Resumo: O estudo da leitura documentária
teve como ponto de partida a dificuldade do indexador frente à complexidade
da análise de assunto na indexação de documentos.
Os resultados derivados da observação e da fundamentação
teórica da leitura proporcionaram os subsídios necessários
à elaboração de um Modelo de Leitura Documentária
para textos científicos que combina estratégias de exploração
de estruturas textuais e de abordagem sistemática para identificação
de conceitos. O uso do Modelo de Leitura visou a formação
de indexadores das bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas -
USP, UNESP e UNICAMP, em curso de Educação à Distância,
apresentando resultados e depoimentos importantes do ponto de vista metodológico
para o ensino de indexação. A elaboração do
Modelo de Leitura demonstrou a importância da contribuição
da observação de estratégias de leitura do indexador
e que seu uso deve ser acompanhado dos fundamentos de leitura documentária
para que sua concepção de análise de assunto tenha
sentido em um contexto de tratamento documentário. Conclui-se que
elaboração desse Modelo de Leitura é uma proposição
metodológica de indexação com abordagem cognitiva
que poderá ser oferecida na formação do indexador
em leitura documentária.
Palavras-chave:
Leitura documentária; Indexação;
Modelo de leitura para indexação; Indexador; Artigo científico.
Abstract: The starting point of the documentary
reading study is the indexer's difficulty facing the complexity of the
subject analysis in the indexing of documents. The results of the observation
and the theoretical basis of reading give subsidies to the elaboration
of a Documentary Reading Model for scientific texts that matches the investigating
strategies of textual structure and the systematic approach for concepts
identification. The use of the reading model aimed at the education of
indexers of the libraries of São Paulo State Universities - USP,
UNESP and UNICAMP, in Distance Education course, presenting results and
important statements from the methodological point of view for the indexing
teaching. The elaboration of the reading model showed the importance of
the contribution of observing the indexer's reading strategies and that
their use must be followed by the bases of the documentary reading so that
his subject analysis conception makes sense in a documentary treatment
context. It is concluded that the elaboration of this reading model is
a methodological proposition of indexing with cognitive approach that can
be offered to the education of the indexer in documentary reading.
Keywords: Documentary reading; Indexing; Reading
model for indexing; Indexer; Scientific article.
1. Introdução
O indexador é um leitor que interage com o texto para cumprir
o objetivo da indexação. Nessa interação, o
indexador lê o texto. Partindo dessa constatação, o
estudo da leitura oferece uma outra perspectiva para a compreensão
do processo de indexação e das dificuldades de um indexador
frente a um documento: a de observação do processo de leitura
do indexador para verificar estratégias de compreensão que
visam à identificação de conceitos e de seu contexto
para verificar os aspectos que influenciam e determinam a leitura documentária
como leitura profissional.
O indexador, visto como leitor, é considerado sob a perspectiva da psicologia cognitiva, pois, ao ler aciona, como em qualquer outro indivíduo, o processamento humano de informações, realizado com a memória de curto prazo (input visual), a memória de longo prazo (esquemas e conhecimento prévio) e as habilidades operatórias de pensamento (análise e síntese). Visto como leitor profissional é considerado a partir da perspectiva de seu contexto, atuação e formação profissional.
A dificuldade do indexador frente à complexidade da análise de assunto de documentos é o ponto de partida que motivou os estudos para desenvolvimento de um Modelo de Leitura Documentária que propõe uma metodologia baseada no uso de estratégias de leitura.
O indexador é um leitor com conhecimento prévio lingüístico, textual, de mundo, profissional e, também, específico, no caso de indexadores especialistas. As dificuldades existem porque a leitura é um processo de interação com o texto escrito visando a sua compreensão e isso significa um processo de cognição. O processo de análise de assunto para indexação, dessa forma, envolve a compreensão do texto mediante processos cognitivos, realizados com base em esquemas mentais.
Além da perspectiva cognitiva que envolve a indexação é preciso considerar a rápida evolução das técnicas de recuperação automática que acarretam um aumento da responsabilidade do indexador na determinação do assunto do documento. Novas formas de recuperação exigem maior aprofundamento teórico do indexador para que se evite o risco de uma prática descompromissada com a representação do contexto do documento e do sistema de recuperação da informação. Cunha, M. V. C (2000, p. 71) expressa bem essa transformação ao enunciar que
Nesse sentido, tanto os cursos de graduação em Biblioteconomia
quanto os cursos que visam à educação continuada do
profissional indexador têm uma grande parcela de responsabilidade
na formação e capacitação do indexador que
necessita dos aportes teórico-metodológicos específicos
sobre leitura documentária, dotados dos aspectos cognitivos e lingüísticos.
Considerando que o conceito de leitura e sua influência na atuação profissional é fundamental para a identificação de sistemáticas mais apropriadas à análise de assunto de textos científicos, apresentamos a elaboração de um Modelo de Leitura com base no estudo de observação de estratégias de leitura documentária do indexador, realizado por Fujita (2003), com o objetivo de dotar a leitura profissional do indexador com uma metodologia de análise de assunto para identificação e seleção de conceitos em textos científicos.
Examinaremos, portanto, a análise dos resultados de observação de estratégias do indexador no processo de leitura documentária e, em seguida, os principais fundamentos teóricos e metodológicos para embasamento da elaboração do Modelo de Leitura.
O uso do modelo visou a formação de bibliotecários
que realizam indexação nas bibliotecas das Universidades
Estaduais Paulistas - USP, UNESP e UNICAMP, em curso de Educação
à Distância, apresentando resultados e depoimentos importantes
do ponto de vista metodológico para o ensino de indexação.
2. As estratégias de leitura do indexador que fundamentaram
o Modelo de Leitura Documentária
Os resultados derivados da observação e da fundamentação
teórica da leitura proporcionaram os subsídios necessários
à elaboração de uma metodologia formal para a leitura
documentária na indexação de textos científicos.
A proposta de combinação de estratégias de exploração
de estruturas textuais e de abordagem sistemática para identificação
de conceitos partiu da observação, mediante protocolos verbais
dos indexadores, em estudo realizado por Fujita (2003), de que essas duas
estratégias não eram acionadas em conjunto, o que culminou
na elaboração de um Modelo de Leitura Documentária
para textos científicos.
O estudo da leitura documentária, realizado por Fujita (2003), teve como ponto de partida a dificuldade do indexador frente à complexidade da análise de assunto de documentos com objetivo de indexação considerando-a, da mesma forma, que a dificuldade de um leitor frente a um texto com o qual é preciso interagir à distância com as idéias de um autor, acrescendo aí, a variável contexto do sistema de informação, além da formação e atuação profissional do indexador.
Inicialmente, demonstra o indexador visto como leitor a partir de uma perspectiva cognitiva e lingüística e observa sua leitura documentária, constatando estratégias metacognitivas preconizadas por teóricos da leitura e estratégias específicas da atividade de análise de assunto em indexação.
As dificuldades da análise de assunto são demonstradas, a partir da influência das variáveis: texto, leitor e contexto que atuam durante o processo de leitura. A partir da visão interacionista do processo de leitura, demonstra que o indexador refere-se às suas dificuldades na identificação de conceitos durante a análise de assunto e revela, além do contexto profissional em que atua, um outro lado do indexador que influencia sua leitura e o torna um leitor profissional: seus objetivos de indexação, sua atuação e formação profissional e suas concepções de leitura.
O desenvolvimento do estudo sobre leitura em análise documentária direcionou seu foco de observação para o indexador como agente que pratica a leitura com a finalidade de observar seus procedimentos de leitura para exame do documento e identificação de conceitos, mediante aplicação do método introspectivo de "Protocolo Verbal" ou "Pensar Alto" (FUJITA, NARDI, FAGUNDES, 2003) com a colaboração de duas instituições: o Centro Coordenador Nacional do Sistema Especializado na Área de Odontologia da BIREME [2], por meio do Serviço de Documentação em Odontologia da Biblioteca da Faculdade de Odontologia da USP, que disponibilizou a participação de quatro indexadores bibliotecários e o Centro de Informações Nucleares da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CIN/CNEN) [3], que proporcionou a participação de quatro indexadores especialistas. Os resultados obtidos das transcrições dos protocolos verbais dos oito indexadores foram utilizados em duas análises subseqüentes.
A primeira análise dos protocolos verbais indicou a presença de estratégias metacognitivas como resultado da compreensão da leitura de indexadores e o uso maior ou menor de estratégias que significa uma proficiência maior ou menor na compreensão do conteúdo do documento. Os resultados obtidos constataram, também, que o indexador é um leitor inato sob o ponto vista lingüístico e cognitivo, porque o conhecimento prévio que adquiriu ao longo de sua vida contém os conhecimentos lingüístico, textual e o conhecimento de mundo, necessários para a compreensão de leitura.
Os resultados da segunda análise dos protocolos verbais demonstram suas concepções de análise para leitura documentária, além de observações importantes sobre sua formação profissional nos cursos de graduação e de educação continuada dentro e fora do contexto de trabalho. Dessa forma, a leitura em análise documentária é entendida como uma atividade de cunho profissional, que caracteriza o indexador como leitor profissional que realiza a leitura documentária dentro do seu contexto profissional.
Na variável texto, cuja estrutura serve de suporte à compreensão, constatou-se a necessidade do conhecimento lingüístico e o domínio da estrutura textual pelo indexador, porque a exploração da estrutura textual foi identificada como estratégia de leitura documentária que o ajuda na identificação e seleção de conceitos durante a análise de assunto.
Considerou-se que, a principal estratégia observada nos protocolos verbais foi a identificação de conceitos, cujo acionamento e sistemática dependeram do uso da estratégia de exploração da estrutura textual. A provável combinação das duas estratégias por meio de uma metodologia formal de leitura documentária é uma importante demonstração dos benefícios advindos dos resultados da observação da leitura do indexador.
Por outro lado, observou-se também que, durante a leitura, os indexadores não utilizam uma abordagem sistemática de identificação de conceitos tal como proposto pela Norma 12.676 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992) que preconiza um questionamento do texto e a resposta às suas questões identificam os termos representativos dos conceitos formulados. O depoimento dos indexadores observados constata, também, a dificuldade do indexador em realizar a identificação de conceitos na análise de assunto.
Os resultados comparativos da leitura dos indexadores bibliotecários e dos indexadores especialistas demonstraram que o especialista, apesar de ter o domínio do assunto e realizar uma leitura mais cognitiva e, portanto, compreensiva, utilizou seu conhecimento prévio de estrutura textual, tal como fizeram os bibliotecários, e não demonstrou ter domínio de procedimentos sistemáticos na abordagem do conteúdo textual para a identificação de conceitos, de forma que houvesse uma correlação entre os conceitos identificados (ação, objeto da ação, atividade ou processo, agente da ação, procedimentos, materiais e etc) e sua localização em partes específicas do texto (Introdução, Metodologia, Resultados e Conclusão).
Supomos que o indexador especialista, por ter o domínio do assunto, realiza a leitura conceitual com movimento de leitura descendente (top-down) porque utiliza mais estratégias cognitivas e menos estratégias metacognitivas. Durante a leitura conceitual, não usa associação com linguagem para a identificação e seleção de conceitos e a compatibilidade dos termos selecionados com a linguagem do sistema é alta. Por isso, podemos considerar que a leitura do indexador do Centro de Informações Nucleares é realizada dentro da concepção de análise de assunto orientada para o conteúdo.
Comparativamente, podemos comprovar que o indexador não-especialista realiza também uma leitura conceitual, dada a grande quantidade de estratégias metacognitivas realizadas para monitorar a compreensão. Isso demonstrou um grande esforço de compreensão e, por falta de domínio do assunto, o conhecimento prévio utilizado foi o esquema com a representação da linguagem do sistema. A compreensão do texto foi evidentemente menor do que a do indexador especialista, mas houve leitura conceitual.
Ressalte-se, ainda, que a exploração da estrutura textual e das indicações perceptivas de partes do texto foi realizada de forma similar pelos indexadores especialistas e não-especialistas, demonstrando que é um conhecimento prévio necessário aos indexadores. Há uma outra observação para a identificação de conceitos a partir da Introdução, que contém, via de regra, o objetivo do trabalho, possibilitando assim, identificar o tema.
A falta de procedimentos sistemáticos para a identificação de conceitos, tanto por parte do especialista quanto do não-especialista, é um aspecto importante para a articulação de evidências, pois a identificação de conceitos é o ponto alto da leitura do indexador e depende de estratégias que facilitem a compreensão para que seja efetuada uma leitura conceitual, ou seja, dentro da concepção orientada para o conteúdo. No caso do especialista, essa estratégia pode ser suplantada pelo conhecimento do assunto, mas para o não-especialista a estratégia para a identificação pode ser bastante importante como mais um facilitador no aumento da compreensão de leitura.
Considerando-se que a identificação de conceitos é o objetivo da leitura documentária e a operação mais importante da indexação, os resultados obtidos nos levam a concluir que a identificação de conceitos depende do domínio do indexador na exploração da estrutura textual, pois, durante a leitura, é preciso ter em mente a correlação entre conceitos e sua identificação em partes específicas do texto.
Ressalte-se que o aspecto mais contundente da observação da leitura documentária é que indexadores, bibliotecários e especialistas não demonstraram domínio de procedimentos sistemáticos para abordagem do conteúdo textual para a identificação de conceitos. Esta constatação permite que pensemos na possibilidade de uso combinado da exploração da estrutura textual com o questionamento para a identificação de conceitos, a fim de realizar uma leitura documentária mais rápida e estratégica sob o ponto de vista profissional.
Daí a idéia de elaboração de um Modelo de Leitura que utilize o conhecimento de estruturas textuais do leitor apoiado em estratégias mais sistemáticas de identificação de conceitos para agilizar sua compreensão e realizar uma leitura rápida, em que o indexador torna-se mais estratégico que o leitor normal.
Em decorrência, será apresentada uma síntese teórica,
no qual o Modelo de Leitura foi baseado, demonstrando a importância
e a contribuição do estudo de outras metodologias para o
processo de leitura documentária com fins de indexação
de artigos científicos. Posteriormente descreve-se o processo para
a elaboração do Modelo de Leitura e sua aplicabilidade.
3 Metodologia para elaboração do Modelo de Leitura
Considerando-se que o resultado da observação da leitura
documentária demonstrou que indexadores, bibliotecários e
especialistas não apresentaram domínio de procedimentos sistemáticos
para abordagem do conteúdo textual para a identificação
de conceitos indicou-se a possibilidade de uso combinado da exploração
da estrutura textual com o questionamento para a identificação
de conceitos em um Modelo de Leitura, a fim de realizar uma leitura documentária
mais rápida e estratégica sob o ponto de vista profissional.
Dessa forma, a metodologia de elaboração do Modelo de Leitura
concentrou-se em dois aspectos: combinação da estrutura textual
com a identificação de conceitos e sistemática de
identificação de conceitos.
Para concretizar a proposta de elaboração do modelo de
estratégia de leitura documentária utilizando o domínio
da estrutura textual com a identificação de conceitos, foi
realizado estudo para definição do modelo fundamentado em
revisão de literatura, que indicou os subsídios teóricos
dos estudos de estrutura textual e a existência de propostas metodológicas
que combinam a estrutura textual e a identificação de conceitos,
bem como metodologias de identificação de conceitos pela
análise conceitual e abordagem sistemática.
3.1 Estrutura textual e identificação de conceitos:
propostas metodológicas para o Modelo de Leitura de textos científicos
O conhecimento teórico sobre estruturas textuais visa a fortalecer
e subsidiar a elaboração do Modelo de Leitura para possibilitar
uma necessária combinação com a identificação
de conceitos.
Conforme Koch (2002, p. 17), na concepção interacional da língua, o texto é o lugar da interação quando se tem, junto ao sujeito leitor, o contexto sociocognitivo dos participantes da interação. Nesta concepção, Koch (2002, p. 20) compartilha e subscreve a definição proposta por Beaugrande (1997, p.10) para texto: "evento comunicativo no qual convergem ações lingüísticas, cognitivas e sociais".
O texto, além de uma estrutura lingüística, possui uma estrutura de significado que somente "aparece" quando o leitor faz uma leitura compreensiva. Então, também o texto está sujeito a uma interpretação cognitiva e não somente descritiva.
No que diz respeito à estrutura do texto, afirma-se estar associada ao modo com o qual as idéias são organizadas com relação ao conteúdo, ao tema e aos conceitos tratados no texto. Como a estrutura do texto se articula ao seu conteúdo, o autor de um texto escolhe determinada estrutura textual que venha coincidir com o conteúdo que quer transmitir.
Por isso, uma parte importante do processo de compreensão de leitura é justamente essa habilidade de reconhecer o gênero do texto, bem como os diferentes tipos de textos, que poderá subsidiar o leitor quanto à necessária identificação da idéia principal ou o tema do texto.
A idéia principal varia de acordo com a estrutura textual, por exemplo: num texto narrativo a idéia principal pode ser um acontecimento ou a sua interpretação; num texto informativo pode ser uma regra, um conceito, ou uma generalização. Quando a idéia principal aparece implícita, o leitor deve inferi-la com base nas informações fornecidas pelo texto e no seu conhecimento prévio sobre o assunto. No texto técnico-científico, Tálamo (1987) reconhece a identificação do tema no "objetivo" do trabalho.
Esse tipo de conhecimento prévio pelo leitor (de estruturas textuais) possibilita-lhe a identificar a parte do texto que traz a idéia principal, fato que o auxilia a compreender, de forma global, o texto e a realizar uma leitura mais objetiva, pois já conhece as partes que tem a explorar e os conceitos pertencentes a cada parte, chegando, dessa forma, ao tema do texto.
Uma dica importante para identificação do tema, é fazer um questionamento por categorias temáticas: o que? (categoria essencial); quando?, onde?, como? (categorias acessórias), que podemos denominar de estratégia de inferência e considera-la como elemento fundamental dos modelos de leitura para indexação.
O texto, segundo Van Dijk (1992, p. 142), é composto de superestrutura e macroestrutura. Superestrutura é um tipo de forma do texto, cujo objeto, o tema, isto é: a macroestrutura é o conteúdo do texto. Um tema poderá ser desenvolvido em várias formas e o que caracteriza a diferença entre uma forma e outra, são os diferentes tipos de construção.
Não existe uma teoria geral para as superestruturas, mas o que se conhece é uma teoria sobre determinadas superestruturas, particularmente a narração e a argumentação. Por essa razão, Van Dijk (1992) não oferece uma teoria geral sobre estrutura textual, mas se limita a uma série de observações sobre as hipotéticas características dessas estruturas.
O texto científico deriva, segundo Van Dijk (1992), de uma estrutura argumentativa composta de justificativa e conclusão, acrescida da apresentação de um problema e sua solução.
Com base nos pressupostos teóricos de estrutura textual foi possível analisar o Esquema de compreensão literal de discursos científicos (TÁLAMO, 1994) e a Metodologia para indexação de textos científicos (KOBASHI, 1994) para subsidiar a elaboração do Modelo de Leitura para textos científicos no que tange ao seu aspecto operacional.
A metodologia de indexação proposta por Kobashi (1994) visa a identificar o tema nos documentos, utilizando a metodologia de Tálamo (1987) que consiste em identificar o tema de um documento por meio de um mecanismo de pergunta e resposta.
Para Tálamo (1987), o tema designa-se em um conjunto de indicações agrupadas por generalidades e que respondem a cada uma das seguintes questões fundamentais: Quem (ser), O quê (tema), Como (modo), Onde (lugar), e Quando (tempo).
A metodologia proposta por Kobashi (1994) para indexação consiste em identificar o tema, por meio da leitura do documento, confirmar se o tema do texto é também o objetivo do próprio texto e em elaborar o enunciado temático por meio dos mecanismos de resposta.
A análise do Esquema de compreensão literal de discursos científicos (TÁLAMO, 1994) e da Metodologia para indexação de textos científicos (KOBASHI, 1994) revela que foram propostos tendo em vista a exploração do conhecimento do indexador/resumidor sobre a organização da estrutura textual. A metodologia de Kobashi (1994) vai um pouco mais além, porque investe na busca do tema e utiliza estratégia de inferência ao conteúdo para a identificação de conceitos. Ao coloca-la em prática, descreve de forma bastante explícita as regras e a metodologia proposta e o resultado é que o indexador/resumidor passará a fazer uma leitura compreensiva, proficiente e, principalmente, seletiva.
Para efeito de viabilidade, o modelo proposto por Kobashi (1994) sugere
facilidade de aplicação, além de incluir a exploração
da estrutura textual combinada com o questionamento como abordagem sistemática
para identificação de conceitos.
3.2 Identificação de conceitos em leitura documentária:
abordagem sistemática e análise conceitual
A abordagem sistemática, como visto nas metodologias de Tálamo
e Kobashi, é de fato um questionamento que o indexador realiza para
melhor extrair conceitos enquanto estiver fazendo a leitura documentária
do texto e a consideramos de fundamental importância porque revela-se
como estratégia de inferência que orienta o indexador quanto
à identificação dos conceitos.
O questionamento como abordagem sistemática para a identificação de conceitos, também, é indicado por normas documentárias, que certamente apoiou-se nos subsídios teóricos e metodológicos de estratégias de inferência para a identificação da idéia principal do texto, ampliando e adequando o questionamento para uma operação documentária com textos visando a indexação.
A Norma 12.676 [4] (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992) indica o estágio de Identificação de Conceitos como "...uma abordagem sistemática para identificar aqueles conceitos que são os elementos essenciais na descrição do assunto." (grifo nosso)
A abordagem sistemática da norma 12.676 para identificação de conceitos recomenda um questionamento do texto composto por um rol de questões preparadas para identificar determinados conceitos essenciais:
O entendimento operacional do questionamento como abordagem sistemática
na prática de indexação deve levar em consideração
que cada questão equivalerá à identificação
de um conceito correspondente. A primeira questão, por exemplo,
deverá identificar no texto a presença do conceito "objeto";
a segunda, a "ação"; a terceira, se o "objeto" identificado
sofre influência da "ação"; a quarta, o "agente" que
praticou a "ação" e assim por diante...
Trabalhando em torno desses "conceitos universais", o sistema PRECIS (FUJITA, 2003) recomenda, para a etapa de identificação de conceitos da análise de assunto, uma análise conceitual baseada na interrogação do texto em que cada questão corresponde a um conceito com função característica:
A identificação de conceitos dentro de um texto, pela
abordagem sistemática ou análise conceitual, pode servir
como metodologia de análise. Uma vez identificados, os conceitos
serão estruturados em um enunciado de assunto cuja mensagem deverá
representar, em última análise, a idéia principal
do texto, auxiliando a compreensão do leitor.
Esse procedimento de identificação de conceitos indicados pela Norma 12676 e pela análise conceitual do PRECIS pode ser observado no seguinte exemplo:
Identificação de conceitos:
Seguindo a ordem dos conceitos retirados do texto, obtenho a seguinte
seqüência:
"Análise da economia de atividades manufatureiras do mercado
interno do período colonial de Minas Gerais no Brasil".
Pode-se supor, portanto, que, a abordagem sistemática e a análise conceitual, são formas de questionamento que o indexador realiza como estratégia de inferência ao texto para melhor extrair conceitos enquanto estiver fazendo a leitura das partes do texto, ainda que, a Norma 12.676 e a análise conceitual do PRECIS não explicitem quais questões seriam mais indicadas para cada parte do texto.
A respeito de "onde" localizar conceitos, contudo, depende da identificação
da estrutura temática. Considerando-se a legibilidade e a estrutura
textual do documento, o tema poderá estar formulado de forma clara
no "objetivo" do trabalho e, quando isso não acontecer, será
preciso a identificação dos conceitos dentro da estrutura
textual do documento por meio de uma combinação entre conceitos
e localização específica conforme estrutura textual.
Assim, o Modelo de Leitura terá, adicionalmente, um item de localização
dos conceitos em partes da estrutura textual.
4 Modelo de Leitura para indexação de textos científicos
Os resultados obtidos, a partir da investigação de pressupostos
teóricos, indicou os subsídios dos estudos de estrutura textual
e a existência de propostas metodológicas que combinam a estrutura
textual e a identificação de conceitos.
O Modelo de Leitura obtido (QUADRO 1) consiste, fundamentalmente, da
combinação das sistemáticas de identificação
de conceitos análise conceitual (primeira coluna) e abordagem sistemática
da Norma 12.676 (segunda coluna) com a localização dos conceitos
em parte da estrutura textual (terceira coluna):
|
(ANÁLISE CONCEITUAL) |
(NORMA 12.676) |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Para atender ao objetivo de dotar a leitura profissional do indexador
com uma metodologia de análise de assunto para identificação
e seleção de conceitos em textos científicos foi preciso
verificar o uso do Modelo de Leitura Documentária em aplicações
experimentais que foram orientadas por Manual explicativo que contém
os procedimentos de uso do Modelo de Leitura.
O manual explicativo, portanto, é uma versão explicativa
do Modelo de Leitura que conceitua e orienta a leitura documentária
de textos científicos para a indexação a ser utilizada
por docentes na formação inicial de indexadores nos cursos
de graduação e indexadores mestres para a formação
de outros indexadores. O Modelo de Leitura em manual explicativo,
conforme Apêndice, constitui-se de parte introdutória que
conceitua a leitura documentária e seu objetivo que é a identificação
e seleção de conceitos e de três partes explicativas,
conforme os seguintes procedimentos principais:
De acordo com o Manual, a orientação para a leitura
está dividida em três etapas: exploração da
estrutura textual, identificação de conceitos e seleção
de conceitos. Em cada uma destas etapas os procedimentos são
esclarecidos um após o outro, deixando transparecer uma preparação
conceitual e filosófica sobre indexação baseada nos
resultados da pesquisa, feita em função das concepções
de análise, considerando-se que a atitude do indexador, ao realizar
a análise de um texto com fins de indexação, está
diretamente vinculada à concepção de análise
adquirida durante sua formação educacional e à política
do sistema.
5 O uso do Modelo de Leitura para a formação de indexadores
O uso do Modelo de Leitura Documentária dirige-se, primordialmente,
para o ensino de indexação de graduação, pós-graduação
e de profissionais que já atuam no mercado de trabalho. Neste sentido,
o currículo do Curso de graduação em Biblioteconomia
da UNESP - Campus de Marília integra a disciplina obrigatória
"Leitura documentária" e no Programa de Pós-Graduação
em Ciência da Informação da UNESP - Campus de Marília
é oferecida a disciplina "Leitura Profissional" que utilizam o Modelo
de Leitura associado aos conteúdos teóricos e metodológicos
de seus planos de ensino.
O ensino dos fundamentos teóricos e metodológicos de leitura documentária, dirigido aos bibliotecários que realizam a indexação do acervo documentário das bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas [5]: Universidade de São Paulo (USP); Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), fez uso do Modelo de Leitura no curso de educação à distância "Fundamentos teóricos e metodológicos de indexação: aspectos sociocognitivos e lingüísticos".
Com a duração de quatro semanas, o curso foi oferecido nos primeiro e segundo semestres de 2005 com a seguinte ementa e objetivos (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2005):
Ementa: A indexação em análise documentária; natureza do processo de indexação e uso de estratégias no âmbito de uma política de indexação em unidades e sistemas de informação; a leitura na perspectiva interativa de suas variáveis: o texto, o leitor e o contexto - a compreensão das dificuldades geradas nesta interação e as influências e conseqüências para a análise de assunto; o processo de leitura para análise de assunto de documentos e suas concepções orientadas para o conteúdo e para a demanda como proposição metodológica para textos científicos; aplicação e uso de Modelo de Leitura para textos científicos.
Objetivos:
Os módulos, apresentados semanalmente, foram estruturados
em uma seqüência lógica de conhecimentos com o intuito
de fundamentar o uso do Modelo de Leitura como metodologia de análise
de assunto para indexação de artigos científicos presente
no módulo 4.
Ao final de cada módulo os alunos realizaram atividade de
produção de textos que contiveram a compreensão dos
conceitos e fundamentos oferecidos e reflexão crítica sobre
suas atuações face aos conhecimentos adquiridos. Durante
o desenvolvimento dos módulos a ferramenta chat foi utilizada pela
professora para se reunir com os alunos, uma vez por semana, para debate
e solução de dúvidas dos textos e atividades. Para
a compreensão e uso do Modelo de Leitura, presente no módulo
4, realizou-se uma aula presencial com a finalidade de ressaltar a compreensão
da operacionalização do Modelo de Leitura pelo seu manual
explicativo utilizando-o em exercício de análise de assunto
na indexação de artigo científico.
Na demonstração do uso do Modelo de Leitura, apresentou-se
exemplo com um artigo de periódico científico, observando-se
o acréscimo de mais duas colunas à direita do QUADRO 2:
Objetivo do artigo: "Neste artigo será apresentado o perfil das puérperas quanto às suas características sócio-demográficas, suporte familiar, comportamentos de risco, antecedentes obstétricos, acesso e satisfação com o atendimento e resultados adversos no recém-nascido, segundo tipos de maternidades" (LEAL et al, 2004).
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
- Fatores sócio-demográficos - Características biológicas das mães |
- Fatores socioeconômicos |
|
|
|
|
- Entrevista - Teste de Qui-Quadrado |
- Questionários - Entrevistas - Distribuição de Qui-Quadrado |
|
|
|
|
- Maternidades públicas e privadas |
- Maternidades - Setor público - Instituições privadas de saúde |
|
|
|
|
- Mortalidade de recém-nascidos Efeito:
|
- Mortalidade infantil Efeito:
|
|
|
|
|
|
|
Para conter os resultados da leitura documentária para indexação,
o Modelo de Leitura inclui na quarta coluna a apresentação
dos termos que representam os conceitos (ação, objeto e outros)
indicados na primeira coluna. Como resultado da tradução
dos termos na linguagem documentária, a quinta coluna traz a adequação
dos termos selecionados com a linguagem documentária DeCS, adotada
pela BIREME para a área de Ciências da Saúde.
A avaliação do Modelo de Leitura se baseou nos depoimentos
dos bibliotecários em resposta ao questionamento quanto ao uso na
indexação e em sala de aula como recurso pedagógico,
bem como à sua estrutura.
Quanto à estrutura do Modelo de Leitura ressaltaram a importância do formato em três colunas e seu conteúdo na facilidade de compreensão, pois orientou a atividade de leitura. Sugeriram que junto à coluna de "conceitos" (primeira coluna) fossem adicionadas mais explicações sobre as características de cada conceito uma vez que tiveram dificuldades quanto à identificação nos textos analisados e, na coluna de "questionamento" (segunda coluna) recomendaram a inclusão de exemplos.
Outra dificuldade apontada, diz respeito à estrutura textual do artigo científico da área de humanas que, não necessariamente, seguem a mesma estrutura padrão de artigos das áreas de biológica e exatas e, por esse motivo, sugeriram que o Modelo de Leitura seja adaptado, principalmente, na coluna "partes da estrutura textual" (terceira coluna) a partir de estudo da estrutura textual de artigos científicos na área de humanas.
O uso Modelo de Leitura na indexação foi considerado como satisfatório porque auxilia o indexador em áreas de assunto para as quais não tem domínio especializado orientando-o na identificação e seleção dos termos mais pertinentes e relevantes do texto, uma vez que a indexação, uma atividade tida como "subjetiva" no depoimento de alguns dos alunos do curso, leva "[...] os indexadores a 'perceberem' de forma diferente o conteúdo real do documento e a concordância quanto aos termos a serem identificados."
Como recurso pedagógico comentaram que são mais capazes
de realizarem atividades de indexação desde que o utilizem
mais intensamente de forma a permitir que sua metodologia seja completamente
internalizada à prática cotidiana de indexação
em sua atuação profissional. Lamentaram o fato de não
terem, durante a graduação a oportunidade da formação
inicial em indexação mediante o Modelo de Leitura, motivo
pelo qual recomendam sua inclusão em conteúdos disciplinares
com o acompanhamento do Professor na mediação da aprendizagem.
6 Considerações finais
A leitura documentária, com suas características próprias,
apresenta dificuldades cujas causas são a falta de procedimentos
comuns que assegurem a leitura e identificação de conceitos
e também o domínio da área de assunto, próprio
do especialista, mas não do indexador. A observação
sobre a falta de procedimentos sistemáticos para a identificação
de conceitos reforçou a evidência de que é necessária
uma metodologia de análise de assuntos durante a leitura documentária
para diminuir dificuldades.
Com a visão do leitor profissional, mediante observação de suas estratégias e concepções de leitura, constatou-se a utilização de estratégias metacognitivas e da estratégia que consideramos específica da leitura documentária: a exploração da estrutura textual. O domínio da estrutura textual pelo indexador faz parte de seu conhecimento textual e atua como facilitador da tarefa de identificação e seleção de conceitos, agilizando-a durante a análise de assunto e assegurando uma uniformidade de procedimentos na indexação.
Com essas constatações foi proposto o Modelo de Leitura para indexação de textos científicos apoiado na combinação da exploração da estrutura textual para identificação de conceitos por meio de questionamento.
O Modelo de Leitura Documentária, elaborado e aplicado, traz importantes contribuições para o desenvolvimento de orientação à formação do indexador, destacando-se sua fundamentação teórica e os resultados da análise dos protocolos dos sujeitos que participaram da avaliação experimental.
Ressalte-se que a principal contribuição à operacionalização do Modelo de Leitura foi a elaboração de seu Manual explicativo contendo o Modelo de Leitura acompanhado de explicações, a cada etapa de sua realização, seguido de muitos exemplos que ilustram sua aplicabilidade para que indexadores possam realizar um "passo-a-passo" da tarefa.
Além disso, é oportuno observar que o uso do Modelo de Leitura deve ser, necessariamente, acompanhado dos fundamentos teóricos e metodológicos de análise de conteúdos documentários e de leitura documentária para que a concepção de análise de assunto do Modelo de Leitura tenha sentido em um contexto de tratamento documentário.
A concepção de análise do indexador é formada pela correta orientação da indexação mediante compreensão do processo de leitura documentária e de suas estratégias. Consideramos que o Manual Explicativo aborda didaticamente a identificação de conceitos, conceituando com necessário detalhamento e farta exemplificação os conceitos e a função de cada um no processo de indexação.
A elaboração desse Modelo de Leitura é uma proposição
de aprimoramento e evolução da metodologia de indexação
a partir da metacognição do indexador que poderá ser
oferecida na formação do indexador em leitura documentária.
A divulgação dos resultados do estudo quanto ao processo
de leitura documentária aos responsáveis pela formação
e capacitação do indexador - Cursos de Graduação
e Sistemas de análise da informação - visa à
disseminação da importância e da influência que
a leitura exerce sobre todo o desempenho da atividade de análise
documentária.
[1] Artigo produzido com base nos resultados do Projeto de Produtividade
em Pesquisa "Leitura em Análise Documentária" com apoio do
CNPq no período de 1996 a 2004.
[2] BIREME (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação
em Ciëncias da Saúde) é um centro especializado da OPAS
(Organização Panamericana da Saúde), responsável
pela coleta e disseminação de produção científica
em importantes bases de dados. (http://www.bireme.br)
[3] CIN (Centro de Informações Nucleares) é um
centro especializado do INIS (International Nuclear Information System),
responsável pela coleta e disseminação de produção
científica em importantes bases de dados. (http://www.cnen.gov.br)
[4] A norma 12.676 da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS é uma tradução da Norma 5693 da International
Organization for Standardization (ISO) de 1985.
[5] fazem parte do Sistema CRUESP/Bibliotecas
Referências bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12676: Métodos para análise de documentos - determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação. Rio de Janeiro, 1992. 4 p.
BEAUGRANDE, R. New foundations for a science of text and discourse:
cognition, communication and freedom of access to knowledge and society.
Norwood: Alex, 1997.
CINTRA, A. M. M. Estratégias de leitura em documentação.
In: SMITT, J. W. Análise documentária: a análise
da síntese. Brasília: IBICT, 1987. p. 29-38.
CUNHA, M. V. C. A formação dos profissionais da informação na França: comparação com o sistema brasileiro. In: VALENTIM, M. L. P. (Org.). O profissional da informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 71-90.
FUJITA, M. S. L. A organização do pensamento através da estruturação lógica do conhecimento: uma proposta de aplicação do sistema de indexação PRECIS para análise e compreensão literal de leitura. 1995. 236 f. Relatório de pesquisa (CNPq) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília.
______. Leitura em análise documentária. 1999. 123 f. Relatório parcial (Projeto Integrado de Pesquisa) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista; CNPq, Marília.
______. A leitura documentária do indexador: aspectos cognitivos e lingüísticos influentes na formação do leitor profissional. 2003. 321f. Tese (Livre-Docência em Análise Documentária e Linguagens Documentárias Alfabéticas) - Faculdade de Filosofia e Ciências, UNESP.
______, RUBI, M. P. Leitura em análise documentária. 2001 185 f. Relatório parcial (Projeto Integrado de Pesquisa) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista; CNPq, Marília.
______.; NARDI, M.I.A.; FAGUNDES, S.A. Observing documentary reading by verbal protocol. Information Research, 8 : 4, (jul. 2003) Disponível em: http://www.informationr.net/ir/8-4/paper155.html
GARCIA GUTIERREZ, A.; LUCAS, R. Documentación automatizada de los médios informativos. Madrid: Paraninfo, 1987.
KATO, M. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. São Paulo: Ática, 1986. 144 p.
KLEIMAN, A. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 7.ed. Campinas: Pontes, 2000. 82p.
KOBASHI, N. Y. A elaboração de informações documentárias: em busca de uma metodologia. 1994. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo.
LASSWELL, H. D. A estrutura e a função da comunicação na sociedade. In: COHN, G. Comunicação e indústria cultural. São Paulo: Nacional/EDUSP, 1971.
TÁLAMO, M. F.G. M. Elaboração de resumos. São Paulo: ECA/USP, 1987. 14p. (datilografado)
TÁLAMO, M. F. G. M. A compreensão literal de textos. Cadernos de análise documentária, São Paulo, n. 1, p. 13-22, maio.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores do Departamento de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica. Cursos on-Line - COL. Fundamentos teóricos e metodológicos de indexação: aspectos sociocognitivos e lingüísticos. São Paulo: SIBI/USP, 2005. Disponível em: <http://col.usp.br/portal/>
VAN DIJK, T. A. La Ciência del texto: um enfoque interdisciplinario.
Trad. de Sibila Hunzinger. Barcelona: PAIDOS, 1992. 309p.
MODELO DE LEITURA PARA INDEXAÇÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS
Manual explicativo
A leitura documentária, realizada pelo indexador na fase de análise, visa propiciar a "identificação de conceitos" para posterior representação em índices que satisfaçam a demanda do usuário.
A indexação em análise documentária, sob o ponto de vista dos sistemas de recuperação de informação, é reconhecida como a parte mais importante porque condiciona os resultados de uma estratégia de busca. O bom ou o mau desempenho da indexação reflete-se na recuperação da informação feita através de índices. Isso nos leva a considerar que a recuperação do documento mais pertinente à questão da busca é aquela cuja indexação proporcionou a identificação de conceitos mais pertinentes ao seu conteúdo, produzindo uma correspondência precisa com o assunto pesquisado em índices.
Na identificação de conceitos, o indexador, após o exame do texto, passa a abordá-lo de uma forma mais lógica a fim de selecionar os conceitos que melhor representem seu conteúdo. E a seleção de termos é necessária, tendo em vista os objetivos para os quais as informações são indexadas. Assim, nem todos os conceitos identificados serão necessariamente selecionados.
No contexto da análise para indexação, a leitura é a atividade principal da indexação, pois, sendo a fase inicial, influenciará o desempenho de outras operações e resultará na seleção de termos que irão representar o documento para o usuário. Assim, a leitura passa a ter uma conotação mais direcionada aos objetivos da indexação, diferente daqueles para outros fins.
Considerando que a identificação de conceitos é o objetivo da leitura documentária e a operação mais importante da indexação, os resultados obtidos em pesquisas (FUJITA, RUBI, 1998) levam às seguintes conclusões:
Assim, essa instrução de leitura estará dividida
em três procedimentos principais:
I. EXPLORAÇÃO DO CONHECIMENTO DE ESTRUTURA TEXTUAL
1. Observação da estrutura textual: Localize no
texto científico os elementos que o compõe, mesmo que não
estejam evidentes através de itens ou sinalizados por meio de destaques.
Todo texto possui uma estrutura, evidente ou não, que podemos denominar
de superestrutura. Essa observação deve ser feita, portanto,
com base na superestrutura, pois indicará, com maior objetividade,
qual é o assunto tratado no texto, evitando desse modo, que
se cometam equívocos:
2. Localização do conteúdo pertinente de
cada uma dessas partes do texto. Verifique que o conteúdo pertinente
a cada parte do texto demonstra um padrão, tal como:
II. IDENTIFICAÇÃO DE CONCEITOS
A metodologia utilizada para esta etapa consiste na identificação
de conceitos que será realizada combinando a exploração
da estrutura textual e o questionamento.
A identificação de conceitos é a etapa principal da indexação e dependerá da compreensão do que é conceito e qual a sua importância. Conceito é a formulação de uma idéia por palavras. Tomemos como exemplo o conceito agente que pode ser definido por aquele ou algo que realizou a ação. Isso significa que o conceito agente poderá ser representado por uma palavra no texto, que dependerá do contexto para identificá-la com a idéia de agente. Assim, asseguramos que esses conceitos poderão ser identificados em qualquer texto, garantindo uma uniformidade de identificação de conceitos e de compreensão global do texto que, de outra forma, não seria possível, por não termos parâmetros de compreensão.
Ex.: Destruição de plantações de café
pela geada.
O agente neste caso é a geada, pois "praticou" a ação
de destruição das plantações de café.
a) Compreensão de conceitos
Os conceitos essenciais do documento são:
Ex.: Grupos familiares carentes que migram tendem a desorganização interna.
b) Identificação de conceitos mediante exploração
da estrutura textual
Para conseguir um melhor resultado na identificação de
conceitos, você poderá utilizar partes do texto em que os
conceitos, geralmente, poderão ser identificados:
| PARTES DO TEXTO | CONTEÚDO PERTINENTE | CONCEITOS DE |
| Introdução
(objetivos) |
Referencial teórico
Tema: objetivos* Objetivos |
OBJETO
AGENTE AÇÃO |
| Metodologia | Descrição de materiais, métodos, processos e técnicas utilizados. | MÉTODOS
LOCAL FÍSICO MATERIAIS |
| Resultados
Discussão dos resultados |
Compatibilidade com objetivos enunciados e materiais
e métodos utilizados, mostrados, às vezes em tabelas;
Verificação dos resultados a partir do referencial teórico utilizado |
CAUSA E EFEITO |
c) Questionamento do texto para identificação de conceitos
Por outro lado, este resultado poderá ser obtido mais facilmente
se você utilizar o questionamento a seguir, pois as respostas a essas
perguntas implicarão em uma análise do documento e dará
origem à seleção de termos. A seguir, temos um exemplo
que demonstra o uso do questionamento e a obtenção de termos
como resposta à identificação dos conceitos estabelecidos.
Ex.: Proliferação da flora anaeróbia no intestino delgado em lactentes portadores de diarréia aguda e persistente.
Observação: às vezes, nem todas as questões
poderão ser respondidas.
Após a compreensão do texto acima, faça a identificação
de conceitos, combinando a exploração da estrutura textual
com o questionamento.
III. SELEÇÃO DE CONCEITOS
A partir da identificação de conceitos, realizada
por meio das respostas a essas questões, selecione os conceitos
que você considera importantes para uma representação
mais pertinente ao conteúdo do documento e que seja baseada
na demanda do sistema, conforme linguagem adotada, promovendo a garantia
de uso do documento.
Exemplo:
| TERMOS IDENTIFICADOS | TERMOS SELECIONADOS |
| Flora anaeróbia | Flora anaeróbia |
| Proliferação | Proliferação da flora anaeróbia |
| Microorganismos anaeróbios | Microorganismos anaeróbios |
| Intubação intestinal | Análise morfológica |
| Análise morfológica das colônias | Diarréia aguda |
| Unidades de Gastroenterologia Pediátrica | Diarréia persistente |
| Proliferação da flora anaeróbia | |
| Diarréia aguda e persistente |
Sobre as autoras / About the Authors:
Mariângela Spotti Lopes Fujita
fujita@marilia.unesp.br
Coordenadora do Projeto Integrado "Leitura em análise documentária";
Professora Adjunta do Departamento de Ciência da Informação
UNESP - Campus de Marília, SP - Brasil
(14) 3433-9352.
Milena Polsinelli Rubi
mprubi@ig.com.br
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência
da Informação
UNESP - Campus de Marília, SP - Brasil;
bolsista CAPES