Resumo: No contexto da sociedade em rede são
discutidas funções sociais e delineados alguns perfis de
atuação para profissionais da informação. Dentre
as funções sociais delineadas estão as educativa e
a de mediação. A educativa relaciona-se à alfabetização
em informação e a segunda à animação
da inteligência coletiva. Dentre os papéis profissionais emergentes
são enumerados e brevemente discutidos os seguintes perfis: gestores
da informação; trabalhadores do conhecimento; gestores e
engenheiros do conhecimento; especialistas de informação.
Conclui-se que não há um perfil único para o profissional
da informação, que como um "soldado universal" atenderia
a todas as demandas de informação nas organizações
e na sociedade. Há papéis a serem preenchidos e demandas
específicas a serem atendidas por profissionais com os mais diversos
perfis, consagrados e emergentes, mas que têm como único objetivo
o trabalho com a informação e o conhecimento, agregando valor
à primeira e facilitando o acesso e transferindo informação
e o conhecimento para todos.
Palavras chave: Profissionais da informação,
Funções sociais, Perfis de profissionais da informação,
Inclusão digital, Gestão da informação, Gestão
do conhecimento
Abstract: In the context of the new communication
economy, that has the net as its icon, there are discussed social functions
and new profiles for the information professionals, including librarians.
Among the social functions put into discussion are the educational role
and the mediator's role. The first relates to the literacy in information
and the second to the role of cultural "animator" and collective intelligence
moderator in the society. Among the professional profiles, specially in
organizations, there are discussed briefly the following: information manager;
knowledge worker; knowledge manager and engineer; information specialists.
It is concluded that there is no such a thing as an unique information
professional profile, similar to an "universal soldier", who would attend
all the information and knowledge needs and demands in organizations and
society. There are roles to be fulfilled and specific demands for information
professionals with a variety of known and emerging profiles, but that have
as common objective - the work with information and knowledge, adding
value to the first and facilitating the access and transferring information
and knowledge for all.
Keywords: Information professionals, Social functions,
Information professional profiles, Digital inclusion, Information management,
Knowledge management
1. Introdução
Caracterizada como a sociedade centrada na informação e no conhecimento, a era pós-industrial é uma economia alicerçada e dependente da comunicação, em toda a extensão da palavra. As tecnologias da informação, em especial os chips de circuito integrado de computador e as redes de comunicação criaram um setor de uma economia que está transformando todos os outros setores. Uma infinita variedade de novos formatos e tamanhos de organizações sociais são possíveis e nesta sociedade uma vasta gama de profissões têm se desenvolvido e está para se desenvolver.
O símbolo da nova economia é a rede, que representa o arquétipo surgido para representar todos os circuitos, toda a inteligência, toda a interdependência, todas as coisas econômicas, sociais ou ecológicas, todas as comunicações, toda a democracia, todas as famílias, todos os grandes sistemas, quase tudo que achamos interessante ou importante. O objetivo final é conectar todos a tudo e a todos, até o dia em que for possível abranger todo o mundo feito pelo homem. E é nesse grande abraço que está o novo poder (Kelly, 1999).
As estratégias da economia alicerçada nas redes incluem:
Embora a ênfase nas estratégias acima seja nas tecnologias
da informação podemos interpretá-las também
para o contexto social.
A premissa é que a rede, a informação e o conhecimento devem ser acessíveis a todos, independentemente de raça, nacionalidade, gênero, local, ocupação ou status social. As tecnologias de informação e comunicação, devem estar voltadas para este fim e constituírem-se instrumentos para se alcançar um desenvolvimento verdadeiramente centrado no ser humano (UNESCO, 1996, p.9).
Por isto é preciso levar a informação à sociedade e ensiná-la a usar a informação, tanto no que diz respeito ao seu desenvolvimento econômico como para o seu desenvolvimento social e humano propriamente dito.
O primeiro ponto a ser abordado é a necessidade da sociedade de se adaptar às novas tecnologias para garantir seu crescimento econômico e social. Um fosso cada vez maior entre informação rica e informação pobre pode resultar em tensão social.
As estratégias necessárias para o novo desenvolvimento social, devem incluir:
O segundo ponto a abordar é discutir alguns perfis profissionais
que podem atuar na sociedade e em suas organizações. Dentre
as inúmeras possibilidades profissionais nessa sociedade, vamos
abordar algumas profissões que derivam das tecnologias e do poder
da informação e do conhecimento para as organizações,
e algumas funções que propiciam oportunidades e inclusão
sociais.
2. Funções Sociais
Em entrevista recente para a revista eletrônica Nova-e[1]
Pierre Lévy, coloca suas teses em relação ao que considera
a “inteligência coletiva contemporânea”.
Em sua visão a rede mundial de computadores traz em si o potencial
para a integração do pensamento humano. A rede permite o
desenvolvimento de vários aspectos da sociabilidade humana, compondo
um novo cenário de relacionamentos, por meio de redes de grupos
de discussão (newsgroups), salas de bate-papo virtual (chats),
fóruns de assuntos específicos, listas de contato para troca
de mensagens instantâneas em tempo real (com o software ICQ),
entre outros.
A “inteligência coletiva” é mais que um “grande cérebro virtual”, é a chance de ir além dos limites, a partir de um compartilhamento de saberes produzidos pela humanidade como um todo.
Considerando que não poderá haver sociedade da informação sem cultura informacional, e também presumindo que estar bem informado é essencial para se exercer os direitos de cidadão e que um dos determinantes da exclusão moderna é não estar bem informado (Demo, 1995), compartilhamos da posição de Lévy, quando este coloca que o maior problema da inclusão social não é a falta de computadores mas o analfabetismo.
Isto que chamamos sociedade da informação só
existirá quando houver para ela uma cultura correspondente.
A cultura informacional é mais que o conhecimento e a sensibilização
da sociedade para o uso da informação, ou ainda a habilidade
dos indivíduos ou grupos de fazer o melhor uso possível da
informação. É mais que o resultado mecânico
de uma simples acumulação de tecnologias, tem como componente
a “alfabetização em informação” (Menou, 1996),
e no caso das organizações a sua utilização
intensiva.
2.1 Alfabetização em informação
Educar a si próprios e educar aos outros para a sociedade
da informação, é um dos grandes desafios para o profissional
da informação e um passo importante para a formação
da cultura informacional na sociedade e, eventualmente, da inteligência
coletiva.
Permitir a todos o acesso a informação é crucial para o desenvolvimento individual e coletivo do cidadão, e o caminho a ser percorrido para capacitar o cidadão ao uso crítico da informação é uma tarefa que as escolas, as universidades e todos os tipos de bibliotecas, públicas, universitárias e outras, devem assumir. Preparar os cidadãos para a sociedade da informação constitui tarefa prioritária para o governo, as organizações e seus profissionais.
Um passo importante é a alfabetização em tecnologias da informação, e também a extensão à infoaprendizagem. A biblioteca do futuro, dentre outras atividades, deve propiciar a interface de treinamento entre o usuário e as ferramentas da meta-informação, e tornar-se ponto focal de uma comunidade (real e virtual) de conhecimento, centro cultural e ponto de referência para encontros de comunidades de cibernautas[2] (Allen & Retzlaff, 1998).
Alfabetização em informação é muito mais que um passo lógico na evolução da instrução e no manejo de bibliotecas e bibliografias. É muito mais que ensinar aos estudantes como usar a biblioteca. O objetivo da alfabetização em informação é criar aprendizes ao longo da vida, pessoas capazes de encontrar, avaliar e usar a informação eficazmente para resolver problemas ou tomar decisões. Uma pessoa alfabetizada em informação é aquela que reconhece a necessidade da informação; organiza-a para uma aplicação prática; integra a nova informação a um corpo de conhecimento existente; usa a informação para solução de problemas e aprende a aprender (Lenox, 1992).
A alfabetização em informação tem implícito em seu conceito outras alfabetizações como a visual, informática e multimídia. A info-alfabetização é uma parte importante da alfabetização em informação, mas a pessoa que sabe manejar software diversos, base de dados, navegar na rede, pode não ser uma pessoa alfabetizada em informação. Pensar e raciocinar são o núcleo da alfabetização em informação e por essa grande amplitude, segundo Shapiro (1996), deveria ser concebida como uma “nova arte”. Englobaria desde como usar o computador e acessar a informação até a reflexão crítica sobre a natureza da informação, sua infra-estrutura e seu impacto no contexto social e cultural.
Na preparação do cidadão para a sociedade da informação devemos destacar que os países em desenvolvimento enfrentam as maiores dificuldades, pois na medida em que não conseguiram ainda resolver os problemas de analfabetismo e desnutrição infantil, também não conseguiram criar, nos níveis mais desenvolvidos da sociedade, uma estrutura de acesso á informação cujo indicativo maior seja a formação de um público leitor e a formação de hábitos de utilização da informação. Portanto há um grande percentual da população que é excluída da sociedade da informação.
Para corrigir essa distorção os responsáveis pela sociedade da informação devem possibilitar a criação de bibliotecas escolares e públicas, com fortes vínculos comunitários possibilitando que a tradição da informação oral e utilitária possa se transformar, em curto espaço de tempo, em programas de criação e utilização da informação bibliográfica. Os países desenvolvidos já comprovaram que na medida em que existe o hábito de utilização da informação bibliográfica é muito mais fácil desenvolver habilidades para a alfabetização em informação.
2.2 Animadores e Mediadores de Inteligência Coletiva
Os bibliotecários e profissionais da informação
devem, assim como os professores, tornarem-se animadores da inteligência
coletiva dos cidadãos e dos estudantes, oferecendo ferramentas intelectuais
para que os indivíduos cooperem e produzam conhecimentos em grupo.
O fluxo da informação entre os estoque ou espaços de informação e os usuários é tarefa de profissionais que devem qualificar este acesso em termos das competências para assimilação da informação, como sendo uma condição, que deve ter o receptor da informação acessada; elaborar a informação para seu uso, seu desenvolvimento pessoal e dos seus espaços de convivência.
“Não é suficiente unicamente, que a mensagem esteja intencionalmente dirigida ao acesso, mas que a mensagem atinja as geografias semânticas do receptor, compatíveis com a sua compreensão e aceitação (Barreto, 2002, p.20)
O profissional da informação, para desempenhar seu papel de animador da inteligência coletiva, deve ser um mediador da informação. O que constatamos na atualidade, é que a inclusão digital está presente na agenda do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil. Ela não pode ser reduzida a disponibilização de equipamentos e conteúdos. É necessário que o profissional da informação atue como uma mediador entre o mundo digital e a capacidade real de entendimento do receptor da informação, garantindo a efetiva comunicação e a satisfação da necessidade informacional do usuário dessa tecnologia.
Uma sociedade baseada no uso intensivo de informação, na qual o indivíduo interage com pessoas e máquinas em um constante intercâmbio de dados e informação, produz simultaneamente fenômenos de maior inclusão e exclusão social. Segundo Reggine (1997), é inegável que as mudança tecnológicas sempre geram ganhadores e perdedores e que na atualidade, entre os últimos se encontram o cidadão comum, que não está preparado intelectual e socialmente para compreender e usar as ferramentas conceituais e práticas das novas tecnologias da informação e da comunicação.
A formação básica deverá ser capaz de dotar o conjunto de cidadãos com os instrumentos e as competências cognitivas necessárias para o desempenho de uma cidadania ativa. Mas que nunca a função essencial da educação é conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, de juízo, de sentimentos e imaginação que necessitam para que seus talentos alcancem a plenitude e possam ser artífices, dentro do possível, do seu próprio destino. Nesse mundo em que informação e conhecimento circulam através de meios tecnológicos cada vez mais sofisticados, o papel da escola deve ser definido pela sua capacidade de preparar para o uso ativo, consciente e crítico os meios que acumulam a informação e o conhecimento (Tedesco, 2000).
A rapidez com que avançam as tecnologias é maior que a
velocidade da aprendizagem social. Essa complexidade se traduz pelo fosso
existente entre os partícipes desse progresso e aqueles que dele
estão excluídos, podendo com isso reforçar as resistências
humanas naturais a sua implantação. Por tudo isso, é
fundamental o desenvolvimento das habilidades em informação,
missão tanto dos docentes como dos profissionais que intermediam
a informação. A melhora dessas habilidades têm relação
com outras competências como a compreensão da leitura, o pensamento
crítico, a solução de problemas, dentre outras. A
mediação da informação e a animação
da inteligência coletiva devem ser recursos fundamentais para acelerar
o processo de inclusão social e possibilitar o indivíduo
tornar-se um aprendiz independente ao longo da vida.
3. Perfis Emergentes
Neste segmento trataremos daquelas profissões que se utilizam e dependem das tecnologias da informação e das redes, mas que se preocupam em disponibilizar, criar e analisar informações e conhecimentos, em especial no contexto das organizações, com uma missão mais econômica que social.
3.1 Gestores da informação
Tradicionalmente gestores da informação que mantém
sistemas de informação, sistemas em apoio à decisão
e operações similares, no setor público ou privado,
nunca se viram como parte da mesma profissão que os bibliotecários[3],
arquivistas, ou cientistas da informação.
No entanto, onde antes havia uma clara diferença entre provisão de informação técnica e científica, em apoio às atividades de pesquisa e desenvolvimento (em uma biblioteca); informação de marketing em apoio às atividades de vendas (nos departamentos de vendas); e informação administrativa em apoio e suporte gerencial, todos as três atividades enumeradas, estão sendo vistas, de maneira crescente, como aspectos diferentes do mesmo problema – provisão de informação efetiva para os que necessitam dela (Feather, 1998, p. 201).
Na área de negócios, Mintzberg (1980) descreveu os papéis informacionais do gerente e vê o trabalho do gerente como um trabalho intensivo em informação.
Os muitos papéis do gerente não sintetizam, no entanto, todas as funções que exerce, por exemplo o CIO – Chief Information Officer, cujo perfil pode incluir conhecimentos de:
O papel do profissional Gestor da Informação é
o de ser:
3.2 Trabalhadores do conhecimento
Na perspectiva de autores (Drucker, 1993, 1994; Nonaka. & Takeuchi,
1995; Davenport, 1996), na sociedade do conhecimento a liderança
dos grupos sociais está nos trabalhadores do conhecimento – gestores
do conhecimento, profissionais do conhecimento e empregados (do conhecimento)
que compreendem como colocar a informação a serviço
da produção.
Os responsáveis pela estruturação de Sistemas de Gestão do Conhecimento (Sistemas KM), preocupam-se com a armazenagem, disseminação, exploração e re-uso da experiência e informação corporativa, com o propósito de sintetizar o conhecimento, individual e comum, em prol da melhoria das operações na organização.
Numa economia baseada na informação e no conhecimento o centro informacional e o profissional a informação devem fazer a transição de: centro de custo para centro de valor agregado; oferta de serviços para oferta de informações em resposta a necessidades específicas; provedores de informação para parceiros na geração do conhecimento (Rysk & Sebastian, 2000).
3.3 Gestores do conhecimento
Uma das denominações de mercado para o tipo de
profissional com ênfase em gestão do conhecimento é
a de CKO – Chief Knowledge Officer.
De acordo com Davenport (1996) o papel do CKO é o de usar tecnologia para capturar e distribuir conhecimento para a organização. Tem três responsabilidades críticas: criar a infra-estrutura para a gestão da informação; construir a cultura do conhecimento na organização; e fazer com que tudo dê certo.
Nonaka e Takeuchi (1995, p.156) falam em termos gerais do knowledge officer como aquele pertencente aos níveis hierárquicos mais altos da organização. O que é responsável pelo processo de criação do conhecimento em seu todo a nível corporativo.
Aqueles que desenvolvem estratégias de alto nível sobre gestão do conhecimento são chamados de knowledge management experts – especialistas em gestão do conhecimento.
3.4 Engenheiros do conhecimento
O termo engenheiro do conhecimento (Knowledge engineer) aparece
na literatura muitas vezes como sinônimo de gestor do conhecimento.
Brian Newman (1996) aponta que a diferença é que o gerente
estabelece a direção que um processo deve tomar, enquanto
que o engenheiro desenvolve os meios para executar esta diretiva. Enquanto
os gestores preocupam-se com as necessidades de conhecimento da empresa,
os engenheiros preocupam-se em buscar a melhor tecnologia para processar
e disponibilizar este conhecimento.
Na verdade, esta é uma profissão que tem a sua atuação definida no mercado há duas décadas, há bem mais tempo do que a dos gestores do conhecimento, está associada à inteligência artificial e a sistemas especialistas. Em seu início, a aquisição de conhecimento para o desenvolvimento de sistemas especialistas foi nomeada engenharia do conhecimento[4]. O seu papel é o de desenvolver dados e regras para sistemas especialistas (Murray, 2002).
O engenheiro do conhecimento trabalha com áreas como a representação de dados e informação e respectivas metodologias, gestão de fluxos de trabalho (work flow), tecnologias de groupware, etc. Deve ainda estabelecer os processos pelos quais as demandas de conhecimento organizacional são examinadas, a informação é adquirida, e o conhecimento é disponibilizado para quem a requereu (Newman, 1996).
3.5 Especialistas
3.5.1 Especialistas em gestão do conhecimento
Especialistas de transferência do conhecimento é uma descrição
apropriada para os implementadores do conhecimento corporativo. É
um termo similar ao do knowledge practioner (o prático do
conhecimento) , termo proposto por Nonaka e Takeuchi (1995). Outros termos
associados são o do relator do conhecimento (knowledge
reporter) e do editor do conhecimento (knowledge editor) – pessoas
que extraem conhecimento daqueles que o detêm, e o reordenam na forma
que qualquer um possa fazer uso dele, e periodicamente atualizam e editam
tal conhecimento (Davenport, 1996, p.26).
Estas funções já eram desempenhadas por profissionais como os documentalistas, o pessoal ligado ao treinamento, analistas de negócios e especialistas de apoio ao desenvolvimento organizacional[5], apenas a ênfase na gestão de conhecimento hoje é mais visível.
3.5.2 Especialistas de conteúdos informacionais
Um interessante perfil de profissional é o do corretor de informação,
o information broker. Este é o termo genérico para
designar um profissional da informação independente, que
tem as suas raízes na década de 60[6].
Trata-se de uma pessoa ou organização, que é contratada
para prover serviços de informação. Outras denominações
são: consultor de informação, bibliotecário
independente, especialista de informação, consultor
de informação por demanda, varejista de informação,
infomediary,
ou ainda profissional independente da informação. Os profissionais
independentes de informação (independent information professionals),
possuem a sua Associação,
AIIP, e o seu próprio
código de ética (AIIP Code of Ethical Business Practice)[7].
O consultor de informação provê serviços de informação para organizações de todos os tamanhos e tipos. Realiza um serviço intelectual que pressupõe o conhecimento de uma área específica, uma habilidade especial com pessoas ou uma capacidade grande de analisar e interpretar situações problemáticas oferecendo soluções. O consultor oferece profissionalmente o seu conhecimento, e também, a sua capacidade de pô-lo em prática e realmente resolver os problemas das pessoas e das instituições (Dyson,1998) .
Como especialistas de informação, os information workers, podem, dentre outras atividades, centrar-se na busca, reunião e interpretação da informação com valor agregado para as atividades de uma organização ou de um indivíduo, visando melhor posicionamento no mercado ou lucro. Neste contexto a busca informacional é um processo de construção de novos conhecimentos e entendimentos para adicional valor para as atividades de uma empresa (Kuhlthau, 1999).
Um exemplo de atividade de especialista da informação para bibliotecários[8], que tem se expandido é na esfera dos provedores de conteúdo, que contratam pessoas com essa formação para classificar as informações de melhor qualidade a serem oferecidas na rede e que as devem classificar de maneira a serem acessadas rapidamente.
O bibliotecário, como especialista de informação, é hoje contratado para atuar em escritórios de advocacia, agências de publicidade, hospitais, associações de classe, organizações não governamentais, além de colaborar a construção de sites e portais. Ou seja, trabalhar em qualquer empresa, que lide com informação.
3.5.3 Especialistas em uso de ferramentas inteligentes
A organização inteligente entende que a descoberta e
o uso do conhecimento podem ser mais bem atingidos, quando se faz uma parceria
estratégica informacional entre aqueles na organização
que criam e usam a informação, os especialistas da informação
e os especialistas em tecnologia informacional. Esta sinergia coletiva
é necessária para tecer uma rede de informações
estruturadas e não estruturadas, internas e externas, correntes
e históricas, e informações orientadas para o futuro:
para criar instrumentos e métodos para acessar e selecionar a melhor
informação disponível; desenhar arquiteturas informacionais
baseadas num entendimento profundo das necessidades informacionais e de
comunicação de seus clientes; e integrar os processos informacionais
da organização, formando uma plataforma para o aprendizado
e desenvolvimento organizacionais (Choo, 1998, p.217).
O especialista em uso de ferramentas inteligentes deve entender os processos computacionais, formatos, padrões, linguagens e softwares. Deve também saber gerenciar a informação. Entre outras ocupações, o especialista em uso de ferramentas inteligentes, pode ser um engenheiro de telecomunicações, ou gestor de redes que oferece produtos que viabilizam tecnologicamente a prestação de serviços informacionais e que se preocupa com a segurança das redes. Pode ser também alguém que desenvolve sistemas de apoio a tomada de decisão, engenharia de software, aplicações para web e interfaces homem/máquina. Dentre as ferramentas que pode utilizar estão o Data warehousing e o Data mining para a análise das informações.
O data miner aparece como uma das 10 profissões “Mais quentes”
neste início de século , pela classificação
de Tom Peters para a revista Time de 22 de maio de 2000.
4. Conclusões
A Sociedade da Informação necessita para a sua operacionalidade, de infra estrutura adequada, softwares, ferramentas e recursos informacionais, a serem trabalhados por gestores da informação, gestores do conhecimento e especialistas em informação, entre eles os especialistas de conteúdos informacionais.
É importante, no entanto, observar que não há um perfil de profissional da informação ou do conhecimento único. É impossível encontrar, em apenas uma profissão ou em um determinado perfil, a síntese de atividades que compreenda todas as facetas da informação e do conhecimento necessárias para o desenvolvimento das atividades de uma organização ou do desenvolvimento de uma sociedade.
É importante ressaltar que na busca por uma sociedade mais justa, com o fim das desigualdades sociais, cabe ao profissional da informação um papel de mediador da informação, onde ao mesmo tempo ele utiliza novas tecnologias alicerçadas ao desenvolvimento social, ou seja ele desenvolve um papel fundamental para acabar com a exclusão digital e a falta de acesso á informação.
A nova sociedade oferece campos de atuação a esses profissionais
e a outros que tenham como característica a habilidade de lidar
com a informação e o conhecimento, gerando novas informações
e novo conhecimento com valor agregado, bem como trabalhar com o indivíduo,
“animando-o” a participar da construção desta sociedade e
de exercer a sua cidadania.
[1] disponível em www.miniweb.com.br – Acesso em 9 de outubro de 2002.
[2] Cibernauta – expressão nova que caracteriza os usuários
dos serviços já existentes, como produto das tecnologias
da comunicação e informação (Cavalcanti,
1996, p.106)
[3] Fundada em 1984 a Library Specialists Inc. é uma
firma de consultoria que oferece serviços de gestão da informação
e biblioteca. O seu departamento de automação oferece também
consultoria e soluções em gestão do conhecimento:
http://www.libraryspecialists.com
[4] É uma das 10 profissões “mais quentes”” do futuro
segundo Tom Peters em sua classificação para a revista Time
de 22 de maio de 2000.
[5] Murray, Philip C. http://www.ktic.com/topic6/13_TERM4.HTM
[6] O conceito de uma empresa que obtém legalmente informações
para outras, por um preço, pode ser documentada já em 1930.
[7] Disponível no http://www.aiip.org
[8] Information brokers , até 1970, tinham graduação
em Biblioteconomia. Nos anos subsequentes congrega profissionais de todos
os tipos, com formação em Ciência, Direito, Negócios,
Medicina, etc.
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Sobre os autores / About the Authors:
Profa. Kira Tarapanoff, PhD
kat309@unb.br
Pesquisadora Senior
Coordenadora do Curso de Especialização em Inteligência
Organizacional e Competitiva
Departamento de Ciência da Informação
Universidade de Brasília
SQN 309 - Bloco O - Apto. 305
70.755-150 Brasília, DF
Prof. Emir Suaiden
emir@unb.br
Doutor em Ciência da informação
Departamento de Ciência da Informação
Universidade de Brasília
SHIS QI 7 conj. 7 casa 1
71 615-270 - Brasília - DF
Cecília Leite Oliveira
cleite@sct.embrapa.br
Doutoranda em Ciência da Informação
Universidade de Brasília
Técnica da Unidade de Informação Tecnológica
EMBRAPA
SHIS QL 22 conj. 3 casa 5
71 650-235 - Brasília - DF