Resumo: O presente trabalho pretende apresentar a interelação entre a Bibliometria e a avaliação de periódicos científicos. O estudo é um artigo de revisão. Apresenta a conceituação de Bibliometria, bem como as principais áreas de aplicação dos estudos bibliométrico e as três principais leis: Lei de Lotka, Lei de Bradford e Lei de Zipf. Apresenta como as três leis podem se relacionar. Conceitua periódico científico, periódico científico eletrônico e discute sobre a avaliação das revistas científicas. Aborda como as novas tecnologias influenciam os estudos bibliométrico e a avaliação de periódicos. Conclui que os estudos bibliométrico são ferramentas de inestimável valor para a avaliação de periódicos e para o desenvolvimento da ciência como um todo.
Palavras-chave:
Bibliometria; Leis bibliométricas; Periódico científico; Avaliação.
Abstract: This paper intends to present the relation between Bibliometrics and how this can help in the evaluation of scientific journals. The study is a review article. Presents the concept of Bibliometrics and the main areas of application of bibliometric studies and the three main laws: Lotka´s Law, Bradfords Law and Zipf´s Law. Shows how the three laws can relate. Conceptualized journal, electronic journal and discusses the evaluation of scientific journals. Discusses how new technologies influence the bibliometric study and evaluation of journals. Concludes that the bibliometric studies are invaluable tools for the evaluation of journals and the development of science as a whole.
Keywords: Bibliometrics; Bibliometrics laws; Scientific journals; Evaluation.
Introdução
A ciência produz conhecimentos e tem a necessidade e
o compromisso de torná-los públicos, dando o retorno para a comunidade
científica das atividades realizadas durante a pesquisa ao divulgar os
resultados parciais ou finais. Publicar em revistas científicas é uma das
alternativas existentes, podendo ser o único veículo utilizado ou precedendo
a publicação de um livro. O periódico científico é um canal de comunicação
confiável, de periodicidade seriada e de publicação mais dinâmica do que a
de um livro.
Todavia, com o grande número de títulos existentes, cada vez é mais difícil ao cientista decidir qual periódico será o disseminador desta informação. Além disso, há diversos fatores que podem interferir nesta decisão. Para ter certeza de que os dados serão divulgados de maneira eficiente, bem como o artigo será devidamente avaliado e validado pelos pares, o pesquisador precisa de uma referência, ou seja, informações acerca a qualidade do periódico. Os periódicos podem ser avaliados de diversas maneiras, seguindo determinados critérios. Um deles é o fator de impacto medido pelo Institute for Scientific Information (ISI). No Brasil, o sistema de avaliação utilizado para periódicos é o Qualis, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É um sistema no qual os periódicos e eventos passam por avaliação por áreas e é anualmente atualizado. São atribuídos estratos indicativos de qualidade, representados por letras (A, B e C) seguidos por números (1, 2, 3, 4 e 5). A1 é o mais elevado estrato e C possui peso zero (CAPES, 2009).
O termo Bibliometria foi criado por
Paul Otlet em 1934,
no Tratado da Documentação, sendo antes esta ciência conhecida como
bibliografia estatística, termo cunhado por Hulme em 1923. Todavia, o termo
consolidou-se apenas em 1969, após a publicação do artigo de Pritchard, sob
o título “Bibliografia estatística ou Bibliometria?” (Vanti,
2002). Ressalta-se que os estudos bibliométricos não são exclusivos da
Biblioteconomia ou da Ciência da Informação: diversas áreas do conhecimento
utilizam os estudos de produtividade de autores.
Urbizagástegui Alvarado (2006) descreve os estudos realizados por
psicólogos e sociólogos, comparando-os com os dos bibliotecários. De acordo
com o autor:
Os psicólogos estão mais interessados em explorar o mundo da criatividade, os fatores cognitivos que fazem possível a existência dos “gênios” e a “inteligência”, enquanto os sociólogos apontam as condições sociais que possibilitam a produção estratificada e desigual na ciência. Os bibliotecários, no entanto, estão mais interessados nas “publicações” (teses, livros, artigos, etc.), como um produto acabado e objetivado, da prática científica. (Urbizagástegui Alvarado, 2006, p. 64)
Neste artigo, será verificado como a bibliometria pode contribuir para a
avaliação de periódicos científicos. Para tanto, é realizada breve revisão
de literatura sobre a bibliometria, apresentado seu histórico e usos na
ciência. Também são tratados os assuntos: periódicos científicos, periódicos
científicos eletrônicos e avaliação de periódicos.
Bibliometria
A bibliometria surgiu no início do século devido à necessidade de estudar e
avaliar as atividades de produção e comunicação científica. Por
bibliometria, entende-se como “técnica quantitativa e estatística de
medição dos índices de produção e disseminação do conhecimento científico”
(Araújo, 2006, p. 12). Guedes e Borschiver
(2005) dizem que bibliometria é um conjunto de leis e princípios empíricos
que contribuem para o estabelecimento dos fundamentos teóricos da Ciência da
Informação. As autoras apontam o conceito mais utilizado de bibliometria,
definido por Pritchard (1969), como “todos os estudos que
tentam quantificar os processos de comunicação escrita”1.
O termo definido por Pritchard é ao mesmo tempo objetivo e amplo, pois em
poucas palavras elucida a essência dos estudos bibliométricos.
Figueiredo (1977) 2 apud
Araújo (2006) diz que bibliometria possui duas preocupações desde sua
origem. Umas delas é analisar a produção científica, enquanto a segunda é
buscar benefícios práticos e imediatos para as bibliotecas. Cita como
exemplo o desenvolvimento de coleções e a gestão de serviços bibliotecários.
A bibliometria foi:
Inicialmente voltada para a medida de livros (quantidade de edições e exemplares, quantidade de palavras contidas nos livros, espaço ocupado pelos livros nas bibliotecas, estatísticas relativas à indústria do livro), aos poucos foi se voltando para o estudo de outros formatos de produção bibliográfica, tais como artigos de periódicos e outros tipos de documentos, para depois ocupar-se, também, da produtividade de autores e do estudo de citações. (Araújo, 2006, p. 12-13)
Com esta breve introdução aos conceitos básicos e aos objetivos da
bibliometria é possível verificar que os estudos bibliométricos são mais
complexos do que apenas um levantamento estatístico puro e simples,
ampliando-se para análises mais complexas e também diversificadas,
tornando-se uma ferramenta de grande utilidade para a ciência.
Estudo de Citações
Dentre as áreas de estudos da bibliometria, a análise de citações é
considerada a mais relevante devido à contribuição que pode prestar ao
identificar e descrever os padrões na produção do conhecimento científico (Araújo,
2006). Merton (1973), através de sua descrição do sistema
de recompensas, afirma que as citações são símbolos do reconhecimento. Citar
é remeter um trabalho a outro (Meadows, 1999) e assim
esses documentos podem se relacionar.
Entre os motivos para um trabalho ser citado é a sua qualidade e reconhecimento, embora existam mais razões já enumerados por outros autores. Davis cita Weinstock 3 (1971) e os 15 motivos listados para citar um trabalho: homenagem aos pioneiros; dar crédito para os trabalhos relacionados; identificar metodologias, equipamentos, etc.; oferecer leitura básica; retificar ou melhorar o seu próprio trabalho; retificar ou melhorar os trabalhos de outros autores; criticar ou analisar trabalhos anteriores; sustentar declarações; informar os pesquisadores de trabalhos futuro; dar destaque a trabalhos pouco disseminados, inadequadamente indexados ou desconhecidos (não citados); validar dados e categorias de fatos, constantes físicas, etc.; identificar publicações originais nas quais uma ideia ou conceito foram discutidos; identificar publicações originais que descrevem ideias ou conceitos epónimos, por exemplo, Doença de Hodgkin; contestar trabalhos ou ideias de outros; debater a primazia das declarações de outros.
Esses estudos foram se aprimorando ao longo das décadas e ganharam novas
características com as ferramentas eletrônicas e publicações on-line,
gerando um crescimento nos estudos verificado a partir dos anos 90. Os
princípios do estudo de citações conservaram-se os mesmos, todavia, as
tecnologias da informação e da comunicação trouxeram um número maior de
possibilidades e facilidades, como a análise de links, URLs,
motores de busca e, por conseguinte, novas formas de medição, podendo ser
citado como modelo mais atual a
Webmetria.
Vanti (2002) define a Webmetria como um estimulante campo
de atuação e aponta os estudos desenvolvidos sobre o conteúdo e a estrutura
das home pages na Web.
Leis da Bibliometria
A Bibliometria possui três leis básicas: Lei de Bradford (produtividade
de periódicos), Lei de Lotka (produtividades de autores) e
Lei de Zipf (freqüência de ocorrência de palavras). A
lei de Bradford é também conhecida como de lei da dispersão e “ permite,
mediante a medição da produtividade das revistas, estabelecer o núcleo e as
áreas de dispersão sobre um determinado assunto em um mesmo conjunto de
revistas” (Vanti, 2002, p. 153). Araújo
(2006) aponta que no Brasil, além dos estudos de Pinheiro, destaca-se também
o realizado por Maia, em 1980.4
Pinheiro (1983) aborda em dissertação e posteriormente em
artigo sobre a reformulação conceitual da Lei de Bradford. As primeiras
observações de Bradford sobre a dispersão de artigos ocorreram em 1934 em um
trabalho pioneiro, mas somente em 1948 recebe o status de lei, depois de
sintetizadas. O enunciado da lei diz que “se os periódicos forem
ordenados em ordem de produtividade decrescente de artigos sobre um
determinado assunto, poderão ser distribuídos num núcleo de periódicos mais
particularmente devotados a esse assunto e em diversos grupos ou zonas
contendo o mesmo número de artigos que o núcleo, sempre que o número de
periódicos e das zonas sucessivas for igual a 1:n:n2.” (Pinheiro,
1983). A Figura 1 ilustra a fórmula gráfica original da lei de Bradford:
Figura 1 – Lei de Bradford

Fonte:
Pinheiro (1983)
onde:
Zona A: corresponde à concentração;
Zona B: produtividade média e é a componente de Zipf;
Zona C: compreende os periódicos de baixa produtividade - de dispersão e
queda de Groos. (PINHEIRO, 1982; 1983)
A Lei de Lotka, de 1926, é também conhecida como Lei do Quadrado Inverso
devido a sua premissa: o número de autores que tenham publicado exatamente
(n) trabalhos é inversamente proporcional a (n²). Maltrás
Barba (2003) utiliza exemplo dado por
Derek J. de
Solla Price, afirmando que a que a cada 100 autores com um trabalho
somente, haverá 25 autores com 2 trabalhos, 11 autores com 3 trabalhos e
assim sucessivamente.
A Lei de Lotka pode também pode ser vista com uma função de probabilidade da
produtividade. Quanto mais se publica, mais parece que se facilita publicar
um novo trabalho e os pesquisadores que publicam resultados mais
interessantes ganham mais reconhecimento e acesso a recursos para melhorar
sua pesquisa. (Maltrás Barba, 2003). O Efeito Mateus,
sobre o qual Merton (1968) diz que “aos que mais têm
será dado em abundância e, aos que menos têm, até o que têm lhes será
tirado” é aplicável a estas afirmações.
A Lei de Zipf é também conhecida como Lei do Menor Esforço e incide na
medição de frequência do aparecimento das palavras em vários textos. Assim,
é gerada uma lista ordenada de termos de uma determinada disciplina ou
assunto. (Vanti, 2002). Meadows (1999)
diz que as palavras mais citadas são também as mais curtas, sendo as mais
longas difíceis de absorver. O autor utiliza o exemplo do termo
DNA, amplamente empregado em textos científicos,
contra o termo ácido desoxirribonucléico. Assim, é poupado esforço no
momento da leitura na qual é a todo o instante é citado o composto. A Lei de
Zipf divide-se em (Guedes; Borschiver, 2005):
a) Primeira Lei de Zipf: a primeira lei diz que o produto da ordem de série de uma palavra multiplicado pela freqüência de ocorrência era aproximadamente constate. Representada pela fórmula: r . f = c, onde: r = produto; f= freqüência; c = constante.
b) Segunda Lei de Zipf: a segunda lei diz que “enuncia que, em um determinado texto, várias palavras de baixa freqüência de ocorrência (alta ordem de série) têm a mesma freqüência” (Guedes; Borschiver, 2005, p. 6). Esta lei foi modificada em 1967 por Booth, que a representou matematicamente através da fórmula apresentada na equação 1:
Para finalizar o item com a breve descrição das três leis, é apresentada figura adaptada com a ligação entre estas e os focos de estudo de cada uma:
Figura 2 – Leis Bibliométricas

Fonte: adaptação de
Guedes e Borschiver (2005).
Outros Estudos Relacionados à Bibliometria
Além das utilizações já citadas, a bibliometria engloba uma série de
estudos. Os estudos bibliométricos são utilizados em diversas áreas do
conhecimento, em especial para obter indicadores de produção científica.
Este item do artigo pretende apontar os principais estudos e descrevê-los
brevemente, baseado no quadro apresentado por Guedes e
Borschiver (2005). O foco de estudo de todos os itens listados são as
citações, exceto a Lei dos 80/20, que foca a demanda de informação e a
principal aplicação é a composição, a ampliação e a redução de acervos:
a) Colégios invisíveis: identifica a elite de pesquisadores em determinada área do conhecimento é a principal aplicação deste tipo de estudo bibliométrico;
b) Fator de imediatismo ou de impacto: estima o grau de relevância de artigos, cientistas e periódicos científicos;
c) Acoplamento bibliográfico e co-citação: estima o grau de ligação entre dois ou mais artigos;
d) Obsolescência da literatura e vida-média: estima o declínio da literatura científica;
e) Vida média: estimar a vida-média de uma unidade da literatura ;
f) Lei do elitismo: estima o tamanho da elite de determinada população de autores;
g) Teoria epidêmica de Goffman: estima a razão de crescimento e declínio de determinada área do conhecimento;
h) Frente de Pesquisa: identifica um padrão de relação múltipla entre autores que se citam.
Como dito anteriormente, os estudos bibliométricos não são exclusivos de uma
única área do conhecimento. Os estudos existentes sobre citações são
inúmeros e com o advento da informática e dos documentos eletrônicos, novos
interesses e maneiras de aplicação da bibliometria surgiram, ampliando ainda
mais a gama de possibilidades já disponíveis.
Periódico Científico
Os periódicos científicos são o meio de divulgação do conhecimento que tem
credibilidade e a divulgação menos demorada em comparação a um livro.
Portanto, observa-se a grande procura dos cientistas em divulgar o resultado
através das revistas. Periódicos ou revistas científicas são publicações
seriadas, independente do suporte, nas quais vários autores, sob coordenação
de um ou mais editores, publicam o resultado de suas pesquisas (Fachin;
Hillesheim, 2006).
As revistas possuem características próprias que os diferencia das demais
formas de comunicação científica formal. São publicados de maneira
continuada, sem previsão de término. As edições são numeradas normalmente
por volume, número e ano ou estação e ano, entre outras formas de
apresentação. Em cada edição há textos selecionados pelos editores conforme
a temática do número e após passarem pelo processo editorial. A
periodicidade de cada título é diversa, podendo ser desde anual a mensal e
mesmo semanal, dependendo da área do conhecimento e dos objetivos do
periódico.
Periódico científico eletrônico
Por documento eletrônico entende-se o disponibilizado em formato digital,
seja na Web ou em mídias eletrônicas. Periódicos eletrônicos são as edições
de uma revista na Internet.As publicações eletrônicas são importantes para o
desenvolvimento da ciência e estão consolidados. Os periódicos eletrônicos
são cada vez mais utilizados e respeitados pelos pesquisadores, embora
inicialmente fossem utilizados apenas como uma alternativa aos periódicos
impressos. Os benefícios desse tipo de publicação são, entre outros, os
recursos que muitos sites e portais de periódicos oferecem na busca e
recuperação da informação, o formato e as facilidades para leitura,
download, armazenamento e impressão do arquivo.
O acesso eletrônico às publicações aumenta o número de leitores e a rapidez
no fornecimento da informação. Armazenar arquivos em meio eletrônico implica
em custos com recursos materiais e humanos: equipamentos (computadores,
scanner, mobiliário), equipe de editores, treinamentos, manutenção da
página e servidores que armazenam os arquivos referentes à publicação. Os
custos diminuem para aquelas revistas que não fornecem mais o formato
impresso, todavia há autores e leitores que preferem ler os fascículos
impressos. Certamente, há desvantagens e resistência por uma pequena fatia
da comunidade científica, todavia neste artigo preferiu-se apresentar
preferencialmente as vantagens e benefícios. Para discutir todas as faces
das publicações eletrônicas, faz-se necessário trabalho mais aprofundado
sobre a temática.
As revistas editadas na Universidade do Rio Grande do Sul
(UFRGS) há exemplos de periódicos on-line somente, impressos e nos
dois formatos, as revistas híbridas. Normalmente às publicações recebem
apoio financeiro, podendo citar entre os mais utilizados a Pró-Reitoria de
Pesquisa da UFRGS e o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sobre
o aumento de utilização e aceitação das revistas em formato eletrônico,
pode-se citar nota sobre a utilização do Portal de Periódicos da
CAPES: a UFRGS está entre os
maiores usuários do Brasil (Capes, 2008).
O processo editorial um é similar ou idêntica a dos periódicos impressos.
Apresenta o editor, conselho editorial, revisão por pares. Nesse aspecto não
apresentam diferenças do formato impresso, pois a maioria delas possui os
mesmos critérios rigorosos para aceitação das submissões. O andamento da
publicação é agilizado com a eliminação das etapas de impressão e
distribuição no formato on-line, porém a avaliação por pares utiliza o mesmo
período de tempo para sua concretização. Os atrasos de tempo se devem na
maioria das vezes quando há intervenção humana, como na edição e revisão (King;
Tenopir, 1998).
Avaliação de Periódicos
Quando Eugene Garfield
publicou, em 1955, um novo modelo de classificação, não poderia imaginar
todos os usos que fariam deste. Este modelo era baseado não mais na
classificação de assuntos, mas sim na contagem de citações. Em
1972, onze anos após a publicação da primeira edição
do Science Citation Index (SCI), Garfield apresenta como a SIC
poderia ser utilizada para avaliar revistas: as coleções de revistas
poderiam ser avaliadas com base em frequência de citação (Davis,
2009). Além disso, o Science Citation Index SCI
promoveu o fortalecimento da bibliometria como ciência, de acordo com
Thewall (2008) é coerente com a Lei de Bradford, uma vez
que o princípio da dispersão está presente.
A Lei de Bradford trata sobre a produtividade dos periódicos e permite fazer
a estimativa do grau de relevância de revistas em uma determinada área do
saber. Verifica-se que os periódicos que produzem o maior número de artigos
sobre um assunto formam um núcleo de maior qualidade ou relevância para
aquela área, hipoteticamente (Araújo, 2006). As outras
leis, de Lotka e Zipf contribuem na avaliação de periódicos tendo em vista
que todas estas se relacionam, como foi possível observar na
Figura 2. A Lei de Bradford tem liga diretamente à Zipf, enquanto a Lei
de Lotka se relaciona com ambas as anteriores.
Atualmente, a Science Citation Index , após sua venda, tornou-se a
base de dados Thomson Scientific. Thewall cita outros importantes
indexadores, como o Google Acadêmico e o Scopus, da Elsevier e os aponta
como concorrentes do Institute for Scientic Information. O autor
também fala sobre a evolução desta ferramenta, em especial com as novas
tecnologias.
No Brasil, diversos estudos construíram os indicadores sobre a produtividade
dos periódicos. Não importando a área do conhecimento, estes estudos
avaliaram determinados títulos e verificaram os indicadores bibliométricos
de autores, apontando a tendência dos artigos publicados. Retornando às leis
bibliométricas, é possível verificar a aplicação destas nas análises
realizadas. A pesquisa pode ocorrer em um título único ou em um grupo de
periódicos, de acordo com Urbizagástegui Alvarado (2006).
Finalizando
Como pôde ser observado ao longo do texto, a bibliometria, através da
análise de citações, pode ser uma importante ferramenta para a avaliação de
periódicos científicos. Como todo o método de avaliação, possui suas
vantagens e desvantagens e por isso não possui unanimidade na sua aprovação.
A bibliometria é indiscutivelmente uma ferramenta indispensável para o
conhecimento de determinadas comunidades científicas, identifica
comportamentos e também a qualidade das publicações.
A avaliação de periódicos nacionais pelas bases de dados internacionais são
duramente criticadas em várias áreas do conhecimento, tendo em vista que as
revistas no Brasil possuem pouca representatividade nestas e as poucas
indexadas geralmente são da área das Ciências Médicas. Embora tenha sido
notado crescimento do número de revistas indexadas e noticiados aumento da
produção científica no país, as críticas recebidas são justamente pelo fato
de não serem dados concretos: o que aumentou não foi o número de artigos
publicados, mas sim o número de periódicos indexados. Todavia, é fator
positivo para o avanço da ciência no Brasil possuir um maior número de
periódicos indexados em bases como a
Web of Science.
Para a realidade brasileira, o QUALIS da
CAPES e o formato de avaliação por estratos é a melhor
maneira de analisar a qualidade na revista para a qual se pretende publicar
e publicar em revistas nacionais, embora mal visto por alguns cientistas –
em especial pela área das ciências “duras”, mas é uma discussão que
não é o objetivo deste artigo – valoriza nossos pesquisadores e traz
visibilidade e credibilidade para estes, pois serão respeitados pelos seus
pares, terão seus trabalhos citados e o reconhecimento surgirá,
transcendendo as barreiras geográficas. E, como afirmou
Maltrás Borba (2003), quanto mais se publica, mais fácil é de se
publicar novamente. Assim, começando a publicar em periódicos bem avaliados
nacionalmente, possivelmente a publicação para revistas indexadas em bases
internacionais (sejam elas nacionais ou estrangeiras) será um avanço
gradual para o cientista.
Notas:
[1] PRITCHARD, A. Statistical bibliography or
bibliometrics? Journal of Documentation, [s. l.], v. 25, n.4, p. 348-349,
dec. 1969.
[2] FIGUEIREDO, Nice. Tópicos modernos em Bibliometria. Brasília: Associação
dos Bibliotecários do Distrito Federal, 1977.
[3] WEINSTOCK, Melvin. Citation Índex. In: KENT, Allen; LANCOR, Harold
(Ed.). Encyclipedia of library and information science. New York: M. Dekker,
1977.
[4] MAIA, Maria José da Fonseca. A unicidade da lei de Bradford. 1980.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Curso de Pós-Graduação em
Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 1980 .
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enfermagem. Informação e Sociedade, João Pessoa, v.16, n.1, p.63-78,
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Sobre os autor / About the Author:
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCOM/UFRGS). Bibliotecária da Faculdade de Educação/UFRGS.