DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.6  n.5   out/05                            ARTIGO 04

A representação metafórica nos caminhos do conhecimento em tempos de comunicação globalizada [*]
Metaphorical representation on the highroad to knowledge in times of globalized communication
por Evelyn Goyannes Dill Orrico e Carmen Irene Correia de Oliveira




Resumo: As formas de produção de conhecimento na contemporaneidade são o objeto central deste artigo. Pressupondo as representações metafóricas como norteadoras do modo de organização do conhecimento, foi realizada uma pesquisa qualitativa com um grupo de pesquisa interdisciplinar. Entrevistas realizadas com os membros desse grupo permitem evidenciar, pelas metáforas utilizadas em seu discurso, tanto o modo de o grupo representar a sua estrutura, quanto o modo de estabelecer relações com a comunidade acadêmica. Os resultados indicam que parâmetros tradicionais de produção de conhecimento, assim como os modos de validação de pesquisa e de reconhecimento acadêmico continuam razoavelmente inalterados.
Palavras-chave: Metáfora; Representação; Organização do conhecimento; Grupo de pesquisa; Gênero discursivo; Novas tecnologias.

Abstract: The ways of producing knowledge in today's world are the central focus of this paper. Taking metaphorical representations as guidelines for the way of organizing knowledge, a qualitative research was carried out involving an interdisciplinary research group. Interviews conducted with members of this group made it clear, from the metaphors used in their discourse, both the way that the group represents its own internal structure and the way their members establish their relationship with the academic community at large. Results indicate that traditional patterns for the production of knowledge, as well as the methods of research validation and academic recognition remain reasonably unchanged.
Keywords: Metaphor; Representation; Knowledge organization; Reseach group; Discourse genre; New technologies.
 
 
 

Introdução

No contexto contemporâneo das comunicações humanas, a que ocorre entre aqueles que produzem conhecimento merece atenção especial, em virtude de os frutos dessa produção inserirem-se no contexto mais amplo da estrutura social. Pensá-las requer, sobretudo, considerar a interoperabilidade entre os diversos repositórios de conhecimento, em especial os evidenciados lingüístico-semanticamente, haja vista a pluralidade de padrões e métodos tecnológicos atualmente existentes e que tanto facilitam quanto agilizam o contato entre diversas comunidades e diferentes grupos sociais.

A compreensão sobre o universo semântico-cultural dos grupos que entram em contato comunicativo contribui para melhorar a precisão das trocas informacionais, tendo em vista que permite o compartilhamento do repositório de conhecimentos de tais grupos. Estudos relacionados à representação metafórica (ORRICO, 2001) objetivam aprofundar o conhecimento sobre o universo conceitual de determinado grupo social e a forma como tal grupo transmite e recupera informação.
 

Contextualização

A contemporaneidade, e seus arranjos tecnológicos, ao alterar a concepção das dimensões de espaço e tempo, apontam para novos modos de produção do conhecimento. A importância de estudos sobre os modos de produzir conhecimento pauta-se em Burke (2003), para quem a aquisição e a transmissão do conhecimento relacionam-se na estrutura social, na economia e na política. Além disso, a nova reorganizacão dos mercados mundiais e as novas formas de relações sociais de trabalho mudaram o eixo da produção do conhecimento, como nos diz Burnham (2000, p. 291).
 

Com a reoganização mundial dos mercados, a reestruturação do trabalho, a redefinição das ocupações, o deslocamento e a expansão dos loci de produção do conhecimento, uma forte ligação entre produção material, informação, pesquisa e produção do conhecimento se estabelece.


Compreender essas novas relações, e suas decorrentes implicações, é o objetivo maior do projeto de pesquisa do qual este artigo é fruto. Para chegar a essa compreensão abrangente, entretanto, é preciso inicialmente discutir as formas de produção do conhecimento em tempos de globalização, admitindo que toda e qualquer produção acadêmica requer etapas de comunicação.

No processo comunicacional, os homens utilizam-se de conjuntos representacionais que, segundo Lakoff e Johnson (1980), são metafóricos por excelência.

Este artigo objetiva, então, identificar o conjunto de metáforas que os membros de um grupo de pesquisa utilizam em suas práticas discursivas no quotidiano de suas atividades acadêmicas para fins de produção do conhecimento, no intuito de contribuir para melhorar as estratégias de busca e recuperação da informação. Acreditamos ainda que tais práticas são ao mesmo tempo fruto da constituição identitária do grupo e reforço dessa mesma constituição, que, por sua vez, retroalimenta de modo positivo as práticas informacionais.

Esta análise, pautada em entrevistas realizadas com membros de grupo de pesquisa interdisciplinar, requer a definição de alguns conceitos que vão nortear o arcabouço teórico-metodológico. Inicialmente, discutimos o conceito de gênero, considerando as práticas discursivas voltadas para a produção do conhecimento como um gênero de 1a ordem, segundo a definição de Bakhtin (1997).

Em seguida, discutimos o conceito de metáfora e analisamos, no corpus de pesquisa, os conjuntos escolhidos pelos membros do grupo para representar as práticas discursivas que estão a serviço da produção do conhecimento e que acabam por constituir o gênero. Em seguida, apresentamos a inserção do grupo estudado no seu contexto macro-social que é o da institucionalização da ciência, evidenciando as práticas e os hábitos nele engendrados. Por fim, identificamos, pela análise empreendida, a representação metafórica das formas de produção do conhecimento, que compreende a visualização da área de atuação e dos modos de interação e colaboração, interna e externa, evidenciada em linguagem natural, já que estudos nesse campo estão na linha atual das investigações que focalizam a busca e a representação da informação.
 

Gênero discursivo

Inicialmente, consideramos a conceituação de Bakhtin para o termo gênero do discurso. Para esse autor, os gêneros do discurso são os tipos relativamente estáveis de enunciados em uma dada esfera de utilizacão da língua. Para tal definição é preciso, antes de mais nada, admitir, ainda com base estrita em Bakhtin (1997), que a utilizacão da língua efetua-se em forma de enunciados, sejam orais, sejam escritos, concretos e únicos, que emanam dos integrantes das diversas esferas da atividade humana. Bakhtin, na sua instigante proposição, já apontava para a riqueza e a variedade dos gêneros do discurso, considerando ser igualmente rica e variável as possibilidades das atividades humanas.

O que nos interessa particularmente aqui observar é que Bakhtin apontou para uma diferença por ele considerada essencial entre o gênero de discurso primário (simples) e o gênero de discurso secundário (complexo). Neste último tipo estariam incluídos, entre outros, o discurso científico. Segundo, ainda Bakhtin, esse gênero apareceria em circunstâncias de comunicação cultural mais complexa e relativamente mais evoluída, o que quer que esse conceito hoje possa suscitar, principlamente na forma escrita. Os primários, por sua vez, se constituíriam em circunstâncias de comunicação verbal espontânea.

Tal distinção teórica nos interessa neste estudo, considerando que os gêneros de discurso primário são constitutivos da prática quotidiana do fazer científico. Não raro percebemos que os membros do grupo de pesquisa estudado comentam a freqüência com que se comunicam. Freqüentemente o fazem diáriamente, por vezes mais de uma vez por dia, e utilizam métodos comunicacionais (telefone, e-mail, comunicacão via messenger) caracterizados pela informalidade, inseridos, segundo Bakhtin, na realidade existente e estabelecendo relações com a realidade dos enunciados alheios.
 

Representação metafórica

A metáfora é uma figura de linguagem que transfere um termo para uma esfera de significação que não é a sua, com a finalidade de estabelecer representação do mundo por meio de analogias. Estudar o metassistema textual, entretanto, implica baseá-lo na situação real de uso, ou seja, deve-se considerar as condições pragmáticas de inter-relação usuário-rede, já que as condições pragmáticas de uso da língua interferem na elaboração do enunciado discursivo.

Lakoff (1980) propôs que o ser humano organiza o conhecimento através de estruturas denominadas modelos cognitivos idealizados (MCI) e que estruturas categoriais são derivadas dessa organização. A proposta desses modelos admite que a organização mental ocorre por intermédio da construção cultural de esquemas de conhecimento do mundo. O próprio autor, para definir tais modelos e explicar como eles funcionam na categorização, recorreu ao exemplo dos dias da semana. Um dia da semana só pode ser definido em relação a um modelo cognitivo idealizado que inclua o ciclo natural definido pelo movimento solar, cujo padrão caracteriza o fim de um dia e o começo do próximo, associado a um ciclo maior de sete dias, a semana. Nesse modelo idealizado, a semana é um todo constituído de sete partes organizadas em uma seqüência linear; cada parte denominada dia.

Paralelamente ao conceito de dia de semana, o de fim-de-semana requer a noção de uma semana de trabalho composta por cinco dias, seguida por um intervalo de dois dias, compondo um calendário de sete dias. Esse modelo de semana ocidental é idealizado, pois semanas de sete dias não existem objetivamente na natureza; são criadas pelo homem. De fato, nem todas as culturas possuem o mesmo tipo de semana.

Essa proposta é resultante de estudos que esse autor empreende na área da semântica cognitiva, na qual Lakoff e Johnson (1980) já haviam proposto o conceito de Metáfora Ontológica, como sendo um modelo cognitivo que serviria para nortear a representação do homem no mundo.

Tal representação dar-se-ia pela organização cognitiva que se estrutura por extensões semânticas que partem de noções conceituais próximas da concretude para a abstração, no intuito de recuperar a analogia primária de representação. Um dos exemplos dessas manifestações pode-se verificar pela metáfora "Homem é Máquina". Essa acepção teórica — o corpo como metáfora de máquina — explicaria enunciados tais como, "minha cabeça não está funcionando", "falta um parafuso na cabeça dele", bem como "ele tem um parafuso a menos"; "os intestinos não estão funcionando direito".

O conceito de Metáfora Ontológica (Lakoff; Johnson, 1980, p.25) serve para vários propósitos, assim como os diversos tipos de metáforas que delas decorrem refletem os tipos de propósitos a que servem. Existem, segundo Lakoff e Johnson, dois tipos metafóricos norteadores: o primeiro representa o que eles denominam de Metáforas de Entidade e Substância (Entity e Substance Metaphors) e o segundo, Metáforas de Contêiner (Container Metaphors).

O primeiro — Metáforas de Entidade e Substância —permite que lidemos racionalmente com nossas experiências. Esse tipo de metáfora serve para identificar um conceito como entidade e, a partir disso e dentre outras ações, estabelecer sua referência, quantificá-lo, identificar seus aspectos, vê-lo como causa de outro. Esse tipo de metáfora passa a ser tão natural e tão difundido em nosso quotidiano que acaba por servir como modelo com que pensamos e operamos cognitivamente, sem nos darmos conta de que estamos fazendo uso de metáforas, como o exemplo de "Homem é máquina" relatado acima.

O segundo — Metáforas de Contêiner — subdivide-se em metáforas que delineiam o território, as áreas de terra, o campo de visão, bem como ainda eventos, ações, atividades e estados. Partindo do pressuposto de que somos seres físicos, limitados e separados do resto do mundo pelos limites de nosso corpo, e que os outros estão fora de nós, a metáfora de contêiner surge para representar várias situações. A primeira diz respeito à delimitação de território e, dentro dela, a limitação do campo visual, por exemplo: eu o tenho sob minha mira, o navio está entrando no meu campo de visão. Seguindo essa concepção de continente/conteúdo, eventos e ações são conceitualizados metaforicamente como objetos, por exemplo: o fim da corrida foi emocionante; atividades, como substância, por exemplo: ela está imersa nos estudos agora; e estados, como contêineres propriamente ditos, por exemplo: ele está saindo do coma.

Deslocamos o conceito de metáfora ontológica de representação do mundo e o aplicamos à representação de um campo de saber, e assim propomos a ocorrência recorrente desse fenômeno na organização de manifestações discursivas relacionadas à produção de conhecimento.
 

A instituição científica: seus atores e práticas em tempos globalizados

A literatura sobre ciência, especificamente aquela que, no campo da sociologia da ciência, trata da sua constituição como prática social, nos traz evidências de práticas estruturadas durante alguns séculos com vistas a dar solidez a esta instituição: a ciência. Considerando que estamos discutindo eventos que encontraram no período da Revolução Científica um ambiente propício de desenvolvimento, estamos nos referindo a cerca de 400 anos, um pouco mais ou um pouco menos, de solidificação de práticas e hábitos.

Abordar tais elementos se faz necessário na articulação de uma pesquisa que considera as práticas discursivas desenvolvidas por um grupo de pesquisadores acadêmicos cuja associação calca-se na produção de conhecimento. É nesse contexto que as representações construídas nesse processo, que os objetivos agregadores dos empreendimentos científicos, que a constituição da identidade e da memória do grupo devem ser entendidos.

Alguns autores norteiam a discussão das práticas e normatividades que envolvem a ciência — como instituição social — e seus atores. Dessa forma, destacamos desse processo de institucionalização os seguintes elementos:
 

* as práticas de comunicação científica;
* as práticas de circulação na área;
* as práticas de intercâmbio com outros grupos;
* as formas de hierarquização e sua influência na construção do conhecimento do grupo.


Esta delimitação calca-se na percepção de que tais ações possibilitam — ao mesmo tempo que demandam — condições e estratégias de organização e circulação da informação com vistas à produção científica, gerando, também, as condições de constituição identitária que, no caso, deve ser discutida tendo em vista as relações interdisciplinares.

Como nos diz Ziman (1981, p. 135), "o mundo científico é estruturado em um grau tão elevado quanto qualquer outro grupo humano, e uns poucos cientistas são muito mais iguais do que outros". A hierarquização nesse mundo é um processo estreitamente ligado ao sistema de mérito, premiações e à noção de autoridade intelectual, o que leva o autor a dizer que essa situação de igualdade reflete relações nem sempre evidentes.

O autor é bastante enfático na sua crítica a este sistema de honrarias. No entanto, nosso interesse específico é identificar como tais elementos estão presentes (em termos de influência) e podem evidenciar as formas de relação em diversos níveis: a) entre os membros e b) destes com outros pesquisadores externos ao grupo; c) do grupo com a área científica; e d) de constituição hierárquica do próprio grupo.

Para discorrer sobre a noção de autoridade científica, Ziman nos traz dois exemplos: Isaac Newton e Albert Eistein, discutindo tanto os feitos acadêmico-científicos de ambos, quanto suas vidas pessoais/públicas, evidenciando o caráter social do fazer científico. A importância e relevância do papel da autoridade sofre variações, indo desde sua atuação como fundador de um novo paradigma, ou profunda reformulação de um anterior, até uma outra: a de professor. O exemplo citado neste caso é o de Justus von Liebig (1803-1873) que, a despeito de suas contribuições originais ao campo da Química Orgânica e à Bioquímica, deve seu lugar especial na história da ciência à escola de pesquisas químicas que fundou em 1824, na Universidade de Giessen, onde atuou como professor durante 28 anos. Nesse sentido, sua autoridade pauta-se na influência e na repercussão deste laboratório que foi o primeiro laboratório destinado ao ensino de Ciências. Cabe aqui assinalar a conseqüência desse empreendimento para entender as dimensões do fazer científico:
 

Os alunos de Liebig formavam-se para poderem lecionar em outras universidades, onde reproduziram o laboratório do Mestre sob sua própria direção. Às custas desses alunos, por sua vez, desenvolveu-se a grande indústria química alemã do final do século XIX [...] (Ziman, 1981, p. 146).


A ciência academizou-se no século XIX. Desse período é o termo cientista, inventado por William Whewell, que designava automaticamente alguém que possuía um cargo acadêmico.

no século XX, nas práticas que se desenvolveram no âmbito da pesquisa básica, a idéia do trabalho cooperativo é amplamente empreendida. Nesse sentido, alguns valores que prevaleciam nos trabalhos em equipe nos idos do século XIX, como a relação entre pesquisador e seus assistentes com a prevalência da autoria e da ação individual destes últimos, mudaram para um entendimento de que cada membro de uma equipe é responsável por um aspecto do trabalho. Esta nova visão trouxe uma ampliação da questão da autoria, levando à multiplicidade de autores em um mesmo artigo, considerando-se que todos da equipe contribuem e participam da pesquisa. Paulatinamente, os avanços tecnológicos levaram a que em determinados campos de investigação as operações humanas tivessem de ser realizadas com instrumentos de complexidade e dimensões que requeriam verbas vultuosas e organização no âmbito industrial.

A partir de meados do século XX, alguns autores, sobre tudo David Bell e Alan Toffler, começaram a apontar para o advento da sociedade pós-industrial e, em seguida, da sociedade da informação. Esta teria sua centralidade na potencialidade das novas tecnologias de informação e comunicação, sobretudo o computador, que tornou-se o símbolo principal dessa mudança que afetou todos os setores da vida humana. (Kumar, 1997, p. 21). Assim, a convergência do computador com as telecomunicações teriam criado este contexto dinâmico no qual a informação opera globalmente e vincula-se à produção do conhecimento, que, por sua vez, "determina, em um grau sem precedentes, a inovação técnica e o crescimento econômico [tornando-se] rapidamente a atividade-chave da economia e a principal determinante da mudança ocupacional." (Kumar, 1997, p. 23).Tais mudanças acarretam uma redimensionalização das práticas comunicativas, viabilizadas em novas configurações espaço-temporais, agora entendidas a partir da metáfora da rede. Segundo Kumar, não faltam críticos a esta visão utópico-embevecida das tecnologias, que consideram inclusive a permanência, nesse sistema, do ideário taylorista de "administração científica" da organização do trabalho, em qualquer instância do fazer institucional. No entanto, há de se pensar nas novas possibilidades de interação e constituição de relações entre pares que tal configuração está e estará permitindo, que nos leva a discutir o conceito de grupo.

A noção de grupo
A concepção de grupo que norteia este trabalho é a de que o processo de associação de indivíduos em grupos não é aleatório, mas determinado por uma série de fatores que regulam o processo associativo. Há fatores de coesão que determinam não só a organização, mas os procedimetos do grupo, como por exemplo atingir um objetivo específico. Não se pode considerar como grupo todo e qualquer agrupamento fortuito. Ao contrário, os membros de um grupo estabelecem relações simétricas e assimétricas entre si, além de agirem de maneira a marcar seus espaços e afirmarem-se hegemonicamente.

Podem-se identificar dois tipos de grupos: os estruturados e os não-estruturados. Os primeiros caracterizam-se por um compartilhamento ideológico, ou seja, sua conduta baseia-se no mesmo conjunto de normas, valores e crenças. Além disso, a relação entre os membros é interdependente, isto é, a conduta de um deles influi sobre a conduta dos outros. Os não-estruturados constituem-se em meros grupamentos fortuitos, como por exemplo, um grupo de pessoas que viaja no mesmo avião (VILLAR, 1987:527). É preciso notar que o grupo difere "da multidão, da massa, do bando, do agregado, da classe, da coletividade, da categoria social, mas também da associação, da comunidade, da instituição e da organização" (BUSINO, 1999:125). Sendo assim, é importante observar que o grupo possui uma identidade definida por meio de um processo interacional — muitas vezes com outros grupos — e é com base nela que os membros do grupo concebem a sua, individualmente.

O processo interacional
Especificamente, no que tange à relação entre pesquisadores, objeto deste nosso estudo, Meadows (1999, p. 141) diz que os intercâmbios podem variar em freqüência e extensão. Nessas relações, geralmente os cientistas eminentes constituem os focos do intercâmbio formal e informal de informação. No caso da comunicação informal, o que comumente ocorre é que ela se dá entre indivíduos e grupos de pesquisa e entre os componentes de grupos de pesquisa. (Meadows, 1999, p. 142) Além disso, os pesquisadores considerados ativos em termos de informação são, em geral, os mais produtivos e os atores principais nos grupos. Ele acrescenta que a tecnologia de informática somente se torna significativa para a comunicação científica quando torna possível o processamento de todos os tipos de informação que interessam aos pesquisadores.

Sem dúvida, produzir conhecimento e fazer ciência na contemporaneidade sofre influência deste arranjo tecno-global, e é sobretudo por intermédio da linguagem, posta em funcionamento nas relações interativas, que podemos vislumbrar a constituição das questões identitárias e representacionais sempre presentes quando o homem pensa o mundo, sobre si mesmo e o seu fazer.
 

O campo empírico

Tendo por base o conceito de grupo apresentado, a questão desta pesquisa está centrada nas características identitárias e de memória de grupos sociais, pressupondo a forma metafórica como constitutiva das relações e construções cognitivas e simbólicas.

O grupo selecionado para fins deste estudo é formado por pesquisadores da área de Transportes - RESET - (Rede de Estudos de Engenharia e Socioeconômicos em Transporte) com diferentes experiências profissionais e de diferentes regiões do Brasil e do exterior. Esse cuidado na escolha do grupo a ser estudado objetivou, por um lado, minimizar as interferências de regionalismos no processo de representação metafórica e, por outro, analisar a construção de significado comum a distintos membros, oriundos de diferentes espaços geográficos e de diversos níveis de experiência e de envolvimento no grupo. Nesse sentido, os membros foram divididos em três subgrupos: os pesquisadores mais estáveis nessa rede é o grupo de membros efetivos (constituído majoritariamente pelos fundadores do grupo), com sete membros; os membros em formação, constituído por estudantes, sobretudo mestrandos e doutorandos, que, no momento inicial da coleta de dados, somam 17 pesquisadores; os membros colaboradores, que agrega os pesquisadores na rede de pesquisa à medida que surgem projetos, que, no momento da coleta de dados da pesquisa, somavam 13 pesquisadores. Ao todo nosso universo constituiu-se de 37 pesquisadores. Para este artigo, selecionamos somente os membros efetivos, considerando que são eles que decidem os rumos da pesquisa.

Com esse procedimento procurou-se garantir, no que tange ao delineamento de práticas discursivas de um determinado grupo social, aspectos fundamentais para nossa investigação, quais sejam:
 

* as práticas estarem calcadas no uso das tecnologias de informação e comunicação;

* tais práticas colocam em circulação as mesmas representações, garantindo sua difusão e uso por pesquisadores de diferenciadas formações e formas de vinculação.



Das análises: as representações metafóricas do grupo

As categorias analíticas que nortearam a análise foram delimitadas a partir do entendimento das práticas tanto de comunicação entre e intra grupos, quanto de produção do conhecimento científico, nos níveis macro e microssocial. Alguns recortes das falas dos entrevistados, que dão suporte às análises efetuadas, estão relacionadas no quadro anexo.

1. Relações do grupo – compreende a representação que os membros do grupo constróem acerca de como se dão as relações de trabalho e as formas de ligação entre eles, entre as diferentes instituições envolvidas e entre as atividades desenvolvidas.

2. Trabalho do grupo – compreende as formas de percepção que os membros do grupo têm acerca do como ocorre a estruturação e a organização dos trabalhos teórico-metodológicos. Para tal foram considerados os seguintes aspectos:

2.1 Função social da pesquisa
2.2 Delimitação do objeto de pesquisa
2.3 Organização teórico-metodológica


3. Comunicação científica – abarca as formas comunicacionais com a comunidade científica.

3.1 Entre membros do grupo
3.2 Com a comunidade acadêmica
3.2.1 Participação em eventos acadêmicos
3.2.2 Publicação


O percurso empreendido no processo científico pode ser mapeado a partir da forma como o grupo compreende a dinâmica do seu fazer. Nesse sentido, a função social constitui a instância deflagradora de demandas, cuja resolução gera empreendimentos científicos estruturados em torno de objetos, que são acrescidos ao objeto primeiro ou principal – transporte -, enriquecendo-o e especificando-o.

Das entrevistas analisadas, destacamos as seguintes representações:

1. No que tange à primeira categoria levantada — Relações do grupo —, casamento constituiu-se na metáfora norteadora para a produção do conhecimento em grupo, considerando as suas qualidades afetas à parceria e confiança.

2. No que tange à segunda categoria levantada — Trabalho do grupo — para o trabalho em equipe, algumas metáforas parecem indicar qualidades inerentes à velocidade e à união, reforçando a metáfora de casamento pelo entrelaçamento de condutas. Destaque para o termo motor trifásico, termo da área básica de origem da maioria dos pesquisadores do grupo, que parece indicar o tipo de força necessária à manutenção do trabalho do grupo. Eis a seguir, alguns exemplos retirados das entrevistas para representar o modo de construção teórico-metodológica que é o cerne de um trabalho de pesquisa:
 

a) "redemoinho de (…) atividades";
b) "casamento de razão"
c) "é uma extensão de nossa personalidade; a gente não é mais só uma pessoa: a gente é um conjunto";
d) "motor trifásico"


O intercâmbio com outros grupos também indica a idéia de uma parceria pautada na confiança: "Casamento entre as duas universidades".

3. No que tange à terceira categoria, Comunicação científica – formas comunicacionais com a comunidade científica — não procuramos identificar metafóras que representassem tal comunicação, mas tão somente identificar os procedimentos utilizados para transferência de informação acadêmica.

Segue no ANEXO quadro com alguns recortes das entrevistas sobre os quais realizamos as análises aqui apresentadas.
 

Conclusões

O que podemos apontar pelos estudos até agora empreendidos é que nosso objeto empírico focaliza um grupo estruturado, já que seus membros baseiam suas relações na confiança e tal sentimento constitui-se pelo compartilhamento de um conjunto de normas, valores e crenças. Além disso, a relação entre os membros é interdependente, já que a conduta de um influi na conduta dos outros, como podemos observar no caso em que um dos membros passou para a esfera do Governo Federal, acarretando uma diminuição na capacidade de gerar possibilidades de projetos.
 

[...] Então, por exemplo, quando o R. decidiu partir pro Ministério dos Transportes, isso globalmente pra equipe como um todo. Pra ele, foi bom. Pra cada um... pra nós, como um todo, foi bom. Mas globalmente foi ruim, na medida em que ele era o grande articulador de grandes projetos nossos. Então, nós perdemos a capacidade de montar um projeto, entendeu? [...]


A forma de comunicação entre os membros do grupo ocorre de modo sistemático e freqüente, por intermédio de meios informais telefone, e-mail, o que acaba por indicar a importante participação do gênero discursivo primário na construção contemporânea do conhecimento. Tal participação parece permitir, com um maior grau de liberdade, o trabalho metafórico na expressão dos membros do grupo acerca de todas as dinâmicas relacionadas ao trabalho de pesquisa, o que provavelmente poderia ser menos evidente em espaços de comunicação científica e artigos acadêmicos. Nesses modos de representação metafórica, aquelas relacionadas às metáforas de Entidade e Substância que permitem que lidemos racionalmente com nossas experiências, mostram-se relacionadas à esfera do casamento. Essa metáfora evidencia a relação de cooperação necessária para a produção de conhecimento conjunta.
 

[...] Eu tenho aí o companheiro C. M. nesse campo, ele está sendo meu orientando na UnB, estamos trocando as equipes, ele co-orienta alunos meus, alunos dele também ficam na nossa reunião; então, a gente está fazendo um casamento das duas universidades nesse campo com a parte jurídica. [...]

[...] é um casamento que ele existe porque um não depende, não passa sem o outro mas eles vivem racionalmente, então a razão é que os leva a tar junto e não a emoção. Então, eu acho que tem duas coisas, né? porque é um casamento de razão, por que um casamento de razão? Porque nós nos beneficiamos da posse de cada um. [...]


Em etapas anteriores do projeto do qual este artigo é fruto, foi possível delinear a metáfora de rede como base para a noção norteadora do grupo, que pode ser percebida como algo tendencialmente característico não só das formas de interação entre os membros, como também do próprio objeto (rede de transportes) (ORRICO, 2001) e das condições de circulação de informação propiciadas pelas novas tecnologias. A continuidade das análises, agora com base na conjugação dos elementos característicos das formas de produzir conhecimento no espaço acadêmico, mostraram que a percepção do grupo sobre si mesmo envolve a construção de um campo metafórico que sustenta as identidades discursivamente.

O segundo — Metáforas de Contêiner — subdividindo-se em metáforas que delineiam o território, pode ser identificado pelo fragmento abaixo:
 

[...] tem um outro pólo que gravita em torno de R., depois de mim e de E., que é o pólo, digamos assim, da... da socioeconomia, da... de uma visão mais larga do transporte e fazendo a interface com as outras áreas de que tem um clássico em seu congresso...


No que tange à produção científica, pode-se perceber que o modo de produção alterou-se em relação ao modo da produção acadêmica propriamente dita, considerando que há uma tendência ao aumento de parcerias entre os pesquisadores mais experientes e seus orientandos. No entanto, a produção conjunta entre os membros experientes continua ocorrendo em virtude de dar conta das demandas sociais, pelos relatórios dos projetos de consultoria. Emerge, então, a noção de função social atrelada às condições de um fazer científico comprometido com mudanças estruturais em nível nacional, o que indica uma visão ético-social dos serviços públicos Aliás, essa é uma característica do fazer acadêmico que está se sedimentando: os projetos de pesquisa estarem cada vez mais imbricados nos projetos oriundos de demanda social.
 

[...] Ou seja, embora que a coisa seja extremamente grande e complexa, a gente tem essa visão geral pra termos a sensibilidade do combate, mas são as oportunidades concretas que surgem de projetos de demandas que vão orientando concretamente. [...]


Embora essa relação seja reconhecida socialmente, no âmbito da ciência os critérios de validação e reconhecimento acadêmico mantêm-se inalterados. Os pesquisadores considerados ativos em termos de informação são, em geral, os mais produtivos e são alçados a exercerem o papel de atores principais nos grupos em que estão inseridos. A necessidade de reconhecimento acadêmico influi no modo de produção tradicional, incentivando a produção em parceria, preferencialmente, com os membros da equipe. As metáforas que condensam os sentidos em torno dessas atividades indicam a importância dada à questão da parceria, em todos os níveis e setores, apontando para uma nova dimensão da forma de produção: a inserção social unindo pesquisa às demandas sociais. Como decorrência imediata observa-se a criação de novas áreas de concentração e novas formas de ação.


Nota

[*] Este artigo decorre do projeto de pesquisa Memória e Identidade: a construção discursivo-metafórica nas novas tecnologias da informação, financiado pelo CNPq por intermédio de uma Bolsa de Produtividade.

Versão preliminar deste artigo foi apresentada no II Congresso sobre Metáfora na Linguagem e no Pensamento, em agosto de 2005, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, RJ.
 

Referências bibliográficas

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BURNHAM, Teresinha Fróes. Sociedade da Informação, Sociedade do Conhecimento, Sociedade da Aprendizagem: implicações ético-políticas no limiar do século. In: LUBISCO, M.L.; BRANDÃO, L.M.B. Informação & informática. Salvador: EDUFBA, 2000.

BUSINO, G. Grupo. In: Enciclopédia Einaudi. Lisboa : Imprensa Nacional, Casa da Moeda, vol. 38, 1999.

KUMAR, Krishan. Da sociedade pós-industrial à pós-moderna: novas teorias sobre o mundo contemporâneo . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

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MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Trad. Antonio Agenosr Briquet de Lemos. Brasília, DF: Briquet de Lemos / Livros, 1999.
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ZIMAN, John Michael. A força do conhecimento. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1981.
 

ANEXO
 
 
Relações do Grupo
Como se dão [...] Existe um núcleo duro que depois aumentou de Oswaldo, houve a defecção de J.A., e agora eu quero colocar o C.M. [...]

[...] Tem a questão da amizade, é a amizade. E é a experiência de cooperação, a oportunidade de convivência. [...]

[o redimensionamento do grupo ocorre por] Demanda e conhecimento das pessoas. É um relacionamento pessoal, de confiança; não é a confiança na pessoa, é a confiança e a experiência... Você tem de ver caso por caso porque é tudo um histórico. Histórico de fundação.

[...] Começou com o BNDES e depois a gente tentou aplicar num município específico. E agora eu estou vindo com esse curso de Paris, e as cartas de apoio vieram do Ministério da Cidade e do Ministério de Transportes e da Organização Internacional de Transportes Terrestres. Eu já tive contato no Ministério do Planejamento. Eu tenho contatos na CNT, eu tenho contatos na Associação Nacional de Transportes Ferroviários, certamente vamos ter contatos com as concessionárias, da parte de uma pesquisa já tenho contato com muitas concessionárias, pra uma dissertação [...]

[...] Inclusive esses contatos são providenciados dentro do RESET. Eu chego pro R. e falo: "O contato é esse". Foi o R. que providenciou as cartas de apoio pra eu ir pra França. Agora temos o Ministério francês, tem o Lattes, tem algumas instituições operacionais e tem toda essa atividade operacional, toda essa rede de sweet bowl. Eu e R. M. queremos trabalhar agora com a Universidade de Lisboa. Ou seja, nós estamos ampliando por aí. 

[...] Certo, olhe, na verdade, a... o... a equipe RESET , ela trabalha de maneira muito articulada e muito integrada a esse sítio, de maneira que fica difícil, digamos assim, diga-se assim, cada um de nós, digamos assim, dizer precisamente aquilo que tá sozinho trabalhando. Na verdade, trata-se de uma, de um, um redemoinho, digamos assim, de atividade e de, é, pessoas e de pesquisadores envolvidos mas particularmente, digamos que eu tenha trabalhado esses últimos tempos na questão da problemática da redefinição das relações entre Estado e sociedade. [...]

[...] Olhe... mas antes da gente chegar na formação do RESET tem uma outra coisa que é muito importante você acompanhar que é a...a...a....capacidade...alguém ter experiencia já e ter um pouco de maturidade a gente ta hoje...e...e...e área chave do mundo dos transportes no Brasil em termos de formulação de políticas.

[...]somos uma equipe mais aberta, somos uma equipe mais que....que..... Que senta numa mesa, num restaurante e sete...setenta por cento que gira vai pra li....Então, então é uma forma que....gosta de tomar uma cerveja....que....que brinca muito faz muita farra né? Então lá atrás, entao a gente tem hoje, que é importante no CNpq a gente tá no comitê, comitê assessor no CNPq,


 
 
Trabalho do Grupo
Como ocorre [...] Bom, como é que se dá concretamente, como classificar isso? Isso se dá em função de projetos, a gente tem os relatórios para fazer, a gente intercambia, a gente divide as tarefas, e cada um escreve, o outro vai comentando. [...]

[...] Existem recursos comuns e recursos que passam por diversos canais. Então, existe o que é comum e existe o que é específico. Tem que ver caso por caso. Por exemplo, o caso de Recife é muito conhecido, são muitos projetos e muitos recursos pra parte pernambucana. Agora, nós temos aí na parte da UnB recursos por outros caminhos, que tem no centro de rua(?), etc e tal. Esse aqui é o nosso Centro de Informação de Transporte. 

[...]Mapa cognitivo é uma ferramenta da Gestão de Conhecimento; existem vários tipos de mapas cognitivos, que tentam juntar diversas informações esistematizar diversas coisas, formações em relação ao processo cognitivo sejam dos objetos de conhecimento, seja das pessoas, dos grupos, das organizações de um processo cognitivo, seja dos processos de conhecimento, seja também o fluxo do conhecimento. O conhecimento tem diversas fases que se comunicam entre si, que é a fase, primeiro, da definição de prioridades, das necessidades; depois da identificação de conhecimentos, aquisição de conhecimentos, desenvolvimento de conhecimentos, distribuição de conhecimentos, armazenamento e sistematização do conhecimento, aplicação do conhecimento. [...]

[..] Então, o eixo em que eu me interesso mais é tudo que tem a ver com a questão do papel do Estado, do papel do Estado na economia e, por conseguinte, do desdobramento disso o papel do Estado na infra-estrutura e, conseqüentemente, o papel do Estado em uma das infra-estruturas que no caso é o transporte. Depois eu vou falar que me interesso por outra infra-estrutura. Então, é, ela entender a relação Estado e sociedade significa inserir essa relação nos momentos cíclicos de redefinição dessa relação ao longo dos últimos cem anos [...]

[...] Porque eu queria estudar essa relação Estado-sociedade, no caso principalmente das telecomunicações, mas dando uma olhada também no saneamento e dando uma olhada na energia. Eu queria ter uma problemática mais ampla, onde o transporte era uma delas, tanto é que, na época, eu cheguei a propor evidentemente isso não foi ... a gente nunca chegou a discutir bem isso, mas na verdade, era RESET, né..., onde essa T, esse T ia ser aumentado. Ele não era só T de transporte, mas era T de telecomunicações... era.... era RESETi com I pequeno, porque era transportes e infra-estrutura, mas a gente não chegou a amadurecer esse alargamento. [...]

[...] Então, é... a gente..., mas não deixa de ter uma dificuldade ai, então a gente se volta muito para a publicação de livros no Brasil, né, e revistas, nós temos muito pouco. Temos a revista da... da ANPET, é a única revista porque não tem outra e, globalmente na ... na América Latina, também é... muito pouco. Agora, uma coisa que é muito importante e eu acho que a gente explora pouco é a Internet, né. Então, a gente tem um site, né, tem um site, tem a RESET, mas a gente tá precisando é rearrumar ele. Ele tá... eu suporia que a visita ao site é progressivamente menor com... em relação a quando ele foi criado. [...]


 
 
Comunicação Científica
Entre membros Não, o problema agora é que a Internet virtualiza os contatos. 

Isso é nas oportunidades. Projetos, conferências, eu vou muito nas férias lá pra Recife, aí é quase que obrigatório esse contato ser também de trabalho. [...] E é permanente. É Internet, é permanente. O problema é que as caixas de correio são muito cortadas.

Agora mesmo assim, né, mesmo com esses reposicionamentos e esses desafios, a equipe... nós nos comunicamos permanentemente... ou por relações de amizade, né, ou porque nós temos aí todo esse, , mesmo os projeto de cada um, mas eles também vão sendo discutidos, porque quando alguém tem alguma dúvida sobre alguma coisa que tá fazendo, conversa com o outro...

Com a Comunidade [há interferência nos trabalhos] Sim. Principalmente quando o artigo é junto, aí primeiro eu digo ; "olha eu escrevi essa parte, você escreve...". Aí ele me manda e tal... Aí eu complemento isso. Aí eu digo: "Oh, faz ainda isso..." [...]

[...] É, embora que em termos de pontuação acadêmica vale menos do que artigo em revista. O livro é essencial; um país sem livros, onde poucas pessoas tiverem livros, quando sai um livro, de fato, a demanda é muito grande [...]

É pobre, e eu tenho publicado nos Annais de congressos.

[...] mas é uma atividade de pesquisa...então setenta e cinco por cento na...segunda e terceira publicação significa dizer que esse sistema que nos interessam...nos temos que arranjar mestrandos e doutorandos pra trabalhar, pra que resultado seja publicado....então no caso da...dos acessos institucionais....o que que eu tenho.?....eu tenho uma tese de mestrado defendida esse ano né?... e que foi sobre o papel do tribunal de Contas que é um tipo de controle né?...o controle externo como que no quadro de redefinição da relação Estado- sociedade...como...qual é o papel de um órgão de controle externo...no caso da concessão rodoviária...né?.... a tese de mestrado defendida com...em 2 anos ... aproximadamente nove trabalhos publicados... ele como primeiro autor e eu como segundo...é um caso...é um caso... realmente é uma caso excepcional. [...]

Então como nós estamos depois de um ano e meio aproximadamente, todo esse ano de 2004, apenas com....com um único contrato e na verdade não é um contrato, é um projeto de pesquisa, que é o projeto para o fundo setorial, que é a única parte de sustentação que a gente tem nesse ano de 2004, a gente... a gente termina nele né?... como a gente não é; como é uma outra lógica, a gente termina nele... o produto final dele são os livro, que a gente tá publicando...então a gente trabalha junto no livro né?....é obrigado, trabalhando mais as publicações que cada um faz.



 


Sobre as autoras / About the Authors:

Evelyn Goyannes Dill Orrico
evelynorrico@unirio.br

Doutora em Ciência da Informação UFRJ-ECO/CNPq-IBICT.
Professora Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO.
Bolsista de Produtividade do CNPq.


Carmen Irene Correia de Oliveira
irenecor@brfree.com.br

Doutoranda em Ciência da Informação IBICT/UFF; Mestre em Memória Social e Documento / UNIRIO.