ENCICLOPÉDIA EINAUDI, 43 volumes
EDITOR: Fernando Gil
Imprensa Nacional - Casa da Moeda (Portugal)
~R$ 90,00 por volume
Questionamentos sobre as formas de sistematização do conhecimento humano sempre fizeram parte do corpus de discussão acadêmico/científico. E hoje, diante das atuais concepções sobre a natureza interdisciplinar das ciências, há a necessidade de se intensificar a busca de critérios para uma sistematização que dê conta desse pluralismo. Um substancial exemplo dessa demanda seria a necessidade diagnosticada, pela comunidade científica, de adaptação e atualização da Tabela de áreas do conhecimento (CAPES/CNPq) utilizada no âmbito das políticas científicas, para desenvolvimento de pesquisas e captação de recursos.
Entretanto, a reestruturação das relações entre os assuntos que fazem parte das áreas do conhecimento humano remetem à entraves de ordem tanto lógica como social. Assim entende-se ser adequado retomar princípios clássicos de organização e sistematização do conhecimento para se tentar atender as atuais exigências de organização das áreas do saber. Contudo remontar todo o trajeto de estudos sobre a organização e a classificação do conhecimento, a partir de seus pensadores clássicos e suas respectivas obras, seria tautológico e talvez desnecessário já que o propósito das atuais discussões sobre a necessidade desta sistematização seria, pode-se dizer, pragmático. Assim, a delimitação de obras que poderiam dar, de maneira sucinta, mas confiável, os indícios, os conceitos e as concepções que nortearam os estudos sobre a organização do conhecimento seria substancial para possibilitar novas discussões.
Nesse contexto, a Enciclopédia Einaudi poderia ser um bom ponto de partida. Diferente de outras obras de referência, ao se recorrer a essa enciclopédia para consulta de um assunto, o leitor se depara não com um simples verbete mas sim com um artigo sobre o tema pesquisado. Longe de demonstrar uma visão reduzida do tema, os artigos da Einaudi demonstram uma riqueza de detalhamento nos relacionamentos entre os autores citados e as questões que permeiam o assunto em discussão, ao mesmo tempo que mantém uma intensa profundidade nas análises proferidas. Em seus 43 volumes são apresentados assuntos universais que compõe o ambiente de discussão sobre o conhecimento humano. Memória, Linguagem, Artes, Antropologia, Evolução, Religião, Subdesenvolvimento, Lógica, Guerra, Cultura, Exoterismo, Metodologias, Política, Física, Sistema, Cérebro, Tempo, Matemática, Sociedade e o próprio Conhecimento são os temas abordados nessa coleção.
E é justamente nesse tema, o Conhecimento, analisado no volume 41 da enciclopédia, que se entende haver a apresentação dos elementos que poderiam dar sustentação para as reflexões necessárias para a organização do saber. Isto porque os assuntos tratados nesse volume não se limitam a meras descrições sobre a história e os princípios de organização do conhecimento. Tratam-se de assuntos que, em certa medida, discutem as implicações inerentes ao processo de conhecer, e que, por conta disto, são essenciais para compreensão sobre o processo de constituição do conhecimento. Assim, Representar; Categorizar; Classificações; as Oposições; Inventar; Conhecer; Ciência Disciplinar e ciência categorial; Disciplinas; Controvérsia e Enciclopédia são os os temas discutidos no volume em questão. Com exceção do último item, desenvolvido por Alfredo Salsano, todo os demais foram elaborados por Fernado Gil.
Assim, as discussões desenvolvidas sobre o Representar estão focalizadas na estrutura da relação de representação. Enunciados como "A representação obtém de si mesma a sua representatividade (isto é, o seu poder de representar)", (...) "A representação inscreve-se num aparelho cognitivo (que é o seu suporte)", (...) "A representação é um produto do sujeito" [GIL, 2000, p.14], dentre outros, são analisadas a partir de diferentes linhas de pensamento. Longe de se tecer conclusões, o artigo é finalizado questionando as adequações e inadequações entre o representante e o representado.
Em Categorizar, artigo apresentado em seqüência, questões como "As categorias constituem uma classificação de conceitos ou designam os summa genera da realidade?" (...) Ou ainda, "Como se apuram as categorias?"(...) "Por que se escolhem umas e não outras?" [GIL, 2000, p. 53], norteiam as investigações feitas e que se estruturam a partir das exposições proferidas a respeito do estatuto do pensamento categorial. A ontologia, o conceito de gênero, o sentido, a ambigüidade, a epistemologia e os próprios requisitos das categorizações são os tópicos analisados.
Um encadeamento de significados é desenvolvido na Einaudi diferentemente de enciclopédias tradicionais em que conceitos são apresentados alfabeticamente. Por conta disso o artigo Categorizar é seguido por Classificações. O posicionamento de que a classificação se constitui como uma atividade intelectual primitiva do homem é inicialmente delimitada. Em seguida, seguem-se apontamentos sobre as coleções e sua relação com a ação de classificar e sobre as estruturas das classificações (sistemáticas). E é com observações sobre a relação entre a classificação e o conhecimento que o artigo é finalizado a partir do entendimento de que "(...) a classificação pode mesmo revelar-se a expressão mais elevada do conhecimento, e, então, ela não arruma conhecimento, mas produ-lo."( GIL, 2000, p.108).
O artigo Oposições dá encadeamento as essas concepções enfatizando a existência da relação entre a representação, a categorização e a classificação, com o conhecimento. A oposição é entendida como um fato cognitivo em que o pensamento se construiria também a partir de oposições. Como nos demais conceitos averiguados é feita uma delimitação histórica sobre o assunto. Nesse sentido se remontam os entendimentos produzidos na Grécia junto aos pré-socráticos, tanto referente a própria oposição quanto a negação. Os opostos são observados como fatos do ser e fatos da razão a partir de Aristóteles. As morfologias, a construção de sentido e as figuras de oposição e mediação também são apresentadas. E é especificamente na designação de uma aplicação filosófica de uno e múltiplo que oposições decisivas como finito/infinito, simples/complexo, todo/parte são efetivamente analisadas.
Na seqüência se discorre sobre o Inventar, contudo, vinculando o conceito a um conjunto de questões especificamente relativas à noção de investigação entendendo-se que esta se aplicaria aos problemas que se tem como propósito resolver. E nesse sentido, concepções sobre o que seriam perguntas, problemas, enigmas, investigação, objetividade e intersubjetividade foram estabelecidas. Especificamente os aspectos sobre o problema, enquanto fator necessário para a ação de investigação, são os mais abordados no corpo do artigo. Estratégias de resolução de problemas clássicas são expostas, ilustradas, referenciadas e discutidas. Ainda é feita menção à relação entre o acaso e os signos e faz-se o merecido destaque ao papel da escrita. A informação também é abordada buscando um esclarecimento de que ela contém uma "(...) espessura ontológica própria, autônoma relativamente aos seus suportes (biológicos, psicológicos, físicos)." (GIL, 2000, p.212). Estes suportes que determinarão as modalidades da captura e do tratamento da informação e a sua fisionomia, mas não a sua substância. Haveria uma auto-organização da informação que se realizaria gradualmente - por isso a relação desta a solução de problemas.
Em Conhecer alguns campos são investigados a partir de uma epistemologia histórica. O oral e o escrito, o esotérico, o livro, o compêndio, o ensino, o saber tradicional e a ciência, a objetividade e a intersubjetividade são apresentados em um primeiro momento, buscando um entendimento do fluxo e produção e transmissão do conhecimento. Ainda, em uma perspectiva histórica, o sujeito do conhecimento é discutido enfatizando a ordem da cognição e a relação dos erros com a subjetividade. O artigo é finalizado analisando a ciência e o papel da comunicação no processo do conhecer. Em certa medida pode-se dizer que a idéia moderna do conhecimento "(...)modela as condições e as formas da produção teórica, assim como escolhe os bons objectos e define os modos de os tratar: um mesmo habitus envolve as competências cognitivas e as teorias." (GIL, 2000, p.277). Nessa perspectiva é feita a ressalva de que: "Ou o sujeito normalizado se deixa absorver pelo mecanismo que ele próprio mantém vivo - enquanto autor ou destinatário da ciência - ou ficará totalmente fora dele." (GIL, 2000, p.286). Assim a aquisição do habitus seria uma problemática estabelecida a partir do caráter descontextualizado do conhecimento moderno.
E frente a esta condição do conhecimento moderno, são analisadas, no artigo seguinte, a Ciência disciplinar e a Ciência categorial. A teoria aristotélica das disciplinas e a ensinabilidade do saber, assim como o ideal de uma ciência universal e a história moderna das disciplinas (invenção e organização do saber) são elucidadas. De certo modo, o foco central do artigo trata dos principais paradigmas ocidentais do saber científico sendo eles a pluralidade disciplinar e a idéia de uma ciência geral e única.
"As Disciplinas são elos unindo aprendizagem e criação, a aquisição e a produção dos conhecimentos ." (GIL, 2000, p. 329). Com essa definição se inicia o artigo sobre disciplinas e que se segue dissertando sobre as categorias do ensino e a relação da pedagogia com a formação dos espíritos. Ressalta-se a necessidade de organização do conhecimento e dos currículos enquanto pressuposto para o ensinar, contudo, acrescenta-se que a idéia de currículo não está convenientemente apurada para uma aplicação unânime.
E é no contexto dessas discussões sobre a padronização dos saberes que o artigo Controvérsia vem apresentar articulações sobre a relação da existência de problemas e oposições para o desenvolvimento do conhecimento. O artigo tem, como um de seus questionamentos, a condição humana de apenas afrontar duas teses dado os recursos intelectuais binários que o homem dispõe. Como exemplo disto apresenta a controvérsia sobre as causas das monstruosidades (defendida entre 1724 2 1743) e a controvérsia sobre o plano da composição (de 1830). O interesse principal da controvérsia estaria na seu papel de "revelador dos limites da objectividade: deixam imediatamente ver a relatividade, tanto da validade objectiva quanto da validade universal do conhecimento (...) a relatividade de uma se atesta e se mede pela relatividade da outra, e reciprocamente" (GIL, 2000, p. 366).
E é com o artigo Enciclopédia que se finaliza o presente volume. Isto por entender que ela representaria o "(...) constitutivo da racionalidade com base na qual se transmite o saber: um saber identificado com uma soma de conhecimentos que se consideram adquiridos, quando muito passíveis de actualização." (SALSANO, 2000, p.369). A forma da enciclopédia, independente de sua natureza universal ou disciplinar possuiria uma indiscutível validade própria. Seria a "(...) pretensão de unificar o que permanece irremediavelmente distinto, de fixar uma totalidade que continuamente se decompõe para novamente se recompor em outras formas." (SALSANO, 2000, p. 372). O artigo trata de traçar o nascimento da enciclopédia moderna como também discutir como seria a conservação e a transmissão do saber antes dela. A organização do conhecimento em bibliotecas e escolas é analisado estabelecendo as possíveis relações entre eles e a Enciclopédia e vice-versa. A institucionalização das Enciclopédias também é enfatizada. Além disto, esquemas de sistematização do conhecimento são ilustrados e discutidos.
Acredita-se que o volume apresentado reuniu, em certa medida, os principais
elementos constitutivos daquilo que precisaríamos compreender antes
de nos propormos a produzir e organizar conhecimentos. A delimitação
feita a respeito das discussões sobre os principais conceitos que
possibilitam uma reflexão sobre o Conhecimento, encadeados neste
volume, propiciam ao seu leitor, ter uma dimensão da complexidade
da natureza e do dinamismo da construção do conhecimento.
E é por isso que se poderia considerar essencial a leitura destes
artigos introdutórios para contextualizar e até mesmo fundamentar
decisões quanto as diferentes e constantes demandas de organização
do conhecimento.
Recensão escrita por Luciana de Souza Gracioso
Doutoranda em Ciência da Informação - PPGCI/IBICT/UFF
Linguagem documentária: teorias que fundamentam sua elaboração
Maria Luiza de Almeida Campos
Niterói, RJ: EdUFF, 2001. 133 p.
Linguagem documentária é fruto da pesquisa realizada por Campos para sua dissertação de mestrado em Ciência da Informação do Convênio CNPq/IBICT-UFRJ/ECO, apresentada em 1994 e intitulada "Em busca de princípios comuns na área de representação da informação: uma comparação entre o método de classificação facetada, o método do tesauro baseado em conceito e a teoria geral da terminologia", orientada pela Profa. Hagar Espanha Gomes.
Com Linguagem documentária, Campos retoma a abordagem teórica na área de Organização do Conhecimento com vistas a subsidiar as atividades de classificação e indexação, propriamente ditas, bem como a construção e avaliação de linguagens documentárias, inaugurada pelo Padre Astério e continuada por Hagar Espanha Gomes.
Campos tem se dedicado a investigar os fundamentos teórico-metodológicos que embasam a prática da construção de esquemas de classificação, tesauros e ontologias. Em sua trajetória, iniciada pela formação em Biblioteconomia e Documentação da UFF, consolidada por estudos avançados através do mestrado e doutorado em Ciência da Informação do Convênio CNPq/IBICT-UFRJ/ECO, evidencia a necessidade do uso de princípios para nortear a elaboração de sistemas de conceitos. Linguagem documentária é obra de interesse para bibliotecários, arquivistas, documentalistas, museólogos, cientistas da informação e da computação, assim como para professores e pesquisadores que atuam no campo da Organização do Conhecimento e da Representação da Informação.
Com Prefácio de Hagar Espanha Gomes, Linguagem documentária apresenta cinco capítulos, além do Conspectus (Pré-texto): 1 Introdução, 2 Teoria da Classificação Facetada, 3 Teoria da Terminologia, 4 Teoria do Conceito e 5 Princípios Comuns entre as Teorias.
O Pré-texto da obra aponta para a carência de estudos teórico-metodológicos na área de representação/recuperação da informação no País.
Na Introdução, os sistemas de recuperação da informação são abordados considerando seu princípio geral de possibilitar o acesso à informação aos usuários através das linguagens documentárias como instrumentos de representação/recuperação da informação, por exemplo, os esquemas de classificação e tesauros. Trata também das terminologias que, no ambiente da comunicação científica, tem como conceitos e termos como elementos assim como os esquemas de classificação e tesauros. No ambiente da produção do conhecimento apresenta os espaços comunicacionais e informacionais que, mesmo de naturezas distintas, estão imbricados. Campos apresenta ainda na Introdução de sua obra, uma revisão de literatura acerca da sistematização da construção do esquemas de classificação, tesauros e classauros.
O objetivo da obra Linguagem documentária é demonstrar a existência de princípios comuns entre a Teoria da Classificação Facetada, a Teoria Geral da Terminologia e a Teoria do Conceito, que podem contribuir para melhorar as bases teóricas da área de Organização do Conhecimento, os quais também evidenciam a interdisciplinaridade na questão da representação/recuperação da informação. Campos apresenta ainda na Introdução de sua obra uma revisão de literatura acerca da sistematização da construção dos esquemas de classificação, tesauros e classauros.
Nos Capítulos 2, 3 e 4 são tratadas pela autora as teorias de forma didática e com propriedade.
No Capítulo 2, aborda a Teoria da Classificação Facetada, criada por Shialy Ramarita Ranganathan na década de 30 do Séc. XX.. Destaca os princípios da Teoria da Classificação Facetada e analisa o desenvolvimento da classificação bibliográfica e caracteriza os esquemas de classificação descritivos e aqueles com base na teoria dinâmica da classificação. Os princípios da Teoria da Classificação Facetada estão dispersos nas obras The Five Laws of Library Science (1931) ; Colon Classification (1933) e Prolegomena to Library Classification (1937).
No The Five Laws of Library Science Ranganathan apresenta as leis fundamentais da Biblioteconomia e o Universo do conhecimento e sua dinâmica; na Colon Classification uma tabela é organizada pelas áreas de conhecimento, onde cada área é categorizada através do PMEST, em cada categoria são apresentadas as facetas e em cada faceta os conceitos são organizados em classes de conceitos, aqui utiliza o Método analítico-sintético; e no Prolegomena to Library Classification os planos de trabalho da classificação: ideacional (plano dos conceitos e sua organização); Planos verbal e plano notacional (planos que permitem a comunicação e a representação da informação/documentos). É no Prolegomena que são estabelecidos os postulados, os princípios e os cânones.
Campos evidencia que o Conceito é o Assunto básico + isolado=>elemento combinatório.
Exemplo: Psicologia Infantil, com a seguinte Notação: S1, onde S=Psicologia (assunto básico), 1= Criança (isolado), o termo é a Notação e as Relações entre conceitos são Genérico-específicas e Partitivas. A organização dos conceitos se dá pelas Categorias (PMEST), Facetas, Classes e Características, onde os princípios importantes são os cânones para a identificação das características, para a formação dos renques e cadeias e para a seqüência filiatória.
Os princípios da Teoria da Classificação Facetada são indicados a partir do Universo do Conhecimento e sua dinâmica e do Universo de Assuntos, onde conhecimento é definido como a "totalidade de idéias produzidas pela humanidade" e assunto como "um corpo de idéias organizadas e sistematizadas".
No Universo de Trabalho da Classificação apresenta os planos ideacional, verbal e notacional, onde o plano verbal é o plano de trabalho da classificação no qual o conceito é formado e analisado e os planos verbal e notacional, são os planos da representação do conceito, permitindo a sua comunicação.
Para a construção de estruturas classificatórias/sistemas de conceitos são necessários alguns elementos baseados em princípios: unidades classificatórias, características, renques e cadeias, facetas e categorias fundamentais. No Universo do Conhecimento, tendo os conceitos como unidade, os princípios arrolados permitem que os conceitos sejam estruturados de forma sistêmica.
A Teoria da Terminologia, apresentada no Capítulo 3 de Linguagem documentária, foi elaborada por Wüster, também na década de 30 do Séc. XX. Eugene Wüster (Engenheiro Austríaco) organiza a terminologia de Eletrotécnica e elabora a Teoria Geral da Terminologia, onde a terminologia se ocupa dos conceitos de uma língua técnica ou língua especial os quais se relacionam entre si, formando um sistema de conceitos.
Wüster cria a Escola de Terminologia de Viena, que origina outras duas escolas a Escola Soviética de Terminologia, sob a responsabilidade de D. S. Lotte , a qual privilegia o aspecto sistêmico dos conceitos e a Escola de Praga de Terminologia, cujo precursor é L. Drozd, onde as bases lingüísticas são privilegiadas.
Na Teoria da Terminologia o Conceito é a unidade de pensamento que infere sobre um item de referência da realidade empírica, as características servem para a sistematização dos conceitos e o Termo para sua representação, sendo a Unidade de comunicação que representa o conceito que é determinado de forma prescritiva e depende do sistema de conceitos no qual está inserido, possuindo uma univocidade relativa. As Relações entre conceitos são Lógicas e Ontológicas. A Organização dos conceitos se dá através da Formação de classes de conceitos - Sistemas de conceitos e a Definição tem a função de revelar a posição do conceito num sistema de conceitos.
No Capítulo 4 Campos descreve a Teoria do Conceito. Primeiro apresenta as duas vertentes históricas do Tesauro Tradicional: oTesauro da América do Norte, originado do Unitermo - Palavra única e o Tesauro na Europa baseado na Teoria da Classificação Facetada que passou a ser utilizada pelo British Classification Research Group - CRG, criado em 1952 e que tem como um dos integrantes Jean Aitchison que criou o Thesaurofacet , com uma apresentação de uma parte sistemática, apresentando soluções lingüísticas (Fatoração) para as questões que envolvem o termo.
Inguetraut Dahlberg, filósofa alemã, na década de 1970 cria a Teoria do Conceito aproveitando os Princípios terminológicos - TGT (Wüster) e os Princípios de classificação - TCF (Ranganathan). Diferente da TGT o conceito na Teoria de Dahlberg é a Unidade de conhecimento e é graficamente representado pelo triângulo conceitual, cujos elementos são o Referente, as Características e a Denominação. O termo é o elemento que permite a comunicação do conceito e as Relações entre conceitos se são Genérico-específicas - TG/TE, Partitiva - TGP/TEP e Associativas - TA. A Organização dos conceitos ocorre pelas Categorias/Facetas e Classes de conceitos e Definição, ao contrário dos tesauros tradicionais, é um dos elementos que permite o posicionamento do conceito no sistema de conceitos.
Ainda no Capítulo 4, Campos registra as experiências de organização de tesauros que adotaram os princípios de classificação, as contribuições da Terminologia e da Teoria do Conceito, partindo do estudo piloto de Tesauro para a Deutsche Bibliothek de Dahlberg até o Manual de elaboração de tesauros monolíngües coordenado por Gomes.
O ponto alto de Linguagem documentária é o Capítulo 5, onde Campos compara as teorias analisadas, verificando o que existe de semelhante entre as mesmas, considerando principalmente, a base teórico-metodológica utilizada na construção de estruturas classificatórias para as linguagens documentárias verbais e notacionais, evidenciando os elementos constitutivos dessas estruturas: os conceitos e termos, as relações entre os conceitos e os sistemas de conceitos.
Linguagem documentária é aqui recomendado pela
seriedade e aprofundamento exercidos por Campos em sua empreitada, quem
já possui o seu exemplar, conserve-o, pois está esgotado
e sua segunda edição é aguardada por muitos.
Recensão escrita por Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda
Graduado em Biblioteconomia e Documentação pela UFF
Mestre e Doutor em Ciência da Informação pelo
Convênio CNPq/IBICT-UFRJ/ECO
Professor e Diretor da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO
Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Organização
do Conhecimento para Recuperação da Informação
da UNIRIO