Resumo:
Apresenta os resultados de pesquisa da apropriação da Terminologia pela
Lingüística Documentária a partir de experiência didática. Parte do
pressuposto da existência de relações entre a modelização do conhecimento e
a modelização documentária e informacional promovidas respectivamente pela
Terminologia e pela linguagem documentária e relata etapas do trabalho
concreto que mobilizam referenciais terminológicos e documentários visando o
aprimoramento das linguagens de intermediação em sistemas informacionais.
Palavras-chave: Terminologia; Lingüística documentária; Linguagem documentária; Experiência didático-pedagógica; Ensino.
Abstract: It presents the findings of the
investigation in the interface between Terminology and Documentary
Linguistics by its aplication in a didactic experience. It presupposes the
existence of solidary relations between the knowledge modelization and the
documentary and informational modelization promoted respectively by the
terminology and the documentary language. Describes the steps of the work
that articulates the terminological references and the documentary
references to the improvement of the intermediation languages in the
informational systems.
Key words: Terminology; Documentary linguistics;
Documentary language; Teaching; Didatics and pedagogical experience
.
Introdução
A apropriação das contribuições da Terminologia pela Lingüística Documentária tem apresentado resultados promissores para o refinamento dos princípios teóricos e metodológicos de organização de linguagens documentárias.
No interior da Ciência da Informação, a Lingüística Documentária constitui
um campo de estudos que se propõe a observar os problemas que caracterizam a
linguagem documentária como uma forma específica de linguagem inscrita no
universo da linguagem geral. O termo Lingüística Documentária foi
originalmente proposto por García Gutiérrez (García Gutiérrez,
1990) a partir do pressuposto de que os problemas relacionados à informação
são problemas de linguagem.
Para identificá-los e enunciá-los adequadamente há de se reconhecer o âmbito da origem dos mesmos através do estabelecimento dos vértices do sistema lingüístico documentário. Buscam-se então, para isso, os fundamentos nas ciências da linguagem mobilizando conhecimentos da lingüística, da terminologia, da semântica, da gramática aplicada à gestão da informação, como em campos relacionados, como a análise do discurso, a análise do conteúdo e, de modo geral, as ciências cognitivas (García Gutiérrez, 1998).
O trabalho de García Gutiérrez remonta às iniciativas de Jean-Claude Gardin (Gardin, 1973), que também marcam as propostas desenvolvidas por autores brasileiros na procura de referenciais para as discussões da mediação documentária (Smit, 1974; Smit, 1978; Smit (org.), 1989; Cintra et al., 1993; Lara, 2004a; Lara 2004b; Lara, 2006; Tálamo, 1997; Tálamo, 1999; Tálamo, 2001; Tálamo & Lara, 2006, entre outros). Em comum, tais trabalhos procuram entender o funcionamento da linguagem para tratamento da informação tanto no que interessa à sua construção quanto no que circunscrevem os propósitos metodológicos para a confecção de produtos.
A elaboração dos produtos documentários se caracteriza como um processo
sucessivo de escolhas que vão desde a seleção dos textos a serem analisados
até a expressão das formas de sua disseminação que integram os sistemas
informacionais, não sendo possível, pelo seu caráter 'industrial' (Gardin,
1973) verificar detalhadamente as condições de produção das unidades
tratadas. Tais atividades são carregadas de valores e, para evitar que esses
sejam aleatórios e dependentes das escolhas pontuais dos indexadores, é
necessário tomar como base políticas institucionais que assegurem a
possibilidade de interpretações razoavelmente respaldadas nas formas
compartilhadas de compreensão da informação.
É nesse sentido que se realiza o diálogo da Lingüística Documentária com a
Terminologia que, enquanto campo de estudos, observa os discursos das áreas
de especialidade propondo metodologias para a descrição de seus termos, com
a finalidade de estruturar o campo nocional da especialidade. Tais
discursos, até bem pouco tempo identificados com as 'linguagens de
especialidade', que se caracterizariam por 'peculiaridades especiais' como a
temática, os tipos de interlocutores, as situações de comunicação e de
intercâmbio etc. (Cabré, 1993), são atualmente
compreendidos como construções lingüísticas cujos léxicos muitas vezes se
confundem com o léxico comum (Krieger, 2001), como ocorre
grande parte das vezes com os discursos das humanidades. Estariam em questão
os limites que separam os discursos da 'ciência' e os da linguagem comum.
Por esse motivo, a Terminologia contemporânea propõe observar as
terminologias in vivo (Boulanger, 1995) por meio da
análise de corpora discursivos.
A Terminologia desenvolve reflexões teóricas sobre suas bases conceituais,
como metodologias de trabalho. Seus objetivos aplicados se relacionam à
observação dos discursos especializados nas áreas do saber ou de atividade,
visando principalmente a construção de dicionários e glossários
especializados. Funcionalmente, a Terminologia é veículo de conhecimento,
aspecto importante para a descrição e recuperação da informação.
O conjunto de termos que se relacionam mutuamente permite subsidiar a interpretação global do conjunto de unidades documentárias selecionadas pela linguagem documentária.
Decorre do exposto que a Terminologia modeliza o conhecimento como campo
nocional; a linguagem documentária, modeliza a informação, para constituir
sistemas informacionais. A construção da linguagem documentária se apóia nos
desenvolvimentos da Lingüística Documentária, especialmente na hipótese que
formula para a organização de linguagens de informação – ordens de
organização do conhecimento e da informação - que articulem referenciais
institucionais associados aos quadros nocionais e linguagens compartilhadas
por produtores e usuários.
Portanto, como campo de estudos, a Lingüística Documentária apóia seus fundamentos teóricos na construção de vértices oriundos da emissão, da recepção e do sistema de informação concebido como oferta de sentido. Na formalização da linguagem documentária, nesse sentido, combinam-se dados da produção e da recepção em um sistema documentário, o que permite responder pelo caráter socializado da informação documentária.
O diálogo entre a Terminologia e a Lingüística Documentária se realiza no
plano teórico e metodológico, não se restringindo, portanto, ao empréstimo
pontual dos termos utilizados nas áreas do saber ou de atividade. Do ponto
de vista da Lingüística Documentária, a organização e representação da
informação requer, necessariamente, a integração sistemática e articulada do
vocabulário de especialidade. Trata-se de uma apropriação que obedece,
também, a critérios documentários: 'tornar próprio' um conhecimento se
traduz como atitude que orienta a pesquisa para a interdisciplinaridade
enquanto categoria de ação, cujos resultados prevêem a reorganização dos
conceitos sob a ótica das práticas documentárias. O processo não é simples e
sua sedimentação depende, também, da experimentação prática.
Uma experiência didática: a disciplina Introdução à Terminologia para a
Documentação [2]
Trabalhar na interface entre a Lingüística Documentária e a Terminologia
visa principalmente contribuir para o aperfeiçoamento das metodologias de
organização da informação via linguagem documentária.
Nesse espírito, procura-se oferecer ao aluno de graduação um conjunto de referências teóricas e de práticas experimentais que o levem a conhecer as possíveis contribuições da Terminologia ao fazer documentário. Interessa à formação a teorização, a interpretação e a proposição de metodologias de organização da informação que não sejam restritas aos ambientes tradicionalmente identificados como 'documentários', ampliando o escopo do termo linguagem documentária para caracterizar a linguagem utilizada com a finalidade de organizar, permitir a navegação, a recuperação e a busca da informação em ambientes web, dentre outros.
Se nos dias atuais, o acesso à informação é feito por várias vias, não se
pode negar a superioridade econômica e cognitiva da linguagem documentária
que, na sua função mediadora, organizar a busca, frente a um quadro de
grande desequilíbrio entre produção do conhecimento e possibilidade real de
consumo da informação (Gardin, 2001). Busca-se, na
Terminologia, referenciais para o aperfeiçoamento desse instrumento de
mediação.
Do ponto de vista didático-pedagógico, propõe-se a exploração teórica e
metodológica da Terminologia, como o uso concreto de seus produtos,
consubstanciados em dicionários temáticos especializados e glossários. No
primeiro caso, se ganha no aperfeiçoamento dos procedimentos de descrição
das unidades conceituais; no segundo, evita-se interpretações erráticas dos
descritores, oriundas de universos semânticos fora do escopo temático
nuclear de interesse.
O uso da Terminologia (e das terminologias) resolve(m) indiretamente o problema ocasionado pelo isolamento dos termos de seus contextos de uso, uma vez que as fontes utilizadas são os discursos de especialidade, solo de referências contextuais e expressão de uso efetivo das unidades com valor terminológico, o que permite atualizar conceitos relativos a estados de socialização do conhecimento.
A metodologia utilizada procura associar procedimentos presentes nos
trabalhos terminológicos, terminográficos e documentários, vinculando as
operações terminológico-documentárias à idéia de que a organização do
conhecimento tem como objetivo precípuo o estabelecimento de mediações para
acesso, circulação, distribuição e re-uso da informação conforme enunciado
pelo ciclo social da informação, um dos fundamentos da própria Ciência da
Informação.
De modo concreto, a proposta didático-pedagógica visa criar condições para
que os alunos identifiquem os diferentes tipos de texto, compreendam o
significado da linguagem de especialidade no conjunto da língua, sua
importância na expressão do compartilhamento da linguagem como dos conteúdos
informacionais, além do papel das unidades terminológicas e dos conceitos na
estruturação dos significados, como formas de apoio à construção das redes
relacionais entre os descritores da linguagem documentária.
Propõe-se, inicialmente, a análise de pequenos corpora que reúnem
bibliografia de características crescentemente especializada (de textos de
divulgação científica, para científicos propriamente ditos), geralmente
sobre um temática atual. Após sua leitura, são identificados os termos (em
algumas vezes, frases), considerados mais importantes para a compreensão do
texto e, seguindo discussão coletiva, são selecionados os termos do
vocabulário conceitual e do vocabulário funcional [3],
sendo que sobre os primeiros incidirão os procedimentos de descrição
terminológica.
Os termos são registrados em fichas terminológicas de coleta
(simplificadas, tendo em vista os objetivos documentários) com o termo
candidato, suas definições, se existentes, contextos de uso (transcrições
literais do termo no enunciado onde aparecem), fonte, domínio, responsável
pelo preenchimento e data.
Fig. 1.: Exemplo de ficha terminológica de coleta

Por meio da experiência prática são propostos os fundamentos sobre as
tipologias de textos - do cotidiano, de divulgação, especializado - que
permitem discutir os diferentes níveis de especialização da linguagem dentro
da língua geral, especialmente as relações que mantêm entre si, as quais no
plano interpretativo subsidiam a passagem de um nível para outro.
Através desse procedimento heurístico, os alunos são orientados a identificar as características e funcionalidades do termo, não só como palavra qualificada do discurso, mas também como expressão de conceito. O que está em jogo nesta etapa é a relação entre o termo e os seus usos, algo inexistente de modo claro na prática documentária estrita.
Registrados os contextos de uso, cada grupo de alunos seleciona cerca de
três termos sobre os quais desenvolverá um trabalho mais aprofundado. Os
contextos são analisados, de início, para a identificação de características
nocionais, que são posteriormente organizadas segundo atributos de
semelhança e registradas em fichas terminológicas de síntese.
Desse modo, conforme a prática terminológica aplicada se desenvolve, os
alunos vão operando e se familiarizando com a idéia do conceito como feixe
de características ou traços.
Fig. 2: Exemplo de ficha terminológica de síntese: Termo: Gripe aviária

Nesse momento se introduz a discussão teórica sobre a constituição e função
do sistema de conceitos. Os alunos são conduzidos a organizar, primeiramente
de modo intuitivo, uma espécie de mapa conceitual relativo à parte do
domínio focalizado - a árvore de domínio [4] - e, em
seguida, realizar tentativas de localizar tais conceitos no domínio de
especialidade.
O exercício é retomado a partir da discussão sobre categorias e
categorização (utilizando referenciais da Documentação), procedendo-se à
reorganização do conjunto segundo princípios abstratos de alta
generalização.
Fig. 3: Exemplo de árvore de domínio: gripe aviária

Fig. 4: Outro exemplo de árvore de domínio

Pelo exercício, é possível verificar que a exploração da noção de sistema
nocional, enquanto conceito teórico, permite operacionalizar a organização
dos termos segundo categorias genéricas relacionadas primeiramente à noção
de conjunto e, em seguida, de encaixe.
Parte-se do entendimento teórico do conceito para a proposição de um modo aplicado de abordá-lo no contexto da prática documentária. Por meio da noção de conjunto, os termos são distribuídos, de modo intuitivo, em categorias de alta generalização, utilizando-se a árvore de domínio como recurso de visualização.
Esses agrupamentos são refinados, em seguida, utilizando-se a noção de encaixe e de associação, quando são retomados os dados da ficha terminológica de síntese, base para a observação dos traços definicionais dos termos.
Tal procedimento marca a articulação da metodologia terminológica e da
documentária, quando são introduzidos os referenciais já sistematizados pela
Lingüística Documentária que remetem à lingüística, à semântica, à lógica, à
pragmática, como o próprio conhecimento acumulado nas práticas
documentárias. Em torno da noção de categoria e categorização, por exemplo,
são mobilizados os conhecimentos dos princípios da classificação facetada
formulados por Ranganathan e Vickery,
entre outros (Ranganathan,1959; Vickery,
1963). Nesse processo são trabalhados, simultaneamente, graus de
generalidade, encaixe lógico, associação por contigüidade espaço-temporal e
sinonímia.
Fig. 5 - Exemplo: Reorganização dos termos em categorias observando
informações das fichas terminológicas e os princípios de organização
facetada.

As informações registradas nas fichas terminológicas são fundamentais para
se proceder à contínua reorganização do conjunto, substituindo-se o produto
intuitivamente construído, por outros que incluem a observação mais
detalhada dos traços dos conceitos, e para legitimar a organização tendo
como base os contextos de uso efetivo dos termos.
As decisões sobre a categorização e a classificação se mostram, dessa maneira, como resultado da observação dos enunciados realizados nos domínios de especialidade, o que permite substituir a organização empírica por outra fortemente vinculada à literatura de especialidade.
O percurso realizado permite, em seguida, construir a rede relacional do
tesauro documentário. As informações teóricas e as coletadas no processo do
trabalho fornecem as referências para a identificação das categorias
funcionais do tesauro, dos níveis de superordenação e subordinação lógica
dos termos, das associações de contigüidade espaço-temporal e da rede de
equivalências sinonímicas, recorrendo-se, nesse ponto, aos indicadores
simbólicos das relações tradicionais dos tesauros: Top Terms ou Categorias
Temáticas, níveis de subordinação via TGs e TEs, associações horizontais e
transversais por meio dos TRs, e equivalências, que compreendem sinonímia e
quase-sinonímia, sejam lingüísticas ou não.
Fig. 6: Exemplo de rede relacional de termos no tesauro

O conjunto de informações levantadas permite, também, associar ao tesauro,
um glossário: os elementos que serviram de alicerce à construção dessa
linguagem documentária podem, posteriormente, ser reutilizadas para fornecer
meta-informação: definições e explicações de uso dos termos que podem
auxiliar o acesso e uso das informações.
Realizado o exercício acima, os alunos têm condições de trabalhar sobre um
tema livre, seguindo um roteiro específico que compreende a seleção de um
corpus básico para a pesquisa, a seleção de termos do vocabulário conceitual
e do vocabulário funcional, o registro dos contextos dos termos em ficha de
coleta terminológica, o registro da síntese a partir da observação das
características, a formulação de uma definição, a proposta de categorias e a
construção de uma árvore conceitual de domínio aproximativa, a reorganização
da árvore com base nas informações das fichas terminológicas de coleta e de
síntese, a estruturação dos termos sob forma de tesauro a partir de uma
hipótese de organização e a construção do glossário para o tesauro
terminológico.
Do ponto de vista operacional, a disciplina conta com o apoio de um site
didático no endereço [
http://infobservatorio.incubadora.fapesp.br/portal ].
Em pasta específica, são disponibilizadas informações sobre o programa,
bibliografia, slides com os roteiros de aula referentes aos conteúdos
teóricos e metodológicos, links para textos integrais, exemplos e espaço
para publicação de exercícios dos alunos, para o registro de suas dúvidas,
além de comentários mútuos dos grupos aos exercícios realizados. Todas as
etapas dos exercícios e dos trabalhos são publicados, com a oportunidade de
se acrescentar comentários dos próprios alunos e do professor.
Considerações finais
A experiência didática, de natureza interdisciplinar, desenvolvida na
disciplina Introdução à Terminologia aplicada à Documentação permite
entender que a importância da Terminologia para o aprimoramento das
metodologias de construção de tesauros e de instrumentos de organização da
informação para o acesso, depende do estabelecimento de recortes
disciplinares e da identificação de operações aplicadas para a elaboração
efetiva de interface.
A Terminologia teórico-metodológica contribui para o aperfeiçoamento das metodologias de construção de tesauros e de linguagens documentárias de um modo geral porque fornece as bases para o entendimento do conceito e das unidades terminológicas, do sistema conceitual e das redes relacionais de natureza lógico-semântica e pragmática entre os termos que responde pela estruturação desses instrumentos.
A terminologia concreta, por sua vez, garante as referências para a interpretação dos descritores do tesauro. Para a Terminologia, a Lingüística Documentária, propõe a questão, que parece ser fundamental em nível de comunicação especializada, sobre o efetivo retorno social dos trabalhos descritivos levado a cabo sobre os textos de especialidade no que tange sua contribuição para o desenvolvimento de efetiva cultura informacional para a sociedade e não apenas para segmentos delimitados.
A experiência didático-pedagógica também mostra que o trabalho terminológico
e terminográfico, na ausência de dicionários especializados, o que é um
problema freqüente, confere as bases para o levantamento e validação do uso
dos termos nos domínios especializados, permitindo substituir práticas
empíricas por procedimentos fundados na observação das unidades que adquirem
valor terminológico nos discursos de especialidades. Do mesmo modo,
encaminha-se a solução das questões de uso, alterando-se a ênfase usualmente
conferida apenas à estruturação do vocabulário.
Tal como se encontra desenvolvida na disciplina em questão, a interface
trabalhada evidencia que a associação modelização terminológica e
documentária permite não só a qualificação consistente dos operadores de
sentido e a introdução de operadores contextuais para a codificação dos
descritores, como a observação da linguagem compartilhada nos domínios do
saber e de atividades.
O investimento interdisciplinar conduz, portanto, à alteração do quadro das práticas eminentemente empíricas de construção de linguagens documentárias e à observação efetiva do uso socializado dos termos. Sua exploração didática por meio da disciplina 'Introdução à Terminologia aplicada à Documentação' mostra, de um lado, a importância dos referenciais terminológicos teóricos, metodológicos e concretos; por outro, a importância do uso dos referenciais documentários de categorização, classificação e organização de universos temáticos segundo pontos de vista funcionais ou hipóteses de organização.
Do ponto de vista metodológico, verifica-se que o aperfeiçoamento da
disciplina depende de contínuo investimento teórico, da experimentação, como
também de articulação de esforços entre docentes.
Ao ministrar a disciplina são enfrentados problemas de várias ordens, dentre eles: a dificuldade de definir um corpus que seja simultaneamente reduzido, em função do tempo disponível para sua exploração em classe, mas suficientemente amplo para abarcar um conjunto de conceitos que permita realizar exercícios que compreendam todas as etapas do trabalho; a complexidade do trabalho com conteúdos especializados em diferentes áreas do conhecimento ou de atividade; a necessidade de coordenar as disciplinas e as atividades dos professores em classe para o enfrentamento simultâneo dos diferentes aspectos da questão da linguagem documentária; a imprescindível presença de monitores para o acompanhamento do trabalho dos alunos, como a obrigatoriedade de se desenvolver o trabalho em laboratório etc.
Ao lado das dificuldades, porém, a disciplina tem mostrado resultados que
ultrapassam, em certa medida, os seus objetivos iniciais. Pode-se ressaltar
nesse sentido a manifestação de alunos quanto à propriedade da metodologia
como indutora do aperfeiçoamento de recursos didáticos para o ensino, ao
permitir simultaneamente, a possibilidade de organizar quadros gerais sobre
campos temáticos e disciplinares, como para introduzir a linguagem desses
mesmos campos.
Do mesmo modo, registra-se a importância do uso de procedimentos terminológicos e terminográficos para sistematizar os conceitos explorados na realização de monografias sob temas diversos. Para além desses benefícios, ressalta-se, por fim, que a Lingüística Documentária pode contribuir efetivamente para a proposição de metodologias para a elaboração de produtos híbridos – info-comunicacionais- economicamente factíveis e politicamente imprecindíveis para o desenvolvimento da cultura informacional que almeja a Ciência da Informação promover na sociedade contemporânea.
Notas:
[1] Trabalho elaborado com base em texto apresentado ao
VII ENANCIB, Marília, 2006 (Lara & Tálamo, 2006) e a partir de pesquisas
individuais das docentes.
[2] Disciplina de Graduação oferecida como optativa (60h) no curso de
Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP, 2005-2007.
[3] O vocabulário conceitual é relativo aos termos que, por sua forma ou
significado, denominam as realidades específicas da especialidade; já o
vocabulário funcional é constituído das expressões da linguagem natural que
fazem parte do vocabulário dos especialistas (Dubuc,
1999).
[4] Árvore de domínio: diagrama ou estrutura que organiza, de modo
funcional, os conceitos de uma área temática. Tal árvore não representa uma
classificação científica, mas uma maneira funcional de agrupar os conceitos
de acordo com seu parentesco (Dubuc, 1999).
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Sobre as autoras / About the Authors:
Marilda Lopes Ginez de Lara
larama@usp.br
Profa.. Doutora, Depto. de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Maria de Fátima Gonçalves Moreira Tálamo
mfgmtala@usp.br
Profa. Doutora, Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.