Resumo: O rápido desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação vem acarretando importantes impactos na educação. Este estudo indica o importante papel da monitoria eletrônica no ensino nas universidades, fornecendo material de apoio às disciplinas presenciais, por meio de sistemas de hipertextos, adequadamente estruturados e organizados para esse fim. Aponta a necessidade de se estimular o uso desse instrumento para a complementação da formação acadêmica do aluno de graduação, proporcionando a construção de competências informacionais, essenciais ao profissional da informação. Expõe a relevância de mais esse canal de interação aluno-professor-conteúdo, que utiliza a tecnologia em prol de uma maior cooperação e reutilização de conteúdos. Apresenta como exemplo a ferramenta utilizada para esse tipo de monitoria, o sistema de gerenciamento de conteúdos Moodle - Modular Object-Oriented Dynamic Learning, um software especialmente criado para ambientes educacionais, com princípios baseados no construtivismo de Piaget, mostrando suas principais características.
Palavras-chave:
Monitoria eletrônica; Hipertexto; Moodle; Gerenciador de conteúdo; CMS;
Profissional da informação.
Abstract:The rapid development of information and
communication technology has been causing major impacts on education. This
study indicates the important role of electronic monitoring in the
universities. In such a way, it provides support material to the classroom
use, through hypertext systems, appropriately structured and organized for
that purpose. It points to the need to encourage the use of this instrument
to complement the academic training of undergraduate students, who will have
the assignments that build information competence, essential to the
information professional. It also exposes the relevance of this tool of
information interaction between student-teacher-content, and uses technology
to promote a greater cooperation and reuse of content. Further, it displays,
as an example, the tool used for this type of monitoring, the content
management system Moodle - Modular Object-Oriented Dynamic Learning, a
software specially designed for educational environments, with principles
based on Piaget's constructivism, showing its main features.
Keywords:
Electronic monitoring; Hypertext; Moodle; Contents management; CMS;
Information professionals.
Introdução
1
Antes de ser inscrita uma informação, um ser pensante a cria na mente, na
mais absoluta privacidade. Com a ajuda de um sistema de signos, o homem
pensante é capaz de revelar essa informação a outras pessoas, passando-a da
condição privada para a coletiva. Depois de organizadas, essas informações
referenciam o homem a seu destino, começando pelo seu nascimento, indo, ao
longo de sua existência, capacitando-o a se relacionar com as memórias do
passado e estabelecendo perspectivas de futuro. A informação tem essa
condição de harmonizar o mundo, sendo agente modificador da consciência do
homem. Todo esse conhecimento organizado precisa de um espaço, físico ou
virtual, para que possa ser recuperado por quem dele necessite.
A informação vem sendo considerada por muitos como o produto de maior
consumo no século XXI, elemento chave para todos os
segmentos da sociedade, pois é um instrumento de transformação da realidade
daqueles que a usam com competência.Para o deslocamento e a transmutação das
informações, é necessário que se utilizem ferramentas de organização e
controle, de catalogação, classificação, indexação, redação de resumos e de
tradução. Isso irá torná-las disponíveis ao uso e à assimilação, num
processo de reconstrução de uma estrutura progressivamente melhorada. Dessa
forma, a comunicação efetiva entre emissor e receptor gerará conhecimento,
causando o desenvolvimento do saber do indivíduo e da coletividade, e
promovendo sua liberdade, seu poder de decidir a vida, trazendo benefícios
para a sociedade como um todo.
As ferramentas de organização e controle, referidas anteriormente, são um
conjunto de métodos, metodologias e técnicas, que têm, norteando a sua
prática, o intuito de transformar dados em informações padronizadas de
relevância e propósito, que sirvam à tomada de decisões do usuário final.
Como processo, tal conjunto é um recurso estratégico que visa a
transferência de conhecimentos entre indivíduos e/ou organizações.
Atualmente, o rápido desenvolvimento das tecnologias de informação e de
comunicação produz substanciais impactos nas mais diversificadas áreas de
atuação do ser humano. Nas universidades, a possibilidade de uso dessas
tecnologias no apoio à educação tem impulsionado as investigações acerca da
efetividade delas como instrumento de ensino.
Muito se ouve falar em Educação a Distância, e no Brasil ela é regulamentada
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9194, de 20 de
dezembro de 1996). Para credenciar os cursos de Educação a Distância, o
Ministério da Educação exige que sejam seguidos os mesmos critérios
aplicados para cursos presenciais. Muitas são as exigências para a
implementação de cursos a distância e há questões ainda não respondidas em
relação às transformações que a introdução desses cursos trará.
Este artigo tem por objetivo indicar a importância da monitoria eletrônica e
do hipertexto como coadjuvantes nas aulas presenciais dos cursos de
graduação, principalmente para os profissionais da informação. O uso dessas
ferramentas pode ser interessante ao promoverem o uso de tecnologias no meio
acadêmico, auxiliando os professores na disponibilização do material
didático, como por exemplo, cronogramas, bibliografia, exercícios e aulas
com projeção de multimídia. A implantação do serviço de monitoria eletrônica
pode também gerar, nos futuros profissionais, competências informacionais,
uma vez que terão a possibilidade de interagir com as informações
disponibilizadas. O serviço é geralmente oferecido por meio de software de
gerenciamento de conteúdo, muitos deles gratuitos, chamados
Content
Management Systems. Essas ferramentas permitem criar um ambiente de
apoio ao processo ensino-aprendizagem e uma real interação aluno-professor,
permitindo o gerenciamento dos conteúdos das disciplinas através da produção
de hiperdocumentos.
O Papel da Monitoria Eletrônica e do Hipertexto no Ensino
A partir das diversas opções tecnológicas existentes, um professor possui
condições de introduzir novos métodos de ensino e trabalhar com seus alunos
em ambiente virtual, além do presencial. É importante que os recursos
informacionais e tecnológicos oferecidos pela instituição à qual pertença o
docente sejam utilizados para proporcionar ao discente melhor capacitação.
Com isso, o aluno estará mais preparado para enfrentar o competitivo mercado
de trabalho e promoverá o desenvolvimento de habilidades importantes. Esse
aluno estará solidificando o aprendizado teórico ao enfrentar, na prática,
as situações de uso de informação.
A monitoria eletrônica pode ser uma forma viável para o ensino-aprendizado
nas universidades, uma vez que tem por objetivo enfatizar a cooperação entre
docentes e discentes, com o apoio de tecnologia, num ambiente de
interatividade no qual se torna possível a reutilização de conteúdos. Essa
disponibilização será facilitada pelas novas tecnologias que permitem
desenvolver sistemas de hipertextos organizados e modelados para fins
didáticos.
O princípio de ligação que caracteriza o hipertexto pode ser associado à
proposta de Vannevar Bush, de uma biblioteca para armazenar o conhecimento
acadêmico registrado, cujo conteúdo pudesse ser acessado de forma
hipertextual: o Memex. Esse autor afirmava que a mente humana não funciona
de forma hierárquica e que o homem faz constante associação das informações
recebidas com sua experiência anterior. Quando um novo dado é oferecido ao
leitor, é natural que abandone a questão anterior e siga a direção
determinada pela associação de ideias que acontece em sua mente, formando um
caminho tortuoso e irregular.
O termo hipertexto teve origem na década de sessenta e foi cunhado por
Theodor Nelson (1999), com o
Projeto Xanadu, que propunha a construção de um
software capaz de criar, hospedar e gerir um banco de dados hipertextuais.
Esse trabalho foi apresentado na Conferência Nacional da Association for
Computing Machinery, nos Estados Unidos, em 1966 (Fachinetto, 2005).
Segundo Lévy (1993), o hipertexto é composto de nós (palavras, páginas, sons
etc.) ligados por conexões (links), e esses nós, por sua vez, podem ser
também hipertextos. Lévy (1993, p.25) estipula seis princípios para a
criação de uma rede de hipertexto:
1. princípio da metamorfose: nada é constante, o conhecimento exige sempre a re-construção pela interação dos atores envolvidos;
2. princípio da heterogeneidade: são diversos os materiais utilizados nos ‘nós’ e conexões, unificando todo tipo de associação imaginável;
3. princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas: cada ‘nó’ pode ser composto de uma grande rede, sucessivamente, e a interpretação de um único ponto (micro-rede) pode representar uma mudança significativa na vida de milhões de pessoas (macro-rede);
4. princípio de exterioridade: os elementos e conexões na rede hipertextual impedem a noção de interior, uma vez que o que faz parte do texto também está fora dele. A fronteira entre interior e exterior não está nitidamente delimitada, estabelecendo-se fronteiras móveis, apenas com finalidades operacionais;
5. princípio de topologia: as redes são construídas a partir de proximidade semântica, criando o que Lévy chama de “ecologia cognitiva”, que são ligações que fazem sentido naquele contexto;
6. princípio de mobilidade dos centros: cada ‘nó’ pode ser considerado um centro, pois é uma ramificação de infinitos outros centros, ampliando o conhecimento.
Esses seis princípios devem nortear a concepção de um hipertexto e podem conduzir-nos a uma noção de rede criada pelo hiperdocumento. Além disso, para Marchionini (1994) o hiperdocumento deve ter seus nós indexados para possibilitar acesso ao conteúdo. Esse autor sugere oito regras para a criação de hipertexto:
1) identificação das facetas mais relevantes;
2) lista exaustiva de termos e frases;
3) mapeamento e revisão de termos para facetas;
4) criação de termos preferidos;
5) introdução de nós de informação, com remissivas para outros;
6) revisão do conjunto de nós de acordo com os critérios tais como gramaticais ou de estilo;
7) manutenção do sistema de hipertexto atualizado e revisado; e
8) edição e teste do hiperdocumento final.
A American Association of School Librarians, uma divisão da American Library Association, emitiu, em 1998, um documento intitulado “Information literacy: a position paper on Information problem solving”. Esse documento concluiu que “para estarem preparados para um futuro caracterizado pela mudança, os estudantes devem aprender a pensar de uma forma racional e criativa, a resolver problemas, a gerir e a recuperar informação e a comunicá-la eficazmente”.
O hipertexto pode ser o instrumento que possibilita a construção de redes de
relações, que impulsionam a criação de conhecimento. Para Lima (2007), a
mente possui a função de interpretar as informações recebidas, gerando
conhecimento, e isso é mais fácil quando as informações estão no formato
gráfico. O texto não linear, característico do hipertexto e do pensamento
humano, oferece aos usuários vantagens sobre o modo de apresentação
impresso, pois as informações são arranjadas de forma a se adequarem às
necessidades individuais dos usuários. Toda a informação pode ser organizada
de forma profissional e cada aluno terá à sua disposição todo o conteúdo
necessário para a sua aprendizagem. Esse conteúdo poderá ser acessado de
diversificadas formas, adequando-se assim ao aluno, e não o contrário. Além
disso, o meio eletrônico de armazenamento suporta grande quantidade de
informações, sem a necessidade de suporte físico, melhorando a visualização
de todo o conteúdo. Ao ter liberdade na navegação pelos nós e links, cada
aluno pode criar a própria identidade de aprendizagem.
As técnicas de modelagem conceitual, que consistem em identificar conceitos
e atributos que mais representem o conteúdo proposto, possibilitando ao
sistema agrupá-los de forma correta, e a arquitetura da informação, que
compreende a representação, o agrupamento e as associações das informações,
por meio do software utilizado para a disponibilização do conteúdo, serão o
pilar da estruturação do hiperdocumento.
A modelagem prévia do conhecimento se torna, então, intrinsecamente
necessária: “a representação do conhecimento e a estruturação por parte do
professor é de grande importância para o processo cognitivo” (Chaiben,
[1995]). Será o professor que estruturará o conhecimento criando uma rede
semântica capaz de induzir o aluno a estabelecer melhores formas de
aprendizado, o que possibilitará atingir os objetivos propostos pela
disciplina.
O papel da monitoria eletrônica nas universidades é manter o ensino
integrado às mais recentes mídias disponíveis para que o profissional possa
se adequar a um mercado competitivo. É necessário que o aluno aprenda a
administrar seu tempo, pois ele terá disponibilizado o conteúdo da
disciplina, incluindo as tarefas a serem realizadas durante o semestre, bem
como os livros adotados, a sequencia dos textos para leitura, e de material
adicional necessário para as aulas expositivas.Estar familiarizado com as
ferramentas tecnológicas é indispensável para todo profissional, pois o
desenvolvimento em todas as áreas está atrelado ao uso de soluções
inovadoras, e o mercado procura profissionais que atendam a esse perfil.
O Profissional da Informação
O profissional da informação pode ser um arquivista, bibliotecário,
documentalista, gestor da informação ou museólogo. Apesar de apresentarem
algumas especificidades em relação às suas atividades e instituições, todos
têm em comum o objetivo de disponibilizar a informação a seus
clientes/usuários. Pode-se considerar que arquivistas e bibliotecários são
os mais tradicionais profissionais da informação. Há diferenças
metodológicas de tratamento documental nas diversas disciplinas da Ciência
da Informação, sobretudo entre a Arquivologia e a Biblioteconomia. A
diferença mais marcante parece ser que a informação, na biblioteconomia, tem
sua ênfase na saída do sistema e na arquivística a ênfase está na geração da
informação. Na arquivística, de forma simplista, pode-se dizer que a
instituição gera documentos através de suas diversas atividades, as quais
são mantidos para servirem de prova ou testemunho legal. Na biblioteconomia,
o que importa é o conteúdo dos documentos e se esse teor trará a satisfação
das necessidades dos usuários da instituição em questão.
Entretanto, muitos conceitos próprios da Biblioteconomia e da Arquivologia
são convergentes e não implicam na substituição, ou fusão, dos dois cursos,
como fica explicitado nas palavras de Matos e Cunha (2003), quando falam da
declaração da United Nations Educational, Scientific and Cultural
Organization, UNESCO sobre os conteúdos em comum na formação de arquivistas
e bibliotecários: "Logo, segundo a Unesco, muitos indícios apontam no
sentido de que há um núcleo comum de interesse, que permite uma convergência
de conteúdos básicos para a formação profissional. Não se trata, contudo, de
uma proposta para absorção dos diferentes cursos ou de uma profissão pela
outra, mas sim a identificação de pontos comuns permitindo o diálogo e
aproximação das profissões” (Matos; Cunha, p.168).
Arquivos e bibliotecas atuam em: 1) gestão da memória; 2) produção de
informação documentária, tais como bases de dados e catálogos; e 3) mediação
da informação. Ambas fazem a gestão da memória quando definem o que será
estocado ou descartado. Também produzem e mediam a informação quando
organizam o estoque informacional para que seja utilizado por seus usuários,
satisfazendo às suas necessidades. A Arquivologia e a Biblioteconomia têm na
informação o objeto tratado e, além disso, as duas profissões, atualmente,
lidam com as mudanças de suporte informacional, que aos poucos deixa de ser
físico para ser digital. Esses profissionais necessitam apreender
conhecimentos relativos ao uso da tecnologia para melhor desempenharem suas
atividades.
Essa preocupação não é recente e está presente no
Livro
Verde, que é um documento lançado em 2000. Esse documento contém uma
proposta de implantação do
Programa
Sociedade da Informação (SocInfo), instituído pelo Governo, com o
objetivo de integrar, coordenar e fomentar ações para a utilização de
tecnologias de informação e comunicação:
“Educar em uma sociedade da informação significa muito mais que treinar as pessoas para o uso das tecnologias de informação e comunicação: trata-se de investir na criação de competências suficientemente amplas que lhes permitam [...] bem como aplicar criativamente as novas mídias, seja em usos simples e rotineiros, seja em aplicações mais sofisticadas. Trata-se também de formar indivíduos para ‘aprender a aprender’, de modo a serem capazes de lidar positivamente com a contínua e acelerada transformação da base tecnológica” (Takahashi, 2000, p.45).
A formação de profissionais da informação deve contribuir para o reconhecimento de que a informação precisa e completa é uma das bases para uma tomada de decisão, para a formulação de questões baseadas nas necessidades específicas de informação, para o desenvolvimento de estratégias de procura de informação, para a organização da informação de forma a que esta seja facilmente encontrada e para a integração do conhecimento retirado da informação recolhida em corpos de novos conhecimentos.
Para cumprir o objetivo primordial de disponibilizar a informação, o
profissional da informação deverá estar atento às evoluções tecnológicas e
desenvolver competências informacionais durante sua formação. A competência
informacional permite que os indivíduos estabeleçam relações por meio de uma
reflexão crítica, da capacidade de avaliar e transformar as informações em
conhecimento e, dessa forma, possa ser valorizado pelo que pensa e não pelo
que produz. O foco deixa de ser a informação em si, mas o conhecimento que
ela gera. Ter competência informacional é possuir flexibilidade para assumir
diversos papéis, ou seja, é o: “ desenvolvimento das capacidades
motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção social, buscando
interiorizar comportamentos, assimilando conteúdos factuais e conceituais
(conhecimentos), procedimentais (habilidades) e atitudinais (valores).
Somente a partir desse trinômio – conhecimentos, habilidades e valores – é
possível realizar uma educação em sua verdadeira acepção” (Dudziak;
Gabriel; Villela, 2003, p.7).
A complexidade do mundo informacional exige que o profissional da informação
tenha uma formação que privilegie esse trinômio, no qual o fator de
desenvolvimento de competências tecnológicas tem papel central. As
universidades, os professores e outros envolvidos na educação de
profissionais da informação devem se empenhar para que isso seja possível.
A monitoria eletrônica pode ser um caminho, uma vez que ao oferecer esse
serviço, os monitores e professores irão elaborar e permitir a criação de
documentos hipertextuais. Nesse processo irão estar presentes aspectos
cognitivos que possibilitam a construção de redes de relações, que
impulsionam a criação de conhecimento. A representação do conhecimento será
uma rede semântica que propiciará um ambiente de aprendizado capaz de
melhorar o processo cognitivo do aluno.
Desta forma, o serviço de monitoria constitui-se em um sistema de
aprendizagem colaborativa que coloca à disposição dos discentes os conteúdos
das disciplinas em ambiente virtual, o que acarretará o desenvolvimento de
competências informacionais.O serviço de monitoria pode ser implementado com
o uso de softwares de gestão de conteúdo, que facilitam o tratamento e a
disponibilização da informação, uma vez que permitem que as informações
sejam armazenadas, organizadas, disponibilizadas e recuperadas facilmente.
Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo
O termo “Sistema de Gerenciamento de Conteúdo” é tradução do inglês
Content Managment System, e recebe essa nomenclatura porque integra
todos os instrumentos necessários para implementar e gerir websites,
portais ou intranets, sejam eles comerciais ou institucionais. Atualmente,
os sistemas de gerenciamento de conteúdo permitem uma grande facilidade de
interação entre produtores e usuários de informação, pois uma de suas
vantagens é permitir alterações de conteúdo, com agilidade e de forma
segura, a partir de qualquer computador conectado à internet. Esses sistemas
são ferramentas que otimizam os processos de criação, personalização,
catalogação, indexação, controle de acesso, de segurança e de
disponibilização de conteúdos na web. Antigamente isso era impossível, pois
existiam na Internet somente páginas estáticas, o que impedia a troca de
informações entre as instituições e seus clientes/usuários ou entre as
pessoas em geral. O avanço tecnológico, associado às teorias contemporâneas
de aprendizagem, provocou alterações no processo de ensino e no modo como o
professor conduz o processo de aprendizagem.
Segundo Krämer (2001), as tecnologias de informação, e, portanto, os
gerenciadores de conteúdo, podem sustentar a reconstrução educacional ao
oferecer a possibilidade de apresentar materiais de aprendizagem em diversos
tipos de mídias, tais como textos, gráficos, sons, imagens, vídeos e
simulações. Também oferecem sincronização entre essas mídias, que
exemplificam a sequencia dos processos mais complexos, que podem ser
visualizados por meio de animações e comentários. Eles permitem a construção
de aplicações com conceitos hipermídia, com movimentação livre, isto é, com
mecanismos de pesquisa e de navegação que ajudam o estudante a mover-se
livremente em busca de informações, seguindo seu estilo pessoal e seus
interesses específicos. Além disso, o software oferece diferentes
ferramentas para que as sequencias de operações e os caminhos de aprendizado
preferidos dos alunos possam ser gravados, avaliados e reativados, se e
quando necessário. O estudante pode ainda adicionar suas próprias
referências estruturais e suas notas pessoais nos materiais dos cursos.
Um dos softwares livres conhecidos para gerenciamento de conteúdos é o
Modular Object-Oriented Dynamic Learning, Moodle, mais
especificamente conhecido como Sistema de Gerenciamento de Cursos,
especialmente desenvolvido para ambiente educacional on-line. Martin Dougiamas foi quem iniciou, em 1999, o desenvolvimento desse software sob a
forma de uma comunidade virtual, cuja base filosófica de aprendizagem
aplicada é chamada de Pedagogia Social Construtivista. Essa filosofia,
segundo Pulino Filho (2004), foi desenvolvida por
Seymour Papert, um
psicólogo trabalhando num Laboratório de Inteligência Artificial. Papert
adaptou os princípios do Construtivismo Cognitivo de Piaget, elaborando um
conjunto de premissas a serem aplicadas à tecnologia de computadores, como
auxiliares no processo de construção do conhecimento.
Como discípulo de Sir Jean William Fritz Piaget, Papert aprofundou sua pesquisa e descobriu que a motivação do aprendizado consiste em aprender o novo fazendo alguma relação com nosso conhecimento prévio ou significativo naquele momento em nossas vidas. Como matemático, acreditou que a informática poderia ser um grande aliado na área educacional e criou a linguagem de programação Logo (Weiss; Cruz, 2001), que explora atividades espaciais, desenvolvendo conceitos numéricos e geométricos, que podem ser compreendidos e manipulados por pessoas leigas, também possuindo potencial para profissionais de programação. O ambiente Modular Object-Oriented Dynamic Learning permite disponibilizar diversificada gama de conteúdos informacionais, sejam de áudio, e-mails, vídeo ou documentos de variados tipos, além de permitir controle de notas e de atividades diárias.
Considerações Finais
O que se pretende, com o uso da monitoria eletrônica e dos princípios do
hipertexto, é contribuir para a criação de competência informacional que
pode ser sintetizada pelas etapas: definição de tarefas, estratégias de
pesquisa de informação, localização e acesso, utilização da informação,
síntese e avaliação (Story-Huffman, 2008). Parece ainda haver resistência
quanto ao uso da monitoria eletrônica nas universidades, mas pode ser um
caminho interessante a ser seguido. É preciso usar a tecnologia em prol de
um processo de ensino e aprendizagem mais eficiente e focados na prática do
profissional da informação. Apesar de existirem diversos softwares livres
que permitam oferecer esse serviço, essa ferramenta parece ainda ser
utilizada de forma tímida pelas universidades.
Criar um modelo capaz de obter resultados satisfatórios depende da ação
integrada entre professores, monitores e alunos. É preciso repensar a
aplicação da monitoria eletrônica e criar uma metodologia próxima do ensino
a distância. Com isso, existirá uma interação professor-monitor-aluno, e
essa troca efetiva só acontecerá se cada um dos atores envolvidos estiver
comprometido, na intenção da construção de conhecimento.
No tocante aos profissionais da informação, parece crível afirmar que a
Arquivologia e a Biblioteconomia têm muito em comum. Todos os esforços devem
ser aplicados na formação desses profissionais para que desenvolvam
competências informacionais. Para Matos e Cunha (2003, p.174):
“A análise das questões que envolvem a convergência entre a Arquivologia, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação se consolida no enfoque da formação profissional para a área. A formação acadêmica inclui os aspectos do objeto de estudo comum a essas disciplinas, aponta a pesquisa científica como forma de sedimentar e ampliar o conhecimento teórico, [e] revela a importância e diversidade dos espaços onde a informação é produzida, coletada, tratada e disseminada. Revela o arcabouço que constitui o desenvolvimento das profissões da área. Indica, de per si, as especificidades e interdisciplinaridade dos saberes específicos e convergentes.”
Não se deve deixar que a inclusão
digital presente na agenda do governo, da iniciativa privada e da sociedade
civil em geral seja meramente publicitária, uma questão de marketing. A
sociedade deve ser capaz de perceber que essa preocupação não pode ser
reduzida à disponibilização de equipamentos e a universidade,
principalmente, possui ambiente propício para tal discussão e para aplicação
de iniciativas que possam trazer soluções.
Nota:
[1] Apresentado no Congresso de Arquivologia em 2008
como: PEREIRA, F.; MACULAN, B. M. S.; LIMA, G. Â. B.
O. Monitoria eletrônica e hipertextos: relevância de sua aplicação no ensino
aos profissionais da informação. In: CONGRESSO NACIONAL DE
ARQUIVOLOGIA, 2008, Rio de Janeiro. Anais, Rio de Janeiro: CNA,
2008.
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Sobre o autor / About the Author
Bibliotecária pela UFMG e mestranda em Ciência da Informação.
Benildes Coura M. S. Maculan
Bibliotecária pela UFMG e mestranda em Ciência da Informação.
Gercina Angela Borém O. Lima
Doutora em Ciência da Informação da UFMG. Professora da Escola de Ciência da Informação da UFMG.