by itself, without human interference.  Profit and functionality should obey an eco-political function, under disciplinary principles and actions controlled by the community involved in that process.
O projeto GNU
The GNU project
por Richard Stallman
Resumo: Quando comecei a trabalhar no Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, em 1971, incorporei-me a uma comunidade que já compartilhava programas há muitos anos. O ato de compartilhar software não se limitava à nossa comunidade em particular, é algo tão velho como o computador, do mesmo modo que compartilhar receitas é tão antigo como cozinhar. Mas nós o fazíamos em uma escala maior do que a maioria. (...) A idéia de que o sistema social do software proprietário -- o sistema que diz que você não pode compartilhar ou trocar programas -- é anti-social, de que não é ético, de que simplesmente é algo errado, pode surpreender alguns leitores. Mas, que outra coisa poderíamos dizer de um sistema que se baseia na divisão do público e que mantém os usuários sem socorro? Os leitores que se surpreendem com esta idéia devem ter assimilado o sistema social do software proprietário tal como lhes foi dado, ou o julgaram em função dos termos sugeridos pelo negócio do software  proprietário. Os que publicam software têm trabalhado longa e duramente para convencer as pessoas de que só há um modo de se considerar este tema. Quando os que publicam software falam de "fazer valer" os seus "direitos" ou de "deter a pirataria", o que *dizem*, de fato, é secundário. A verdadeira mensagem contida nessas declarações está nos pressupostos não declarados que eles consideram garantidos; o público deve aceitá-los acriticamente.  (...) Os usuários de computador devem ser livres para modificar programas, de forma a ajustá-los às suas necessidades, e livres para compartilhar software, porque a base da sociedade está em ajudar às outras pessoas. (...) Quando a minha comunidade desapareceu, foi impossível continuar como antes. (...) Perguntei-me, então, se havia algum programa ou programas que pudesse escrever, de modo a tornar outra vez possível uma comunidade. A resposta era clara: o que se necessitava, em primeiro lugar, era um sistema operacional. Este é o software crucial para se poder começar a usar um computador. Com um sistema operacional pode-se fazer muitas coisas; sem ele, você não pode nem fazer funcionar o computador. Com um sistema operacional livre, poderíamos ter novamente uma comunidade cooperativa de hackers [1] -- e convidar qualquer pessoa para juntar-se a ela. E qualquer um seria capaz de usar um computador, sem ter para isso que conspirar contra os seus amigos e amigas.  (...) Decidi fazer o sistema compatível com o Unix, de modo que fosse portátil e, assim, que os usuários do Unix pudessem adotá-lo facilmente. O nome GNU foi escolhido segundo uma tradição hacker, como um acrônimo recursivo de «GNU's Not Unix». (...) Não podemos considerar o futuro da liberdade garantido. Não o considere garantido! Se você deseja conservar a sua liberdade, deve estar preparado para defendê-la.
Abstract: When I started working at the MIT Artificial Intelligence Lab in 1971, I became part of a software-sharing community that had existed for many years. Sharing of software was not limited to our particular community; it is as old as computers, just as sharing of recipies is as old as cooking. But we did it more than most.(...) The idea that the proprietary software social system--the system that says you are not allowed to share or change software--is antisocial, that it is unethical, that it is simply wrong, may come as a surprise to some readers. But what else could we say about a system based on dividing the public and keeping users helpless? Readers who find the idea surprising may have taken proprietary social system as given, or judged it on the terms suggested by proprietary software businesses. Software publishers have worked long and hard to convince people that there is only one way to look at the issue. When software publishers talk about "enforcing" their "rights" or "stopping piracy", what they actually *say* is secondary. The real message of these statements is in the unstated assumptions they take for granted; the public is supposed to accept them uncritically. (...)Computer users should be free to modify programs to fit their needs, and free to share software, because helping other people is the basis of society. With my community gone, to continue as before was impossible. (...) I asked myself, was there a program or programs that I could write, so as to make a community possible once again? The answer was clear: what was needed first was an operating system. That is the crucial software for starting to use a computer. With an operating system, you can do many things; without one, you cannot run the computer at all. With a free operating system, we could again have a community of cooperating hackers [1] --and invite anyone to join. And anyone would be able to use a computer without starting out by conspiring to deprive his or her friends. (...) I chose to make the system compatible with Unix so that it would be portable, and so that Unix users could easily switch to it. The name GNU was chosen following a hacker tradition, as a recursive acronym for "GNU's Not Unix." (...) We can't take the future of freedom for granted. Don't take it for granted! If you want to keep your freedom, you must be prepared to defend it.
O Debate "UCC 2B" (UCITA) e a Sociologia da Era da Informação
The UCC 2-B (UCITA) Debate and the Sociology of the Information Age
por Peter Lyman
Resumo: O "UCC 2B" [Uniform Commercial Code Section II B, USA], atualmente com o nome de  "UCITA" [Uniform Computer Information Transactions Act],é o nome de uma proposta de substituição da lei de direitos autorais pela lei contratual. Este ensaio trata do que os juristas deveriam saber das pesquisas em ciências sociais sobre a Internet. É uma crítica da legislação proposta nos EUA para a regulamentação, por contrato, da informação. As instituições e práticas econômicas que a UCC 2B procura regulamentar - comércio eletrônico, gerência do conhecimento e mercado de informações - estão mudando mais rápido do que as ferramentas e conceitos utilizados para estruturar o debate pelos que fazem as políticas. Através da descrição e análise das investigações relativas à natureza da "informação" e dos componentes da "economia digital", este artigo sugere desenvolver um novo fundamento conceitual e uma linguagem comum para a regulamentação destas novas estruturas sociais e econômicas. Assim, o artigo procura assegurar o diálogo entre a comunidade jurídica, os que fazem as políticas, a indústria moderna e os cientistas sociais. Dois elementos são cruciais para a formação de um encontro interdisciplinar produtivo. Primeiro, é importante que os participantes no debate UCC 2B reconheçam que informação digital não é simplesmente um novo tipo de propriedade intelectual difícil de regulamentar pela facilidade de cópia. Ela é mais do que isto, é também um novo tipo de capital econômico e um meio emergente para inovações no comportamento corporativo, político e cultural. Em segundo lugar, a própria "economia digital" não é apenas um novo mercado econômico, assim como certamente a Internet não é meramente um novo canal de distribuição. Em vez disso, a tecnologia digital está transformando a natureza e função da empresa e de cada setor da economia. Visando regulamentar efetiva e eficientemente a estrutura econômica que a tecnologia da informação digital torna possível, os participantes no debate UCC 2B precisam reconhecer que o uso de tal tecnologia tem repercussões tanto sociais quanto econômicas.
Abstract: "UCC 2B" [Uniform Commercial Code Section II B, USA], currently UCITA [Uniform Computer Information Transactions Act], refers to a proposal to replace copyright law with contract law. This is a paper on what lawyers should know about social science research on the Internet.  It's a critique of proposed legislation, in USA,  to govern information with contract. The economic institutions and practices that UCC 2B seeks to regulate - electronic commerce, knowledge management, and information markets - are changing faster that the tools and concepts that policy makers are using to frame the debate.  By describing and analyzing research relating to the nature of “information” and the components of the “digital economy,” this article suggests a new conceptual ground and common language for regulation of these new social and economic structures.  In this way, the article seeks to encourage a dialogue between the legal community, policy makers, modern industry, and social scientists. Two elements are crucial to the formation of a productive interdisciplinary encounter.  First, it is important that the participants in the UCC 2B debate recognize that digital information is not simply a new kind of intellectual property that is difficult to regulate because easily copied.  Rather, it is also a new kind of economic capital, and an emerging medium for innovative corporate, political, and cultural behavior.  Second, the “digital economy” itself is not just a new economic market, just as surely as the Internet is not merely a new distribution channel.  Instead, digital technology is transforming the nature and function of the corporation and every sector of the economy.  In order to effectively and efficiently regulate the economic structures that digital information technology makes possible, the participants in the UCC 2B debate need to recognize that the use of such technology has social as well as economic repercussions.