DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - n. 1  fev/00                       COLUNAS & cartas

 
Limites da Liberdade na Internet
por Aldo de Albuquerque Barreto
 

A liberdade na Internet se liga à liberdade dos fluxos de informação e à da própria interação com as estruturas de informação. A interatividade no ciberespaço, que não apenas favorece a troca de mensagens como, também, a sua apropriação e reformatação, modifica a sincronia dos nossos rituais cotidianos. Não necessitamos mais trabalhar simultaneamente, fazer compras ou estudar em certo horário. Foi-nos dada a liberdade no tempo cotidiano.
A interconectividade propicia o rompimento das fronteiras, e a contigüidade na Internet coloca o meu vizinho da sala ao lado tão próximo como o Dr. Niaar da Universidade de Tampere, na Finlândia. Foi-nos dada a liberdade nos espaços.
Contudo, esta mesma liberdade que, de resto, deve ser preservada, permitiu o surgimento de uma verdadeira zona de faroeste desvairado no ciberespaço. Freqüentemente, os direitos e as expectativas de muitos têm sido desrespeitados por uns poucos sedentos de fáceis lucros e benefícios midiáticos.
Entre os delitos mais comuns na Internet estão:
. os que atingem a propriedade intelectual 
. a manipulação de dados ou programas, a fim de falsificar ou danificar dados e programas
. a divulgação, utilização ou reprodução ilícita de dados e programas, de sons e imagens
. o uso não autorizado de dados e informação
. o acesso não autorizado aos diversos tipos de sistemas de informação
. as manipulações para a obtenção, de maneira ilícita, de dinheiro ou de quaisquer outros benefícios
. a obtenção ou a tentativa de obtenção de informações de forma indevida

       (... continua)


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. os que atentam contra valores morais ou sociais
. o furto, o dano, o estelionato e todo tipo de ação contra o patrimônio de informação de um indivíduo ou empresa
  Porém, mais do que coibir pontualmente a prática daqueles delitos, a Internet necessita de uma base legal e ética capaz de afastar os pretendentes ao golpe do baú, aqueles que visam o enriquecimento rápido e inconseqüente, os que só a utilizam como instrumento de um jogo financeiro tipo bolsa-de-valores procurando retirar a maior vantagem possível da rede no menor espaço de tempo, sem qualquer compromisso com terceiros envolvidos.
Difícil será, certamente, estabelecer aquela base legal e ética da Internet no atual "boom" de modismo conectivo. Não existe uma legislação específica para a Rede que, por outro lado, não pode parar aguardando regulamentação. Espera-se, somente, que uma legislação possa vir a ser definida para a Internet, considerando a sua sempre urgente e contínua mutação. Isto se tornará uma exigência para o futuro do comércio eletrônico, para o treinamento a distância, para o entretenimento e suas características específicas no uso do som e da imagem.
Enquanto isso, a Internet precisa ser capaz de se auto-governar, legal e eticamente, e isto é algo mais do que meras regras de netiqueta... Significa, entre outras coisas, discutir amplamente os mecanismos legais existentes e a feitura de outros, mais apropriados para a Rede. É tão importante preservar a liberdade e a livre-iniciativa que existe na Internet quanto afastar os bandidos, para que o faroeste seja pacificado em nome da lei e da ética. Creio ter sido esta a maior preocupação deste número do Datagramazero.



Por que devemos combater o UCITA 
por Richard Stallman

 O UCITA [Uniform Computer Information Transactions Act - antes Uniform Commercial Code Article 2B, UCC-2B] é uma proposta de lei, projetada pelos desenvolvedores de software proprietário, que pedem a sua adoção pelos 50 estados dos EUA. Se o UCITA for aceito, a comunidade do software livre [1] estará seriamente ameaçada. Para entender o porquê, por favor, leia o que se segue. 
 Em geral, se acredita que as grandes companhias deveriam seguir um padrão estrito de responsabilidade frente a seus clientes, uma vez que podem fazê-lo e porque assim manteriam a sua honestidade. Por outro lado, indivíduos, amadores e bons samaritanos deveriam ser tratados mais favoravelmente. 
 O UCITA faz exatamente o oposto. Ele coloca os indivíduos, os amadores e os bons samaritanos sujeitos a responsabilidade, mas não o faz com as companhias.
 Veja, o UCITA diz que, em princípio [by default], um distribuidor ou desenvolvedor de software é inteiramente responsável pelas falhas no seu programa; porém também permite que uma licença  restritiva [shrink-wrap] contorne aquele princípio. Companhias de software sofisticadas, que produzem software proprietário, usarão a licença restritiva para evitar completamente a responsabilidade. Mas os amadores e os empregados autônomos contratados que desenvolvem software para outros serão freqüentemente atingidos, porque desconheciam o problema.
 O que podemos fazer? Podemos tentar mudar as nossas licenças para evitá-lo. Mas, já que não utilizamos licenças restritivas, não podemos contornar o que o UCITA estabelece por princípio. Talvez seja possível proibir a distribuição nos estados que adotem o UCITA. Isto resolveria o problema -- para o software que distribuirmos no futuro. Mas não podemos fazê-lo retroativamente, para o software que já distribuímos. Aquelas versões já estão disponíveis, algumas pessoas já possuem licenças de distribuição naqueles estados -- e, quando assim o fizerem, poderemos ser responsabilizados com base no UCITA. Não estamos em condições agora para enfrentar a situação através da mudança das nossas licenças; teremos que produzir argumentos legais complexos que podem ou não funcionar.
 O UCITA tem uma outra conseqüência indireta que poderia, a longo prazo, mutilar o desenvolvimento do software livre. Ele dá aos desenvolvedores de software proprietário o poder de proibir a engenharia reversa. Isso lhes facilitaria estabelecer
formatos secretos de arquivos e protocolos, sem que contássemos com qualquer modo legal de decifrá-los.
Isto poderia ser um obstáculo desastroso para o desenvolvimento do software livre voltado para as necessidades práticas dos usuários, já que a comunicação com os usuários do sotfware não livre se inclui entre aquelas necessidades. Muitos usuários hoje acham que precisam do Windows simplesmente porque, assim, podem ler e escrever arquivos em formato Word. Os "Hallowween Documents" da Microsoft anunciaram um plano de utilizar formatos e protocolos secretos como arma para obstruir o desenvolvimento do sistema GNU/Linux [2]
 É exatamente este tipo de restrição que está sendo utilizado na Noruega para processar Jon Johansen, o jovem de 16 anos de idade que decifrou os formatos dos DVDs para tornar possível que se escreva software livre para tocá-los em sistemas operacionais livres. (A Electronic Frontier Foundation está ajudando na sua defesa, ver http://www.eff.org para mais informação.)
Alguns amigos do software livre argumentaram que o UCITA beneficiaria a nossa comunidade, ao tornar o software não livre intoleravelmente restritivo e, assim, conduzir os usuários na nossa direção. Falando realisticamente, isto é improvável porque se assume que os desenvolvedores de software proprietário atuarão contra os seus próprios interesses. Eles podem ser gananciosos e cruéis, mas não são estúpidos.
Os desenvolvedores de software proprietário pretendem utilizar o poder adicional que o UCITA lhes daria para aumentar os seus lucros. Em vez de utilizar este poder para estrangular completamente durante o tempo todo, farão um esforço para encontrar o modo mais vantajoso de usá-lo. Serão abandonadas aquelas aplicações do poder do UCITA que façam com que os usuários parem de comprar; o que a maioria dos usuários tolerar se tornará a norma. O UCITA não nos ajudará.

       (... continua)

 
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O UCITA não se aplica só ao software. Aplica-se a qualquer tipo de informação legível através do computador. Mesmo que você só use software livre, provavelmente lerá artigos no seu computador e acessará bases de dados. O UCITA permitirá que os editores imponham a você as mais ultrajantes restrições. Eles poderiam alterar retroativamente a licença, a qualquer momento, e forçá-lo a apagar o material se você não aceitar a mudança. Eles podem proibí-lo até mesmo de descrever as falhas que você viu no material.
Isto é demasiado indigno e injusto de se desejar para qualquer um, mesmo que beneficiasse indiretamente uma boa causa. Como seres éticos que somos, não podemos favorecer a imposição de dificultades e de injustiças sobre os outros na base de que isto as fará juntar-se à nossa causa. Não devemos ser maquiavélicos. A questão do software livre é cuidar-nos uns aos outros.
O nosso único plano inteligente, o nosso único plano ético é ... derrotar o UCITA!
Se você deseja ajudar na luta contra o UCITA encontre-se com legisladores no seu estado, envie e-mail para Skip Lockwood <dfc@dfc.org>. Ele pode lhe dizer como contribuir efetivamente.
 Há necessidade urgente de voluntários em Virginia e Maryland, mas a Califórnia e Oklahoma virão em seguida. Haverá provavelmente uma batalha em cada estado, mais cedo ou mais tarde. Para mais informação sobre UCITA ver http://www.4cite.org e http://www.badsoftware.com . A revista InfoWorld tambem está ajudando na luta contra UCITA; ver
http://archive.infoworld.com
/cgi-bin/displayStory.pl?
/features/990531ucita_home.htm 

Notas: 

[1]. Outras pessoas têm empregado o termo "open source" ["código fonte aberto"] para descrever uma categoria similar de software. Eu utilizo o termo "software livre" para mostrar que o Movimento do Software Livre ["Free Software Movement"] ainda existe -- que o "Open Source Movement" não nos substituiu nem nos absorveu. Se você valoriza a sua liberdade tanto como a sua conveniência, sugiro que utilize a expressão "software livre" ["free software"], e não "open source", para descrever o seu próprio trabalho, de forma a defender claramente os seus valores. Se você valoriza a precisão, por favor, utilize a expressão "software livre" ["free software"], e não "open source", para descrever o trabalho do Movimento do Software Livre ["Free Software Movement"]. O sistema operacional GNU, a sua variante GNU/Linux, os muitos pacotes de software GNU e o GNU GPL ("GNU General Public License"), tudo isso é, basicamente, trabalho do Movimento do Software Livre ["Free Software Movement"]. Os defensores "Open Source Movement" têm o direito de promover os seus pontos de vista, mas eles não deveriam fazê-lo às custas das nossas conquistas.
Ver 
http://www.gnu.org/philosophy/
free-software-for-freedom.html
para maiores explicações.

[2]. Frequentemente o sistema é chamado "Linux", mas falando com mais propriedade Linux é atualmente o kernel, um dos componentes mais importantes do sistema (ver http://www.gnu.org/gnu
/linux-and-gnu.html).


Tradução (patern@alternex.com.br) da versão em inglês disponível em 
http://www.gnu.org
/philosophy/ucita.html

Dúvidas e perguntas (em inglês) sobre FSF ou GNU, consulte gnu@gnu.org . Há outras formas de contatar a FSF. 

Copyright (C) 1996,1997,1998,1999,2000 Free Software Foundation, Inc., 59 Temple Place - Suite 330, Boston, MA 02111, USA 

Comentários (em inglês) sobre esta página para webmaster@gnu.org, outras questões para gnu@gnu.org

A cópia literal, a distribuição e a divulgação integral deste artigo é permitida em qualquer mídia, desde que esta nota seja preservada. 

Atualização: 11 fevereiro 2000. 
(Para a home page do GNU )
(Veja nesta edição do DataGramaZero o artigo de Richard Stallman O projeto GNU)


 
 
 
 
 

DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - n. 1  fev/00                       CARTAS & colunas



 
Caro Luiz,
parabéns pela revista DATAGRAMAZERO e pelo seu artigo sobre a mnemotécnica: você e os demais autores estão abrindo o milênio com o pé direito! Gostaria de acompanhar os demais passos desta publicação.
Um grande abraço, boa sorte e um ótimo 2000!
Márcio Seligmann-Silva 
(por e-mail)

Prezados colegas:
É com muita satisfação que congratulo-me com vocês pela iniciativa da publicação da "Datagramazero".
No mundo da informação havia este vazio de informação, agora preenchido por esta equipe. Tenho certeza que aprenderemos muito com ele.
Parabéns e vida longa para o nosso periódico.
Iraci Borges P. Luz
Bibliotecária do Instituto Lauro de Souza Lima
Secretaria de Estado da Saúde - Bauru-SP
(por e-mail)

Sou aluno do curso de Ciência da Informação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Geraes (...) Estou procurando artigos que se relacionem com "SABER CIENTÍFICO". (...)Peço a gentileza de entrar em contato caso possua algum texto ou informação sobre onde localizar textos sobre o assunto (...). Desde já obrigado,
Érico Vinícius Flores Ferrão
(por e-mail)

Érico, se você especificasse um pouco mais a sua pergunta, poderíamos dar uma resposta menos evasiva. Procure nas bibliografias das disciplinas Sociologia da Ciência, Epistemologia, História da Ciência,do Pensamento Científico,ou Metodologia Científica, e não só pela Internet! Boa sorte.
DGZero

Exmos. Senhores,
Sou brasileiro residente em Portugal desde 1990, com formação técnica em eletrônica e estou muito interessado na temática abordada pela revista. Por isso sou a perguntar quais as condições para a inscrição.
No aguardo das vossas notícias,
Cumprimentos,
Romulo Sellani
(por e-mail)
 

Prezados Editores.
Muito boa revista. Ela será enviada para os interessados via correio ou somente poderá ser 'acessada' via internet?
Um abraço. 
Ettore Bresciani F.
Prof.Titular -Unicamp e Puc-Campinas 
(por e-mail)
 

Pelo menos por enquanto, a revista estará acessível apenas pela Internet.
DGZero
 
 

Estimado Aldo: (...)También quiero felicitarte por la nueva revista electrónica Datagrama. Desde ya la tomamos como referencia, y te propongo un canje (o troca) un poco virtual de Datagrama, por las publicaciones de nuestra Escuela (que por ahora son impresas, aunque puedes ver información de ellas en: http://www.eubca.edu.uy
(...) Recibe un abrazo, y el deseo de que sigas en esta línea de trabajo.
Mario Barite 
Escuela Universitaria de Bibliotecologia 
Universidad de la Republica (Uruguay) 
Director 
(por e-mail)